agusta f4

A Garota do Calendário: Julho

Capítulo 3  :

 Talvez um dia eu seja responsável por tomar as decisões sobre a carreira de um artista. Se eu quiser que os meus sonhos se tornem realidade, preciso trabalhar muito.

— Acho que sim. — Dei de ombros e a segui enquanto ela caminhava rapidamente para o elevador, passando por uma fila de carros de luxo bastante impressionante.

— Caramba — sussurrei baixinho, apreciando o Mercedes, o Range Rover, o Escalade, o BMW, o Bentley, a Ferrari e outros carros europeus que não consegui identificar. Mas o que realmente me fez parar e permanecer colada ao concreto foram as motocicletas, seis das coisas mais sexy que eu já tinha visto.

Havia uma BMW HP2 Sport branca, com aros azuis e motor de 1.170 cilindradas. Eu devo ter ficado molhada quando olhei. Depois, uma MV Agusta F4 1000, a única moto do mundo que tem o motor com um sistema de válvulas radiais. Eu me virei, soltei a mala e passei a mão no banco desbundante da terceira máquina. A Icon Sheene era toda preta com cromo brilhante. Eu a acariciei como um amante faria, com a ponta do dedo, traçando suas curvas arredondadas e o design de vanguarda das bordas audaciosas. Aquela moto custava mais de cento e cinquenta mil dólares. Que foda. Sério, eu preciso de uma foda em cima dela.

Ar! Eu precisava de ar! Engoli em seco e me agachei, ainda incapaz de tirar os olhos daquela belezura.

Bebezinho, venha para a mamãe! Eu poderia viver feliz naquela garagem, só olhando para a moto dos meus sonhos.

— Hum, olá! Terra para Mia! O que é que você está fazendo?

A voz de Heather vibrou, mas eu não respondi. Era como um mosquito irritante que sempre voltava, não importava quantas vezes você tentasse afastá-lo.

Lentamente eu me levantei, respirei devagar e observei a fila mais uma vez. Uma KTM Super Duke laranja e preta estava na parte de trás. Provavelmente era a mais acessível de todas. Definitivamente estava na lista de motos incríveis que um dia eu poderia pagar.

— De quem são essas motos? — perguntei. Minha voz caiu alguns tons com aquela sensualidade sobre rodas.

— Do Anton. Este prédio é dele. Tudo fica aqui: o estúdio de gravação, a sala de dança, a academia e, é claro, a cobertura onde ele mora. Todos os membros da equipe têm apartamentos aqui. Você também vai ter um. Nós reservamos esse para as celebridades que vêm visitar o Anton ou para as pessoas que estão trabalhando na produção dos discos dele.

— Ele dirige todas essas motos?

Ela sorriu.

— Fanática por motos, hein?

— Digamos que sim. — Tive que forçar as palavras, mesmo tendo afastado o olhar daquelas tentações.

— Talvez ele te leve de carona num passeio.

Aquilo chamou minha atenção.

— De carona.

Ela assentiu, o sorriso tão bonito que poderia aparecer em anúncios de publicidade no mundo todo.

— Nem pensar. Eu não vou de carona, meu bem. Eu mesma piloto.

~~~~~~———–~~~~~~

Heather me deu quinze minutos para me refrescar antes de me levar para conhecer Anton. Entrei no chuveiro, tirei a poeira da viagem e vi a roupa que ela havia escolhido. “Roupa” era uma descrição muito generosa. O que estava em cima da cama era um pedaço de tecido, um short muito curto e uma sandália de salto agulha com tiras que cruzavam até os joelhos. Vesti o short e me olhei no espelho. A polpa do bumbum era visível para quem prestasse atenção. Merda. Eu me virei de frente. Era tão curto que o fundo do bolso aparecia. A blusa era bonita. Evidenciava os seios e ficava presa por duas alças finas em cada ombro.

Fechando os olhos, contei até dez e tive uma conversa comigo mesma.

Você consegue, Lua.

Há pouco mais de um mês, você estava pra lá e pra cá de biquíni com o Tai e a equipe da campanha. Isso aqui é muito mais roupa que aquilo. Além disso, você não está aqui pela sua moral ilibada e sua decência. Você veio para ser sensual e fingir que é uma paquera dele em um clipe de rock. Digo, em um clipe de hip-hop.