amedrontadas

36 coisas que pessoas com ansiedade gostariam que seus amigos soubessem.
  1. “O que pode parecer bobo e irracional para você, é bem real para mim.” — Paige Johnson
  2. “Eu nunca sei quando a ansiedade vai atacar. Quando isso acontecer, vou precisar da sua ajuda.” — Dani Hazlewood
  3. “Eu não estou evitando você. Em certos momentos, pode ser difícil falar ao telefone e fazer planos. Não é como se eu não quisesse desesperadamente conversar. É que nem sempre eu consigo.”— Marie Abbott Belcher
  4. “Não desista de mim quando eu me isolar.” — Jen Jolly
  5. “Ajuda muito quando alguém que eu amo e confio me lembra de respirar fundo.” — Tania Lynne Sidiqi
  6. “Seja paciente comigo; a ansiedade nem sempre se manifesta com um ataque de pânico. Ataques de raiva, que parecem uma manifestação extrema de frustração também são comuns.” —Tabitha Rainey
  7. “Mesmo quando tudo está bem, eu fico esperando algo horrível acontecer.” — Lindsay Ballard
  8. “Quando estou muito silencioso, não é tristeza, tédio, cansaço ou qualquer outra coisa. Às vezes, acontece tanta coisa ao mesmo tempo na minha cabeça que não consigo perceber o que está à minha volta.”Amanda Jade Briska
  9. “Infelizmente, não posso apertar um botão e desligar a ansiedade.” — Katie Keepman
  10. “Em alguns momentos, sinto ansiedade, mas não tenho ideia do motivo pelo qual estou ansiosa.” — Laura Hernandez
  11. “Tudo pode mudar em menos de 30 segundos. Posso ter ataques se houverem muitas pessoas à minha volta, se não houver uma saída conhecida para uma determinada situação, etc.” —Ashleigh Young
  12. “É sério — não é você, sou eu. A ansiedade generalizada é como estar se afogando o tempo todo. Algumas situações da vida intensificam esta sensação. Não leve para o lado pessoal quando eu tiver dificuldades em fazer planos.”Cory Lee Tyler
  13. “Quando você me perguntar se está tudo bem e eu disser que sim, não pense que não confio em você. Na minha cabeça, você pode parar de me enxergar como uma pessoa gentil, divertida e tranquila se souber a verdade.” — Arianne Gaudet
  14. “Desculpe. Peço perdão por cada convite que recusei, por todas as vezes em que pareci irracional ou desagradável porque estava me sentindo oprimida e amedrontada. Peço desculpas pelas vezes que disse que faria algo, mas não fiz. Desculpe por minha ansiedade também afetar você.” —Melissa Kapuszcak
  15. “A ansiedade não tem um rosto. Não preciso estar tremendo ou ofegando para ter um ataque de ansiedade.” — Vicki Blank
  16. “Quando eu fico ansiosa demais para sair de casa, preciso que você me procure. Preciso saber que alguém se importa comigo e sente minha falta.”— Hayley Lyvers
  17. “Não me exclua. Minha ansiedade pode me impedir de fazer certas coisas, mas um simples convite pode mudar meu dia para melhor.”Vikki Rose Donaghy
  18. “Por causa da ansiedade, eu analiso as coisas o tempo todo. Por mais que isso seja cansativo, não consigo desligar meu cérebro.” — Cailea Hiller
  19. “Ansiedade não é uma atitude.” — Clare Goodwin
  20. “Não precisa tentar me curar. Por favor, apenas me ame como eu sou.“— Carole Detweiler Oranzi
  21. “Quero pedir desculpas por todas as vezes que fugi de você. Por todas as vezes que precisei ir embora mais cedo e você não entendeu. Por todas as vezes que precisei lhe dizer não.”Mary Kate Donahue
  22. “Na maioria das vezes, você não saberá que estou tendo um ataque de ansiedade se eu não disser.” — Kylie Wagner-Grobman
  23. “Se eu não me sentir confortável fazendo algo, não insista. Tentar me convencer só piora as coisas.” — Jennifer DiTaranto
  24. “Muitas vezes, a ansiedade me impede de socializar. Quando eu cancelo algo de última hora, nunca é devido à preguiça ou hostilidade. Saiba que se você precisar de mim, estarei ao seu lado da maneira que eu puder.” — Bridget Hamilton
  25. “Na maior parte do tempo, não sei direito o que acontece na minha cabeça. Eu entendo que posso ser complicada às vezes, mas suas tentativas de me compreender são muito importantes para mim.” — Avery Roe
  26. “Por favor, não me diga para superar isso ou que estou sendo boba.” — Carla Estevez
  27. “Quando eu cancelar planos com você sem explicar demais é porque tenho medo de admitir que estou sofrendo de ansiedade. Não tem nada a ver com você… é tudo culpa dos meus ataques de pânico.”Dorie Cabasag-Smith
  28. “Por mais que eu costume recusar certos convites, continue me convidando assim mesmo. Alguns dias são melhores do que os outros, então minha resposta pode surpreender você. Seja paciente.”— Kara Edkins
  29. “Não leve para o lado pessoal quando eu não quiser sair. Minha zona de conforto é a minha casa. É o único lugar onde me sinto segura.”Elizabeth Vasquez
  30. “Quando eu disser que não consigo aguentar mais nada, não é força de expressão.”Christine L Hauck
  31. “Quando não consigo fazer algo, ninguém fica mais desapontada do que eu. Por favor, tente entender isso.”—Lindsey Hemphill
  32. “Em alguns momentos, eu só preciso ficar sozinha. Não é nada pessoal. Eu não sou louca. Não tenho problema algum. Só preciso sacudir a poeira e fazer algo divertido. Algumas vezes, preciso ficar sozinha para respirar fundo e me acalmar.” —Stacey Weber
  33. “Toda vez que conversamos, cada palavra da nossa conversa passa pela minha mente várias vezes. Se eu disser algo que talvez não devesse ter dito, mesmo que não seja nada do outro mundo, isso pode me deixar obcecada por anos.”Chelsea Noelani Gober
  34. “Eu não me defino por minha ansiedade, então não pense em mim desta forma.” — Abi Wylie
  35. “Eu sei que posso parecer ridícula às vezes, mas por favor, me ame assim mesmo.” — Melissa Renee Wilkerson
  36. “Dê-me um pouco de espaço, mas não se esqueça de mim.” —Vickie Boyette
Às vezes é difícil não se machucar. Mas em alguns casos - como o meu - sempre é difícil. Sou sensibilíssima. Me dói qualquer palavra dita e mal interpretada ou algum gesto pequeno e imperceptível. Gosto de remoer e me doer até pelo que não aconteceu – mas poderia – e pelo que poderá eventualmente acontecer no futuro. Até por coisas que deveriam passar despercebidas. Comigo, elas não passam e sim grudam no cérebro, me fazem pensar e sentir coisas ruins e querer correr pro lado contrário, amedrontada. Fico sentida por besteira e magoada por coisas bobas, sim. É mais um lado chato de ser exagerada: meus dramas também são.
—  Iolanda Valentim.

Jesus ressuscitou e vive eternamente! Ele venceu a morte! ❤️

“No primeiro dia da semana, de manhã bem cedo, as mulheres levaram ao sepulcro as especiarias aromáticas que haviam preparado. Encontraram removida a pedra do sepulcro, mas, quando entraram, não encontraram o corpo do Senhor Jesus. Ficaram perplexas, sem saber o que fazer. De repente, dois homens com roupas que brilhavam como a luz do sol colocaram-se ao lado delas. Amedrontadas, as mulheres baixaram o rosto para o chão, e os homens lhes disseram: ‘Por que vocês estão procurando entre os mortos aquele que vive? Ele não está aqui! Ressuscitou! Lembrem-se do que ele disse, quando ainda estava com vocês na Galileia: É necessário que o Filho do homem seja entregue nas mãos de homens pecadores, seja crucificado e ressuscite no terceiro dia’. Então se lembraram das palavras de Jesus.”
Lucas 24:1-8.

Então, é isso. Não tô pedindo pra gente se ver, nem para combinarmos algo, não é nada disso. Só precisava te dizer, com todas as letrinhas completas: eu te amo. Precisava dizer porque já estava me sufocando, porque a minha própria identidade se perdeu depois de ti, porque a falta que tu faz tomou conta de mim. Eu te amo com todas as sílabas, com todo o significado que existe por trás dessas três palavras, com todo orgulho que antes me impediu de dizê-las, com toda dor que eu tentava evitar mas que, agora, vejo que foi inútil, esse sentimento que guardei só me sufocou, me amedrontou, me fez chorar em noites de insônia, me fez tremer a tua presença, mesmo que do outro lado da rua, da cidade, da vida. Eu te amo assim, confusa, perdida, amedrontada, mas tua, totalmente tua. Te amo, e é isso que me dá força, coragem, esse amor é o meu combustível pra continuar aqui, mesmo depois do teu silêncio.
—  Enamorava
Eu sofro porque você não me vê. E, de tanto não me ver, eu sumo. Sempre. Todas as vezes que você aparece, eu sumo um pouquinho, porque você é grande demais e a sua sombra cobre toda a minha existência. Eu me diminuo todas as vezes que você bate na minha porta para que eu possa correr e me esconder nos buracos do meu eu inseguro. Eu me torno a garota sozinha e amedrontada porque a garota feliz e sorridente e amorosa e cuidadosa foi embora há alguns anos. Eu não sei ser completamente eu quando estou com você porque ser eu é um fardo grande demais a se carregar e eu não quero pesos maiores sobre as minhas costas. Você não me vê porque gosta de se cegar achando que eu não sinto, não sofro, não vejo e não te amo. Mas eu te amo. Só que o amor, como eu, é comprimido a um tamanho quase imperceptível, porque amores grandes e brilhantes que mostram alegria não fazem o seu tipo e eu quero muito fazer o seu tipo. Eu quero muito ser do jeito que você quer que eu seja. Eu quero muito gostar do mar, das montanhas, dos acampamentos, mas eu não gosto. Eu não consigo. Ser outro eu para você é um tarefa difícil demais para se fazer sob pressão. E é por isso que eu me diminuo ao máximo e tento gostar ao máximo do que você fala. Eu concordo porque não concordar gera discussões e discussões geram noites mal dormidas e rostos molhados. Eu vou porque sempre quero mais do que você tem. Mas, sempre quando volto, volto com menos do que eu sou. Todas as vezes um pouco de mim vai rio a baixo porque eu não sou capaz de gritar e dizer que eu sou mais importante do que o que nós temos. Eu prefiro mentir e sorrir do que chorar na sua frente e mostrar uma fraqueza que você não gosta de ter ao lado. Eu quero estar ao seu lado, mas pra isso eu tenho que jogar todos os meu lados no lixo. Eu deixo cada pedaço de mim antes de chegar à sua casa porque você não suportaria uma bagunça tão grande no chão da sua sala. Eu não me permito ser além do que sou porque eu já sou coisas demais e coisas demais dão trabalho para o cara do almoxarifado. Tudo aquilo que eu possuo ou possuía tem, hoje, um tapete enorme em cima para que você não perceba as zilhões de coisas que eu deixo escapar quando você não está vendo. E eu faço isso porque amo demais, gosto demais, perdoo demais, esqueço demais. Eu tenho medo do que eu sou porque você pareceu não gostar do que viu algumas vezes. Eu guardo tudo debaixo do tapete para evitar términos desnecessários. Para evitar dores desnecessárias. Eu fico cada vez menor para que você cresça, cresça e cresça mais e mais. Eu não me importo em ser menor para que você seja enorme. Eu juro, eu não me importo. Mas eu te peço também que você não deixe isso passar despercebido como faz com as outras milhares de coisas ao seu redor e ao nosso redor. Não finja que eu não faço nada por você, por nós. Não finja que eu não faço sequer diferença na sua vida cheia de ligações, mensagens, tarefas. Não me faça sumir para que você chegue ao seu último patamar. Não me faça ser aquilo que você quer e não o que eu realmente era e, mesmo em pouca quantidade, ainda sou. Não me faça desistir de ser sua. Não me faça largar as noites escrevendo coisas para você por festas cheias de pessoas idiotas. Não me faça destruir tudo o que eu, na maioria das vezes, construí sozinha.
—  Pedaços de Amélia. 
Me disseram para aguentar firme. Mas qual o propósito? Como eu conseguiria isso? Estou em pedaços. Meu interior está confuso, minha mente está um caos. Eu não entendo o que sinto e, sinceramente? Eu não sei se estou mais disposta a entender. O que eu era antes deixou de existir e eu estou amedrontada com o que me tornei. Tantas perguntas sem respostas. Tantas coisas que precisei deixar para trás. Tantos risos perdidos e tantas lágrimas ocuparam seus lugares. Sinto que serei atingida por um tsunami de emoções reprimidas a qualquer momento, e eu não saberei como sobreviver a isso. Nunca aprendi a nadar. Então, não me peça para aguentar firme quando não sabe o tormento que enfrento dentro de meu peito.
—  A Teoria do Caos.
Deus quer que nós O busquemos e clamemos por Ele. Ele quer nos responder e nos contar coisas além da compreensão humana. Ele anseia chegar mais perto de nós para que possamos conhecê-lo. Como uma criança amedrontada chama um pai amoroso no quarto ao lado, nós também podemos chamá-lo, sabendo que nosso Pai nos responderá, nos protegerá e nos confortará. Mais do que isso, nosso Pai nos revelará coisas que seriam impossíveis nós sabermos sem a graça dele.
—  Cheio-de-Deus

Hoje eu conheci a Amanda. Infelizmente não foi de uma forma agradável nem para mim e muito menos para ela. Saindo do curso, no centro de Caxias, entro no mesmo ônibus que pego todos os dias no mesmo horário, o 115 - Caxias x Nova Iguaçu, que passa por Lote XV, Wona, Belford Roxo, Prata, Posto Treze e finalmente Nova Iguaçu. Com apenas os bancos altos do ônibus e aqueles de trás vazios, eu resolvi ficar em pé mesmo, afinal, não estava cansado e odeio aqueles bancos altos. Coloquei minha mochila no chão e dei play numa música bem alta no iPod. No banco perto de mim tinha uma menina com uma mochila que parecia estar pesada no chão do ônibus. Do lado dela, uma mulher com duas crianças com brinquedos, balões de ar e brindes - pareciam voltar de uma festa de aniversário. A mulher preferiu ir para o banco de trás, onde tinham três lugares vagos, com seus filhos afim de não incomodar a menina. Eu abaixei pra pegar minha mochila e quando ia me preparar para sentar ao lado da menina, um cara entrou na minha frente e sentou. Como era mais velho, aparentava estar voltando do trabalho e tal, eu só coloquei minha mochila no chão outra vez e aumentei mais a música. Com o passar do tempo, fui percebendo que a menina olhava com um olhar desesperado pra mim. Isso estava me incomodando. A mochila dela, agora, estava no colo dela. Eu me senti tão incomodado que acabei guardando o iPod na mochila, ouvir música não estava me agradando. A menina continuava a olhar pra mim com um olhar desesperado. Em um ponto, perto do Wona, uma das crianças estourou um dos balões na parte de trás do ônibus e todo o ônibus levou um susto, inclusive o cara que estava do lado da menina. Quando ele virou pra trás, eu pude ler os lábios da menina que diziam claramente “me ajuda”. O cara logo virou pra frente. Ele não esboçava uma emoção. Não olhava para os lados, só para frente. Não se movia nem quando o ônibus balançava demais. Fiquei sem ação. Larguei minha mochila no chão mesmo e fui pra parte fronteira do ônibus, na intenção de avisar o cobrador. Mas tive medo. Tive medo de, quando o cobrador andasse em direção ao homem, ele fizesse algo com a menina. Perguntei qualquer coisa ao cobrador pra disfarçar e voltei ao meu lugar mexendo no celular, passando de uma tela inicial pra outra do iPhone como se estivesse distraído. Guardei o celular no bolso e olhei para a menina. Dei um sorriso e falei bem alto, quase gritando: “Bruna, nem percebi que era você! Você tá muito diferente!” a menina, com a voz trêmula, falou: “É, eu pintei o cabelo e emagreci um pouco. Quanto tempo, João!” Comecei a puxar assunto com ela. Assuntos fictícios e reais. Peguei minha mochila e joguei no colo dela, falando “Segura aí pra mim.” O cara teve que se afastar um pouco dela. Eu podia ver agora a mão direita dele que antes eu não conseguia ver. Todo o ônibus ouviu a nossa conversa. Falamos dos pais dela, de como o Romeo - meu cachorro - estava grande, das festas muito legais que ia e de como meu curso estava indo bem e eu estava prestes a me formar. Até que uma mulher e o esposo saíram do ônibus, deixando dois lugares livres na parte fronteira do ônibus. Peguei minha mochila, coloquei nas costas e puxei a ‘Bruna’ pelo braço. “Vamos sentar lá na frente comigo, liberou lugar.” Com todo o ônibus prestando atenção na gente, o cobrador um pouco emburrado por eu estar atrapalhando o sono dele, aquele cara não pôde fazer nada. Fomos eu e 'Bruna’ pra bem longe daquele homem. Bruna não era Bruna, era Amanda. Tinha um pouco mais que a minha idade e fazia Direito em Caxias, onde conseguiu uma bolsa admirável. Morava em um lugar em Nova Iguaçu que era realmente escuro e deserto. Ela estava com muito medo. Amanda chorou baixinho, repetindo tudo que o homem cochichou no ouvido dela. Amanda, com os dedos, mostrou o lugar onde o cara colocou uma faca nela. O homem já havia contado seu plano: ele iria com ela até a rodoviária em Nova Iguaçu, onde o número de passageiros do ônibus se reduziria a menos de cinco, e desceria com ela, abraçado, fingindo ser seu namorado ou pai. Levaria ela para qualquer lugar, a estupraria e, se ela fosse boazinha, deixava ela voltar pra casa. Mas ele avisou: “eu gosto de menina quietinha, se você gritar demais eu te meto a porrada, ouviu, sua piranha?”
Amanda estava com medo de pegar o celular para ligar para alguém e não queria ir à polícia sozinha, tinha medo dos policiais - típico, mas, quem não teria? - e o homem não saía do ônibus. Tive a ideia de descer com ela no meu ponto, perto da CEDAE em Belford Roxo onde há um espaço esportivo que está sempre com homens jogando futebol e bebendo cerveja, além de ser bem próximo da Delegacia da Mulher. Desci com ela e, quando olhei pra trás, o homem estava bem atrás da gente. Ele não havia desistido. Entramos no espaço esportivo e fui me aproximando de uns homens que bebiam e escutavam pagode alto. Amanda me segurou pelo braço e disse “Não, por favor, não. Eu só quero a minha mãe.” Nesse momento eu entendi a tão chamada misandria. Ela tinha medo de homens, ela estava amedrontada. Aqueles homens provavelmente ajudariam ela, mas ela estava com medo. Ficamos perto do estacionamento do espaço e emprestei meu celular pra ela ligar. O homem, a essa altura, já estava bem longe dali. Ela ligou, a mãe dela chegou e ambas choraram na minha frente. A mãe dela tremia e me abraçou muito forte, repetindo muitas vezes “obrigada, muito obrigada”. Expliquei pra elas onde era a Delegacia da Mulher e as duas seguiram seu caminho.
Mas Amanda será só mais uma. Ela foi só mais uma. Ela poderia ter sido só mais uma. Só mais uma menina estuprada. Só mais uma garota violentada. Só mais uma mulher assediada. Eu, muito assustado, peguei meu segundo ônibus a caminho de casa. Fui pensando por todo o caminho em como seria a vida da Amanda a partir de agora, e como seria a vida da Amanda caso tivesse acontecido todos os planos daquele homem. Amanda teria vida depois daquele homem? Quantas Amandas existem no mundo? Quantas Amandas sofrem com isso todos os dias? 
E vocês aí, dizendo que feminismo é palhaçada. Que mulher feminista é tudo mau comida. Feminazi, blá blá blá. Você não entende as mulheres extremistas. Você repugna a mulher que se afasta de um homem machista. Você acha palhaçada uma mulher que odeia assobios e cantadas no meio da rua. 
Eu não conhecia a Amanda e definitivamente não queria tê-la conhecido dessa forma. Mas te digo uma coisa: se Amanda não se considerava feminista antes, agora ela se considera. Não troquei contatos com Amanda, mas quero que ela saiba, onde ela estiver, que eu sinto muito. Eu sinto muito por existirem homens assim. Eu sinto muito por existirem seres humanos assim, Amanda. E provavelmente isso vai ficar na minha mente por um bom tempo, devo ter um ou outro pesadelo. Imagina a Amanda…

Precisamos nos acautelar a respeito das diferentes forças de homens e mulheres. Quando alguém pergunta se achamos que as mulheres são, digamos, mais fracas, ou mais inteligentes, ou mais facilmente amedrontadas do que os homens, ou algo assim, uma boa resposta seria mais ou menos esta: as mulheres são mais fracas do que os homens em alguns aspectos, e os homens são mais fracos do que as mulheres em outros aspectos; as mulheres são mais inteligentes de que os homens em alguns aspectos, e os homens são mais inteligentes do que as mulheres em outros aspectos… Deus pretende que todas as “fraquezas” que são caracteristicamente masculinas evoquem e destaquem as forças de uma mulher. E Deus pretende que todas as “fraquezas” que são caracteristicamente femininas evoquem e destaquem as forças de um homem… Masculinidade e feminilidade devem se complementar, em vez de se duplicarem… a maneira como Deus nos fez é boa. Ninguém é de menor valor do que o outro. Homens e mulheres são de valor e dignidade iguais aos olhos de Deus — ambos criados à imagem de Deus e extremamente singulares no universo.
—  John Piper e Wayne Grudem | Homem e Mulher - Seu papel Bíblico no Lar, na Igreja e na Sociedade.
Dentre tantos caminhos, o Seu. Entre tantas vozes, a Sua. Sobre tantos toques, as Tuas mãos. Acima de todos os sonhos, a Tua direção. Porque eu sou tão pequena, Deus, e eu erro tanto. Quero o caminho que dá para o Teu coração. O Santo Espírito que conduz a minha adoração. Quero as Tuas mãos a me levantar, Teu colo a me acalmar. Me esconder quando eu amedrontada estiver.
E eu escolho Você. E desejo que ninguém seja mais importante na minha vida do que Você. Porque é o ar pra eu respirar e é Aquele que ainda vai me amar quando nada mais sobrar. Quando eu nem sequer merecer. Eu escolho Você. Porque preciso do Teu amor, e eu preciso tanto que já não sei amanhecer sem Ti. Não encontro vida se não for aqui. Eu Te preciso tanto que mesmo em meio às lutas escolho o Teu chamar. Quero que seja por Ti cada vez que eu respirar. Porque sei que nada que eu fizer poderá jamais se comparar ao que fez por mim, mas nas minhas tentativas ingênuas quero ir até o fim. Eu escolho a Ti, Amigo, Papai, Consolador, Aquele que por tanto me querer se entregou. Te escolho porque não resisto a tamanho amor. Eu Te escolho, meu Pai, mesmo em mim não havendo nenhum valor, é a Ti, e somente a Ti, que me dou.
—  De verso e alma, para Ele.
a temporada das cores se foi mais cedo nesta geração

um arco íris preto e branco enfeita os céus enquanto tudo ao redor passa sem graça. sorrisos opacos não são suficientes para esconder suas almas sem vida, porque tornaram-se rasos e foram reduzidos a mera aparência. o medo de sofrer lhes impede de viver diariamente, por isso vestem suas máscaras pintadas de perfeição enquanto lamentam não serem bons o suficiente para encaixar-se em tantos padrões idealizados. a raça humana está amedrontada pelas traições, mentiras e ilusões que colecionaram ao longo dos milênios. estão presos num presente faz de conta em que transbordam alegria artificial durante o dia e choram as lamúrias de suas vidas miseráveis à noite. não conseguem estancar o sangramento interno ou controlar os danos; abandonaram-se com a desculpa de que o tempo os cicatrizaria. de acordo com newton, o somatório das forças se reduz a zero; e devido a tentativa de somar tudo, acabaram fadados à exclusiva existência, esquecendo-se de viver. os humanos têm essa estranha necessidade em se perder para só então se encontrarem. contudo, não se pode controlar as coisas que os deixam sem rumo. as pessoas estão paradas assistindo a vida que está sendo deixada para trás, ao invés de apenas aceitarem que acabou; então acabam se perdendo de novo. e tudo isto acaba se tornando um ciclo. não entendem que é preciso permanecer transponível para onde quer que o vento sopre depois.

Bruno Cavalcante e Kelven Figueiredo 

Preference #370: ♡ my valentine ♡
  • oioi gente! sejam muuuuito bem vindos á este SUPER especiaaaal :) ele me deu muito trabalho, espero que curtam!
  • ps. o título do preference é uma música do McCartney ♡, então, já sabem..
  • sei que essa semana, nós tivemos muitos “extras” aqui no tumblr, mas peço que vocês me perdoem por qualquer coisa que eu fiz, ou disse.
  • a Jout fez essa playlist de dia dos namorados (totalmente de músicas nacionais) e eu super acho que ficou fofo <3. Ouçam “No Brasil é mais gostoso.” (ou Transemos pros mais íntimos)

LOUIS:

Durante toda a viagem de carro até a casa de minha mãe, S/N fora brincando comigo e com Charlie, a bebêzinha de cinco meses que gargalhava no banco de trás. Insisti diversas vezes para que ela se acomodasse ao lado da cadeirinha da pequena e descansasse um pouco, mas seu discurso era sempre o mesmo, “Eu não vou deixar você acordado sozinho, Tomlinson” resmungava e voltava a suas palhaçadas para a bebezinha.

Arrastei a ponta de meus dedos sobre sua coxa desnuda pelo short e apertei sua perna em minhas mãos. S/N tinha insistido para que nós não fizéssemos nada muito esquematizado nos dias dos namorados, e apesar de tudo eu concordei, mas buscava insistentemente algo em minha mente, para que de qualquer maneira, esse fosse o melhor dia dos namorados pra ela. E no fim, seria mesmo. Era a primeira vez que comemoraríamos tal data com Charlie e seria importante para ambos.

Eu não faço a mínima ideia do que estou sentindo agora, é como se fosse sinestésico. Eu estou com S/N ao meu lado, prestando atenção na estrada ao mesmo tempo em que observo seu peito inflar e desinflar calmamente, ela está sorrindo de alguma coisa que acabou de sussurrar e enquanto eu viro para entrar no condomínio de minha mãe, entrelaço nossos dedos.

— Acho que vai chover o final de semana todinho. — comentou olhando para o céu cinzento e apertando seus dedos fininhos nos meus. — Sempre é assim, quando eu venho pra cá.

— Mas acho que dessa vez vai ser a nosso favor, baby. — digo-lhe e ela sorri entendendo o porquê do comentário. Desligo o carro e antes que ela possa abrir a porta e sair eu lhe seguro, me inclinando contra ela. — Você não vai nem me dar um beijinho?

Seu sorriso de orelha a orelha me faz derreter um pouquinho, enquanto seus lábios tocam minha bochecha e então meus lábios.

— Nós vamos ficar no mesmo lugar, Lou.

— Mas os abutres das minhas irmãs vão te roubar de mim. — choramingo sobre seus lábios, mordendo-os. — Promete que sempre que puder, vai vir me dar um beijo?

S/N franze o nariz e depois sorri, beijando meu pescoço e selando meus lábios.

— Durante todo o final de semana.

Enquanto S/N enrola Charlie num cobertorzinho e a coloca em seu peito, colocando sua bolsa no ombro, eu pego nossas malas do porta-malas e abro a porta, permitindo que ela entre e eu a siga, fechando a porta. Mamãe já está gritando pelas minhas irmãs enquanto beija a bochecha de S/N e pega Charlie no colo, dou um beijo em sua bochecha e ela beija meu nariz rapidamente, voltando sua atenção para o bebê em seu colo.

Durante todo o restante do dia, eu fiquei sem muito contato com S/N, já que Lottie estava enchendo seu rosto com purpurina dourada e tirando fotos dela. Bem, eu sabia que isso era um bom sinal, afinal, minhas irmãs adoravam minha noiva, mas eu contraponto era horrível, porque minhas irmãs adoravam minha noiva.

S/N se deitou ao meu lado no sofá espremido de minha mãe, onde Dan e eu assistíamos ao jogo do final de semana passado. Sua bochecha amassada em meu peito e sua respiração calma e ao mesmo tempo amedrontada me passava à estranha sensação de casa. Era horrível saber que S/N temia alguma coisa, que tal coisa a assustava e eu era impotente sobre isso, mas saber que ela sempre confiaria em mim para ajuda-la, era a melhor coisa no mundo. Ter o conhecimento de que seus beijos e seus carinhos seriam todos para mim, era a coisa mais segura que eu poderia pedir em toda minha vida. A cada trovão lá fora, S/N se remexia inquieta em meus braços e uma vontade de rir de seu medo, sucumbia em minha garganta.

Lottie apareceu no topo da escada e assim que viu minha garota, se apressou pelos degraus até estar ao seu lado, mostrando-lhe algumas fotos. S/N estava absurdamente linda, me inclinei contra seu corpo e peguei a câmera de Lottie, passando as fotos e observando seu rosto estupidamente fotogênico encarar quem quer fosse que estivesse fotografando-a. S/N tinha seus ombros desnudos e cobertos delicadamente com purpurina dourada. Seus olhos tinham uma sombra, não muito comum, um pouco mais líquida e num tom muito claro de marrom, sendo o necessário para se destacar na pele bronzeada dela. Seus braços estavam cruzados sobre o peito e cada uma de suas mãos estava em sua bochecha, de forma contrária. À direita na esquerda e a esquerda na direita. Seus lábios estavam esmagados pela almofadinha de seu dedão.

Então o ponto X da questão se ascende em minha mente.

— Você está pelada nessas fotos, S/N? — pergunto baixinho e seus olhos se arregalam, percebendo que Dan e Lottie estão nos encarando. — Amor?

Não. — resmunga baixinho, e volta a se encolher em meu peito. A chuva começa a engrossar e o movimento da sala, volta ao seu movimento normal.

— Vamos pro quarto, babe — sugiro e lentamente ela se levanta, dando um beijinho em cada um na sala, enquanto eu a espero no pé da escada. Resmungo uma “Boa noite” e os ouço disserem o mesmo. — Você ainda tem aqueles brilhinhos no corpo?

Uh?

— Aqueles brilhozinhos da foto, S/N.

— Oh não, eu já tomei banho. — suspira baixinho e se vira pra janela, assim que um trovão esbraveja pelo céu. — Lou, você vai tomar banho agora?

A observei por um momento, buscando algum “por que..”

— Vou, você quer que eu faça alguma coisa?

— Não exatamente, amor. — resmunga baixinho, deixando um beijo em meus lábios. — Eu vou pegar Charlie, sua mãe deve estar querendo ir deitar…

— Eu duvido muito. — enquanto eu tiro minha camisa, S/N já saiu do quarto me deixando sozinho no quarto.

A água quente me fez repensar sobre diversos momentos meus e de S/N, talvez eu estivesse me tornando um gay enrustido e muito sentimental, mas era tudo muito diferente agora. A última vez que eu vim para essa casa, dormir com S/N no quarto no qual eu dormia aos meus oito anos, ela não estava grávida e nem noivos nós éramos. Ela estava toda acanhada e morria de medo de que eu a forçasse a fazer amor com meus pais dormindo, teoricamente, ao nosso lado. No fim das contas, nós passamos a madrugada inteira conversando sobre nossos sonhos e anseios, até que S/N, deitada em meu colo, parou-me de responder e começou a respirar mais calmamente, entregue ao sono. E agora nós tínhamos Charlie, que era uma benção enorme sobre mim, e que muitas vezes eu cheguei a questionar se eu era mesmo merecedor dessas duas garotas na minha vida.

Coloquei minha calça moletom e voltei ao quarto.  S/N já tinha retornado e agora com Charlie em seu colo, mantinha sua blusa levantada até o queixo, em um dos lados e as costas curvadas até que a garotinha em seu colo pudesse sugar o leite. Sentei-me na cama junto a elas, e a abracei pelas costas, descansando meu queixo em seu ombro, enquanto eu a observava amamentando Charlie. Os lábios de Charlie estão sobre toda a auréola do seio de S/N, e enquanto ela suga o leite, produzindo um sonzinho extremamente engraçado. Sorrio com sua gulosice e aperto S/N mais em meus braços, sentindo-me mais aquecido.

Deus, eu estou virando um gayzinho apaixonado.

 — Lou? — sua voz baixinha me pega desprevenido e eu ronrono em seu pescoço. — Você quer fazer isso?

Uh?

— Você quer dar de mamar a ela? — pergunta baixinho, observando meus olhos e prensando os lábios numa linha fina. Á olho confuso, sobre como eu vou poder fazer tal coisa, e então ela pega em minha mão, com a mão que antes estava em seu seio pressionando-o e coloca minha mão sobre seu seio, tomando cuidado com o rostinho de Charlie. — Aperta um pouquinho, pra ir leite pra ela.

— S/N, eu vou te machuc.. — protesto, mas sua mão se aperta sobre a minha e Charlie aumenta a sugada em seu seio. — Oh, isso é lindo.

— Agora, com o dedo mendinho, você coloca na boquinha dela — me ajuda a substituir o bico de seu peito pelo meu dedo, e Charlie continua sugando meu dedo. — Pronto, espera um pouquinho pra ver se ela vai reclamar.

Eu tenho total consciência de que minha mão ainda prevalece em seu seio e de que agora, eu estou o apertando, sentindo-o devagarzinho.  Gemidos baixinhos escapam de meus lábios e mordo seu ombro.

Tommo. — S/N meio reclama, meio geme, enquanto encosta suas costas em meu peito. — Você está…

Eu tenho seu seio em minha mão e deslizo a almofadinha de meu dedão circulando o bico de seu peito. Ela está arfando baixinho e reunindo forças pra se levantar de meu abraço. Distribuo beijos por todo seu pescoço e deslizo minha língua de seu maxilar até sua orelha, beijando-a lá. O “tossir” de Charlie faz com que S/N se levante e balance a bebê em seu colo, até ela arrotar. Eu estou sentado exatamente como estava, sentado e a encarando, quando ela deixa Charlie no pequeno berço e tranca a porta, desligando a luz. Sinto seus lábios sobre meu pescoço e suas mãos na barra de minha calça.

— Você vai ter de ser quietinho. — sussurra baixinho em meu ouvido. — Antes que algum resquício de sanidade volte pra mim.

Sugo seus lábios e a deito abaixo de mim, subindo sua camisa e a retirando. Deslizo minhas mãos por todo seu corpo. S/N desliza seus lábios pelo meu ombro, enquanto tira minha cueca com as pontas dos dedos. Eu a observo por alguns momentos e então, com um risinho nos lábios eu a beijo novamente. A ponta de seus dedos está sobre meus braços e faz pequenos desenhos em minha pele.

— Nós estamos quebrando seus dois maiores princípios — comentei baixinho em seu ouvido, sentindo-a se arrepiar. — Nós estamos fazendo amor na casa dos meus pais e na frente de Charlie.

S/N ri um pouquinho, e com a ponta do dedo traz meu rosto para ela, lambendo meus lábios e respirando sobre minha pele.

— Eu estou tentando não perder minha dignidade. — resmunga e corta minhas costas com suas unhas.

Estou pensando em como sua pele morninha está sobre a minha e a forma como seu coração está batendo sobre meu peito. Eu sinto cada célula do meu corpo gritando o quão apaixonado eu estou por ela, e eu sei que junto de toda essa adrenalina, um pequeno aviso do quão perigoso isso é ecoa no fundo de nossos corpos.

Seus dedos pequenos e delicados estão empurrando minha calça, junto a minha boxer para baixo. Eu puxo seu short e sua calcinha, e a jogo pra fora da cama, ouvindo-a suspirar pesadamente. Deslizo meu dedo sobre sua carne molhada e escorregadia e suas pernas se apertam em minha mão, começo a movimentar meu dedo lentamente e seus lábios produzem pequenos gemidos baixinhos e ela morde seus lábios com força. Com dois dedos em sua intimidade, ela está quase chegando ao prazer e eu o retiro rapidinho.

Babe. — choraminga baixinho e desliza seus dedos em meu cabelo. — Por favor.

Eu gosto da maneira como ela se entrega pra mim, e pra mais ninguém. E então eu sinto ciúmes de qualquer um que possa pensar em fazê-la sussurrar seu nome tão lindamente quanto agora. Eu me coloco entre suas pernas e a sinto ficar rígida, rapidamente atenta no meu corpo.

— Meu nome — digo e ela abre seus olhos me observando. — Diga o meu nome quando eu estiver dentro de você.

Quando eu estou dentro dela, todos meus músculos se tornam rígidos e em minha garganta gemidos estão sendo coagidos para não acordar a pequena bebê ao nosso lado. Com movimentos lentos e tortuosos eu estou nela e então, não mais.

— Jesus. — meus lábios reclamam e eu os mordo, apertando o travesseiro abaixo de S/N. — Você vai me matar, garota.

S/N passa as mãos pelos cabelos, tirando-os de seus olhos e então, elas estão em minha bochecha, puxando-me para seus lábios e os tocando desajeitadamente.

— Por favor, Daddy. — seu choramingo baixinho me causa arrepios e eu percebo que S/N acabou de sexualizar o termo “Pai”. Ela rebola seu quadril sobre mim e toca seu seio esquerdo, apertando-o lentamente. Eu estou tão hipnotizado em seus movimentos sutis, que forço meu quadril a ir o mais rápido que minha sanidade permite.

Eu a beijo sugo seus lábios e os mordo. Eu estou perto de atingir o clímax que poderia gritar por isso. Seus dedos se apertam em minha cintura e ela se abraça a mim, colocando seu rosto em meu ombro, mordendo-o ao invés de esbravejar. Jogo meu quadril mais algumas vezes sobre ela, e nós dois caímos cansados na cama. Seus lábios estão sobre os meus ombros e seu coração está batendo rapidamente em meu peito.

— “Daddy”. — repito em seu ouvido e seus lábios se inclinam pra cima. — Eu nunca mais vou ouvir essa palavra como um civilizado.

S/N ri e aperta seus braços ao redor de meu pescoço, me beijando delicadamente.

— Se você me der um bebê dia dos namorados — resmunga baixo, rindo. — Eu vou matar você, “Daddy”.

HARRY:

Com as pernas sobre mim, e seu rosto descansando na curva de meu pescoço, S/N ronronava baixinho. Deixei meus dedos deslizarem pelos fios de seu cabelo e permaneci ali, durante um bom tempo após ter acordado. Sua respiração era pausada, e ela parecia sugar todo meu perfume em seus pulmões. Deixei que meus lábios tocassem sua testa, então suas pálpebras, bochechas e por fim, seus lábios ainda sonolentos e desprotegidos.

Na noite anterior, eu tinha chegado de viagem e fui direto pra casa dos pais de S/N, eles fizeram um jantar, que segundo eles era para comemorar o Dia dos Namorados antecipadamente e para que eles não ficassem tão sozinhos, mas eu poderia jurar que era ideia do pai de S/N para que eu não a levasse pra casa tão cedo e nós fizéssemos amor. Ele vive fazendo isso quando eu chego de viagem, tenta me prender o máximo possível e fazer-me cansado para que eu chegue em casa e vá direto pra cama — sem tocar em sua filha. Nós voltamos pra casa, era um pouco mais das 23h e S/N estava arrumando suas roupas no guarda-roupa, quando sai do banho, e então nós passamos o dia 11 para 12, sendo muito mais que namorados.

S/N grunhiu baixinho e se remexeu, deslizando suas mãos por minha cintura e então, até o elástico de minha boxer. Relapsos da noite passada se chamuscavam em minha mente, enquanto ela enrolava os dedos no elástico. Tínhamos concordado em passar um final de semana juntos, sem ninguém, só eu e ela, nossos presentes ficariam para o fim da noite e mesmo assim, receberíamos agrados o dia inteiro.

Inclinei meu corpo sobre o dela, me deitando sobre seu corpo, deitei meu rosto em seu pescoço e deslizei meus lábios por toda sua pele sensível.

Nossos corpos ainda nus, um em cima do outro, absorvendo o calor de ambos. Sussurrei baixinho em seu ouvido e mordi devagarzinho puxando-a. S/N resmungou alguma coisa bem baixinha e eu sorri, apertando seu rosto com minhas mãos.

Shhh bebê — resmungou baixinho, se movendo abaixo de mim e colocando o indicador em meus lábios. — É cedo ainda.

Ronronei em seu pescoço e coloquei a esponjinha de meu dedo em seus lábios.

— Eu quero um beijo. — sussurrei baixinho.

Seu sorriso se abriu e ela gargalhou baixinho. Ela abriu os olhos lentamente e me chamou mais pra si, com a ponta do dedo.

— Só unzinho — sussurrou e selou meus lábios devagarzinho

— Assim não vale — reclamei e com um beicinho ela me selou novamente. Abri meus lábios e suguei seu lábio inferior, dando início à um beijo beeeem lento.

Meus braços estavam ao redor de seu corpo e sua perna se pendurava em minha cintura.

— Você não pode estar negando beijos a mim. — reclamo e sua gargalhada sai abafada por meus lábios. Seus dedos deslizam pelos fios do meu cabelo e me fazem cafuné. Ronrono em seu ombro e o mordo.

Babe. — choraminga baixinho e aperta minha bochecha. — Eu não quero cortar o clima, nem nada, mas é que eu “tô” com fome.

Rio de seu comentário e a beijo rapidamente, me sentando na cama e a puxando em meu peito.

— Eu devia saber. — retruco baixinho e beijo o lóbulo de sua orelha. — Você me deu trabalho ontem, baby.

— Eu só não te bato porque não consigo me manter em pé. — choraminga baixinho, puxando minha blusa para seu colo. — Você vai mesmo me deixar passar fome no dia dos namorados, Hazz? Que tipo de namorado é esse, hum?

— O tipo que tem uma namorada que parece um saco sem fundo — retruco e ela forma um beicinho com os lábios. Roubo-lhe um beijo e me levanto da cama, deixando-a totalmente nua sentada na cama. Linda, linda, linda. — Ei, psiu.

S/N me encara totalmente alheia perdida em seus pensamentos, enquanto aperta o lençol em suas pernas.

— Uhm? — sussurra baixinho, tombando o rosto pro lado.

— Linda. — sussurro num tonzinho fofo e S/N sorri, deixando com que suas bochechas fiquem coradas. — Ei. — S/N me encarava novamente e continua sorrindo, puxando o lençol sobre seu busto. — Amo você.

Caminhei em meus pés até a cozinha, procurando por algo que eu pudesse fazer para S/N comer. E então eu não tinha nada na geladeira, muito menos no armário. Fui até o quarto e vesti qualquer roupa rapidinha e peguei minha carteira, S/N estava no banheiro e decidi que não valia a pena avisar, já que seria rapidinho. Comprei alguns pãezinhos e frios para o café e voltei pra casa.

Era difícil dizer o que nós estávamos fazendo. Tínhamos acabado de sair de uma enorme crise no nosso namoro e mesmo assim, estávamos agindo como se nada tivesse acontecido. Eu sabia que pra ela, me ter distante por meses era um pé no saco, mas eu também sabia que eu vinha destratando ela, e estava errado sobre isso. Tranquei a porta do apartamento e deixei as sacolinhas sobre o balcão. Eu estava me sentindo péssimo sobre isso, precisava pedir perdão e faze-la acreditar novamente em mim, e se necessário eu faria ela se apaixonar por mim novamente. Abri a porta do quarto devagarzinho, mas o mesmo estava vazio. Apenas algumas roupas de S/N estavam sobre a cama e o barulhinho do chuveiro ligado permanecia no quarto.

Entrei lentamente no banheiro, retirando minha roupa o mais silenciosamente possível. S/N estava de costas para o vidro do boxer e espalhava shampoo pelos cabelos com a ponta dos dedos. Abri a porta com cuidado para não fazer muito barulho e deslizei pra debaixo da água junto á seu corpo, envolvendo sua cintura com meus braços e seus ombros com meus lábios.

S/N estremeceu e se apertou aos meus braços, como se suas pernas estivessem cedendo e seu corpo não conseguisse se sustentar sobre seus pés..

Bae. — resmungou baixinho, beijando as costas de minha mão e se virando pra mim. — O que você tem, bebê?

Oh céus, choramingo silenciosamente dentro de mim, O que diabos eu tenho?

— Eu não sei, amor — digo por fim, ainda com ela em meus braços e com a água nos tocando.

Passo a esponja em suas costas e percebo que eu estou tremendo insanamente. Puxo o cabelo de S/N para o lado e deslizo meus dedos para seus ombros, os massageando.

— Me desculpe por ser um namorado ferrado. — resmungo enquanto a enrolo numa toalha e sigo junto a ela até o quarto. S/N desliza a toalha pelo corpo molhado, e veste suas roupas íntimas.

Vestida na minha camisa e com os cabelos molhados, S/N caminha até mim com os braços abraçados em sua própria cintura.

— Você é o meu namorado ferrado. — disse, segurando minhas mãos e as colocando em seu rosto. — E eu te amo. Desse jeitinho.

— Babe, eu não te mereço. — choramingo em seus lábios e ela os morde, sugando-os e me beijando. Fazendo com que sua língua tire de mim toda a sanidade existente em meu corpo.

— Nunca mais diga isso, Haz. — resmunga e desliza seus dedos em meus cabelos, massageando-o. — Eu estou tendo um dia dos namorados ferrado, com o meu namorado ferrado. — diz baixinho, arrancando de mim um pequeno risinho. — E eu o amor por isso.

Feliz dia dos namorados ferrado. — sussurro em seu ouvido, deslizando minhas mãos para sua coxa. — Minha namorada.

S/N ri baixinho e cutuca meu estomago, desatando o nó de minha toalha, que cai ao chão.

Faça amor ferrado, com sua namorada ferrada.

LIAM:

Observei S/N pegando o irmão no colo e o enchendo de beijos. Ela era estupidamente linda assim, natural e distraída. Seus cabelos pendiam sobre seu ombro em pequenas cascatas com cachos nas pontas. Em um vestido regular, totalmente bege com rendas, ela se mantinha sexy e ao mesmo tempo com sua ingenuidade e inocência intocadas. Ela era estupidamente linda e não tinha noção disso.

Fui até ela, e passei meu braço ao seu redor. Joseph, seu pequeno irmãozinho me olhou com reprovação e S/N apertou-lhe as bochechas para que ele parasse de marra.

— Da um sorrisinho pro Liam — pediu ao menino, que me forçou um sorriso amarelo e eu lhe beijei a bochecha.

— Eca!¡ — resmungou o pequenininho enquanto passava a mão aonde eu beijei.

— Então eu vou beijar sua irmã — provoquei e ele franziu a testa se apertando ao pescoço de S/N.

— Não!

— Então eu vou te beijar! — disse e me inclinei contra ele, que estendeu os bracinhos em minha direção. — Quem é que eu vou beijar, então?

— A vovó! — apontou para a senhora conversando com algumas tias de S/N. — Ela não usa dentadura!

— Eca! — repeti sua ação anterior e ele riu baixinho, se inclinando contra mim e colocando as mãozinhas na boca:

— Ela baba muito, Liã

S/N riu baixinho e o mordeu a bochecha.

— Vai lá com a mãe, Josh — disse e o colocou no chão. — Diga a ela que eu e Liam estamos namorando.

— Dãããr! — esbravejou o menino indignado e bateu as mãozinhas nas pernas — Ela já sabe disso, Déia.

Sorri de sua ingenuidade e abracei S/N mais forte.

— Diga a ela que nós estamos “super-hiper-mega-namorando” — sussurrei pra ele e ele concordou — Ela não sabe disso ainda.

S/N se virou em meu braço e me olhou, com repreensão.

— Payne!!! — choramingou — Ela vai achar que nós estamos arrancando nossas roupas por aí.

Roubei-lhe um beijo e subimos pro quarto. Me sentei na cama e a observei tirando os brincos e o salto alto, caminhando até mim descontraída. 

— Babe? — me chamou baixinho e eu acenei para que ela falasse. — Me perdoa?

S/N se sentou ao meu lado e entrelaçou nossos dedos, arrastando seu dedão pelas costas da minha mão.

— Perdoar pelo que, S/N?

Seu pequeno corpo se deitou no meu, com a bochecha esmagada em meu ombro.

— Por te fazer passar o dia dos namorados na casa dos meus pais. — choramingou — Eu queria ter feito algo especial, mas eu..

— Qualquer coisa com você é especial, babe. — murmuro sobre seus lábios e os pego pra mim, beijando-a lentamente e deslizando meus dedos em seus cabelos. — Não pense que eu estou triste por não estar em um desses restaurantes super lotados e com garçons lutando por gorjetas, amor.

— É o trabalho deles, Li.

— Eu sei, amor. — sorrio com sua ingenuidade e a puxo para meu abraço, apertando-a. — Eu quis dizer que nada mais me importa se eu estiver contigo, do meu lado.

— Mas eu queria fazer alguma coisa pra ti. — continuou choramingando e apertando minha coxa. — Um café da manhã, um almoço, sei lá Li, até mesmo te colocar pra dormir, e não te trazer pra um almoço esquisito na casa dos meus pais.

Pego em sua mão e entrelaço nossos dedos.

— Ok, vamos fazer assim.. — digo-lhe beijando no pescoço e deslizando meus dedos por sua clavícula — Nós descemos agora, já que Joseph está espalhando pra família que nós estamos transando loucamente, e de noite você faz o que quiser comigo.

S/N sorri, roubando um selinho rápido.

— Você sabe que meu pai vai querer te mutilar, não é?

NIALL:

Tirei meus sapatos junto do casaco e os joguei sobre a poltrona perto da porta. Havia um pequeno falatório na parte de cima de casa e eu podia ouvi-la conversando com Leslie, caminhei até elas e do batente da porta pude observa-la enquanto conversava abertamente com o pequeno pacotinho em seu colo, segurou a mãozinha da menina e deu um beijo em seus dedinhos gordos e pequenos.

— O papai volta hoje.. — murmurou baixinho e depositou um beijo na bochecha da menina que abriu a boquinha sem dentes e sorriu para mãe. — Ele é tão lindo, não é mesmo? Eu sinto falta dele, muita falta, mas eu sei que ele vai voltar hoje e então você vai ser mimada demais, embora eu ache que isso vá te estragar, mas sabe Leslie, pensando bem, acho que eu tenho ciúmes. — sussurrou baixinho e sorriu com a menina. — Ele chega e então vem correndo te ver e Deus, ele simplesmente desliga, fica totalmente bobo com você e me esquece. Ok, não é beeem assim, ele me dá alguns beijinhos… Eu já te disse que os beijos dele são muito bons? Errh, eu não devia te contar isso, mas é que falar sobre isso com Maura seria um pouco demais, não? — comentou e tocou os próprios lábios, passou a mão nos cabelos, colocando-os de lado, formando uma linda cascata com os fios. Linda. — Uma vez, bem antes de você nascer, quer dizer nós nem pensávamos em ter um filho ainda, quando nós tínhamos brigado feio, realmente feio ele foi até a casa dos meus pais com uma caixinha de chocolates e um CD do Frank Sinatra e a única coisa que eu me lembro de ter feito quando o vi parado na minha porta, com aqueles olhos azuis e brilhantes foi chorar como um bebê e me jogar nos braços dele. — S/N estava tão vulnerável, conversando com Leslie que eu mal conseguia me mover, a caixinha em minha mão ameaçou cair e eu a apertei contra meu peito. Meus olhos marejados ardiam e minha garganta arranhava, querendo gritar e correr para os braços de S/N, que continuava conversando com a menina. — E nós ficamos namorando o dia inteiro, ele colocou o CD no radinho velho que tinha lá e nós ficamos abraçadinhos e eu tinha tanto medo de sair dos braços dele, de respirar um pouquinho mais forte e o espantar para longe. Eu dormi ali, com os braços dele ao redor da minha cintura e o rosto em meu ombro, ele cantava junto da música e as vezes me contava historinhas sobre os álbuns passados. — puxou a respiração mais forte e passou a mão sobre os olhos limpando as lágrimas que caíram. — Oh, droga. Ops, quer dizer, me desculpa. Céus, mas você tinha que dormir agora que nós estávamos conversando, Leslie?

— Pare de torturar a menina, com nossas histórias melodramáticas. — murmurei baixinho e me aproximei delas. Seu sorriso ficou estático, por ter sido pega no flagra e eu apenas podia sorrir de como ela estava corando por eu ter ouvido sua conversa. — Eu não sabia que você tinha medo de que eu fugisse de você, sabe, naquela noite.. — confessei me ajoelhando a sua frente e dando um beijo na bochecha da menina em seu colo. S/N riu baixinho e eu entrelacei nossas mãos, beijando-a. — Eu pensei que você me colocaria pra correr com uma vassoura ou que seu pai fosse atirar em mim com aquela espingarda que ele tinha no quartinho da piscina.

— Ela não funciona, Horan.

— Então você começou a chorar e Deus, eu queria chorar com você ali — sussurrei baixinho e dei um beijo em sua bochecha, encostando minha testa a sua. — Nós ficamos namorando aquela noite toda, Frank Sinatra cantava coisas lindas e eu estava tão agarrado a você e seu corpo que se alguém exigisse que eu te soltasse, eu iria cair aos pedaços. Eu não estava pronto pra admitir que te amava, porque eu tinha medo de estar fazendo tudo errado.

— Você sempre fez tudo certo — sussurrou baixinho, e ronronou em meu pescoço sugando o perfume. — Desde suas burradas até Leslie. Ela foi meu melhor presente.

— Eu a amo. — sussurrei baixinho e peguei a menina em meu colo, levando-a até o berço e deixando-a ali. — Mas eu te amo mais ainda, é como uma droga. Eu não posso ficar longe de vocês duas.

S/N sorriu minimamente, e amassou a barra de minha camiseta.

— Tira sua camiseta. — S/N pediu baixinho e puxou a barra para cima.

— Você já foi mais romântica — retruquei e a beijei, meus lábios sobre o dela e minha mão em sua nuca, conduzindo-a para mim.

— É sério, Niall. — resmungou e puxou minha camiseta pra cima, deixei que ela tirasse e ela colocou nos bracinhos de Leslie. — Assim ela não vai acordar e ficar miando porque quer seu colo.

— Oh, mas isso é jogo sujo — retruquei e S/N sorriu, me puxando pra fora do quarto. Fechou a porta e se encostou sorrindo envergonhada. — Ei.

— Hm? — murmurou baixinho e me encarou. Deus ela era tão linda.

— Você se lembra quando seus pais ficavam nos nossos pés — sussurrei baixinho e com minhas mãos em sua cintura, me abracei a ela. — Porque nós ainda não tínhamos dormido juntos e qualquer beijinho me deixava duro? E então eles faziam a gente ficar namorando no sofá, assistindo filme sob a vigilância dele?

— Uhum — choramingou baixinho em meu pescoço dando um beijo em minha veia.

— Nós podíamos ficar namorando hoje, sabe, ficar deitadinhos e com beijos e mordidas. Deus. — implorei e ela sorriu, beijando meus lábios rapidamente e me empurrando pro quarto. — Mas não precisamos necessariamente não fazer amor. Eu adoraria, mas podemos apenas namorar, você sabe.

— Vamos deitar. — ri baixinho me puxando para a cama, enquanto desliga a luz e se acomoda em meus braços embaixo da coberta. — Amor?

— Sim?

— Feliz dia dos namorados. — murmurei contra seus lábios, beijando-a. — Meu amor.

[…]

ZAYN:

Assim que ouvi o barulho das chaves de S/N na porta, desliguei as luzes e me enfiei no quarto apenas iluminado por algumas velas que iam até nossa cama. Apertei meus dedos nervosamente e meus lábios tinham gosto de sangue. Sua doce voz chamou por mim, e eu lhe respondi, dizendo-lhe que eu estava no quarto. Segundos depois, o chão reproduzia suas passadas leves e delicadas e com a ponta dos dedos empurrou a porta, colocando a cabeça pra frente e bisbilhotando, curiosa.

Amor? — sussurrou baixinho, se apertando na porta.

Dei um passo meio tremido pra frente e deixei com que a luz das velas iluminassem meu rosto.

— Ei. — sussurrei muito baixo e sorri pra ela. Minha garota tinha lágrimas nos olhos e suas mãos tremiam ao lado do corpo. — Você é um cavalo correndo sozinha, e ele tenta te domar. Te compara com uma estrada impossível, com uma casa em chamas. Diz que você o cega, que ele não poderá jamais te deixar. Te esquecer. Querer qualquer coisa além de você. — aos poucos o poema de Warsan Shire vai fluindo e deixando os meus lábios da forma mais emocionante que eu jamais pudera imaginar. — Você o atordoa, você é insuportável. Qualquer mulher antes ou depois de você, é extinta pelo seu nome. Você enche a boca dele — sigo em meus passos até ela e seguro em sua mão, deslizando a almofada de meu dedo na costa de sua mão. — O corpo dele é só uma enorme sombra em busca do seu, mas você é sempre intensa demais. Assustadora em seu modo de desejar, sem vergonha e dada a sacrifícios. Ele diz que homem algum pode chegar aos pés do que vive em sua cabeça e você tentou mudar, não tentou? — S/N está soluçando tanto, que eu tenho medo de estar fazendo a coisa errada. Beijo o topo de sua cabeça e continuo, pedindo a Deus que eu tenha forças pra terminar. — Fechou mais sua boca, tentou ser mais suave, mais bonita, menos volúvel, menos desperta. Mas mesmo dormindo você podia o sentir, viajando em sonhos para longe de você. Então o que você quer fazer amor. Quebrar a cabeça dele ao meio? Você não pode fazer casas em seres humanos, alguém já deveria ter te dito isto e se ele quer partir, deixe que ele vá. Você é aterrorizante e estranha e bela. Algo que nem todos sabem como amar.

Deslizo meus dedos até seu rosto e o levanto pra mim. S/N está sorrindo docemente e continua tremendo, ela se inclina contra meu corpo e se abraça a mim, tentando se estabilizar.

— Talvez, eu esteja maravilhado com o jeito que você me ama o tempo inteiro. — digo em seus cabelos e deslizo meus dedos na raiz, fazendo-lhe cafuné. — E eu tenho medo de não saber como corresponder. Eu tenho medo de amar tanto você, S/N! — sussurro desesperado, quero que ela me diga algo. Eu estou tremendo em seu corpo e meus olhos começam a arder em lágrimas. — E eu estive pensando, e fiquei maravilhado em como eu percebi que sou dependente de você. Eu preciso de você o tempo todo. Preciso estar dentro de você, preciso estar te protegendo e te cuidando.

S/N se abraça a mim e beija meu pescoço, ainda sem forças pra falar.

— Eu sou a droga de um homem solitário, babe. — choramingo em seu ombro e sinto as lágrimas cortarem meu rosto. — Eu estou no meio desta enorme coisa de sentimentos e não sei o que fazer, e talvez, você seja a única mulher capaz de amar o suficiente a mim, e me ajudar. Eu preciso que você tome esse barco, S/N. Preciso que você confie o suficiente em mim, pra colocar sua fé em meus pecados.

Seu pequeno dedo sobe até meus lábios e me faz parar. Ela se endireita e me beija. Deixando com que eu sinta a única coisa pela qual eu estive implorando nesses últimos minutos. Seu amor.

— Você é o único. — sussurra baixinho, segurando minha cintura e balançando meu corpo junto ao dela. — Você é o único que fez amor comigo. Você fez amor comigo enquanto Paul McCartney tocava bem baixinho no seu radinho velho, Zayn. — seu sorriso era lindo, e meus dedos estavam tirando as lágrimas de sua bochecha. — E eu não posso te salvar, meu amor, porque eu preciso de você forte pra me manter forte. E eu tenho plena certeza de que você me tem mantido viva, porque você é o único que faz meu corpo todo tremer quando diz meu nome. — nós estamos chorando e eu a beijo, porque está doendo e ao mesmo tempo, nós estamos dando um enorme passo. — E é tão irônico, porque ao mesmo tempo que você me faz viver, eu sei que se algo der errado, essas mesmas coisas irão me destruir.

Seguro seu rosto, e encosto nossas testas.

— Você é a garota das minhas canções. — sussurro sobre seus lábios, encarando-a nos olhos. — A melodia nata de nossa noite de amor e a insulina que corre em minhas veias. — encosto nossos lábios, mas não a beijo. — A garota pela qual eu decorrei e recitei um poema e a única que eu vou ser capaz de dizer: Feliz dia dos namorados, minha garota.


*P.S.: Poema que o Zayn recitou é o “for women who are difficult to love (the affirmation)” da Warsan Shire (a garota do poema do “Lemonade Film”) e na tradução de Thaís Souza (@/traduzindowarsanshire)*

A cada dia que passa me torno totalmente dependente de Ti, Deus. É como a corça que anseia por água. Eu tenho sede da Tua presença. É como uma criança amedrontada com o mundo a sua volta, que corre para os braços de seu pai. Eu me refugio em Ti. É como a terra seca que clama pela chuva. Eu preciso da Tua chuva para florescer. É como um vaso quebrado que espera ser moldado, restaurado. O Senhor é o Oleiro, e eu o barro. A Tua presença me sacia. O Teu amor é o meu refúgio, o meu porto seguro. O Teu amor me refaz todos os dias.
—  Giovana Chavarria
Lá no inicio dos 17 anos eu queria ter muitos amigos, ser amado, quem nunca teve esse surto? Principalmente nessa idade que te faz inflar o peito e dizer que já cresceu o bastante para se virar sozinho. Eu queria sentir prazer, beber, foder, tanto faz, queria ter algo pra contar. Um lugar novo pra sair, ser idiota na velocidade da luz. Queria algo que me fizesse parecer gente grande. Temos a estranha sensação de que se não fizermos nada nessa idade estaremos perdendo tempo. Comecei a roubar almas, colecionar histórias que não iria completar, fui um vilão sem remorso. Eu gostava de ser o vilão, mas eu era um vilão ruim de um filme mal feito. Faltava a emoção e a frieza, era estúpido matar na mesma proporção que morria. Você pensa que consegue prever o próximo passo e sente o sangue escorrendo na testa. Não sabia bem o que fazer, ou aonde queria chegar. Era um sonho desconexo, pessoas indo e vindo o tempo todo. Joguei o amor no lixo quando ele me encontrou, achei que fosse ruim amar, falei que o amor era terrível sem ter amado alguém. Apenas mais um sanguessuga de noites vazias embaixo da lua. Não havia nem mesmo um senso notável de compaixão. Alimentavam a ilusão me fazendo acreditar que havia uma beleza em ser o que parecesse mais agradável. A culpa é de todos que buscam atalhos em lugares remotos, em corpos robóticos e programados. Dividir abraços, beijos, copos e vidas dentro de bares sujos. Crianças amedrontadas achando que viram o bastante. Viva como se não fosse acordar no dia seguinte e você estará morto sem que perceba. Parecia um ninho de gente imbecil procurando uma dose mais forte de existência enquanto sumiam sobre os próprios pés. Não há beleza alguma em colocar a cabeça no travesseiro e perceber que não existe ninguém ali. É um absurdo possível, notar a falta de si mesmo. Nesse tempo, apesar de tantos, eu estava sozinho. As pessoas eram rasas e óbvias, ninguém perguntava sobre o dia, importava apenas o que você era naquele momento. Pessoas tão superficiais que pareciam ter algum motivo que as justificassem. Mas não tinham, nem mesmo eu tinha. Precisava matar tempo, me enganar pensando que gostavam de mim, perder algumas horas. O verdadeiro prazer era ver o tempo passar depressa. Te juram companhia e você não as encontra para brindar no ano seguinte. Abrigávamos nosso egoísmo dentro de paredes descascadas. As pessoas se vão antes do fim, evaporam, uma vida de fases, sempre novos coadjuvantes com as mesmas atuações, e você acha que sempre será assim. Uma montanha russa de nada. Olhares perdidos, falas ensaiadas. Rostos felizes com histórias terríveis por trás deles, camuflam a tristeza para serem aceitáveis. Até as músicas eram iguais. Será que era tão difícil ter um pouco de imaginação? O tempo vai passando e vai deixando buracos no peito. Alguns se perdem sem volta, nem sempre temos a sorte de encontrar uma pessoa que nos chute pra fora do poço, alguém que se destaque do senso comum, uma pessoa que te aponte o dedo na cara e diga o que deveria ter sido dito há tempos. Você irá odiá-la por um tempo, mas apesar de ser duro ouvir, você saberá que foi preciso. A verdade machuca quando é esquecida, ela volta com tanta força que te empurra pra baixo, a gravidade pode te fazer chorar. Você cresce e percebe que haviam coisas mais importantes do que ser amado por muita gente. Percebe que bastava apenas um único humano que soubesse o que era a humanidade para te dar um abraço e ouvir sobre suas manhãs terríveis, sobre os medos e alegrias. Alguém que te fizesse sorrir no inferno.
—  Sean Wilhelm.
A confusão dentro de mim parece que não tem fim. Eu juro que tentei não deixar isso acontecer de novo, mas não consegui. Eu tentei ser só o que uma amiga é. só isso. Mas tu demonstra outra coisa, as vezes eu acho que tu realmente não quer que sejamos apenas amigos, mas tu só demonstra. Falta atitude, falta confiança em nós dois. Eu sou assim errada mesmo, e tu sabe disso. Eu erro, peço desculpas, vou atrás e tu sempre tá lá, sempre me ajuda porque sabe que eu sou assim, tu não tá desistindo de mim. E é isso que eu peço, que tu não desista de mim, porque eu preciso disso, eu preciso de você do meu lado. Eu nunca sei o que você está, realmente, tentando dizer. Não consigo decifrar essa sintonia que rola entre a gente. Sei lá, ás vezes penso que você quer, mas depois suas atitudes provam o contrário, e assim vai, um ciclo constante. Como eu queria que você chegasse e esclarecesse tudo o que se passa. Vai cara, me diz, tu quer ou não quer? Porque se não quiser, não tem problema, sério mesmo. Eu só não aguento mais esse ponto de interrogação dentro de mim. Me angustia, me assusta, me desampara. As noites parecem mais longas e a insônia voltou a me atingir, não só ela como também todos os problemas que eu achava que tinha superado. Penso até em desistir de tudo, de jogar tudo pro alto, me embriagar, ou me dopar de comprimidos pra dormir, e dormir pra sempre; penso nisso constantemente, mas, não, não estou louca por pensar assim, é simplesmente instinto.
Eu me sentia afundando. Eu gritava por socorro mas era como se ninguém estivesse ali para se jogar e me trazer de volta ou simplesmente arremessar um salva-vidas. Via todos ao meu redor, mas de alguma forma, era como se eu fosse invisível, como se tudo estivesse normal e eu não estivesse ali, em pânico, já com a água adentrando em meus pulmões, junto com os meus sentimentos e palavras não ditas. E quanto mais eu pedia por ajuda, mais dolorosa era a sensação de estar completamente tomado pela angústia e desespero. Pelas oportunidades não aproveitadas, pelas palavras que sufoquei ao invés de soltá-las, e que agora, eram elas quem estavam me sufocando.
 Me arrastando cada vez mais fundo.
 Todas as borboletas no meu estômago que eu resolvi matar ao invés de deixá-las voarem, estavam submersas naquela água fria, flutuavam e pareciam que iam sair pela minha boca a qualquer momento.
 Cada momento desperdiçado, cada sentimento escondido, forçado a se acabar, voltavam à tona, martelavam em minha cabeça e me deixavam completamente amedrontada.
 Eu estava afundando.
 Num sentir que eu negava a mim mesmo demonstrar.
 Numa fala que eu preferi me calar, ao dizer.  
 Numa vida que eu tive medo e optei não viver.
—  Ana.
Não me caibo nas controvérsias da vida e ainda assim vivo.

Eu me atiro no abismo que são as palavras e sei que, escrever é o que me salva. Porque existir é um espetáculo, mas sobreviver à nossa própria existência é destroçante. Então eu mergulho nas palavras e me declaro livre. Estou livre das amarras que me prendiam à amores pequenos e dos punhais que me esmagavam os pulsos, nas fracassadas tentativas de ser um rio que flui só de amor. Nasci pra ser mar turbulento e dele vertem águas de solidão. Nasci pra ser poeta e pintar metáforas, hipérboles e antíteses nas aquarelas do mundo. Não nasci pra ser amada. Quando amada, sou feito borboleta solta no ar, amedrontada pela força que vem dos ventos e ameaça minhas asas frágeis. Sou urgente demais pra ser amada, desengonçada demais pra manter o equilíbrio nessa corda bamba que é o amor. Ele é tempestade que vem pra me inundar, afogar e levar todo meu oxigênio dos pulmões. Quando cai a noite ele é brisa do mar, calmaria dos meus prantos inseguros, quando a lua se põe ele é turbulência em cais. Sou maçante quando sento e desnudo a minha alma nos parágrafos má citados. Guardo temores, rumores, amores, porque a vida me dói e não sou protagonista. De olhos fechados bambo em tua existência - a tal fodida desorientada -, caminho devagar de vagar tarde. Num canto qualquer de uma sombra vaga derreto páginas de obras literárias, alguém não me esquece e sorrio. Só rio de esperanças, liberdade e piedade. Tudo me cansa, mas teus pés me acendem por tocarem firmes no chão, me toque firme, no chão. Quero vida cheia, palavras seguras e coração fixo no diafragma.

Beatriz Cardozo deu as mãos à Nathália Rizzo

Durante muito tempo estive em uma caverna escura, fria, sempre era amedrontada pelos meus maiores monstros e me recusando a acreditar que fora dali algo melhor me esperava. Tinha medo de me machucar, medo de não ser aceita, não conseguia acreditar que poderia fazer algo de útil, que era alguém importante ou que qualquer pessoa poderia se importar comigo. Então corri para o lugar mais afastado de qualquer outro lugar, achei que ali longe de todos os meus problemas eu encontraria paz, mas então quando entrei ali naquela caverna os medos se materializaram, e o que deixei para trás, veio para me fazer companhia, fiquei presa, não conseguia achar a saída, andava de um lado para o outro procurando uma porta, chorava, gritava, mas ninguém me ouvia, me sentia sufocada e as vezes não conseguia respirar, sentia tanto frio que pensava que iria congelar e quase enlouqueci no meio de tanto, e depois de tanto lutar contra aquela caverna eu desisti, me entreguei aquele pesadelo, convencida que teria de passar o resto da minha vida ali. Em um belo dia, enquanto chorava uma pequena luz se acendeu, então ouvi uma voz me chamando, mas tive medo, me encolhi ainda mais, a voz continuou insistindo, percebi como era suave, tranquilizante, doce, e acolhedora, impossível de se resistir, aos poucos fui tendo aquela vontade incontrolável de seguir, comecei engatinhando, depois com muita dificuldade me coloquei de pé e aos tropeços fui andando até a saída, quanto mais eu andava, mais a luz me cegava e eu tive de vontade de voltar, mas a voz continuava a me chamar, então eu respirei fundo e sai, durante alguns instantes não consegui enxergar nada, mas a medida que meus olhos iam se acostumando com a claridade ia percebendo como tudo era tão diferente, tão lindo, tão maravilhoso, sem saber o porque comecei a chorar, um choro com uma sensação que a muito tempo não sentia, uma alegria tão grande que chorava e sorria ao mesmo tempo, então uma paz me preencheu de forma inexplicável, no meio disso tudo, na mistura entre os sons dos meus soluços, meus risos e tudo que havia fora da caverna eu ouvia a voz dizendo: “Filha, esse é apenas o começo para tudo que tenho preparado para ti, tenho o mundo para te entregar, mas você se esconde e se recusa a me ouvir, cabe a você escolher onde quer morar, não posso dizer que tudo será flores, pois muitas vezes você terá que lidar com os espinhos, mas eu estarei contigo e nunca se sentirá mais só.” Desde então nunca mais pensei em olhar para trás.
—  Processiva
Mas é que eu tô cansando, cansando de você, das tuas complicações, de tu não tentar fazer nada pra me ver bem, enquanto eu faço tudo por ti. Faço mesmo, eu sei que tu gosta daquelas sms de manhã, e poxa eu mando, eu mando só pra te ver bem. Só pra te ouvir dizendo que gostou daquilo que eu te mandei logo cedo, mas aí chega no dia seguinte, tu nem liga. E eu nunca sei, se é falta de vergonha nessa tua cara, ou se é medo, covardia. Covardia de enfrentar essa barreira de exigências que todo relacionamento tem, medo de enfrentar teu sentimento. Aliás, eu até desisti de você, não quero mais saber, se sentir minha falta você sabe onde me encontrar, porque eu cansei de correr atrás de você, de me derreter toda quando você ta por perto. Até porque eu nem sei o que eu vi em você, tudo bem você é bonito e tem um sorriso lindo, mas, valoriza cara. Você tá me perdendo aos poucos e nem sequer nota, nem se quer se importa. Tu nunca percebe nada que eu faço pra te ver bem, já eu, queria não perceber tudo o que tu faz pra me deixar mal. Esse joguinho já cansou. Agora se tu quiser, tu vem atrás, decide o que tu quer de uma vez, desocupa o canto, se é que me entende. Eu cansei de nunca parecer boa o suficiente pra você, então pensai ai e decide logo o que tu quer. Tu sabe onde me encontrar, mas nem sempre eu vou estar lá.
Capitulo 49

Nesses últimos dias eu havia pedido pra minha mãe cuidar de Max em meu apartamento, ele não andava muito bem estava tristinho e em casa se sentia melhor tinha todos os brinquedos acessíveis o deixando mais alegrinho. Eu sabia o motivo, ele estava sofrendo tanto quanto eu e nós dois penávamos de saudades da Van.

Avisei Vanessa afinal minha mãe não sabia de nada, já era estranho o suficiente a nossa relação de “amigas” aos seus olhos, qualquer atitude seria suspeita.

Chegamos minha mãe estava assistindo e Max estava brincando pela sala, logo quando ele escutou a porta abrir já veio correndo.

- Oii meu príncipe. – disse a ele o pegando no colo.

Quando Max viu Vanessa ele abriu um grande sorriso, os seus olhos brilhavam e ele gritava de felicidade. Na mesma hora já quis mudar o colo e estendeu os braços pra ela o pegar, ela o pegou com tamanha vontade e com os olhos lacrimejados, o abraçou com força e ele a apertou com seus bracinhos retribuindo o abraço, Vanessa o beijava por todo o rosto e ele sorria com cosquinhas.

- Que saudades do meu pestinha. – Vanessa dizia o beijando.

- Mamamae – max disse a ela.

Vanessa e eu nos olhamos rápido, ela já tinha tentado que ele a chamasse de titia Van, mas ele não conseguia as únicas palavras que ele já tinha pronunciado era mama e bobo (vovó) e foram poucas vezes, todas as noites Vanessa tentava que ele falasse titia Van, mas não adiantava.

Vê-lo a chamando de mamãe só confirmou o seu amor, Vanessa ficou emocionada e o abraçou ainda mais, ela sabia que aquele elo que se criou entre os dois era inseparável. Foram tantos dias juntos, tanto amor dado e recebido que Max sentia que ele poderia confiar nela, como confiava em mim.  Eu não tive ciúmes sabia que era um amor verdadeiro e que nunca poderia acabar, se ele a tinha como mãe Vanessa o tinha como filho, o nosso filho.

- Meu lindo, eu sou a titia Van mamãe é essa aqui – ela disse apontando pra mim.

E ele continuava - mamãe - e apontava pra ela, era fofo ele insistia e ela estava toda derretida. Minha mãe se levantou e se aproximou observando de perto.

- Nossa como ele esta apegado em você Vanessa. – ela disse.

- Eu o amo muito dona Rosângela e aceito ser sua segunda mãe ouviu?! – ela disse. E eu cutuquei Vanessa, tentando a fazer parar.

- Que foi Clara? – Ela disse ignorando o quão estranho era o Max ter duas mães.

- Disfarça – eu sussurrei.

- Não, esta na hora da sua mãe saber sobre a gente. – ela disse firme.

- Para Vanessa. – eu disse me virando a ela e franzindo o cenho.

- Sai Clara eu quero contar. – ela insistiu

- Não hoje não. – disse brava.

- Hoje sim, você esta adiando o inevitável. Encara logo vem ou estou com você. – ela disse segurando a minha mão. Eu apenas balancei a cabeça negando e ela sorriu doce me dando coragem.

- Dona Rosângela, é melhor a senhora se sentar. – Vanessa disse colocando Max no chão e me puxando. Eu estava apavorada sem reação apenas sendo guiada por ela. Minha mãe se sentou sem entender muito bem, confusa ela olhava pra gente tentando desvendar meu rosto.

- O que foi Clara? – ela perguntou.

- Não é nada mãe. – eu disse amedrontada- Vanessa deixa pra lá, não fala nada. – sussurrei a ela.

- Olha aqui Dona Rosângela a Clara ta com medo, mas dessa vez não escapa vou contar tudo pra senhora. – ela disse confiante.

- Contar o que? O que ta acontecendo Clara? – ela disse preocupada.

Eu respirei fundo olhei pra Vanessa sentada do meu lado segurando a minha mão, mesmo depois de estarmos separadas eu devia contar, tínhamos uma relação e mesmo se depois nunca mais ficaríamos juntas era preciso ser sincera com minha mãe, a mentira não leva ninguém a lugar nenhum, e eu queria deixar aquela culpa de esta sempre mentindo pra trás. Tomei fôlego e comecei.

- Mãe eu não sei se você já percebeu, mas eu e a Vanessa… – me acovardei de novo, e não consegui terminar a frase fechei os olhos e apertei forte a mão de Vanessa, ela entendeu e continuou a minha frase.

- Eu e a Clara estamos namorando.  – Vanessa disse sem rodeios.

- Mas o que? Namorando? – Ela disse confusa.

- Isso mesmo namorando, temos uma relação entre mulher e mulher e estamos apaixonadas. – Vanessa falou

- Clara que pouca vergonha é essa? Vocês não tem um pingo de respeito com meu neto, é depravado isso. Diga que é mentira Clara, diga agora. – ela falou irritada se levantando.

Eu soltei a mão de Vanessa e fui atrás.

- Mãe não estamos namorando mais, não fica brava comigo. – Me defendi.

- Mas estavam? – ela perguntou brava.

- Sim estávamos sim, eu ainda estou chateada com a Vanessa e ela que esta dizendo aos ventos que estamos juntas, mas não estamos.

- Clara eu espero que tenha acabado essa pouca vergonha, não é certo o Max crescer vendo esse tipo de coisa, por favor, filha tenho um pouco de moral. – ela disse me repreendendo, minha mãe era pacifica, mas sabia que ela não ia aceitar assim tão fácil.

- Não acabou coisa nenhuma, diz pra ela que você me ama Clara. – Vanessa se irritou.

- Vanessa, por favor, agora não. –

- Clara diz agora ou eu vou ficar magoada com você. – Vanessa disse irritada.

- Olha não quero saber, se resolvam primeiro e depois vem conversar comigo, Clara você é bem grandinha sabe das suas obrigações, sabe que isso não é correto e que não é saudável pro Max eu espero que tenha consciência filha. Agora me deixa ir que eu estou enlouquecida com essa historia. – ela deu um beijo em Max e saiu.  

Vanessa olhava reprovando a minha atitude, eu me acovardei na hora da verdade, devia ter dito tudo que sentia, dizer que ela era a mulher da minha vida e que nada e ninguém ia conseguir acabar aquele amor, mas aquela magoa dela ter nos deixado ali, aquela dor ainda eram presente. Eu não sei se estava preparada para admitir isso em alto e bom som.

 - Clara porque não falou a verdade? – ela questionou.

- Que verdade Vanessa ta louca, eu falei o que tinha que ter dito, na verdade nem sei pra que você começou essa historia. – disse irritada.

- Eu comecei porque tinha que começar uma hora ou outra e você sabe muito bem o que é a verdade.  – ela disse.

- Não sei mesmo. – disse.

- Porra Clara que você me ama né.

- E quem disse que eu te amo? Esqueceu que você me deixou tem pouco tempo bem ali parada sofrendo e implorando pra você não ir?! POIS É EU NÃO ESQUECI.  – falei irritada.

- Eu vou te fazer lembrar – ela me ameaçou sorrindo.

- Para Vanessa você veio aqui pra ver o Max vai brincar com ele e me deixa.

- Eu vou sim … – ela concordou – … E a próxima é você. – ela disse sorrindo sexy e mordendo o lábio.

Como era difícil ser dura com ela, era só ela dar aquele olhar sensual e aquele sorriso provocante que eu me derretia toda, era impossível dar algum gelo nessa mulher. Ela brincou com Max até ele quase dormir o pegou no colo e o colocou na cama como sempre fazia todas as noites. Eu estava deitada no sofá assistindo esperado ela terminar pra que fosse embora, ela veio do quarto de Max com um sorrisinho no rosto eu disfarcei fingindo não vê-la, ela ficou de pé olhando pra mim e fazendo carinho nos meus pés, eu continuei olhando pra tv.

Ela passava a mão suavemente nos pés e subiam para as pernas e coxas até que se jogou em cima de mim e disse mordendo os lábios - Vamos brincar? –