alexandrino

Soneto Sangrento

O ferro fere, sangra pólvora e ferrugem

Enquanto brande inanimado, vorazmente!

E contra o peito dos inimigos que surgem

Investe letal e inconscientemente… 

 

Não quis ser fatal, mas o foi infelizmente!

Mortal pelas mãos que à vingança e ao ódio urgem

Feriu inocente, mas deliberadamente…

Pois ferros não possuem consciência que sujem! 

 

As consciências que o empunham dormem calmas

Como se nada de tão vil tivessem feito;

Levam a vida mas não perdem suas almas! 

 

E se não veem então não julgam, é perfeito;

Quem é que liga pra outras vidas, outros carmas?

Quem são os seus às mãos não importa, já está feito… 

 

(Anne Dourado)