acenic

arminizewithme asked:

Hey Nina, I was wondering if you have any tips on arranging on-location photoshoots (as opposed to a convention)? As in, do you have any tips for how to handle cosplaying in a non-convention setting? I know that you and Em arranged a shoot at the DoubleTree at Acen for your Waiter Free! shoot, so do you have any advice for approaching people at a workplace with, "Hey, can we take some pictures in costume here?" Hope this makes sense, thank you in advance! ;u;

If the location you want to shoot at is still on convention grounds or in other ways involved with the convention (i.e. it’s another hotel a lot of con attendees are staying at, such as the Double Tree at ACEN), it’s usually very easy to request permission to do a photoshoot in their space!

If it’s just a hallway or other “decorative” area, asking permission typically isn’t necessary (since it’s assumed people will take photos of architecture and interior design work), but if it’s an area where employees are working, you’ll definitely want to ask before you start snapping pictures. Here’s the best way to go about doing that.

Approach the nearest employee you see and ask to speak with a senior staff member about doing a photoshoot in that area. (Example: “Hi, my friends and I were wondering if we could speak to the manager about taking some pictures in the bar area. We want to check if that’s alright – can you help us or find someone who can?”) . Just because you don’t see a manager around doesn’t give you the go-ahead to do whatever you want; a lower-level employee can fetch the manager for you to speak with so you can be sure you’re not going to get in trouble – or worse, get that employee in trouble for giving you permission when they don’t have the authority to do so.

When you’re speaking to the person in charge, have a good, clear idea of what you’re proposing. Simply asking if you can “do a photoshoot” doesn’t give them much to go on. Instead, try something like: “The characters we’re dressed up as work at a bar in the show they’re from, and we would really like to get some photos in a proper setting.” Be sure to include how long you think you’ll need to shoot there; will it take 5 minutes? 20 minutes? An hour? You’ll of course have to be flexible to what they can accommodate, but mentioning you’ll only need the space for 15 minutes can seal the deal. If you have ideas for specific poses (”We want to take a photo of her serving a drink from behind the counter” or “There’s official artwork of him cleaning the bar and we want to recreate that”) mention them, especially if you’ll need to interact with their workspace.

At this point, they’ll either tell you yes or no. If they say no, say thank you and move on. It may be disappointing, but absolutely do not try to sneak around behind their backs to take pictures there. They likely have good reasons for not wanting costumers taking photos in their establishment; it could distract their customers or otherwise disrupt their business. Like I said, a lot of hotels/restaurants/businesses/etc. near conventions won’t mind, but on the off-chance they do, you need to respect that decision.

Now, if they say yes: huzzah! Get in there and take your pictures! While doing so, again, be respectful and courteous. If they ask you not to do something (laying on a table/counter, climbing on furniture, reenacting… ah, inappropriate scenes their customers may not appreciate), apologize and stop doing it. Other tips: don’t make a mess. If you move something, put it back where you found it. Use your time in this space efficiently; don’t dawdle, especially if you’ve been asked to “make it quick.”

Most of the time, employees are really interested in what you’ll be doing, so don’t be surprised if the manager or other team members want to watch – it’s not something they see every day! Even if it feels awkward to have an audience, be polite and answer any questions they have. And of course before you leave, be sure to thank them! 

Arranging to do a photoshoot in a location that is completely off convention grounds or not during a convention at all is a bit more tricky, but you’ll generally want to do the same thing, albeit with more explanation. I’ve found it always helps to email or call the location beforehand to discuss the possibility of shooting there, and if necessary, it never hurts to use the “art student” excuse (”My friends and I are art students and need to document some costuming work for our portfolios!”). Again, as long as you’re courteous and able to explain what you want to do, most establishments will be more than happy to let you take pictures on their property!

Campainha de domingo

É sempre um grito de horror a campainha tocando numa manhã nublada de domingo. Olho da janela pela fresta da cortina, alguém querendo vender algum produto que sei que não preciso. Simples, apenas fecharei a cortina, ficarei em silêncio até que pense que não tem ninguém em casa. Em silêncio a gente deixa um pouco de existir. Existe pra dentro, enquanto a campainha toca insistente, mas isso também passa e quando o silêncio se faz lá fora e os passos mostram que finalmente o chato vendedor se foi, então a gente emerge de novo do mudo abismo em que nos lançamos.

Assim seria, se por descuido, lance da visão, os olhos do rapaz lá fora não tivessem virado em minha direção. Desprevenido diante daquele olhar, senti como se caíssem as paredes, a cortina, a roupa, a pele: exposto até a última camada de meu ser, subindo pelo rosto o vermelho-vergonha. Foi o tempo de respirar de novo. O homem lá fora sorriu e acenou. Que poderia eu fazer agora? As paredes voltaram aos seus lugares: mas podia sentir na superfície da pele algo que não se completava. Quando quebramos vidro e tentamos colar. Ter sido visto era o modo de não poder assumir minha falta de vontade de estar com o outro. Pois enquanto eu fosse silêncio, eu seria o nada que não  tinha nome nem face. O absoluto do silêncio me fazia uma ideia de homem que o vendedor lá fora só poderia supor. Mas agora, tendo sido visto, me tornava o ponto único que era eu sendo apenas eu: esse rosto com essa boca, esses olhos, esse queixo protuberante, essa mancha na testa. Como negar abrir a porta?

Como negar abrir a porta se também o vendedor se tornara mais do que minha vaga ideia de um vendedor apertando a campainha e me aporrinhando em pleno domingo? Ele que agora, mais do que uma cara, tinha um sorriso. Como negar o sorriso e simplesmente voltar a sentar na poltrona? Ser anônimo era minha maneira de conseguir ser cruel. A particularidade que eu tomava diante do outro, e a particularidade que o outro adquiria de repente diante de mim, me deixava na mesma situação que se encontra a pessoa que tem um cobertor curto demais: se cubro o rosto deixo os pés pra fora, se cubro os pés, exponho o rosto. Que destino então? Só restava abrir a porta.

Abrindo a porta. Dando meu sorriso de domingo, tirado não se sabe de que parte escondida de minha personalidade. Tenho tantas. Cada rosto pode ser a máscara que quiser. Basta mover os lábios e os olhos e botar na expressão o que se quer passar, não necessariamente aquilo que se pensa. A expressão é também uma mentira. Pois só preciso parecer. Mas isso o vendedor também sabe. De pronto começa a falar do produto. Tão eloquente. Minha cara de bobo intencional. Vou fingindo que acredito. Ele vai fingindo que não sabe que o produto é uma porcaria. Ele termina sua longa explanação. Pergunta por fim se eu quero. Eu quero?

Sei que não preciso do que ele me oferece. Mas tantas vezes só aceitei para não prolongar os pedidos insistentes. Tantas vezes comi não por fome, mas para não desagradar quem me dava com tanto amor o pão. Eu não queria, sei bem. Mas disse que sim. Queria. Ele se espantou. Como se não tivesse nenhuma esperança de me vender aquilo, e eu também já que não tinha nenhuma vontade de querer aquilo, só ia querendo para que me livrasse o mais rápido possível daquilo que mais não queria: aquela cara pálida na minha frente, o insuportável que não era eu. Para poder voltar ao meu domingo insonso entrei rapidamente em busca de dinheiro, dei-o ao homem, assinei a folha,  peguei em minhas mãos aquela caixa inútil, despedi-me do rapaz, fechei a porta. Enquanto ele ia embora com meu nome em sua folha, sem eu nunca saber o seu, eu jogava no canto da sala aquela caixa. Agora era só isso pra nós: eu um nome em sua folha, ele uma caixa amassada no canto da sala, confundida com tantas outras que ainda não tive coragem de jogar fora. Sento de novo na poltrona, aumento o volume da TV. Mal retorno a mim mesmo, a campainha toca.

- Caio Augusto Leite