acho que eu vi um gatinho

Uma semana depois...

5 batidas na porta, respirei fundo ansiando pelo o que realmente aconteceu, a ruvinha do apartamento da frente tinha voltado, e estava mais linda do que a ultima vez em que a vi, com um coque desarrumado, lápis estilo “gatinho” no olho, batom vermelho bordo sobre os lábios fazendo uma combinação perfeita com a cor de seus fios capilares, suas sardinhas adoráveis e um sorriso de matar qualquer um, vestia um vestido estilo anos 50, salto alto, e uma jaqueta de couro sobre os ombros, estava escorada na porta fixando seus olhos nos meus - e ai, ta pronto pro nosso encontro?- nosso encontro? pensei - encontro? acho que na ultima vez que nos vimos eu não tive nem tempo suficiente para te convidar para um encontro- ela riu e enrolou um fio de cabelo solto em seu dedo indicador - pois bem, sou eu que estou te convidando para um, e espero que já esteja pronto pois detesto atrasos, não tenho paciência pra ficar esperando- um sorriso em meu rosto foi inevitável, aquela garotinha linda, meiga, pequenina e de alguma forma… diferente estava me conquistando de jeito - bom, se essa roupa aqui esta boa pra você, estou prontissímo- ela me avaliou da cabeça aos pés deixando escapar um sorriso de canto -você ficaria lindo de qualquer jeito, só coloca um calçado e vamos- saiu caminhando magnificamente pelo corredor e escadaria abaixo, sai correndo pelo apartamento em busca do meu vans, ainda não tinha organizado as coisas direito desde que tinha chegado em Porto Alegre, tranquei a porta e sai correndo atras da ruivinha - e ai garota misteriosa, onde será o nosso encontro?- olhei para ela na espera de uma resposta, ela olhou para as unhas roídas e sorriu- bom, depende do andamento da noite, se você me agradar os lugares para o nosso encontro podem variar…- deixei escapar um sorriso pervertido, confesso- se eu te agradar?- exatamente, mas saiba que é difícil, não costumo gostar de pessoas normais- ela parou na minha frente me fazendo parar e encostou seu indicador em meu peitoral- se eu te achar normalzinho demais, já era playboy, acabou o jogo, game over- fechou os olhos e sorriu convencida, achei aquilo uma graça! a coisa mais fofa desse mundo, minha vontade era de segura-la em meus braços e beija-la, tão forte como se nossas almas pudessem de alguma forma, juntar-se -ah, então quer dizer que isso tudo é um jogo?-, - depende, talvez sim talvez não, mas isso nós vamos saber com o tempo- chegando ao térreo ela cumprimentou nosso porteiro e saiu em direção ao outro lado da rua, paramos em frente a uma lanchonete meio velha e adentramos, os assentos eram de couro e havia um tocador de discos no canto do estabelecimento tocando “Love me do” dos Beatles, essa ruvinha só me surpreendia, sentamos em uma mesa aos fundos perto da cozinha e logo uma atendente veio nos atender- bom, eu gostaria de um x-salada sem hambúrguer, apenas salada e um sundae para a sobremesa, por favor-, - ok, e você moço?-, olhei para o cardápio pensativo - um x-bacon e uma coca cola por favor-, -algo para a sobremesa?-, - ah, um sundae também, por favor- olhei para ela que me olhava curiosa - porque x-salada sem hambúrguer?, x não é nada sem o hambúrguer- ela sorriu e enquanto batia as pontas dos dedos no ritmo da música aos fundos disse - sou vegetariana, um x é tudo sem hambúrguer fique sabendo o senhor-, aah, vegetariana, vou anotar a minha lista de “motivos para se apaixonar pela ruivinha do apartamento da frente” -nossa, me senti um velho agora com esse senhor- ela apenas riu, logo nossos pedidos chegaram e comemos calmamente conversando sobre diversos assuntos, e a cada minuto que passava com ela mais ficava admirado com a sua simplicidade, gostos, delicadeza e beleza, o tempo passou tão rápido na lanchonete que mal reparei, como um típico cavalheiro paguei a conta é claro, e então saímos novamente para a avenida, olhei-a - e agora? game over?- ela riu e me puxou pela mão, caminhando logo a frente- por incrível que pareça, não é game over para você, você se deu muito bem em todas as missões vizinho, e agora vamos alugar um conversível no pico la em cima “apontou com o dedo” onde daqui a 15 minutos um filme aterrorizante sobre lobisomens irá começar, uuuuuh- esse clima de suspense que ela fez quando soltou seu uuh foi demais, eu realmente tava no chão por ela e ela desfilando por cima- pera, cinema de carros ainda existe? em pleno século XXI? estou me sentindo antigo, garota acho que você me abduziu e me levou para o passado, e sabe, to gostando disso- vi um sorriso de canto vindo dela e sorri também, aquela noite estava sendo demais! chegamos ao pico, paguei o aluguel do conversível e depois de muita insistência deixei que ela pagasse as pipocas e chocolates, sentamos nos bancos do carro e assistimos o tal filme aterrorizante, eu mais ri da ruivinha sentindo medo escondendo seu rosto atras dos sacos de pipocas e apertando meu braço do que prestei atenção no filme, quando o filme acabou a movimentação de pessoas indo para a suas casas iniciou-se e a ruivinha apenas virou-se para mim -sabe Trevor, você parece diferente, eu me sinto leve com você, e gosto disso- sorri muito animado, de orelha a orelha, senti meu coração subir a garganta -eu sinto o mesmo ruivinha, acho que temos que repetir isso mais vezes- ela sorriu e vagarosamente aproximou seu rosto do meu, encostou sua testa na minha e fechou seus lindos olhos em tom de esmeralda, e o que eu poderia fazer não é? a chance que eu mais esperava a dias estava agora em minha mão, a segurei em meus braços e a beijei-a sentindo-me mais completo do que nunca. Quem diria, eu estava apaixonado.