adaptei me

Eu tenho essa mania de estragar qualquer relação que eu chego a ter. Não consigo manter em minha vida por muito tempo ninguém. Confesso que já me acostumei com a ausência de quem algum dia já me fez bem, confesso que me adaptei à todo esse vai e vem de gente que não faz esforço pra me tolerar um pouquinho mais. Mas se existe alguém que eu vou fazer questão de lutar pra continuar tendo presente em minha vida, esse alguém é você. Não importa o que aconteça, nem quanto tempo passe… Como já te disse, sua presença e sua amizade são essenciais em minha vida. E eu não suportaria saber que estraguei tudo de bom que eu construí durante esse tempo em que pude conviver com você.
—  Adaptáveis. 
Ele se cansou de mim, e eu compreendo. Eu sempre fiz tudo por ele, só não dei as estrelas porque não tive oportunidade, mas mudei meus hábitos, meus jeitos, minhas manias, me adaptei, me transformei. Mas ele se cansou de mim. Se cansou porque eu fui a mulher que muitos caras queriam, se cansou porque eu transformaria uma quarta em sexta por ele, porque dediquei toda minha atenção e meu tempo a ele. Só que ele se cansou, né? Eu não o culpo, afinal, as pessoas preferem o difícil. Preferem o que não podem ter. O impossível. Mas tudo bem, eu entendo, sempre entendo. E espero que ele entenda quando eu cansar também.
—  vulgarizei
Resiliência

perdi as contas de quantas vezes desmoronei e me refiz milímetro-a-milímetro. poucos notam as rachaduras que restaram, são quase imperceptíveis.
me adaptei a pessoas ásperas em terrenos arenosos. respirei fundo e simplesmente segui em frente com todo o resto conspirando contra; torcendo para o pior. me fiz forte, me contive e consegui.
fui intensa o suficiente para dizer “não” e humilde o bastante para aceitar meus erros.
como diria o Tiago “cai sete vezes, mas levantei oito”

O mundo inteiro é um saco de merda se rasgando. Não posso salvá-lo. Mas recebi muitas cartas de pessoas que disseram que meus livros salvaram suas vidas. Mas não escrevi para isso, escrevi para salvar a minha própria vida. Sempre estive por fora, nunca me adaptei. Descobri isso nos pátios das escolas. E outra coisa que aprendi foi que eu aprendia muito devagar. Os outros caras sabiam tudo; eu não sabia merda nenhuma. Tudo estava imerso numa luz branca e estonteante. Eu era um idiota. No entanto, mesmo quando eu era um idiota, sabia que não era um idiota completo. Eu tinha algum cantinho de mim que estava protegendo, havia alguma coisa lá. Não importa.
—  Charles Bukowski.

Nem sempre fui a melhor amiga do mundo, admito. Ha um tempo atrás eu não tinha amigos, admito. Sozinha, sem rumo, sem ninguém pra contar como foi meu dia, admito. Não que meu dia era de longas conversas, varias zoações, admito. Sempre sozinha desde criança, olhando todos brincando e eu sobrando, admito. Vamos brincar de bola? Vamos! Mas por que eu respondia se nunca era chamada? Mas, vamos! Escolho Maria, Claudinho, Lulu e Nando, sobrou eu, tu fica de canto. Cresci, vivi, aprendi, admiti para mim. Em meio a um tormento fiz de mim, minha melhor amiga. Gostei, amei, me adaptei, e quando menos imaginei, achei! Hoje eu sou vida e ela é terra, eu sou onda e ela o mar, sou tão calma quanto o estresse dela, tão certa quanto às dúvidas dela, sou a bagagem que ela leva, se me pintarem de vermelho irão me confundir com o coração dela. Tão lerda e esperta, a melhor amiga que Deus olhou e disse: Leva! Ela é sua metade certa.

- Tati Branco.

Eu gostava de escrever sobre pássaros, a liberdade deles me encantava. Eu gostava de chocolate meio amargo, o sabor era do meu agrado. Eu adorava ficção científica e amava os fins de tarde. Eu tinha certeza de tantas coisas sobre mim mesma. Mas o que fazer quando não se percebe o desvio no caminho de ser feliz ? Algo em mim apagou. Atualmente isso é tudo que sei. Meu grande problema talvez tenha sido mergulhar fundo demais no seu mundo. Me adaptei a ti e esqueci totalmente de mim. O que eu ganhei em troca? Realmente não sei. Isso faz-me lembrar o quão inocente eu era em achar que havia controle sobre qualquer sentimento, mas controle é uma ilusão, ele não existe. Sentimentos vem, fortes como tsunamis, encantam e destroem na mesma intensidade. Depois chega a calmaria como se todos aqueles estragos deixados para trás não fossem nada.

Minha calmaria ainda não chegou e uma parte tola de mim insiste em achar que é você quem a trará de volta.

Eu fiz tudo o que eu pude. Fiquei horas pendurada em uma ligação com você e a cada dez minutos eu te elogiava de um jeito diferente. Eu te desejei bons dias, boas tardes e boas noites sinceros, querendo realmente o seu bem. Eu vi séries que eu não gostava, filmes que não faziam o meu gênero e ouvi músicas que não eram do meu estilo. Eu me adaptei apenas pela vontade de estar perto e você sequer notou o meu esforço. Eu estudei Química porque percebi que você estava preocupado em tirar uma nota baixa. Logo eu, que escolhi ser da área de Humanas por não gostar de cálculos, li e reli todos os elementos químicos da tabela periódica por você. Eu te fiz cafuné quando eu mais precisava de carinho, eu esquentei as suas mãos nas minhas quando você sentia frio e eu tirei fotos ridículas só para te ver sorrir, mesmo quando o meu emocional estava em uma situação instável. Eu conversei com você até altas horas da madrugada sabendo que eu teria que acordar cedo no outro dia, eu desmarquei compromissos pelo fato de você ter precisado de mim naquele momento e eu perdoei erros atrás de erros, pois eu acreditava que você não os cometeria novamente. Eu carreguei esse sentimento nas costas e esse era exatamente o problema. Sempre fui eu, sozinha. Eu não sei se você conhece os pronomes pessoais, mas depois do “eu”, vem o “tu”, mas tu nunca vinha. Não para ficar. E era disso que eu precisava, algo concreto que não me transmitisse essa insegurança de que a qualquer momento eu poderia estar por conta própria. E eu estava cansada de esperar. Porém, felizmente, depois de “tu”, vem “ele”. Ele veio, e ao contrário de tu, ele pretende ficar.
—  Aleff Tauã

anonymous asked:

quais foram as maiores dificuldades pelas quais passou na época do reality??

—— ❄ Falta de confiança, de longe. De verdade. Eu estava rodeado de meninos mais novos que, justamente por serem mais novos, tinham bem mais chances de passar do que eu, entende? Em certo momento eu parei ‘pra pensar e, eu já não sabia o que eu estava fazendo ali. Eu sou um bom vocalista. Mas, o que mais eu sei fazer? Que outra vantagem eu tinha? Eu não sou um dançarino tão bom e nem de longe são tão bonito quanto o resto dos meninos eram — e são. Então, eu precisei criar confiança e eu precisei que me dessem apoio. Eu fiz amigos, mas, mesmo assim eu me sentia meio solitário porque eu achava que estava muito fora dos padrões que queriam para um grupo novo. Hoje em dia eu me adaptei, como eu disse antes, eu fiz amigos, e eu tenho me esforçado muito ‘pra ser um artista mais completo. Prometo melhorar a dança, e prometo que vou seguir as dietas à risca ‘pra ficar magro e bonito para meus fãs também.  

Quer saber de uma coisa? Quando eu te conheci foi uma droga. Uma grande porcaria, pois porra eu havia prometido para mim mesmo não me entregar novamente, e você chegou do nada, de mansinho com aquele teu jeito encantador e derrubou todas as minhas armaduras.  Todo o trabalho que eu demorei milhares de dias para fazer, para não me entregar novamente você derrubou assim que chegou com cada conversa, cada risada, pouco a pouco me desarmando, me prometendo o mundo, me fazendo acreditar novamente que o sol poderia sim nascer para todos e que ele está ali, que o amor podia existir, que eu podia confiar em você… E assim foi. Eu confiei, eu amei.. Eu ainda amo, mas naquele momento eu me entreguei ao amor que você dizia sentir por mim… É a primeira vez que vivia algo assim, essa história de amor reciproco sabe nunca combinou muito comigo, com a minha vida, sempre foi algo fora dos padrões, mas você a tornou real, e eu confie nisso. Foi dia após dia, conquista após conquista que começamos a namorar, caraca, eu num relacionamento sério, alguém amando a mim depois de toda uma jornada de dor, será que isso era possível? Sim, e foi. Eu me apaixonei por você, pela tua beleza, pelo teu coração, até mesmo pelas suas falhas e defeitos, sua falta de humor, me adaptei aos seus ciumes, contia as minhas intimidades, fiz tudo o que podia para dar certo, até mesmo aceitei a distancia, aceitei um relacionamento escondido… Aceitei viver de te imaginar aqui mesmo você nunca estando, só pelo fato de ter aprendido a te amar com todas as forças como você me conquistou. Mas o mais foda, o mais foda de tudo foi continuar sem poder nunca ter lhe abraçado, sem poder te ligar por medo de que seus pais descobrisse de nós, foi nunca poder publicar em nenhum lugar um “Eu te amo” com medo de alguém descobrir de nós. Eu vivi embaixo dos panos esperando o seu tempo, o tempo que você me pediu para que um dia abríssemos o jogo para todo mundo, e ai sim vivermos nossa linda história de amor, assim era para ser, até que tudo desmoronou. Eu sempre te disse, seja sincera com seus pais, eles te amam, do jeito deles, do jeito errado, mas amam, e não foi assim que eles descobriram de mim. Eu dei minha cara a tapa, quis estar perto, ou melhor, conhecer eles, estar ao teu lado nesse momento era importante para mim, e mais ainda para você, mas foi ai quando mais precisávamos estar perto, um segurando a mão do outro e enfrentando o mundo juntos que você quis cair fora, quando eu realmente pensei que tínhamos chego ao fim do túnel e finalmente viveríamos o que ficamos anos planejando, foi quando você quis desistir de mim, desistir do nosso amor.  O meu chão despencou centenas de vezes enquanto você dizia “Eu não sei se quero mais você” , eu sangrava enquanto tentava me manter forte para lhe passar segurança e garantir que você não precisava ter medo, pois eu estava ali, e iria te proteger, te assumir, para quem fosse preciso… Seus pais, Deus, o mundo, para que fosse preciso, mas naquele momento eu percebi que aquilo não era o suficiente, que o meu amor não era o suficiente para ficarmos juntos. Eu chorei, sim, chorei muito, fiz o que havia prometido para você que jamais faria novamente, aqueles malditos cortes voltaram… Eu sei foi uma promessa a você nunca mais fazer isso e eu a cumpri, consegui cumprir todos os dias, enquanto sentia que por amor você cumpria de ficarmos juntos mesmo com as dificuldades, mesmo com a distância, mesmo com todos os obstáculos, mas agora você se foi não é mesmo? E eu faço o que posso, o que consigo para viver com sua ausência, ou mais do que isso, para acreditar naquela historia que você me dizia de que “amar vale a pena…” De que amar vale a pena, meu amor…
—  Cartas Para Let.

One Shot  Harry Styles - Feito por Moni


Acordei durante a noite assustada, o relógio de cabeceira marcava 02:17 da madrugada e eu olhei para o ser deitado ao meu lado com pressa. Um suspiro de alívio abandonou meus lábios ao perceber que ele continuava ali. Chutei as cobertas e descalça caminhei até o banheiro, a luz forte cegou meus olhos por alguns segundos e pouco a pouco eu me adaptei ao borrão que minha visão adotava sem os óculos, joguei uma água no rosto pálido pós-pesadelo enquanto ouvia o “tum-tum-tum” acelerado do meu coração, como se fosse obra do destino, juntei a armação que eu, de alguma forma, esqueci sobre a pia do banheiro e os coloquei me escorando ao batente da porta, já podendo enxergar melhor eu o observei de longe enquanto dormia, seu peito descoberto subia e descia suavemente de acordo com sua respiração e sua expressão era suave e relaxada. Deus era realmente muito bom por ter mandado um anjo daqueles para um mundo como esse.

Sentia meu coração apertadinho ao lembrar do sonho ruim, aquele homem era minha vida e eu já não me imaginava mais sem ele. Eu o amei quando pensei que o odiava, amei o que eu acreditei que ele fosse e amei o que ele realmente era. Afastei um cacho rebelde e volumoso do rosto e apaguei a luz do banheiro caminhando nas pontas dos pés até a cama, larguei o óculos na mesinha de cabeceira ao lado da cama, deslizei para baixo do edredom e me aconcheguei a Harry dedilhando as linhas de tinta desenhadas em seu corpo.

-Eu amo tanto você, meu anjo! - falei baixinho apertando seu corpo em um abraço e enfiando meu rosto na curva de seu pescoço. - Nunca me deixe, por favor!

Senti um beijo leve no topo da minha cabeça e vagarosamente nós fomos virados de lado ficando de frente um pro outro.

-Hey, meu amor, o que foi? - ele perguntou em sua voz ensonada. Escondi o rosto em seu peito.

-Nada.

-Certeza?

-Não - sua risada rouca soou baixinho me fazendo sorrir. - Eu tive um sonho, um sonho ruim, você estava lá, jurando seu amor, e então ia sumindo aos poucos, até me deixar sozinha no vazio. - me apertei mais contra ele.

-Ah, minha garotinha tola e insegura - uma de suas mãos subiu até meu rosto fazendo-me encara-lo - Quantas vezes eu vou ter que dizer que te amo? Eu não vou a lugar algum, você é a mulher dos meus sonhos, (Seunome), eu te amo e pretendo passar o resto da minha vida com você - um beijo doce foi deixado em meus lábios e então eu fui envolvida em um abraço apertado.

E como em um passe de mágicas o aperto abandonou meu peito e eu me senti aliviada, dormi nos braços do meu primeiro e único amor, sem sonhos e nada que me perturbasse, ele era o meu anjo.

-Moni

Once upon a time, a few mistakes ago. I was in your sights, you got me alone.” Sempre imaginei que quando as pessoas se apaixonavam o mundo se tornava mais leve, as flores dançavam com o vento, a lua brilhava mais forte e os dias ruins se tornavam apenas lembranças de um passado quase esquecido. Mas não foi isso que aconteceu, não comigo. Você transformou algo colorido e brilhante em uma tempestade onde as trovoadas se sobrepõem ao choro de uma criança com medo. Acreditei que tu era a pessoa certa para me fazer entender o significado de “destinados a ser”, mas a nossa história não passou de um erro de calculo do destino que fez com que o meu caminho infelizmente se cruzasse com o seu e eu boba e romântica pensei que se tratava de um conto hollywoodiano em que o vilão no final se redimia e se tornava um rapaz bom para ser digno de estar com a mocinha. “Pretends he doesn’t know that he’s the reason why you’re drowning. Fui muito inocente mesmo, você era o tipo de cara que magoa as pessoas, mas eu apaixonada não quis ver isso, quis acreditar que você era diferente, mas suas atitudes não ajudavam, tudo me mostrava o quão errado você era, mas me recusei a acreditar e aqui estou, sozinha novamente, e você? Em outra! É clichê, mas o mundo é clichê. Ainda não acredito que foi tudo em vão, que o passar do tempo ia fazer você me trocar tão rápido. Me sinto como uma “roupa velha”, que você usa, usa, depois deixa de lado quando compra uma melhor. Ainda hoje sonhei com nós dois, e no sonho era tudo tão diferente, tão real. Suas palavras doce me deixavam fissurada, o seu toque me tranquilizava, e a vontade de beijar era insaciável. Creio eu, que não merecia ter levado essa queda de tão alto. Acredito que eu fui o melhor que pude ser, que eu te fiz feliz. Eu até que fui ótima demais pra você, mudei, me adaptei à ti. Vi meu mundo colado ao teu, vi um futuro à frente onde existia nós dois, o Teo (seu dog, que eu sinto tanta falta de quando vivia pulando em cima de mim pra poder acarinha-lo), e vi também um bebê que tinha o teu sorriso, e os meus olhos. Sonhava com o dia em que seríamos marido e mulher, dividiríamos tudo e você me ajudaria na tarefas de casa. Ou não passaríamos o dia inteiro na cama nos amando como se não houvesse amanhã, até porque não precisaria de mais nada. Seríamos muito felizes. Mas você me trocou por ela, e bom espero que esteja muito feliz ao lado dela, espero também que ela seja a pessoa certa pra você. Sejam muito felizes.
—  PS.: Espero que não se arrependa do que fez. Escrito por Kelly, Letícia B., Amanda e Nicácia em Julieta-s
Dia frouxo. Entrei na piscina de hidromassagem com um boa-vida. O sol estava brilhando e a água borbulhava e fazia redemoinhos, quente. Relaxei. Por que não? Dê um tempo. Tente se sentir melhor. O mundo inteiro é um saco de merda se rasgando. Não posso salvá-lo. Mas recebi muitas cartas de pessoas que disseram que meus livros salvaram suas vidas. Mas não escrevi para isso, escrevi para salvar a minha própria vida. Sempre estive por fora, nunca me adaptei. Descobri isso nos pátios das escolas. E outra coisa que aprendi foi que eu aprendia muito devagar. Os outros caras sabiam tudo; eu não sabia merda nenhuma. Tudo estava imerso em uma luz branca e estonteante. Eu era um idiota. No entanto, mesmo quando eu era um idiota, sabia que não era um idiota completo. Eu tinha algum cantinho em mim que eu estava protegendo, havia alguma coisa lá. Não importa. Aqui estava eu na piscina e minha vida estava terminando. Não me importava, já tinha visto o circo. Ainda assim, sempre haverá mais coisas para escrever até que me atirem na escuridão ou seja o que for. Isso é que é legal sobre as palavras, permanece indo em frente, buscando coisas, formando frases, se divertindo. Eu estava cheio de palavras e elas ainda saíam em boa forma. Eu tinha sorte. Na piscina. Garganta ruim, dor de cabeça, eu tinha sorte. Velho escritor na piscina, meditando. Legal, legal. Mas o inferno está sempre lá, esperando para se abrir.
—  BUKOWSKI, Charles. O capitão saiu para o almoço e os marinheiros tomaram conta do navio.
Acho que vou me retirar. Sei lá, só ir embora. Não me acostumei com pouco amor, pouca atenção, pouco calor, pouca paixão. Sinto muito, mas não me adaptei aos seus poucos. Gosto de muito. Sou bem intenso.
—  escritos de um garoto.
A felicidade deveria sentar, e ficar me esperando. Até que eu levantasse, e pudesse alcança-la. Não deveria fugir, assim como sempre faço, mas sim me encarar de frente, e nao enquanto caio. Sigo ao norte do seu sorriso, pelo tão sonhado horizonte. A paz, tem olhos castanhos, cabelos lisos e mãos macias. Mas assim como tudo o que já tentei afastar, ele só voltou, e bateu mais forte no peito. Existe uma letra na minha memória, faltam os acordes e tambem não pensei na melodia. As coisas que eu precisei, foram as únicas que eu não consegui encontrar. Não me adaptei ao vazio, mas aos sons que ele emitia. Á como sempre me pareceu gelado, a como sempre estragou tudo. A felicidade, sempre me pareceu distante. Ao alcance das minhas mãos, sempre tive apenas alguns vícios. Ao alcance dos meus olhos, apenas alguns infinitos , que de alguma forma, não me pertenciam. Ao alcance dos meus pés, toda a profundidade. Ao alcance do meu coração, a imensidão de uma vida de atrasos. De atrasos, e de acasos, que me levaram a tentar entender. Evitar pensar, não me ajudou. Mesmo assim, enfrentar nunca esteve na lista de opções. Tentei por vezes, mudar o tom. Mas abrir os braços, não o trouxe de volta. Ele estendeu a mão, e eu segurei. Mesmo sabendo, que a distância entre dois universos era pouco menos que alguns passos, por enquanto. Não aprendi a levantar todos os dias pra viver a mesma coisa. Não ouvi ainda, algum conselho que me faça voltar atrás. Disso, estou livre. E livre de cada gota de agonia, eu quero estar. Livre, pra cada passo que eu resolva andar. Daqui, até a liberdade, a felicidade é quem vai me guiar.
—  Flavia de Oliveira
Dia frouxo. Entrei na piscina de hidromassagem com um boa-vida. O sol estava brilhando e a água borbulhava e fazia redemoinhos, quente. Relaxei. Por que não? Dê um tempo. Tente se sentir melhor. O mundo inteiro é um saco de merda se rasgando. Não posso salvá-lo. Mas recebi muitas cartas de pessoas que disseram que meus livros salvaram suas vidas. Mas não escrevi para isso, escrevi para salvar a minha própria vida. Sempre estive por fora, nunca me adaptei. Descobri isso nos pátios das escolas. E outra coisa que aprendi foi que eu aprendia muito devagar. Os outros caras sabiam tudo; eu não sabia merda nenhuma. Tudo estava imerso em uma luz branca e estonteante. Eu era um idiota. No entanto, mesmo quando eu era um idiota, sabia que não era um idiota completo. Eu tinha algum cantinho em mim que eu estava protegendo, havia alguma coisa lá. Não importa. Aqui estava eu na piscina e minha vida estava terminando. Não me importava, já tinha visto o circo. Ainda assim, sempre haverá mais coisas para escrever até que me atirem na escuridão ou seja o que for. Isso é que é legal sobre as palavras, permanece indo em frente, buscando coisas, formando frases, se divertindo. Eu estava cheio de palavras e elas ainda saíam em boa forma. Eu tinha sorte. Na piscina. Garganta ruim, dor de cabeça, eu tinha sorte. Velho escritor na piscina, meditando. Legal, legal. Mas o inferno está sempre lá, esperando para se abrir.
—  Charles Bukowski.