antetisar

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Ele diz que sou a melhor amiga, e que o “amor mais que amigo” poderia estragar isso. Ele não entende que eu passei por tudo com ele, sei do que ele gosta e como fazê-lo sentir bem. Ele não sabe que se ele me deixasse amá-lo, eu cuidaria melhor do que ninguém do seu coração, afinal, não fui que o protegi das outras vadias que tentaram o quebrar? (Antetisando)

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Invejo quem te toca, quem admira teu sorriso. Enciumo o copo que toca tua boca. Morro de pensar em tua voz dizendo que ama outra pessoa, mas tu me ressuscitas ao chamar-me de minha pequena e dizer-me que estaremos juntos para sempre. Choro e sorrio pelo motivo de ser tua amiga. Me teletransporto para perto de ti e me aconchego em teus braços, bem perto do teu corpo. Abro os olhos e me escorre uma lágrima: continuo a quilômetros de ti. (Antetisando)

Vou desapegar agora. Vou desapegar de tudo que tem “triste” e afins no nome. Esquecer os textos tristes, ignorar os dias tristes. O que te faz triste? Se for a falsidade, vá a uma festa: lá existem desconhecidos que não querem te agradar, e não serão falsos contigo. Se for tua família: durma na casa da tua melhor amiga que ela te faz esquecer as brigas. Se for um amor não correspondido: Aproveite para corresponder aqueles que te amam. Só não fica triste, esquece que tristeza existe. Ama, brinca, pula, grita, até chora -de emoção-, mas faz isso sorrindo. Faz da tua vida uma festa, e não te esquece de esquecer: não fica triste, linda. Antetisando.

Carta para minha melhor amiga.

Ei, amiga, vamos fugir do clichê? Acho que nem precisa pedir, não é? Nossa amizade já é algo bem fora do comum. Quem um dia iria dizer que eu confiaria tudo e mais um pouco a você? Que você saberia mais até que eu mesma sobre mim sem ao menos ter me visto uma única vez? Que nós faríamos piadas de tudo pra poder rir quando quiséssemos chorar? Quem diria que nós poderíamos ser ainda mais idiotas? Pois bem, aqui estamos, e desde que nos conhecemos, nossa idiotice triplicou. Quem diria que eu te amaria mais que as pessoas com quem eu convivo todos os dias?

Se no dia no qual nos conhecemos, alguém me chamasse e dissesse: “Ei, ela vai ser sua melhor amiga”, eu riria muito, afinal, você costumava ser uma estranha pra mim, além de não combinarmos em nada.

Alguém já viu amizade tão engraçada como a nossa? Acho que não, viu? Porque uma contradiz a outra em tudo e ao mesmo tempo concordamos em tudinho. 

Nossa amizade é a prova de que distância não separa corações e mentes abertas, e comprova também aquele ditado que diz que opostos se atraem. 

Ah, amiga, obrigada por ter nascido, sem você, o mundo seria diferente, pra pior. Com todo carinho do mundo, da tua amiga criança pra rir e adulta pra chorar. 

(Antetisando)

— Sarah, diz alguma coisa.
— Alguma coisa.
— Não, né, outra coisa.
— Outra cousa.
— Coisa.
— Um pinitívio
— Que isso, menina?
— Outra cousa
— Quando inventastes isso?
— Agora.
—Mas de onde tirastes isso?
— Daqui. Outra cousa de agoraqui.
— Agora diz outra coisa
— Mas já falei pinitívio.
— Fala outro.
— Outro pinitívio…
— O que é um pinitívio?
— É um-
— Descreve.
— Me deixa falar. É amarelo, que nem aquela mala.
— Que mala?
— A tua, ali. E aquele livro, no meios dos teus livros, aqueles. São belos.
— O que é belo?
— Belo é o homem.
— Achas?
— E mulher.
— Mulher como?
— Mulher-mulher.
— E homem? Homem-homem?
— Aham, e mulher-homem.
— Mas a mulher-
— Aquela mulher, te quer. Mulher rima com te-quer.
— Usa a boca pra algo que faça sentido.
— Abra tua boca, deixa eu vê-la
— Aqui.
— Porque tua cabeça é desnuda?
— Porque sim.
— Tava quente, mas agora já é depois de antes.
— Falas loucuras.
— Estivera quente, a luz do sol a nos queimar. E agora teu cigarro, não me queima. Ai, isso me queima.
— Te queimaste
— Ai… nos queimamos…
— Não conta pra tua mãe.
— Cadê a mamãe agora?
Ouve-se um grito de riso.
— Parece um robô aos urros pela janela.
— Olha os mendigos na praça.
— Devem ter se assustado. O grito foi direcionado aos pobres, pobres coitados. Por de trás da varanda.
— A pegar o trem?
— E era eu quem não fazia sentido.
—  Sarah (3 anos na época) e Caco Ishak(30 anos atualmente), em 2001. 

Certas pessoas já nascer pré-destinadas a serem alguma coisa. Eu acho que nasci pra escrever. Escrevo aqui e ali sem ao menos perceber. Versinhos em guardanapos, trechos no meu braço, textos na última página do caderno. Creio que se fosse possível recapitular todos os capítulos já escritos mentalmente durante os meus banhos, eu teria escrito uma trilogia de sucesso. E se toda a minha manha de antes de dormir fosse colocada no papel, daria um belo livrinho fino de poemas melosos. O bom de toda essa história é que quem escreve também lê. E eu escrevo e leio, não por obrigação mas, por prazer. (Antetisando)