aprendi a odiar

Eu aprendi a lidar. Acho que é a única coisa que pode ser feita, lidar. Porque não dá pra esquecer, não dá pra ignorar, não dá pra odiar. Aprendi a lidar com a sua presença nos meus sonhos e pensamentos, e a lidar com a sua ausência na minha vida. Aprendi a lidar com a vontade de ter, e a lidar com a dor por não te ter. É o que tenho feito ultimamente, me esforçado ao máximo para lidar. Foi a única forma sensata que arranjei pra diminuir um pouco essa dor causada por um vazio de amor.
—  Aluador
Eu odeio segundas-feiras assim como odeio seus olhos cor-de-céu

mas não tenho um motivo sólido pra odiar segundas já que pra mim todos os dias são iguais. mas os seus olhos cor-de-céu eu odeio por ter pensado que eles poderiam ser infinitos sendo que eles não eram nada. nem mesmo o meu reflexo eu via quando os olhava, a única coisa que tinha neles era você mesmo. e como eu odiava isso! você se amava e queria que o mundo todo te amasse também. e, sim, amor próprio é maravilhoso, mas era o único amor que você tinha e isso não te destruiu, destruiu a mim que te amava intensamente. e nos seus olhos cor-de-céu eu me perdi, e também foi neles que eu aprendi a te odiar. e, deus, não suporto mais nem olhar o céu sem me lembrar de você.

Como Ser Um BOM Pai

Sou filho de pais separados desde sempre. Cresci vendo meu pai a cada lua nova de ano bissexto. Ele morava em outro Município e sempre foi uma criatura bem maluca, da qual eu não tinha nenhuma lembrança. Na verdade, tinha apenas uma, a lembrança de uma promessa que um dia ele me daria um GameBoy (Que aliás nunca deu). Era tudo que uma criança de 10 anos poderia querer?? (Na verdade Não.)

 Cresci sem pai e isso não é uma coisa que a gente se acostuma. Na verdade até os meus 5 anos (mais ou menos) eu não tinha noção do que era ter um pai/padrasto. O problema é que eu cresci mesmo. Cresci vendo os ‘pais’ dos meus amigos indo buscá-los na escola e nossa, como eu queria meu pai ali. Cresci vendo a minha mãe se acabar de trabalhar pra conseguir criar um criança sozinha e por isso tive que lidar com a ausência dela também. O pior de tudo era quando chegava o dia dos pais e eu não tinha o meu. Enfim, era essa tristeza mesmo. Bom, hoje, faz uns 9 anos que não o vejo. Às vezes até parece que eu tenho pai (pois hoje não me faz mais aquela falta de antigamente). A parte linda dessa história é o que a vida fez comigo. Eu fazia de tudo pra minha mãe não perceber, no entanto eu sentia a falta dele, eu queria muito ter um pai presente e isso doía, chorava escondido quando podia, mas mãe é mãe e no fundo acho que ela sabia. Triste, muito triste, mesmo. Era como se me faltasse algo, era como se eu não pudesse ser feliz sabendo que o destino/vida me tirou esse aparente privilégio. Como eu disse eu cresci. E hoje com 24 anos aos poucos fui percebendo que felicidade é poder olhar a minha volta e sentir o amor nas pessoas, mesmo que elas não me ofereçam isso, que ser feliz é amar ao próximo independente de quem ele seja. Alguns dias eu odiava meu pai, noutros eu o queria perto, sentia mágoa porque tudo aquilo deixava meu coração pequenininho. Hoje, não me preocupo mais se ele liga ou não, se ele se importa ou não, se ele lembra de mim ou não. Hoje eu torço por ele (onde quer que esteja), agradeço por ele e de coração eu não o odeio, não porque ele é meu pai, mas porque a vida me ensinou que amar é melhor do que odiar. Aprendi muito com tudo isso.

Eu devo ter um monte de defeitos, manias e esquisitices por conta de tudo isso, mas para minha vida acho que o grande aprendizado dessa história toda é que mãe é um bicho muito legal e importante na vida dos filhos, mas pai é menos neurótico e consequentemente, mais normal e que um BOM pai faz toda diferença.

Minha mãe sempre foi a coisa mais perto da mulher maravilha que já existiu. Eu achava/acho ela simplesmente o máximo e nunca, nunca, nunca na minha vida, senti que ela não fosse o bastante, ela sempre foi. Na verdade, não fazia a menor ideia para que servia um pai na vida de um filho. Hoje eu fico pensando e nem imagino como ela conseguiu fazer isso.

Mas dito isso tudo hoje eu só posso terminar esse texto dizendo que no fim das contas meu pai me deu um grande aprendizado, talvez o maior de toda minha vida… Aprendi: “Como ser um BOM pai, apenas serei o oposto de tudo que ele já/nunca foi um dia.


Ode ao meu pai. (Esteja onde estiver).