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E depois de um tempo eu entendi que esquecer não significava ignorar uma chamada no telefone, nem evitar reencontros casuais. Eu descobri que quando você esquece, atende o telefone e sua voz não falha, que reencontros casuais não mais faziam as pernas tremerem. Eu descobri que o lado mais triste do amor, é não sentir mais nada.
—  But, I like you.
Eu gosto de você, gosto mesmo. Mas isso não significa nada. Não mesmo. Não significa que eu vá correr atrás feito desesperada, nem que eu vá deixar de viver porque você não dá a mínima. Sabe, ninguém morre de amor. Não deve ser tão difícil assim deixar pra lá, não pode ser. E além do mais, amanhã é outro dia, e depois de amanhã, lá vem mais outro… Olha que maravilha, eu ainda consigo pensar direito. No começo é sempre difícil, a gente chora de raiva porque é o que se tem pra fazer. Pode demorar, mas a gente sobrevive.
—  But, I like you.
Qualquer esquecer é temporário. Você pode esquecer as chaves do carro, esquecer de pagar uma conta, você pode esquecer até de buscar seu irmão mais novo na escola. Mas uma hora ou outra, você vai acabar lembrando que esqueceu. Vai dar por falta, vai voltar pra buscar. Por isso, eu acredito que esquecer alguém talvez não seja possível, isso nunca vai acontecer. Você pode esquecer durante uma conversa, ou enquanto faz uma prova importante, você pode esquecer quando estiver beijando outra pessoa… Mas depois, minutos, horas ou anos depois, alguma coisa vai te fazer lembrar. A vontade pode diminuir, as piadas que antes pareciam engraçadas, podem não ser mais. A saudade pode desaparecer como se nunca tivesse existido. Esquecer? Esquecer não dá, não se pode esquecer o que já conheceu, já sentiu, ou gostou. Entende o que eu quero dizer? Todo esquecer é temporário, ele só dura até se lembrar outra vez.
—  Os opostos se atraem, brigam e ficam de mal.
Eu sei, as chances de você ser feliz comigo são mínimas. Mas vai parecer egoísta ou doentio se eu te pedir pra sermos infelizes juntos?
—  But, I like you.
Queria que soubesse que tudo que eu escrevo é pra você. E quando não é, acaba sendo de qualquer jeito. Todas aquelas coisas que eu escondi. Tudo que eu deveria ter dito, mas omiti. Fingi, sei lá. Tudo que eu escrevo é pra você, ainda que você nunca tenha parado pra ler.
—  But, I like you.
Senti sua falta hoje. Que engraçado. Não omiti e não tentei pensar em outra coisa. Só não vou te contar por que não te interessa mais, a saudade é minha, quase não tem a ver com você. E o pouco que tem, faço questão de deixar pra lá. Não aceito devolução. Isso não é sobre nós dois, é sobre o que eu vou ter que esquecer… Sozinha.
—  But, I like you.
Provavelmente você quer que eu diga alguma coisa que eu nunca vou dizer. A gente se agarra ao fiozinho de esperança que tem, mas ele sempre arrebenta, no final a gente sempre cai. Desculpa se te deixei cair… Desculpa se eu me segurei em você.
—  But, I like you.
Tu é engraçadinho… Do tipo que faz a gente planejar coisas, do tipo que faz a gente rir sozinha no meio da rua. E eu tô fugindo de problemas, então não vem atrás de mim.
—  Os opostos se atraem, brigam e ficam de mal.
Pra ser sincera eu tive medo, foi isso, medo. Eu… não queria estragar tudo, atropelar o tempo, falar besteira, eu sempre faço isso. Eu tive medo de estragar tudo, mas caramba, você faz isso bem melhor que eu.
—  But, I like you.
Se te serve de consolo: Nada dura pra sempre. Nem adianta. Tanto as coisas boas, quanto as ruins, todas elas tem… Um certo prazo de validade. O lado ruim é que quando se está ansioso pro fim, o tempo se arrasta mais devagar. O lado bom é que não importa o quanto tenha chovido de manhã, existe sempre a possibilidade de estar fazendo sol na manhã seguinte.
—  But, I like you.
A gente esquece sim, mas demora um tempinho pra isso. Tudo bem, acontece. Nem sempre as expectativas são correspondidas, na verdade pessoas foram feitas para quebrar promessas. Por bem, por mal. Sem intenções ou só por diversão. Todo mundo, todo mundo mesmo já disse alguma coisa que não pôde cumprir. “Eu nunca mais vou ligar”, ou “nunca mais vou responder suas mensagens”. No fim de tudo a gente mesmo acaba se contradizendo, e quebrando as promessas que nós mesmos fazemos.
—  But, I like you.
Pessoas não foram feitas para serem substituídas, por mais chatas, ultrapassadas e cheias de defeitos que elas sejam. Todo mundo dá defeito, até videogame dá defeito. A diferença é que depois de um certo tempo eles podem ser trocados por algum outro mais avançado. Ainda não vi uma loja que conserte pessoas. Seria ótimo. Mas não existe. Gente tem mania de querer ser importante, por mais inútil que seja. Tu não pode trocar as peças, é isso aí mesmo, e acabou. Pessoas tem fases também, algumas são mais fáceis, outras cansativas. O que te faz continuar jogando é o espírito esportivo, a paciência e a expectativa de ganhar alguma coisa no fim. Faz algum sentido? Resumindo… Videogames e pessoas só querem que você não desista.
—  But, I like you.
Talvez a distância seja a resposta. Tudo indica que se o Titanic não tivesse se aproximado do iceberg, ele não teria afundado. Sei lá, tiveram outros motivos? Ele afundou de qualquer jeito. Era isso que eu tava tentando descobrir. Certos afastamentos são necessários… Ou melhor, certas aproximações nem deveriam ter acontecido.
—  But, I like you.
Não é por falta de tentativa, nunca foi. Eu até tentei me interessar por outras pessoas, ouvir outras músicas, mas acontece que eu tô sempre ocupada demais tentando encontrar um jeito de não sentir saudade, e depois de uns dois dias e meio, eu percebi que nenhuma música era tão boa quanto as que você me mostrou.
—  Os opostos se atraem, brigam e ficam de mal.
Começou tipo comédia romântica, mas depois passou de suspense pra um drama básico. E eu basicamente não sei como fazer pra terminar esse filme, ou acabar com essa história. Eu não sei.
—  Os opostos se atraem, brigam e ficam de mal.