aeroporto do rio

Na parede de um botequim de Madri, um cartaz avisa: Proibido cantar. Na parede do aeroporto do Rio de Janeiro, um aviso informa: É proibido brincar com os carrinhos porta-bagagem. Ou seja: Ainda existe gente que canta, ainda existe gente que brinca.
—  Eduardo Galeano
Na parede de um botequim de Madri, um cartaz avisa: Proibido cantar. Na parede do aeroporto do Rio de Janeiro, um aviso informa: É proibido brincar com os carrinhos porta-bagagem. Ou seja: Ainda existe gente que canta, ainda existe gente que brinca.
—  Eduardo Galeano
Capitulo 29 - Rio

Eram umas 7 horas da manhã e aquele frio me dava vontade de voltar correndo pra cama, mas ao invés disso, estava no carro e Van me levando para o aeroporto, ainda bem que não precisaria levar nem um equipamento de som para esse evento, apenas meu computador, e mudas de roupas o suficiente para dois dias no Rio.

Aguardei a chamada para o voo no aeroporto, quando chamaram Van me deu um beijo se despedindo de mim.

- Se cuida hein. Abre o olho.

- Não precisa se preocupar, não confia em mim? – falei rindo

- Em você eu confio, não confio é nos outros. – falou

Calei seus lábios com os meus. – Eu amo você. Queria você lá comigo, pra nós aproveitar o calorzinho do Rio na praia.

- Ou no quarto do hotel. – ela piscou pra mim

- Hmm, vou aguardar ansiosamente pela volta. São apenas dois dias, acho que sobrevivo. – Ela me beijou de novo, queria ficar ali, seu beijo era como heroína, eu já era viciada, e ficar dois dias sem me levaria a loucura, mas eu ficaria mais louca ainda quando voltasse.

- Tô louca para matar a saudade já… – falei com o sorriso mais safado

- Com seu corpo nu no meu. – ela disse no meu ouvido me causando arrepio no corpo inteiro e querendo ficar mais ainda.

- Que delicia. – mais um beijinho

- Vai perder seu voo.

O voo foi tranquilo, quando cheguei no aeroporto do Rio tinha uma mulher lá para me receber.

- Oi, você é Clara Aguilar?

- Sim. – respondi confusa

- Prazer, meu nome é Jéssica. – disse estendendo a mão em um aperto amigável. – Sou eu quem vai levar você até o escritório do Sr.Adriano. Sou secretária dele.

- Prazer Jéssica. – Jessica era uma morena alta, as vezes parecia meio desajeitada, carregava uns papeis em baixo do braço, e tentava manter o equilíbrio no salto 15.

- Vem, ele espera ansiosamente por você.

Chegamos ao escritório uns 30 minutos depois, estava vazio.

- Ele deve estar no horário de almoço.  Se importa de aguardar um momento? Ou quer almoçar e depois voltar. – perguntou

- Não, tudo bem, posso esperar.

- Não vou deixar ninguém esperando. – O homem interrompeu entrando na sala com um sorriso largo no rosto. Eu esperava que fosse alguém mais velho. O dono daquela empresa era muito novo para estar lá a 10 anos. Ele era Jovem e atraente, cabelos curtos, olhos verdes, com seu terno cinturado e marcado nos braços era possível perceber que era musculoso. Me lembrou Fabian por um momento, só que mais bonito.

- Muito bem Sra. Aguilar. Sente-se. Jéssica, obrigado. Pode nos deixar a sós.  – a moça assentiu e deixou a sala.

- Pode me chamar de Clara, só Clara. – falei

- Okay então Clara. Ingrid falou para você sobre as festas? – perguntou em quanto abria a gaveta procurando algo.

- Sim, são duas certo? – perguntei confirmando

- Não, não, digo, Sim. Mas estou perguntando sobre o pagamento. – seus olhos ainda percorriam as gavetas.

- Não falou nada.

- Aham, certo, aqui. – tirou um envelope da gaveta. – Seu primeiro pagamento vai ser feito agora.

Antes que eu pudesse falar ele continuou.

- O segundo depois da festa de hoje a noite. E o ultimo na festa de amanhã. – disse me estendendo o envelope

- Quanto tem aqui? – perguntei

- Quatro mil?

Ahn? Quatro mil era a entrada? E eu ainda tinha mais dois pra receber. – Desculpe? Você disse…

- Quatro mil. – confirmou me interrompendo.

- Ela não falou nem o valor total pra você?

- Não falou nada sobre valores. – me senti idiota por nem ter perguntado a ela.

- Após a festa hoje, será mais 4 mil. – ele completou olhando em um espelho em cima de sua mesa e arrumando os cabelos.

Quase nem percebi que estava com a boca entre aberta quando ele disse isso, me senti idiota. Claro que eles pagariam bem, era uma empresa de sucesso, esse dinheiro não era nada para eles. Mas mesmo assim, não estava acostumada com cachês assim.  Ele continuou:

- Então, tudo certo? – perguntou

- Tudo certo. – repeti

- Te vejo a noite então, aproveite a ótima estadia do hotel que escolhi para você, a beira da praia, Jessica te passará as informações assim que sair.

O hotel era realmente Incrível, o luxo, não estava acostumada, no quarto havia até uma banheira de hidromassagem, me fez pensar que só faltava a Van lá dentro comigo. Com banheira ou não, a tarde aproveitei a praia. Dormi, arrumei o set list. Meu celular apitou com uma mensagem de Adriano que dizia:

‘’ O serviço de quarto também é por conta da empresa, sem descontos no seu cachê, faça bom proveito’’

Então aproveitei mesmo, pedi tudo que tinha vontade de comer.

Quando a noite chegou botei o vestido que mais gostava, preto com um sapato de salto vermelho que combinou muito bem. Fiz minha maquiagem e a secretária de Adriano me buscou em seu carro para me levar ao evento.

Cheguei lá, os equipamentos estavam arrumados, só foi necessário conectar meu computador e tudo estava pronto, comecei a primeira musica. Aquela noite ia bombar.

POV Vanessa

Não fazia nem 24 horas que Clara havia viajado e eu já sentia sua falta, Claro que ela ligou para me contar sobre o maravilhoso hotel que estava hospedada, o cachê monstro que iria receber, sua tarde na praia e toda a comida do hotel.

- Sentindo falta dela? – minha mãe perguntou

- Não, para nem faz um dia que ela viajou. – menti

- Conheço essa carinha. – ela falou enquanto tricotava na poltrona.

Apenas ri.

 - Acho que vou ligar a para Thais. Pra dar uma saída ir em uma festa.

Depois da ligação em menos de 1 hora Thais estava lá toda sorridente pronta para cair na noite.

- Obrigada Van, tô precisando de uma distração. – falou

-Problemas com o amor? – perguntei

- Mais ou menos.

Aproveitamos uma balada de rock que estava acontecendo no meu bairro aquela noite, uma noite linda. – Ah não não não. Me esconde. – disse Thais indo para trás de mim.

- O que foi? - perguntei assustada

- Aquela menina, não ela me persegue tem uma paixão platônica por mim. – falou se escondendo ainda

- THAIS!! – a menina correu.

- Merda! – Thais falou baixo o suficiente para mim ouvir, e forçou um sorriso para menina. – Oi.

- Você some menina.

- Poisé eu já tava de said… – ela tentou falar

- Saída nada! Vem, você e sua amiga, vou pagar uma bebida pra nós três.

- Não né Van, a gente tá legal. – falou me cutucando com o cotovelo

- Acho que aceito. – falei rindo para Thais, e ela me fuzilou com os olhos.

Passamos a noite bebendo e falando bobagem junto com aquela moça que se identificava como Carol, ela fez questão de me contar toda historia dela com Thais. Não pode deixar de rir de tudo aquilo.  Quando a moça se levantou pra pegar mais uma bebida, Thais não perdeu tempo.

- Espero que a Clara te espanque quando te ver. – ela falou

- Ah, eu também, vai ser ótimo, eu adoro. – falei tomando outro gole da minha bebida

- Você não leva nada a sério né Van, essa menina é louca, ela me persegue. – ela falou com os olhos arregalados. – Van? Van?

- Desculpa, tava aqui pensando, como quero que a Clara me bata quando voltar.

- Meu deus Vanessa você precisa Transar. – falou

Eu apenas ri, já estava alterada mesmo.

POV Clara

Então após a loucura que foi aquela noite, entrei na dala de Adriano para pegar a segunda parte do cachê. Ele se encontrava encostado na mesa, com um copo na mão, alguma bebida que eu não identificava de vista.

- Isso foi… – ele parecia não encontrar palavras. – Maravilhoso! Você é maravilhosa.

- Obrigada – respondi sem jeito. – Que bom que gostou.

- Que EU gostei, TODOS adoraram, por isso, vou lhe fazer um agrado. – ele  botou a mão em um bolso interno do paletó. E tirou um bolinho de notas de 100 reais lá de dentro.

- Agrado?

- Sim, vou lhe dar mil reais a mais, aqui está, cinco mil reais. – ele colocou o bolinho na minha mão.

- Não é necessário. – falei

- É sim, é muito necessário. Você é maravilhosa. - Ele chegou mais perto pude sentir o seu hálito quente e forte de álcool. Botou a mão no meu queixo.

Fiquei sem graça, o que aquele homem acha que podia fazer? Dar em cima de mim daquele jeito, sem ao menos me conhecer.

- Acho que o Sr. Está confundindo as coisas Sr. Adriano. – falei afastando sua mão

- Desculpe. – ele se afastou. - Acho que bebi demais. É só que… você é a mulher mais linda que já vi, não posso evitar.

- Eu discordo. – falei rápido

- Claro, entendo, vou evitar. – falou sem jeito

- Não é disso que discordo. – completei

- Do que então?

- Não sou a mulher mais linda que já viu. Você nunca viu a MINHA mulher. – completei com um sorriso irônico.

Ele pareceu confuso logo que escutou, depois colocou a mão na cabeça e disse.

- Claro, sem duvida ela é uma pessoa de sorte. Lhe vejo amanha, Sra. Aguilar.

( Presente do dia, dois capitulos em 1)

Capitulo 65

POV Clara

“Minha mulher Clara e aquele é nosso filho Max.” Toda vez que me lembrava dessa fala de Vanessa um sorriso nascia em meu rosto e também da cara daquele garoto sem pescoço fez ao ouvir o que ela tinha falado foi épico. Já estávamos em casa e depois de um bom e demorado banho nos jogamos pela sala para curtir a onda de preguiça, Van deitou no colchão no chão e eu deitei em sua barriga e ela me fazia cafune, May estava sentada no pequeno sofá e Thais estava ao seu lado deitada com as pernas sob seu colo e Junior estava largado no grande sofá.

Thais: Tia Sol já sabe da novidade? – Perguntou alto pra minha mãe que estava na cozinha.

Tia Sol: Tenho ate medo de saber. – Falou assim que chegou na sala e se jogou no puff.  

Thais: A sua filha engravidou a Clara. – Disse rindo e arrancando risada de todos, Van pegou uma almofada ao lado e tacou nela e quase pegou na May.

Van: Desculpa May, era pra acertar essa puta mais ela esta empoleirada em você. – Thais assim que Van terminou de falar ficou totalmente vermelha e tapou seu rosto com as mãos nos fazendo rir.

Clara: Não precisa ficar com vergonha não Thatha se ela tivesse achando ruim pode ter certeza que ela já tinha te empurrado dai. – Falei ainda rindo e foi à vez de May ficar sem graça, antes que ela pudesse pensar em responder seu celular tocou.

May: É a Bella vou colocar no auto falante. – Atendeu e assim fez. – Fala Belinha.

Bella: Oi May, então tenho novidades.

May: Pode falar coloquei no auto falante para as meninas escutarem.

Bella: Como eu previa Fabiano não se encontra na casa da Dona Rosangela, mas ele passou por lá e aparentemente fez uma lavagem cerebral na mãe dela. – A ouvimos respirar fundo para continuar. – Levaram ela pra delegacia para fazer um interrogatório e descobrimos que ele esta indo para o RJ.

Clara: ELE ESTA INDO AONDE? – Perguntei no susto me sentando rapidamente.

Bella: Clara calma, sua mãe esta bem nervosa com tudo isso e muito confusa também. Sinto muito pelo que vou dizer mais ela acredita nele e disse pra Fabiano que seu irmão Junior estava morando no Rio e ele foi ate lá para procura-lo.

Junior: Mas eu estou em SP. – Disse calmo nos olhando com o olhar protetor.

Bella: Sim eu sei, mas sua mãe e ele não sabem e não quero que fiquem sabendo, deixe-o rodar o Rio atrás de você pelo menos vamos ganhar tempo. – Ouvimos vozes do outro lado da linha porem não conseguimos entender. – Tenho que desligar, já avisamos a policia do Rio e eles estão no aeroporto o voo dele ainda não pousou, quando tiver noticias ligo pra vocês.

Clara: O que acha May? – Perguntei ao notar seu olhar distante.

May: Acho que não vão pegar ele no aeroporto do Rio. – Olhamos todos confusos pra ela que pegou seu notebook na mesinha ao lado. – De alguma forma ele sabia que íamos procurar a policia ele não é burro.

Van: O que quer dizer com isso? – Ela olhava fixo pra tela no computador e quando achou se levantou vindo ate a gente acompanhada de Thais e Junior.

May: Ele pensou em tudo, a policia de BH já estava ciente do caso quando ele pegou o voo.

Junior: Como sabe disso?

May: Rastreie o voo onde ele esta. – Respondeu sorrindo ao ver nossos olhares espantados. – O voo esta previsto para pousar em exatos vinte minutos se ele saiu de BH sem ser visto que garantia temos que sairá sem ser visto também?

Junior: Você por acaso trabalha para o FBI e não contou a ninguém?

May: Não mais você acabou de me dar uma ótima ideia. – Levantou correndo e foi ate seu celular. – Preciso de sua ajuda… – Falou em inglês assim que a pessoa do outro lado atendeu. – Como eu consigo invadir as câmeras de um lugar publico? – Ela continuava falando em inglês e pela cara de paisagem que Thais, Junior e Van estavam tenho certeza que só eu estava entendendo o que ela falava. – Eu não te ligaria se não fosse importante você sabe muito bem disso… – Obrigada, por favor, não demora vou aguardar aqui na linha…

Van: Amor o que esta acontecendo? – Perguntou em meu ouvido e eu ri baixinho.

May: Luana cala essa boca! – Franzi o cenho ao ouvi-la gritar em inglês o nome da irmã dela olhando nos meus olhos quando ameacei a falar, achei que ela havia ficado louca de vez e estava muito confusa com aquilo e ela pareceu ler minha mente sussurrando um “Please” e mesmo sem entender nada obedeci, ela sorriu em agradecimento fazendo um sinal de espera para Van. – Estou te ouvindo sim… – Continuou e voltou para o notebook. – Isso é perfeito… – Não estou fazendo nada fora da lei pode ter certeza… – Ok talvez um pouco, mas é para uma boa causa… – Já disse que são coisas minhas… – Estou no Brasil sim, minha irmã esta com problemas… – Eu não faço ideia de onde Clara esteja, ela não me liga mais… – Agora tenho que ir obrigada de novo qualquer noticia dela eu vou avisar a policia.

Clara: O que esta acontecendo? – Perguntei assim que vi que ela tinha desligado o celular.

Thais: Se nem ela que é gringa entendeu quem dirá a gente. – Falou baixinho me fazendo rir.

Clara: Porque me chamou de Luana? E o que significa isso tudo? – Voltei a encarar Mayra falando com um tom de voz sério.

May: Você ia abrir essa boca e ninguém de LA pode saber que estou com você, esqueceu que a maioria acha que você esta foragida por sequestrar seu filho? – Respondeu no mesmo tom e respirou fundo.

Junior: O que eu falar de CSI ajudou? – Questionou rindo e quebrando um pouco do clima tenso.

May: Marcos é um dos meus vizinhos trabalha no FBI e ele resolveu me ajudar a te “procurar” para “ajudar” Fabiano. – Fez um pausa agora bem mais calma. – Marcos acha que estou do lado de Fabiano e ele acha que estou no Brasil porque Luana esta com problemas.

Junior: Eu tenho medo de você Mayra. – Ela sorriu fraco e voltou sua atenção para o notebook.

Van: Mas afinal pra que ela ligou pra ele. – Perguntou baixinho e Mayra apenas riu.

Clara: Ela queria saber como invadir as câmeras de um lugar publico. – Disse e comecei a rir com a cara de espanto que os três fizeram.

May: CONSEGUI! – Gritou batendo palmas de felicidade e nos aproximamos.

Clara: Mayra Dias Gomes, não me diga que esse aeroporto é no Rio. – Falei olhando pra tela do note que mostrada vários pontos de um aeroporto.

May: Claro que é e não é só isso. – Ela foi passando para o lado com um sorriso no rosto. – Consegui invadir todas as câmeras das ruas do Rio de Janeiro. – Disse toda contente com o seu feito.

Clara: Você deve estar violando mais ou menos umas dez leis nesse exato momento. – Ainda estava em choque com o que ela tinha conseguido e ela apenas deu os ombros rindo.

May: Se ele desembarcar nos vamos ver mesmo que passe despercebido pela policia.