andando com os amigos

Semana passada recebi um sms de um número desconhecido. Estava falando no conteúdo: Sinto tanto a sua falta, você não faz ideia do quanto. Não fiz esforço, não me empolguei e não me interessei em saber quem era, porque lá no fundo talvez já soubesse. Cinco dias atrás, o encontrei andando sem rumo com os amigos. Nada de fingir estar no celular, passei firme com a cabeça erguida como se nunca tivesse tido uma convivência ao seu lado. De noite, fui ao baile e por ironia do destino, ele já estava lá me encarando. Fim da festa, recebi um outro sms desse mesmo número que me elogiava e dizia que estava muito bela. Dois dias atrás, em plena duas da manhã, meu celular tocou em modo desconhecido e atendi. Não ouvi nenhum barulho depois de perguntar quem era. Desliguei. Quatro da manhã, recebi novamente outra mensagem dizendo que não conseguia dormir porque o meu cheiro já havia saído de seu travesseiro, mas eu ainda permanecia em sua cabeça. Ontem, recebi uma declaração dele pedindo para voltarmos a ser o que éramos. Tinha tudo o que toda mulher sempre desejou: Muitas flores, chocolates, joelhos no chão e aquela velha cara de cachorro pidão. Sabe o que fiz? Isto mesmo, recusei. Recusei porque já havia dado o meu melhor para não termos chegado ao nosso fim. Enquanto dizia que o amava, ele ria e elogiava as garotas por onde passava. Sofri meu Deus, como sofri nas mãos dele. Quando ele terminou comigo porque dizia estar sufocado, achei que era o meu fim. Pensei em ligar pedindo para voltar no dia seguinte. Fiquei de ressaca nas primeiras três semanas, não saí de meu quarto por dias. Pensei em me atirar na frente do primeiro carro, em tomar todos os remédios de nomes engraçados que visse pela frente. Depois de muito me ferir, percebi que ao vê-lo brincar com todo o amor que havia dado, me fez abrir os olhos. Confesso que aquele verão me fez amadurecer, me tornou mais mulher. As decepções nos transformam para melhores. Uma vez que somos partidos, já não há como enxergar o mundo tão inocentemente como antes. O que havia para dizer era simples e indiscutível: Acabou. Não iria ter voltas. Iria ter recomeços sim, mas sozinha. Estava tarde para querer correr em busca de corrigir o erros dos meses anteriores. A lembrança talvez seja a coisa mais cruel do mundo, porque mesmo que queremos ela não se apaga de nossa mente, ela não se altera em nossa mente. Acabou, e definitivamente havia sobrevivido. Não foi o fim do mundo ter tido o meu coração despedaçado. Se doeu? É claro que doeu, mas a vida continuava. Querendo ou não, amanhã as pessoas iriam sair para trabalhar, as crianças iriam para as suas escolas. Não haveria nenhuma placa dizendo para ser forte, não sairia em nenhum jornal o tanto de lágrimas que havia derramado. A vida continuava com ou sem mim, e eu achava melhor com. Algumas coisas por mais que dilacere, serve para fortalecer. E se uma pessoa te fez de palhaço, simplesmente não era para acontecer.
—  Animicida.