abstrato

de todos os males do mundo, o que mais me afeta é a falta de liberdade. é não poder ser livre pra andar onde for na hora em que eu quiser vestindo o que quer que seja, acompanhada ou sozinha, sabendo que meu corpo será livre e por isso será respeitado. é não poder libertar sentimentos porque elas não seguem um padrão “adequado”. é não poder desfrutar da natureza em que nasci porque ela “pertence” a algo abstrato, mas com poder mais concreto do que minha própria existência. é me limitar a cada segundo porque fui doutrinada assim por deus sabe quantas instituições, quantos deuses, quantos chamados de ordem. é ver que todas as correntes externas adentraram profundamente no meu subconsciente. de todos os males do mundo, o que mais me afeta é a realidade.

maresia de maria

1.03: O que eu vi em você

Dizem que a primeiro momento, somos atraídos pela pessoa, por sua aparência, gestos e sorrisos. O que é belo, sempre chama a atenção, seja uma pessoa, um lugar, um gesto ou até mesmo um objeto. Porém essa aparência não vale de nada se ela não vir seguida de essência, de caráter, daquilo que não vemos, mas que é extremamente importante para a gente não desistir de tal pessoa. E foi aquilo que não vemos que eu vi em você.

Depois de um tempo a gente meio que esquece as aparências e foca apenas naquilo que não podemos ver, mas sim sentir. Fica apenas aquilo que toca a nossa alma, o nosso coração; e isso é totalmente diferente de um galã, olhos claros, roupas caras, isto passa a ser fútil. Isso explica porque, muitas das vezes, começamos a achar bonito aquilo que, de início, não nos chamava a atenção.

Isso é porque a gente se apaixona com o coração e não com os nossos sentidos humanos. Apaixonei-me por algo que veio de você, se hospedou em mim e eu nem mesmo vi com os meus olhos. Nós por dentro somos assim mesmo; nos apaixonamos por atitudes, olhares, pelo sentimento e por aquilo que nos desperta sentimento; muito além do que podemos ver. O que me tocou aqui dentro não foi o concreto, e sim o abstrato que você me proporciona; não me apaixonei por aparência.

É preciso ver além do que os olhos podem ver para podermos entender e dar espaço para o que o outro quer oferecer, em termos de sentimentos, de gestos, de estar e querer estar junto.

Devemos sempre levar em consideração que não seremos jovens para sempre, chegará a época que nossas articulações não funcionarão mais perfeitamente, nossa pele enrugará, nossos ossos se enfraquecerão, nossa coluna nos incomodará, fora os sonhos que não conseguiremos realizar. Por isso, vale sempre à pena lembrar que o que é verdadeiro, permanece; isso ninguém roubará de nós, nem mesmo o tempo. O abstrato ninguém tirará de nós, o concreto sim.

O amor correspondido e intenso, que é sustentado além do concreto, resiste ao longo do tempo e persiste, fica armazenado em nossos corações, que se uniram além das aparências. 

Que o nosso para sempre seja para sempre enquanto durar.


Escrito por: Nath

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QBOS / Javi Urbaneja   
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A oração não é uma atividade abstrata; ela consiste no principal exercício da fé. É exercer a crença de que o Todo-Poderoso é meu Pai sempre disposto e amoroso, e que, aceitando-me no Filho, Ele quer me ouvir e socorrer. Significa entender que, de fato, cada pessoa da Trindade é por nós em nossa fraqueza. Nosso Sumo Sacerdote está repleto de afeição por nós – afeição de irmão. Tendo sido Ele mesmo tentado, não nos despreza por sermos tentados, mas tem compaixão e quer nos ajudar.
—  Michael Reeves – Deleitando-se na Oração