amarga metade

Essa coisa de amor podia ser como um jogo de vôlei. Sabe quando você tá jogando, a bola vem na sua direção, você grita “é minha!” e aí todo mundo se afasta? Tipo isso.
—  Renata, amarga-metade.
Eu me tornei um grito no vácuo em meio a tanto caos sentido. Meu corpo estilhaçava com o peso das dores, me tornei em pequenas partículas de total insignificância diante de todos os hematomas que minha superfície irregular agrega com um abraço informal. Contento-me com suspiros vagos e o comodismo de seu lábios sobre a estrada do meu pescoço até o abismo de meu corpo degradado em decepções amargas e palavras pela metade.
Esse caos todo não combina com você, garoto. Você sussurra sentimentos que eu desconheço, não o vejo e nem o sinto, onde está esse tal de amor? Desmoronei em seus braços só para ter o amargor de seus toques ríspidos sobre minha epiderme frágil e insossa. Tão insosso quanto seus nós sobre meus laços, tão insosso quanto eu e você; dois corpos que não se tocam, não se misturam, não se sentem e não, não se amam. Me tornei seu grito no vácuo, larguei-me nessa chama incandescente para assim ser, estar e viver no meio de seu nada. Esse nada cheio de bebida barata
—  Insossidade

Amarga metade 
inverno de tarde
a noite chegando
faz parte

O grito contido
o jovem aflito
“por que, comigo?”

O longo desabafo
o peito é de aço
mas corre perigo

E tagarelo para a vizinhada
o silêncio da madrugada
aqui, não faz morada.