amenangels

Eu tenho consciência da minha confusão interna, mas as vezes me pergunto: será que sou tão complicado assim? Talvez um mistério que não se decifra por completo? Ao mesmo tempo que me sobe aquela coceira incomoda na nuca por ter que me explicar, não suporto a ideia de ficar sem uma explicação numa situação inversa. A impressão que tenho é de nunca conseguir me fazer entender, nunca ser claro o suficiente, ao ponto de apenas confundir mais as coisas ao tentar colocá-las em pratos limpos. E ainda nesse mesmo tempo, espero ter minhas vontades entendidas apenas por meia duzias de atos imbecis. Mas como, se nem eu mesmo consigo tal compreensão?
—  A culpa não é das estrelas.
Há problemas que por mais que você tente culpar o universo, no fundo você sabe que eles estão dentro de você. Você mesmo é o problema, e a única solução. Porque eu sou o único monstro embaixo da minha cama que tenho certeza que vou encarar o resto da minha vida. Todas as noites antes de dormir. Todos as manhãs antes de levantar. Assim como a morte é certa, eu sou o fantasma que vai me assombrar até o fim.
Você já tentou escrever algo pra poder se entender melhor, ou simplesmente numa tentativa inútil de tirar aquelas coisas de dentro de você, mas então percebeu que não conseguia nem mesmo escrever, não conseguia se livrar daquilo?
—  Nada fazia sentido, mesmo com certa coerência.
E então mesmo destruído por dentro você consegue olhar pras pessoas a sua volta, sorrir e fingir que tudo está bem. É torturante, mas você suporta até não ter mais ninguém por perto que possa te escutar.
—  Minha vida.
Amar: ter amor, afeição, ternura, dedicação, devoção a; querer, querer bem, precisar. É dessa forma que o dicionário define o indefinível. Algo impossível de ser dito com palavras, e por isso, quando existe, torna cada tentativa tão especial e única aos envolvidos. Algo que brinca com a mente. Mutante e variável. Uma palavra forte, individual. Um sentimento único que leva a tantos outros, uma lagarta que transmuta em borboleta, a melodia de uma música, uma flor roubada de um jardim qualquer. Isso que move o homem. De uma forma ou de outra.
—  Um amante incurável. 
Sempre tive dúvidas sobre entre viver com a intensidade máxima permitida ou com paciência e leveza. Mas a intensidade, talvez coisa da juventude, sempre tem um peso maior em minhas escolhas. Em minha essência. E eu deixei o amor me consumir, eu deixei o sentimento nos consumir. Foi chama, foi ardente, foi indescritível e incomparável para dois adolescentes. Foi sem paciência pela maturidade. Queimou até nos consumir por completo. Ou até você perceber que isso aconteceria e tentar nos salvar do fim da chama, com o fim da esperança. Mesmo com todos os erros de ambos os lados, mesmo com todas críticas e julgamentos, eu tenho orgulho. Eu tenho orgulho de ter vivido algo tão intenso e verdadeiro, enquanto existem pessoas que não chegam a sentir isso durante a vida toda. Hoje sinto a tristeza pelo fim, choro o luto. É tão triste que algo tão sincero exista apenas no passado, é tão triste não o reconhecer mais. É devastador ter que aceitar. Mas tudo de bom que você um dia teve a me oferecer está guardado. Um eterno tesouro. Que agora a paz nos acompanhe, cada um em seu caminho.
O céu estava lindo lá fora. Não, o dia não estava ensolarado nem o céu azul. Ele estava acinzentado, escondido pela névoa e pela chuva. Uma chuva fina e calma, como lágrimas de um sono interrompido. Mas quando abri a janela pela manhã para encará-lo, ele me transmitiu paz. E por mais que não fosse isso que eu precisasse no momento, ajudou. Ajudou o sono interrompido, as músicas nostálgicas do dia anterior; protegeu as rosas do frio inverno.
—  O céu estava triste, mas calmo.
E mundo estava acabando. E não eram previsões maias nem estatísticas científicas. Não era nada disso. Na verdade eu parecia ser o único que estava percebendo. Seria porque era o meu mundo que estava se dissolvendo? Lentamente, em uma imensa lama de horrores. É, não foi percebido. E agora sou apenas nada flutuando em um infindável vácuo, não sei o que restou, não sei quem restou, não sei quem eu sou.
—  Bryan Lacerda
Há tempos não recorro a esse úmido e sombrio refúgio. Mas ele é o único lugar para que a solidão me abrace completamente por aqui. Um lugar onde minhas lágrimas podem escorrer livremente pelo rosto, deixando aquele sabor salgado nos meus lábios antes de parar alguns segundos no meu queixo para que possa finalmente cair rumo ao desconhecido. E dessa forma levando consigo pedaços da minha alma.
—  B.L.
Como ele conseguia caminhar tanto com sapatos tão apertados? Nem ele mesmo sabia. Mas continuava a caminhar. As paisagens mudavam, estrelas surgiam e os ventos sempre corriam. Como era gélido o inverno! E então o colorido das flores substituíam o branco gelo presente no ar, depois o sol e as chuvas surgiam, juntas, em uma sinistra sincronia, e já não haviam mais flores, uma vez que as até as folhas estavam caindo novamente. Mas ele caminhava, sempre em frente com rápidas pausas não programadas. E caminhava, sempre se perguntando afinal, onde vou chegar?
Eu reclamo muito da vida. Sempre quero mais, quero melhor. E querer não é o problema, eu preciso apenas começar a agir, descobrir meus objetivos e correr atrás deles. Preciso dar valor as coisas boas ao meu redor e aprender a usá-las como motivação. Infelizmente o clichê ainda é válido: a vida passa rápido demais.
—  Bryan Lacerda
O mais incrível não é a quantidade de tempo que passamos juntos, mas como tudo mudou e continua mudando para melhor com você ao meu lado.
—  Como é possível medir o amor, se ele cresce todos os dias?
Soneto da pós maior idade

A vida nunca se alenta ou se contenta

E assim nos desespera com sua busca incessante

Então sorria meu bem, que nos fins se lamenta

Pois o orgulho vem da jornada e do sorriso amante

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Que não haja tamanha pressa desatenta

Já que vitorioso é quem abraça cada momento errante

E junto com as experiências belas se acorrenta

Acompanhado pela serenidade de seus pássaros cantantes

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Não te preocupes com as opiniões declaradas

De números a idade não passará

E o sentimento meu bem, é infinito

.

Nem te esqueças dos beijos de um tolo palmito

E enquanto na lua meus pés caminharem

Em tua alma meu amor incandescerá

O que fazer quando se olha para os quatro cantos e tudo se enxerga são quatro paredes brancas? Quando você deseja desesperadamente ficar no colo da sua mãe enquanto ela te faz cafuné até você conseguir enfim adormecer. Quando você não quer lágrimas pelo rosto, quando precisa achar sua fênix interior mais uma vez e renascer limpo como um bebê que mal pode esperar pra conhecer essa novidade que é viver. O problema é que sempre sobram vestígios de cinzas nesse renascimento, cada vez maiores. Quando tudo que você queria é que a dor deixasse seu peito, que tudo parasse pra que você tivesse tempo de entender, tempo, sem que novos tremores balancem sua estrutura. Eu só quero que a felicidade volte, de onde quer que ele esteja passeando, que bata suas azas de volta ao meu encontro, que me permita sonhar sem dor novamente.
Há músicas que me lembram o passado, me lembram pessoas, me lembram uma época. E há músicas que me lembram você… algumas de uma forma dolorosa, mas outras têm quase o mesmo efeito de paz que o seu sorriso transmite à minha alma. Apenas quase. Porque o efeito do seu sorriso sobre mim é único.