alheio

Vai por mim, ela só quer alguém que tenha “a loucura parecida com a dela”. Mas talvez se “não desse errado não seria ela”. Olhe nos olhos dela e veras o sorriso mais tímido e lindo do mundo.

Tudo que foge do normal me atrai, desde do vestisse ao despisse. Conotações e rótulos são meras opiniões, não conclusões de meu ser. O falar alheio não me pertence, não diz nada sobre mim. Nem tão pouco me importa.
—  Florpifero
Ás vezes me canso até andar na rua e respirar, desatando a garganta que aperta de lembrar que a saudade é sua.
—  Tiê.
Da vontade de jogar tudo para o alto, de chorar até a fonte secar, de gritar o quanto não aguenta mais, de quebrar o primeiro vaso com flores que ver pela frente, de tomar um belo porre de bourbon. Mas aí a gente percebe que tudo isso é o nossa peça de teatro, e que o nosso drama é apenas uma comédia aos olhos alheios.
—  Acaricia.
Sei que consigo escrever, tenho a certeza. Afinal, sou a minha maior crítica. Sei o que é bom e o que não é. Se não experimentar escrever, não saberá como é bom. Quando escrevo, toda a minha tristeza desaparece. Mas, e é um grande “mas”… Alguma vez irei escrever algo importante?
—  Anne Frank.

Em certa ocasião alguém perguntou a Galileu Galilei:
— Quantos anos tens?
— Oito ou dez, respondeu Galileu, em evidente contradição com sua barba branca.
E logo explicou:
— Tenho, na verdade, os anos que me restam de vida, porque os já vividos não os tenho mais.

Será que vale a pena existir? Não imprimo junto a essa pergunta nenhuma tendência suicida. Acho que nasci e irei até o final, por curiosidade. Não possuo nenhuma crença em vidas futuras, reencarnação e todo o resto, minha curiosidade se refere ao crescimento, à maturidade e ao envelhecimento. Quero saber se me modificarei internamente com o passar do tempo, se haverá alguma evolução, ou então se serei exatamente a mesma pessoa de hoje que vestirá um corpo envelhecido e terá apenas um pouco da esperteza acumulada pelos anos. Esclarecido que sou uma pessoa muito curiosa e que por essa razão torna-se impossível suicidar-me, volto a questão: vale a pena existir?
—  Flores Coloridas, Guido Viaro. 
Nada sou, nada posso, nada sigo.
Trago, por ilusão, meu ser comigo.
Não compreendo compreender, nem sei
Se hei de ser, sendo nada, o que serei.

Fora disto, que é nada, sob o azul
Do lato céu um vento vão do sul
Acorda-me e estremece no verdor.
Ter razão, ter vitória, ter amor.

Murcharam na haste morta da ilusão.
Sonhar é nada e não saber é vão.
Dorme na sombra, incerto coração.
—  Fernando Pessoa