amor daquele jeito

Era de madrugada o telefone toca, desesperadamente a me acordar.
- Alô?
[ Silêncio ]
- Alô, quem está “falando”?
Com voz embargada de horas de choro
- Sou eu..
- Está tudo bem, o que aconteceu, por que me ligou a essa hora?
- Estava com saudade, de ouvir sua voz serena, me acalma nas horas de desespero
- Ta tudo bem eu estou aqui, conversa comigo
- O que houve com aquele todo nosso amor, aquele amor que tínhamos um pelo outro?
- Por que falar disso agora, são duas horas da manhã
- O que aconteceu com nossos sonhos, de nossos “para sempre”, com a filha que sonhávamos em ter?
[ Silêncio, soluços baixos ]
- Eu não sei, tudo acabou de repente mau deu tempo de pensar no que estávamos fazendo não é?
- Mas isso não responde a minha pergunta
- Eu não queria ter perdido a mulher da minha vida
- Eu não sabia o que estava fazendo, simplesmente fiz, impulso, raiva, eu não sei, me perdoa
- Eu só não queria que tivesse acabou assim, muito menos que tivéssemos um fim
- Eu também não, e é por isso que estou aqui, nunca é tarde para se continuar de onde paramos
- E tudo que aconteceu, o que você, eu vivemos longe um do outro?
- A gente apaga tudo isso, esqueceremos que um dia fizemos essa besteira
- Não é simples assim, eu ainda não sei o porque de tudo isso ter acontecido, e depois de tanto tempo você me liga dizendo que quer voltar, como assim, porque, e porque disso?
- Eu não sei, muito menos o porque disso, eu devia ter lhe esquecido, mas não aconteceu como eu queria…
- Me vi no fundo do poço, sem ninguém, sem meu melhor amigo, percebi que não havia chutado o amor da minha vida e meu melhor amigo, por isso estou aqui, dando-lhe a cara a tapa, mas aqui, pra mostrar que me arrependo, que quero-te de volta, para recomeçarmos a nossa historia novamente.
- Você sabe que eu nunca te esqueci, muito menos deixei de te amar, um dia se quer, uma noite se quer também me lembro de orar para o seu bem ao saber de todas as coisas que estava te passando, me culpando de todas as formas possíveis, por nosso amor ter terminado daquele jeito e você ter voltado para a tragédia novamente
- Sim, volta pra mim, eu não funciono sem você, fica comigo, volta pra mim, me perdoa, me bate, me prende, me cola em ti e não deixa com que eu faça tamanha besteira de novo, não deixa eu perder a pessoa mais importante que eu tenho na vida e só percebi quando estava longe e sozinha novamente, como antes
- Eu nunca fui, sempre estive aqui, desse jeito fechado, mas sempre estive aqui, dizem que o que é nosso não precisamos pedir com que ela volte, ela volta de livre e espontânea vontade
[ O telefone fica mudo ]
Então bate a minha porta com três leves toques, eu abro a porta.
- Oi…
- Me abraça e não faça isso comigo de novo, nunca mais, eu não aguentaria te perder de novo
- Prometo não ir embora de novo
- Não prometa, só fique, fique porque aqui é onde você é feliz, não porque alguém disse, ou por que dizem ser bom, fique porque a felicidade é você estar comigo
- Eu te amo
- Eu sempre te amei
—  Repreendido
Capitulo 37

Aproveitamos cada segundo daquela noite, estávamos tão felizes. Tudo estava dando certo, tínhamos nosso apartamento, Max adorava Vanessa, eu estava me saindo bem na realização da feira. Logo iria colocar em pratica e tinha certeza que iria ser um sucesso.

A única coisa que me deixava triste, que hora ou outra Vanessa ficava triste e pensativa, e eu sabia o motivo. Eram saudades da sua família, dos seus animais, da sua antiga casa. Eu tinha certeza que ela me amava e amava morar comigo e com Max, mas sabia que era doloroso passar os dias sem conversar com sua mãe, sem ter noticias. Foi a sua escolha, largar tudo e ficar comigo seguir o seu coração e tentar ser feliz, mesmo sem entender a ignorância de sua mãe, ela queria se aproximar conversar, ter uma oportunidade para dizer que ela estava feliz, e que tudo que estávamos vivendo não era brincadeira, era amor. Tínhamos uma vida juntas, nos amávamos e faríamos de tudo para ficarmos juntas. Ela desistiu de tudo por mim e eu não tinha duvidas de seu amor, mas vê-la daquele jeito chorando pelos cantos, morrendo de saudades da família me deixava muito mal. Eu queria poder ajudar, me explicar a Solange dizer tudo que eu sentia pela Vanessa era verdadeiro, não era imoral como ela pensava ou vergonhoso, éramos apenas duas pessoas do mesmo sexo que sentia amor uma pela outra, nada mais. Será que era difícil entender isso? Eu não queria que ela mudasse de opinião, sei que agora não seria possível estava muito recente e ainda existia preconceito, apenas aceitasse a felicidade da filha, passar por cima do orgulho e admitir que alimentar o ódio e o preconceito era pior para as duas. Tenho certeza que ela também estava sofrendo, Vanessa era filha única as duas eram muito ligadas, apesar da casa sempre se manter cheia Vanessa quem cuidava de tudo tinha suas responsabilidades, e sempre se manteve presente na família. Eu tinha que fazer algo, não aguentava ver Vanessa naquelas condições, era preciso. Só não sabia como.

Naquele inicio de manhã acordei antes do despertador e fiquei pensando em como ajudar a Vanessa se aproximar de sua mãe, ela permanecia dormindo como um anjo, e meus pensamentos estavam a mil. Lembrei-me de Jorge eu poderia contar com sua ajuda, ele era primo de Vanessa e tinha acesso a casa. Poderia me ajudar a encontrar Solange e conversar com ela, dizer tudo que sentíamos uma pela outra. Poderia dar certo, ela poderia aceitar nosso amor, sabendo que sua filha estava feliz e que tudo que eu sentia era verdadeiro. Me levantei determinada em começar aquela conversa com Jorge, pedir a sua opinião sobre  a minha ideia, poderia dar errado e eu ser expulsa da casa, mas tinha uma possibilidade de dar certo e eu faria de tudo pra ver Vanessa feliz.

Seguimos para a clinica, eu permaneci todo o caminho em silencio e pensativa, tentando organizar as idéias que surgiam de como convencer a dona Solange. Vanessa percebeu o meu silencio e questionou.

- Você está bem? –

Meus pensamentos estavam longes, quando ela falou foi como se fosse um estalo e eu voltasse para o carro novamente, me assustei.

- Estou bem sim – respondi

- Você ta tão quietinha, ta preocupada com alguma coisa? – ela me perguntou, eu não iria dizer que estava pretendendo encontrar sua mãe para uma conversa. Então não disse o que estava realmente pensando.

- Sim, só estou pensando na feira tenho muito trabalho hoje. – disse a ela. Ela assentiu.

Chegamos a clinica, alguns funcionários já estavam nos esperando abrir. Havia uma mulher estranha na porta nunca havia a visto antes ali, ela logo quando viu Vanessa abriu um enorme sorriso, percebi suas características e tive certeza que era sua nova secretária. Realmente era uma mulher muito bonita, ela vestia uma blusa social e uma saia justa, realçando suas curvas e suas pernas torneadas. Era uma mulher muito atraente, fiquei torcendo para ela ser casada ou compromissada, só assim ficaria mais tranquila. Mas ainda assim estaria de olho nela, elas passariam muito tempo juntas e eu não estava afim de outra pessoa tendo liberdade com Vanessa, eu já tinha dito que ela era só minha e de mais ninguém.

Todos estavam nos olhava diferente, chagávamos juntas todos os dias e o pessoal já estava desconfiando. Vanessa não se importou dessa vez, apenas abriu e todos entraram, ela se direcionou a mulher ruiva e a cumprimentou com um aperto de mão. Eu fiquei ao seu lado observando tudo.

- Olá Aline, como vai? –ela disse a ela.

- Estou muito bem obrigada, estou feliz em poder trabalhar aqui. – Aline disse com um sorriso simpático.

- Que bom que esta entusiasmada. Aline essa aqui é a Clara, ela esta responsável pela divulgação da empresa, mas qualquer duvida você pode perguntar a ela se eu não estiver presente. Ela poderá te ajudar. – Vanessa falou.

- Olá Aline. – lhe estendi a mão.

- Muito prazer Clara – ela disse me cumprimentando.

Entramos todos e Vanessa, levou Aline para sua sala eu fiquei de longe olhando tudo. Ela explicou algumas coisas e saiu direcionando a mim.

- O que você ta curiando ai de longe ein ? – ela me perguntou sorrindo.

- To só observando vocês. – disse enciumada.

- Hahaha mais é boba, vem aqui quero te mostrar uma coisa – ela disse segurando minha mão e me puxando. Todos estavam nos olhando de mãos dadas, quando Vanessa percebeu soltou na mesma hora, tomando certa distancia de mim. Eu não dei importância sabia que ela ainda não estava pronta para nos assumir publicamente, estava paciente em relação a isso.

Ela me levou a uma outra parte da empresa onde tinha várias salas, a sala de Paula era por ali.

- Você vai ficar surpresa, eu estou organizando tudo a dias. – ela disse empolgada

- Ai mostra logo Van, to curiosa. – disse a ela.

- É aqui, eu espero que goste. – ela me disse. Ela parou de frente a uma porta com uma plaquinha escrita “ Clara Aguilar – Marketing e Propaganda” , era a minha sala, nem estava acreditando.