almas em guerra

É na madrugada que tudo fica quieto, silente. Entretanto ainda escuto berros e brigas. Minha cabeça não silencia, não, nela há uma guerra, constante, cujo ruído vem à tona ao anoitecer. Sangro pelos olhos. Sou ruína de batalhas inúteis. Não sei se posso sobreviver… Mas ainda escuto os gritos, agouros, tudo horripilantemente tão consciente. Não sei se posso sobreviver. Não sei se quero… E continuo ouvindo, no meio do silêncio, minha alma, em guerra, aos poucos morrer.
—  Pode me chamar de K
Você pode dizer que já ficou para trás, pode até esquecer, dizer que não importa mais. Mas teu passado se lembra, o teu passado não esquece. E nesse inverno cruel vai puxar teus lençóis, não se pode fugir do que faz parte de nós. Mas nossos olhos delatam, quando se cala a voz. Andando no escuro, por quem você vai gritar? Em quem você vai pensar? Eles não estão aqui pra nos proteger. O meu pensamento é à prova de balas, é à prova de fogo, e isso ninguém vai tirar de mim. Sente o veneno que sai da tua televisão, eles vão dar uma festa pra nossa extinção. Quem muito mostra, esconde, e engana quem vê de longe. E que na tua estrada você possa entender que alguns nascem pra amar e outros para vender. No fundo eles tem medo de quem tem muito a dizer. Quantas armas poderão calar as almas dos que estão em guerra? Quantos homens deve ter um exército pra nos tirar das trevas?.
—  Fresno.