aluar

Ouvia os Beatles e pensava na Inglaterra. Os carros, os bus, os getlemen, os fuscas, os guardinhas fantasiados e os becos diagonais. Fazia passeios que iam da Itália à China, passando pelo Marrocos e fazendo a curva que vez Vasco da Gama. Era daqueles que viajam pelos olhos e pelos ouvidos, bastava ouvir que estava lá, sentindo e vivendo. Onda do mar. Sons de buzinas. Carros e mulheres. Combinação mortal, uísque e nicotina. Naqueles pensamentos ele se perdia das seis às oito, por comodismo ou tédio. Era eventual viajante imaginário que, por ironia, não pensava em viajar, pois aviões entojavam, mas queria conhecer as praias, os Emirados e as Dunas, queria ir da Flórida à Berlim, ver a parede cair, a assembléia surgir, a máquina aparecer e ver Chaplin fazer os homens sorrirem no cinema mudo. Quem sabe seria ele o novo Mr. Bean? Os poetas de hoje condenam gente assim. Aluar-se não faz bem. Diziam isso quando tentava, mas a verdade é outra. Aluar-se para ser feliz, pois no plano do ser o jeito é viajar sem sair de onde está. Aproveitar o movimento de rotação do Planeta Azul. Ao som dos Beatles ou de qualquer música que conte com submarinos amarelos. Agora ele quer viajar além-mar em caravelas e em barquinhos de papel. Poeta porreta.
—  A.E.C Souza