antonieta

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“ […] Chaves não é sobre personagens infantis, é sobre relacionamento humano e isso ultrapassa barreiras. É sobre como as pessoas comuns convivem, se detestam, se amam, sentem inveja uma da outra, depois cooperam uma com a outra… Você vê ali todo mundo em volta de miséria e pobreza, e eu não digo pobreza financeira, o pessoal da vila do Chaves são pobres de espírito. Os personagens, assim como todas pessoas, tem uma pobreza de espirito muito grande e o que o Chaves traz é um alívio gigantesco pra essa condição miserável que o ser humano tem dentro de si. Eu acho que é por isso que Chaves foi tão longe, ele é fundamentado em coisas muito verdadeiras, que falam com o indivíduo. São valores que eu tenho e que você tem, que nenhuma correção política tirou da gente e por isso a nossa identificação é tão forte com a obra. […]”

Danilo Gentili, 2014 [x]

Who watches the watcher? || Brandon & Nina

Não que ele tivesse um despertador, muito menos que seguia uma rígida tabela de horários que incluía acordar super cedo todas as manhãs, mas não era seu costume levantar depois do meio dia. Sim, ele estava grogue e com um pouco de dor de cabeça, mas isso não significava de maneira alguma que ele tinha enchido a cara na noite anterior. Para falar a verdade, Brandon não aprovava de certo modo as bebidas álcoolicas e odiava bêbados, por esse motivo, a última coisa que faria em uma noite seria encher a cara.

Deixou a confusão mental de lado e tratou de arrumar a sua cama, e o seu quarto, e a cozinha, a sala de estar e organizar o banheiro. A faxina geral da casa com certeza iria acontecer outro dia, porém, não era muito ruim já ir adiantando as coisas. Bufou. Está certo, pensou, vou fazer a faxina geral hoje mesmo.

E limpou, varreu, esfregou - não muito bem mas fez seu melhor - e empilhou livros, alinhou cadeiras. Tudo isso ocupou um tempo considerável da sua tarde, e antes que ele pudesse sair para fazer alguma coisa, mesmo que fosse xingar e reclamar da vida, percebeu que não tinha comido nem uma migalha de pão. Então foi lá, e comeu. Simples. Essa era como sua vida costumava ser, bem simples.

Então ele saiu, foi ao lago, a caminhada dolorosa por conta da leve dor de cabeça, e uma certa confusão por já observar o sol um pouco fraco, o que devia indicar que a tarde já ia acabar depois de não tanto, mas certo tempo. Não estava feliz por ter acordado tão tarde, e muito menos por ter decidido sair de casa, para uma caminhada infeliz, quando devia ter deixado o dia passar como um dia inútil no seu calendário. Não que ele tivesse um de qualquer jeito.

Enfim no lago, sentou-se na beira dele, muito do zangado, e com dor de cabeça. Inventando palavrões e descrevendo o quão idiota as pessoas eram na sua cabeça. Refletindo se era isso mesmo o que ele ia fazer. Não percebendo sua perseguidora maluca menos favorita (sequer tinha algumas mais).

O Sonho se esconde de mim,

Ou será que sou eu que me escondo dele?

Sinceramente eu não sei,

Dúvidas e mais dúvidas nublam o meu dia a dia.

Cadê minha alegria?

 

Antes eu era feita de sorrisos

Hoje sou remendada de esperança.

O futuro era algo esperado e distante

Hoje me bate a porta junto com o peso

O peso da burrice e da mesmice. 

 

Esperança feita com mentiras

Mentiras que deixam a vida passar

E lentamente vou caminhando

Em meio a esse mundo podre,

Cheio de corrupção.

 

Há muito tempo queria ser o que não sou agora;

Simples, sem graça, fechada, mimada

E principalmente acostumada

Queria ser apenas um pouquinho mais: Corajosa.

                        N.