ano-ruim

tenho tido um dia ruim a anos, e isso parece nunca ter fim. sinto que vou explodir em todo minuto do dia, posso até ver o estrago da explosão, mas nunca acontece, nunca explode. é como sonhar que está caindo, você tem a sensação de que vai ser pressionado contra o chão com toda a força do mundo, mas o chão nunca chega. a única coisa que difere isso do sonho, é que é um pesadelo, e não tem nenhuma forma de me acordar dele.

Status: Carnaval /2 🎭🎨💥

É Carnaval! versão brasileira de: O que acontece em Vegas, fica em Vegas. 😂💃

A única certeza do brasileiro é o carnaval do próximo ano! 💪💛

Se está ruim pra mim, imagina pra quem vai ser traído pelo namorado no Carnaval? 😂😏

Quem é essa aí papai? 💁😂

Amor de outros carnavais! 💕

Que a alegria do Carnaval dure o ano inteiro. 😉🎊

Se o amor é fantasia, eu me econtro ultimamente em pleno carnaval! 👌

O Amigo... Imaginário?

- Jeon Jungkook

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Originally posted by comfyjimin

  Meus pais estavam gritando um com o outro, como sempre. Minha cabeça doía demais e as lágrimas desciam pelo meu rosto macio e infantil. Aos sete anos de idade, eu deveria estar sempre sobre os cuidados da minha mãe e nunca deveria sair de casa sozinha, mas minha vida era completamente o contrário. Todas as noites, eu saía e ficava andando pela calçada, até que sentia medo demais e voltava.

 Eles nunca ligaram muito para mim, sempre agiam como se eu fosse alguém que apenas precisava ser alimentado e já seria o suficiente. Ver as outras crianças recebendo muito amor dos pais era uma coisa da qual eu sentia grande inveja, mas não podia fazer nada se as pessoas que me colocaram no mundo faziam de conta que nada nunca aconteceu.

 Os dois gritavam coisas feias um para o outro e eu apenas escutava aquilo tudo sentada em minha pequena cama, agarrada fortemente ao meu ursinho de pelúcia, Theodore. Era horrível saber que esse tipo de coisa acontecia quase todas as semanas. Fechei os olhos com força e tentei pensar em algum assunto longe daquilo tudo, mas sem sucesso.

 Levantei e passei sorrateiramente por meus pais, passando pela porta da frente e saindo correndo em direção ao local que apenas eu e meu melhor amigo conhecíamos. Não sabia seu nome, nem de onde era, mas sabia que podia confiar nele e ficar com aquele menino o tempo todo sem me cansar. Seus cabelos eram escuros, assim como seus olhos. Sua pele tinha um tom muito bonito e ele era fofo. Eu vivia abraçando-o porque não conseguia aguentar toda a sua fofura.

 O local onde apenas nós dois conhecíamos era entre algumas árvores em uma das reservas florestais perto da cidade. Os troncos eram um tanto quanto grossos e todos muito grudados uns nos outros que as pessoas nunca pensaram que no meio daquilo tudo poderia haver um mini jardim que parecia mágico. As flores eram mais bonitas do que as outras, haviam borboletas coloridas ali e a grama era tão macia quanto um tapete de veludo. A copa das árvores não tampava o céu, então eu podia ficar ali deitada observando as nuvens.

  Mesmo quando chovia, eu conseguia ir para o meu recanto e ficar debaixo de uma grande árvore que me protegia das gotas. Tudo lá era muito relaxante e fazia apenas alguns meses desde que descobri aquele lugar. Em um dos dias que vim aqui, encontrei um menino sentado na grama, observando as nuvens e então começamos a conversar. Contei para mamãe que havia conhecido um menino legal e ela não ligou quase nada para a notícia.

 Certo dia, avisei-a que iria trazê-lo para jogar videogames comigo e brincar com meus brinquedos e ela simplesmente aceitou. Mesmo com bastante hesitação e receio, o menino aceitou. Na data marcada, o garoto veio e quando fui apresentá-lo para minha mãe, a mulher ficou me encarando com um olhar confuso, como se não estivesse entendendo.

 Ele sorriu para ela e acenou, mas mamãe apenas ficou me encarando com um olhar que transbordava dois sentimentos: Preocupação e… Bom, o outro eu não conseguia definir, mas era diferente. Subimos para o meu quarto e continuamos brincando como se nada tivesse acontecido, mas daquele dia para frente, minha mãe começou a me tratar de forma diferenciada. Mais cuidadosa, mas esse tipo tratamento foi sumindo com o tempo e havíamos voltado para a estaca zero.

 Pensei em tudo isso no caminho para a reserva e quando cheguei lá, entrei de fininho no que eu e o menino fofinho chamávamos de Jardim Secreto. Foi ele quem deu esse nome por causa de um filme que seus pais costumavam assistir juntos com o filho e como era legal, decidimos deixar esse mesmo, sem necessidade de trocas.

  Assim que entrei em meio as árvores, dei de cara com o menino desconhecido deitado na grama, olhando as nuvens. Ele me escutou, então virou seu rosto para mim e sorriu, acenando. Sorri de volta e acenei, indo para o seu lado. Meu vestido azul com uma fita branca amarrada ao redor da cintura balançou ao vento que bateu contra meu corpo. Sentei-me ao lado dele e bati duas vezes em sua testa, rindo.

-É bom te ver de novo! – Ele disse, batendo no meu nariz duas vezes como vingança. – Aconteceu alguma coisa para você vir aqui?

-Meus pais estão brigando mais uma vez… – O menino se levantou e me abraçou, brincando com algumas mechas do meu cabelo.

-Tudo vai ficar bem, eles já não passaram por coisas bem piores? – Assenti. – Então apenas se sente aqui comigo e esqueça esse problema por enquanto, daqui a pouco a situação já melhorou diante dos seus olhinhos.

-Vamos brincar com os Joorks? – Joorks. Esse era o nome que dávamos para as criaturas imaginárias que vinham diretamente das nossas imaginações para brincar conosco. Era divertido e quem havia sugerido esse nome tinha sido eu. Por algum motivo, me sentia orgulhosa daquilo.

-Vamos! – Ele respondeu, se levantando rapidamente e respirando fundo. O menino sorriu e logo entrou em seu personagem. - Venha, rápido, os Haskkis já estão vindo! Temos que proteger o castelo! – Comecei a rir e me levantei, correndo junto com o menino pelo gramado macio e esquecendo dos meus problemas.

 Um dia, depois de dois anos, minha mãe veio conversar comigo. Aquilo era novidade, já que ela mal ligava para mim, ao menos era o que parecia. Seu olhar era preocupante e ela forçava o sorriso de uma maneira bem visível, tanto que até meu pai percebeu.

-______, querida, temos que conversar com você – Assenti, me sentando no sofá. Meu pai estava ao meu lado e ela se ajoelhou na minha frente, segurando minhas pequenas mãos com cuidado. – Você já vai fazer nove aninhos, não é? Estamos tão felizes por isso! Mas o assunto não é esse, tudo bem?

-Tudo bem, mamãe.

-Olha, sabemos que você tem um melhor amigo, não é? – Assenti. – E ele já veio aqui em casa algumas vezes, mesmo que você não saiba o nome dele, nem de onde é, nem quem são seus pais… Não sabe nada sobre ele, filha?

-Sei que ele gosta de super-heróis! – Respondi com entusiasmo. O olhar dos meus pais só piorou e aquilo estava começando a me preocupar.

-Tudo bem, tudo bem. Você tem mais algum amiguinho na escola? – Fiz um sinal negativo com a cabeça, minha mãe respirou fundo. – Não gostaria de ter mais amigos? Ter laços com pessoas da sua idade vai ser bom, filha!

-Mas eu não quero! Estou feliz com o menino fofinho.

-Tudo bem… – Mamãe parecia estar a ponto de chorar, meu pai tomou o rumo da conversa.

-Filha, como esse seu melhor amigo é? – Minha mãe abriu bem os olhos e deu um empurrão em seus joelhos. Eu não estava entendo nada, principalmente a pergunta de papai.

-Você já viu ele, papai, várias vezes! Como pode não se lembrar?

-Meu amor, é disso que estamos falando – Ele disse, com ternura. Virei um pouco minha cabeça para o lado, sem entender muita coisa. – Nós não vemos o seu melhor amigo.

-Co-como assim? Vocês não conseguem enxergar ele? – Perguntei, desesperada. Sentimentos estranhos cresceram dentro do meu peito e eu sentia vontade de de chorar.

-Ele é seu melhor amigo imaginário, querida. – Mamãe disse, segurando com mais firmeza as minhas mãos.

-Está dizendo que ele não existe?! – Perguntei, com lágrimas nos olhos e sentindo meu coração se partir no meio. Meus pais assentiram e aquilo foi como jogar uma bomba bem sobre minha cabeça. Comecei a chorar alto ali mesmo, era um sentindo estranho. Eu sabia que podia continuar vendo-o, mas ao mesmo tempo, saber que nada daquilo existe de verdade é como atirar uma faca no meu peito.

-Calma querida, está tudo bem. – Minha mãe disse. Pela primeira vez, aqueles dois estavam me mostrando amor de verdade. Um coisa boa e ruim ao mesmo tempo. Boa por sentir o carinho dos meus pais pela primeira vez em anos e ruim por saber que meu melhor amigos só existia na minha cabeça.

-Por que vocês parecem tão preocupados? – Perguntando, soluçando e tentando parar de chorar.

-Você já tem nove anos, querida, está ficando grandinha. E saber que não tem mais nenhum amigo senão esse que vive na sua cabeça é bem preocupante, sabe? Não queremos que se sinta desconfortável, mas pode, por favor, tentar fazer mais amiguinhos na escola? – Papai disse, passando a mão pelos meus cabelos. Não respondi, não sabia como responder. 

-Eu tenho medo de falar com elas e as pessoas serem grosseiras comigo… – Falei, abaixando a cabeça. Aquilo não era mentira, eu realmente tinha medo disso, mas com o menino imaginário isso nunca aconteceu…

-Podemos falar com um psicólogo da escola para te ajudar, prefere assim? – Eu não sabia o que um psicólogo fazia direito, então apenas fiquei encarando os olhos lindos de mamãe para que ela me explicasse. – Ele vai te ajudar com os seus problemas, tudo bem?

-Ele vai me fazer esquecer meu amigo imaginário? – Mamãe fechou os olhos e assentiu de leve.

-Talvez, nós não sabemos ainda. Se ele achar que isso pode atrapalhar vo-

-NÃO! Eu não vou! Não vou ficar sem o menino fofinho! – Falei alto, me soltando dele e subindo correndo para o meu quarto para abraçar Theodore. Fechei a porta e me joguei na cama, pegando o ursinho que era quase maior que eu e escondi meu rosto nele.

 Com o passar dos anos, meus pais foram, aos poucos, tentando em convencer a falar com o psicólogo da escola. Talvez pensassem que eu fosse louca, quem sabe? Mas com toda essa pressão, acabei cedendo e aceitando marcar uma consulta, aos meus treze anos. Minha puberdade já havia começado e tudo aquilo só tornava essa fase ainda pior do que já era.

 Eu continuava sem ter amigos, já que não gostava nem um pouco de me enturmar. O menino fofo aparecia cada vez menos conforme minha idade avançava e isso me deixava triste, mas parecia que não importava o tamanho do meu esforço para vê-lo mais e mais, nada funcionava.

A primeira consulta no psicólogo foi estranha e ele disse que eu tenho grandes problemas com socialização que precisam ser resolvidos o mais rápido possível. Nada que já não soubéssemos, ou seja, foi meio inútil esse encontro. Na minha perspectiva, não havia problema nenhum em ter um amigo imaginário. Talvez os loucos da história sejam eles, não eu.

 Respirei fundo, sentada no sofá da sala enquanto meu pai lia o jornal ao meu lado. Seus olhos caíram sobre mim e uma sobrancelha se ergueu.

-O que foi agora? – Seu tom era um pouco sem paciência, mas eu já estava acostumada.

-Estou apenas pensando. – Respondi e me levantei, voltando para o meu quarto. Não queria discutir nem pensar em coisas negativas.

Iria planejar uma coisa mais importante: Meu futuro. Já sabia que faculdade queria fazer e onde seria. Não muito longe de onde eu morava com meus pais, mas teria que me mudar.

 Nós morávamos em Busan, na Coreia do Sul. A faculdade que eu queria cursar era em Seul, então teria que me mudar para um local mais perto da instituição. Muito nova, mas já preparando meu possível futuro todo. Isso é uma coisa, talvez, nova de se ver.

 Os anos foram se passando e passando, quando percebi meu aniversário de dezenove anos já estava na frente do meu nariz. Eu já havia me mudado para Seul – há dois meses – e a faculdade começaria em um dia. Fazia muito tempo desde que vi meu melhor amigo imaginário e sentia muita falta dele, mas não conseguia vê-lo novamente por mais que tentasse e isso era estranho.

 A sensação de animação por entrar em uma faculdade que eu desejava era uma coisa muito boa, como estar realizada, mas eu ainda tinha um longo e doloroso caminho para percorrer pela frente. O ensino no curso de psicologia não era muito fácil, mas aquela era a área na qual eu queria trabalhar, mesmo todas as pessoas dizendo que não rendia quase nada e blá blá blá.

 Já havia preparado minha roupa para ir estudar, minha mochila, tudo pronto para o dia seguinte. Eram apenas oito da noite, eu ainda tinha bastante tempo para fazer alguma coisa diferente, mas como não conseguia pensar em nada senão a faculdade, acabe indo deitar bem cedo. Fiquei rolando na cama até ás onze da noite e então caí no sono.

 Nos meus sonhos, encontrei o menino fofinho mais uma vez, mas eu estava com os meus dezenove anos e ele com seus sete. Era estranho conversar com uma pessoa tão nova, mas eu não ligava, queria matar a saudade mesmo nos meus pensamentos enquanto adormecida. Conversamos bastante e contei as novidades para o menino…

 O som alto do despertador me retirou desse sonho bom, avisando-me que estava na hora de ir para a faculdade pela primeira vez. Minha barriga começou a doer, talvez de ansiedade, então corri para a cozinha para comer alguma coisa e me distrair enquanto me arrumava. Coloquei a roupa que havia preparado e penteei o cabelo, deixando-o livre, leve e solto.Calcei os tênis e pronto, já estava arrumada para o meu primeiro dia na faculdade.

 Sentei-me no sofá, tentando relaxar, mas não era possível. Não conseguia ficar calma em um dia como aquele. Fechei os olhos e comecei a lembrar do menino imaginário, sempre pensava nele quando tinha um tempo livre. Sentia tanta saudade que chegava a sentir uma sensação vazia no meu peito. Já havia voltado naquela floresta várias vezes, mas ele não estivera mais lá.

 Foi pensando nisso que nem percebi que o tempo havia passado e eu já estava em cima da hora. Levantei-me correndo e passei pela porta, indo para o ponto de ônibus. Por algum motivo, eu estava pensando muito no meu amigo imaginário nesses últimos dias, como se alguma coisa estivesse me fazendo mentalizar isso. Dentro do ônibus, esses pensamentos só ficaram mais fortes e isso era estranho, pois desde os meus doze anos isso não acontecia.

 Cheguei à faculdade faltando cinco minutos para o sinal bater, então saí correndo o mais rápido que consegui. Olhei ao redor rapidamente e vi o quão bonito tudo aquilo era: Árvores grandes e muito verdes, uma grama que parecia tão macia quanto a da floresta, várias flores de todas as cores e no meio de tudo isso o prédio da faculdade, feito totalmente de pedra, em um estilo medieval. Isso foi o que mais me chamou atenção nas fotos desse lugar, a construção.

 Meus pés batiam forte contra o chão e minha respiração já estava ficando bem pesada. Olhei para os lados por um instante e isso já foi o suficiente para o meu corpo bater agressivamente contra o de outra pessoa. Minha bunda bateu na calçada e uma dor latente foi enviada pelas minhas costas.

 Fechei meus olhos com força, segurando aquele local com uma das mãos, sem conseguir me mover direito. Senti lágrimas se criando nos meus olhos por conta da grande dor, mas então escuto a voz da pessoa em que bati.

-Tudo bem com você? – Era um menino, a voz era doce e parecia preocupado. Simplesmente assenti, sem dizer nada. – Vem, deixe eu te ajudar. – Senti seus braços me levantando. Ele era forte. Sua respiração batia no meu nariz e isso só poderia significar que a distancia entre nossos rostos era pequena. Por algum motivo, minhas bochechas começaram a queimar e meus olhos não queriam abrir.

 Assim que senti meus pés tocarem o chão, abaixei a cabeça e abri os olhos, batendo de leve em minhas roupas. Levantei o olhar e consegui ver o rosto do menino que havia me ajudado. Seus cabelos eram pretos, seus olhos mais ainda e sua pele tinha um tom tão bonito quanto do… Menino imaginário. Meu coração parou e voltou batendo cinco vezes mais rápido.

 Ele sorriu para mim abaixando o olhar. Meu coração acelerou mais ainda, seu sorriso era igual o do menino fofinho. Engoli em seco e tentei me manter calma, mas sentia que não conseguiria fazer isso por muito tempo.

-Obrigada, mas eu tenho que ir agora, estou atrasada. – Falei, tentando passar por ele, mas o menino segurou meu braço.

-Espere! Antes… Qual seu nome?

-________ e o seu? – Perguntei, sentindo a garganta, o coração, tudo apertar. Estava mais nervosa do que nunca naquele momento.

-Jeon Jungkook. – O menino sorriu de uma forma um pouco estranha, como se estivesse desconfortável, uma última vez e me soltou. Saí correndo sem hesitar e com aquele momento se repetindo várias e várias vezes na minha mente.

 Cheguei na sala justo no momento em que o professor iria fechar a porta. Dei um leve aceno com a cabeça para ele, um sorriso tímido no rosto, e fui me sentar em uma das carteiras vazias. Respirei fundo, colocando a mochila no chão e retirando meu caderno de lá. A aula começou, mas eu não conseguia prestar atenção direito.

 Minha cabeça ficava me enganando. Aquilo poderia muito bem ser apenas uma neura minha, eu já havia pesquisado sobre amigos imaginários antes e em um dos artigos dizia que era possível a existência de alguém como o meu amigo. Completamente normal. Não se passava de uma pegadinha da minha própria mente.

 Continuei anotando o que o professor ia falando e então o sinal para o intervalo bateu. Seria vinte minutos para comermos e descansarmos, um tempo muito bom. Retirei-me da sala e fui para a cantina para comprar algum lanche e tomar um café para acordar. Foi então que o vi na fila e senti aquela mesma sensação no estômago, queria sair correndo.

 Aproximei-me e fingi que nada estava acontecendo, simplesmente olhei para o outro lado e respirei fundo. A fila foi andando até que chegou na minha vez e eu pedi um assado de frango e o meu cafezinho. Sentei-me em uma das mesas, sozinha, olhando pela janela, para o movimento.

-Suas costas ainda estão doendo? – Perguntou-me Jungkook, se sentando na mesa junto comigo. Seu olhar era doce, sua voz era doce, tudo nele era tão doce quando o doce mais doce, se é que conseguiram me entender.

-Mais ou menos, mas não foi nada. – Ele sorriu e eu nem olhei para cima, apenas continuei focando no meu assado.

-Que bom, fiquei um pouco preocupado com isso. E então, faz curso do quê?

-Psicologia e você? – Eu não queria estar continuando aquela conversa, mas ao mesmo tempo, queria. Precisava conhecê-lo porque estar na sua presença me dava uma sensação nostálgica. A mesma que eu sentia quando ficava com o menino fofinho. Tudo estava tão estranho…

-Artes cênicas. – Fiz um lento sinal positivo com a cabeça, sem saber o que responder. Um silêncio se estabeleceu entre nós e eu comecei a me sentir desconfortável. Respirei fundo e decidi tirar uma dúvida que estava me atormentando.

-Você tinha algum lugar especial que sempre ia quando criança? – Ele ergueu uma sobrancelha para mim, confuso. Continuei olhando-o com o coração acelerado e as mãos suando.

-Bom, tinha. Era uma floresta em…

-Uma reserva florestal em Busan? – Jungkook arregalou os olhos e eu também. O menino secou o suor de suas mãos na calça e suas bochechas começaram a ficar um pouco vermelhas. Eu senti meu coração quase explodindo.

-Você se lembra? – O menino perguntou, se aproximando mais de mim e com curiosidade nos olhos.

-O quê?! Jungkook, do que você está falando? Ah meu Deus, minha cabeça está girando… – Falei, tendo que apoiar a testa na mesa e respirando pesadamente. Comecei a ficar enjoada por algum motivo, era tudo confuso demais. Ele se levantou e se sentou ao meu lado, passando os braços ao redor dos meus ombros.

-Eu sou o menino fofinho, _______.

-NÃO, VOCÊ ERA O MEU MELHOR AMIGO… IMAGINÁRIO. – A maior parte das pessoas do restaurante me olhou como se eu fosse louca, mas eu não sabia ao certo o que estava acontecendo… Talvez eu fosse mesmo louca.

-________, me escuta! – Ele disse, segurando minhas bochechas como se eu fosse uma criança. – Foram seus pais que te falaram isso? – Assenti. – Meus pais me disseram a mesma coisa quando eu tinha dez anos. Me falaram que você não existia e que era só um fruto da minha imaginação. Acho que em certo momento, nossos pais conseguiram se conhecer e por algum motivo que ainda não sabemos, nos fizeram acreditar que não tínhamos amigos de verdade. Queriam que parássemos de nos ver.

-Jungkook, isso é loucura, eu não posso acreditar nisso… Não posso. – Comecei a me levantar para sair, mas ele segurou minha cintura e me colocou no lugar de novo.

-Está duvidando de mim?

-Você parece um maluco, é isso que estou pensando. – Jungkook realmente parecia uma doido, mas eu tinha que tentar acreditar nele porque tinha que haver um motivo para ele saber como eu o chamava de menino fofinho.

-Não acredita em mim? Tudo bem, me faça qualquer pergunta sobre si mesma que eu vou saber responder.

-Qual a cor da minha roupa íntima? – Por que eu tenho que ser tão doente mental? Sinceramente. Jungkook sorriu e olhou para suas mãos e depois para mim, apenas o seu olhar já me deixou sem jeito. Principalmente o seu sorriso com só um dos cantos da boca.

-Isso eu não sei, mas posso descobrir se quiser. – Senti minhas bochechas corarem e uma sensação estranhamente quente subir por todo meu corpo. Respirei fundo, tentando ignorar tudo aquilo e pensei em outra pergunta, alguma que fizesse sentido.

-Qual era o nome das criaturas imaginárias que brincavam com a gente? – Jungkook sorriu e suspirou.

-Joorks – Respirei fundo, trancando a respiração. Ele voltou para a expressão séria. – Confia em mim agora? 

-Jungkook, isso está muito estranho, você é imaginário…

-É isso que estou tentando te falar! Nossos pais nos fizeram acreditar nisso até agora, mas era tudo mentira.

-Tudo bem, se isso que você está falando é verdade, por que eles fariam uma coisa dessas? – Ele deu de ombros e eu suspirei, jogando de leve minhas costas contra a cadeira. – É incrível como a minha vida virou de cabeça para baixo em duas horas apenas.

-Mas foi uma virada boa? – Eu nunca havia pensado nisso…

-Não sei, ainda estou para descobrir.

(…)

 O tempo foi passando e eu conversava com Jungkook todos os dias, quase que 24 horas. Tentávamos pensar em um motivo pelo qual nossos pais haviam feito uma coisa daquelas e conversávamos bastante sobre o nosso passado, sobre as brincadeiras e afins. Já fazia seis meses desde que a faculdade começou e os nossos laços só ficavam mais e mais fortes.

 Eu sentia que confiava em Jungkook como na nossa infância. Ele me trazia a mesma sensação e continuava tão fofo quanto antes. As férias no meio do ano haviam chego e Jungkook havia sugerido para que fôssemos falar com nossos pais em Busan sobre tudo isso. Concordei, mesmo com um pouco de hesitação. Teria mesmo a possibilidade de meus pais mentirem desse jeito para mim? De terem estragado alguns anos da minha infância? Já não bastava a falta de amor que eles me davam?

 Se aquilo fosse mesmo verídico, seria o fim dos laços que eu tinha com meus pais. Eu os cortaria totalmente.

-Tudo pronto? – Perguntou Jeon, sentado no sofá da minha casa. Suas malas já estavam dentro do meu carro e só faltava eu terminar de me arrumar.

-Só falta uma coisa – Respondi, me olhando no espelho. Só restava o meu preparo mental. Não me sentia pronta para tudo o que estava por vir. Queria apenas ficar com Jungkook e deixar essa história toda de lado, mas a curiosidade não me permitia. – Acabei.

-Então não temos que esperar mais para ir. – Jeon disse, se levantando. Respirei fundo e agarrei seu braço, olhando-o fundo nos olhos.

-Estou com medo, Jungkook. Não quero ir, mas quero muito ao mesmo tempo. – Falei, olhando para os meus pés. O menino se aproximou de mim e segurou meu queixo, erguendo meu rosto de encontro com o dele. Ele estava realmente muito próximo de mim e aquilo fez meu coração disparar.

-Não precisa ter medo de nada, eu vou estar lá com você. Sempre estive. – Ele sorriu e beijou o meu nariz, me abraçando logo depois.

-Então vamos.

 Entramos no carro e partimos para Busan. Jungkook tentou conversar comigo sobre vários assuntos para me distrair e me acalmar, mas nada me ajudava. Eu não conseguia manter a calma em uma situação como essa, parecia que meu coração ia pular para fora da minha boca a qualquer momento. 

 Chegamos na frente da minha casa e paramos o carro. Respirei fundo, então Jungkook segurou meus dedos, acariciando-os. Assenti, olhando para ele e então saímos de dentro do automóvel. Passar por aquele jardim de novo era estranho, fazia bastante tempo…

 Bati na porta e ficamos ali, esperando. Quem atendeu foi minha mãe. Ela sorriu, mas não me abraçou. Aquilo machucou meu coração, qualquer mãe teria abraçado o filho que não vê há oito meses, mas não a minha. Respirei fundo e olhei-a nos olhos, Jungkook ficou lá fora, esperando que eu o chamasse.

-Mãe, sente-se no sofá, por favor. Precisamos conversar.

-Tudo bem, querida. – Chamei meu pai e o coloquei sentado ao lado dela e depois suspirei, olhando os dois.

-Por quê? – Perguntei, sentindo dor no peito.

-Por que o que, filha? – Meu pai perguntou, confuso.

-Por que mentiram para mim sobre o meu melhor amigo?

-O imaginário?

-ELE NÃO É IMAGINÁRIO! EU ENCONTREI-O NA FACULDADE! VOCÊS MENTIRAM PARA MIM! – Perdi o controle e comecei a gritar com eles, deixando com que as lágrimas de raiva descessem pelo meu rosto. – O SEU NOME É JUNGKOOK E ELE TAMBÉM É DE BUSAN! EU TENHO UM MELHOR AMIGO DE VERDADE!

-Filha, você só está com…

-Não, pai, não estou com nada senão com certeza. Ele existe e eu posso provar. Jungkook! – Chamei o menino, que entrou pela porta e olhou meus pais com certa hesitação nos olhos. Meus pais olharam um para o outro e depois para mim, respirando fundo.

-Filha, não tem ninguém aí. – Arregalei meus olhos, olhando para Jungkook mais uma vez.

-Como não conseguem ver?! Ele está bem aqui! – Falei, andando até Jeon e o arrastando para frente dos meus pais.

-Querida… Estamos apenas nós três nesta sala, não há mais ninguém aqui. – Minha mãe disse, tentando segurar minha mão. Dei um passo para trás, um pânico estranho tomando meu peito. Olhei para Jungkook que me encarava de volta com um olhar surpreso e confuso.


Em qual dos dois eu deveria acreditar?  

//MinSuga

Não foi um ano fácil, o que não significa que foi um ano ruim. Foi um ano cheio de encontros, reencontros, começos, finais, despedidas… Sou grata por tudo isso, mesmo tendo reclamando bastante. Que o próximo ano seja ainda melhor e cheio de coisas boas. Para mim, para você e para todo mundo!
—  More happines-s.

Pensando bem esse ano eu, conheci pessoas novas, namorei, sofri, sofri mais um pouco, conheci a pessoa mais maravilhosa do mundo que me fez sorrir quando eu mais precisei, briguei com meus pais, sofri mais um pouco, fui a festas, dancei, curti, deprimi, voltei a ser a mesma pessoa que eu era depois de sofrer tanto, prendi-me a mim mesma, amei-me mais, paquerei, flertei, ri, pulei, bebi, passei vergonha, caí, levantei, fui bem à escola, chorei, fui fria, e agora estamos, nesse ultimo mês esperando mais um pouco? Acho que meu ano por mais difícil que foi, foi bom, foi ótimo, tirei aprendizados que nunca teria aprendido com tanto sofrimento, agora é só esperar um pouco mais para que 2012, mostre que superará 2011. (f-a)

Eu sinceramente n sei dizer se 2015 tem sido um ano bom ou ruim..... muita coisa acontecendo rapido demais brother, várias idas e vindas