acalental

Prevenção do Suicídio

O números abaixo são de “centrais de prevenção à vida”. Sei que todo mundo tem seus dias ruins, e muitas vezes vem maus pensamentos em mente, caso precisem de alguém experiente pra conversar ou ao menos ouvir algo que acalente, ligue pra lá, funciona 24 horas.

CVV Brasil: 141 ou
0800 290 0024

anonymous asked:

O Senhor te toma pela tua mão direita e diz: Eu, o Senhor, vou contigo onde quer que fores. Eu, o Senhor, o ajudarei a enfrentar tudo. Eu, o Senhor, sou o dono de todo o universo. Nada pode me impedir. Eu escolhi você antes que você fosse feita no ventre de sua mãe. Você é minha filha amada e eu nunca vou deixar você.

Amém! Mil vezes amém! Muito obrigada pela palavra… acalentou demais a minha alma. Deus te abençoe infinitamente!

ouvi em algum lugar que a gente sente, pelo outro, o imensurável de coragens que não admitimos pra nós mesmos. e seguimos correndo nessa estrada que liga a paulista com a avenida brasil mesmo sabendo que isso não vá dá em lugar algum, em cidade alguma, em pessoa alguma. acontece que nessas esquinas a gente também se esbarra (e vive) com pessoas tão parecidas com nós mesmos que perdemos, ali, um pouco do que somos. elas vão trazendo consigo um vaso com flores pré-germinadas pra que possamos ter algo na janela fazendo sombra nos dias de verão que acalente e faça do ambiente outrora inóspito um lugar aconchegante pra descansar. porque precisamos de uma pausa nessas corridas e precisamos das pessoas e eu entendo que não somos seres tão alheios aos outros mesmo que às vezes isso seja só um detalhe entre tantos outros, mas que no fundo a gente sempre esteja ali esperando algo ou alguém.

prefácio. te encontrei
numa esquina laranja qualquer

diferentes como um lobo e um cordeiro sob o chão gelado dos árticos, tocamos as nossas peles dentro de um ônibus lotado que dava a volta num mundo chamado tijuca em direção a outro mundo chamado méier e ali soubemos que as diferenças eram gritantes. elas berravam via boca do ambulante, via as buzinas e via ao ponto que se aproximava e avisava que chegava a hora de descer. mas nós não descemos. seguimos pela dias da cruz e seguimos por tantos lugares até que eu não sabia nem mais aonde estava. às vezes te via tão nítido ao meu lado sentado nesse banco e às vezes eu precisava piscar duas vezes pra te ver ali. então eu levantava e andava pelo ônibus de um lado pro outro como quem quer buscar acordar de algo sem ter adormecido e então tocava toda a superfície de onde você deveria estar sentado, só que você não está.

epílogo. to sentado
num banco translúcido na dias da cruz

as portas se abrem tantas vezes e em tantas vezes eu olhava de soslaio na esperança de te ver subir e sentar ali, colocava a mochila no teu lugar ao meu lado pra que ninguém ocupasse e sorria pra todos numa tentativa de mostrar que ali eu estava vivo, ali eu existia. nas tuas ausências continuava com a cabeça deitada na janela olhando a rua passar com uma música instrumental tocando nos ouvidos e então sentia falta e então sentia uma mão fraca me tocar o ombro e então o coração disparava e então eu abria os olhos e então não te via e então deitava mais uma vez na janela que dá pro mundo sem sequer ter uma planta pra trazer sombra. 

final. te esperando
onde todas as tuas vírgulas me ferem

decidi que sentaria no banco mais alto desse coletivo e hoje, sinceramente, não sei se é pra estar mais perto da porta ou se é pra ter um lugar onde possa te ver mais rápido. a noite chegara trazendo uma série de calafrios porque aprendi desde criança que é nela que os monstros tomam mais coragem pra aparecer. então me resguardei em um casaco pra tentar passar despercebido na esperança de que você apareceria ou que abriria a porta de trás pra eu descer.

porque ainda assim somos. 


Lucas

Quando você não aguentar mais olhe para o céu, olhe para quantas coisas Deus já fez na sua vida, olha quantas vezes Ele te ajudou, pergunte para si mesmo se algum dia Ele te abandonou, te desprezou. Conte nos dedos, se é que consegue, quantas vezes Ele te levantou. Ele te ajudou, te esforçou, te deu ânimo, foi seu Amigo, e até apagou o seu passado, lembra daquela noite? Daquela em que você encharcou seu travesseiro de lágrimas e de tão cansada e com tamanha dor, nem sequer conversou com Ele, e se deitou? Você pensou até que não iria conseguir dormir de tanta preocupação, mas dormiu porque Deus te acalentou. E os pensamentos de “estou sozinha”, “não posso”, “eu desisto” começaram a formar turbulência em sua mente dia após dia, noite após noite. Mas, espera! Quando foi que Deus te deixou sozinha? Jesus mesmo disse: “E eu estarei sempre com vocês, até o fim dos tempos.” Quando foi que Ele disse que você não pode? Ora essa! Você pode todas as coisas nAquele que te fortalece. E quando foi que Ele desistiu de você para você querer desistir? Acaso, Ele desistiu de se sacrificar por você naquela cruz? Ele não olhou pra trás, ele foi até o fim, mesmo sabendo da dor e sofrimento que ainda viria. Jesus entende cada aflição sua porque Ele passou por todas as aflições que existem nesse mundo. E Ele venceu todas elas pra você vencer também! Em Romanos 8 a Palavra diz que o Espírito de Deus nos ajuda em nossas fraquezas. E mais, em 2 Coríntios 12 diz que o poder de Deus se aperfeiçoa nas nossas fraquezas. Faça como diz lá em Joel, diga o fraco: Eu sou forte! É na fraqueza do seu ser que Ele virá e se aperfeiçoará em cada uma das suas fraquezas!
—  O Espírito de Deus vai te levantar.

Eu te amei no silêncio, nos gritos, nas vozes que ecoavam dentro de nossas cabeças com todos os temores que o excesso traz. Eu te amei entre refrões de bolero, promessas silenciosas e ausências inoportunas. Eu te dei o silêncio porque as palavras, ainda que inconscientemente, sempre foram até você. O quente do meu peito que esvai enquanto escrevo e se entranha nas letras que serão vistas pelos seus olhos, você sentirá o toque em cada linha, assim como sua lembrança virá até mim sem que me dê conta. Sempre fomos exatos, ainda que inconstantes, ainda que seus devaneios não sejam os meus, ainda que Marte colida com Júpiter n'algum mundo paralelo, nos encontramos na colisão. Não existe poesia no meu exagero barato, mas há você em cada rascunho, e é tudo o que preciso para continuar a tentar decifrar o que não é passível de explicação. Eu te amo como quem é completo só por amar, sem a necessidade de pré-requisitos ou definições. Sentir, pensei, talvez seja apenas se entregar ao excesso. E não existe o ontem, senão as memórias, ou o amanhã, senão a continuação de tudo que foi e sempre será. E por te amar como quem nasceu para esse único ato, continuo. Amar poderia ser considerado um ato de coragem, insanidade, talvez. Amar poderia ser você, ou eu, ou todas as vezes que me refugiei no seu colo e você me acalentou como se fossem a primeira. Você sente no pulsar a minha aceleração cardíaca, porque estamos tão exatamente alinhados que não existe divisão. Existem amores tão grandes que tomam espaços infinitos, eu me permito transbordar por você.  

G.

meu corvo

tenho um pássaro alojado dentro de mim que grita toda vez que algo de novo surge. não diria um pássaro azul como o de charles bukowski, ele está mais para o corvo de allan poe: vem acompanhado de uma melancolia e morbidez absurda, nem avisa e simplesmente vem. todo dia. toda noite. toda hora é hora. sempre com palavras diferentes mas que dizem a mesma coisa. “nada dura pra sempre, deixe de bobagem”, “pra que começas se sabemos que não vai eternizar?”. 
dia desses, parei de escutá-lo. me joguei de cabeça em alguém sem ligar para o que viria depois. ignorei a voz do meu corvo e pulei de olhos fechados. nem sabia como era a sensação mas esse foi o começo de uma grande sequência de quedas. bati com a cabeça no raso e, em vez de um galo ou um traumatismo craniano, meu corvo ressurgiu bem próximo ao meu ouvido. como aqueles mosquitos incômodos que ficam no seu ouvido enquanto tentas dormir. “olha aí, eu avisei” e o que era uma voz distante ficou cada vez mais alta. mais estridente. com mais tom. 
aprendi a gostar do meu corvo. passei a ser grata por o ter ali, por me brindar com sua companhia. por não deixar que eu me afogue por completo num mar de solidão. sempre foi meu corvo quem esteve comigo depois de todos os traumas. acalentou minha dor com sua melancolia e fez-me ver o lado bonito no que era angustiante. a morte é bonita. a miséria humana é bela. entendi o ciclo da vida-morte. entendi e aceitei. vi que a vida era mais que isso. vi que as coisas sempre tem fim. e o fim sempre é doloroso. por mais triste que isso seja, a vida é assim. mas o que é triste sempre pode transformar-se em algo belo. e observar todos esses ciclos, tantos desencontros seria uma das maravilhas que a vida me propunha. porém, mesmo tendo conhecimento disso tudo, eu ainda tinha fé de encontrar algo sem fim.
mas cada novidade que surgia e fazia-me crer que tudo seria diferente, recebia uma mordida do corvo. isso foi se tornando comum. ele sumia e renascia depois do tombo. como a fênix. cada vez mais alto. cada vez mais impregnado. cada vez maior. sempre falando as mesmas coisas. sempre me ajudando a reerguer. a quantidade de despedidas não define o sofrimento: não sofremos menos a cada despedidas. acho até que, sofre-se mais. passei a ter medo de chegadas. e amor ao corvo. ou conformismo. talvez minha relação com meu corvo tenha sido a única que não teve fim. a mais estável. a mais eterna. por isso, amei. amei. amei. e amei. amei tanto que, finalmente, chegou o dia em que a voz rouca do corvo sumiu. mas o corvo não. sem despedidas. ele sabia que eu não as suportava. que não aguentaria mais uma. principalmente, a dele. a voz que a substituirá era mais parecida com a minha. tinham a mesma frequência vocal, mesmo tom. o corvo me imitara perfeitamente e se tornara uma parte de mim. virou parte de mim: passou a repetir junto comigo o famoso “nunca mais” daquele outro corvo conhecido por poe. deviam ser amigos. 
nevermore. ou ele era o mesmo do poe? só sei que eu o amava. e amava aquela repetição do “nunca mais”. me orgulhava. automatismo como deve ser.
nevermore. nunca mais silenciamos. 
nevermore.

te acolhi dentro dos meus pequeninos olhos, mas à verdade, fostes tu, como ainda és, o cuidador deles. e tua voz, tão grossa, acalentou o resto de mim, com o sabor do teu amor. te transbordo numa poesia exalada mentalmente dentro de mim. enquanto à alma, te acompanha sem pressa. 

O que eu sentia era frio, monótono, congelado no tempo e no espaço sem perspectiva de mudanças. Mas ao ver aqueles olhos meu coração se esquentou, se acalentou, com uma batida constante e rápida que transformou o meu ser (para sempre).
—  Cecília Oliveira