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E depois de um tempo eu entendi que esquecer não significava ignorar uma chamada no telefone, nem evitar reencontros casuais. Eu descobri que quando você esquece, atende o telefone e sua voz não falha, que reencontros casuais não mais faziam as pernas tremerem. Eu descobri que o lado mais triste do amor, é não sentir mais nada.
—  But, I like you.
Eu gosto de você, gosto mesmo. Mas isso não significa nada. Não mesmo. Não significa que eu vá correr atrás feito desesperada, nem que eu vá deixar de viver porque você não dá a mínima. Sabe, ninguém morre de amor. Não deve ser tão difícil assim deixar pra lá, não pode ser. E além do mais, amanhã é outro dia, e depois de amanhã, lá vem mais outro… Olha que maravilha, eu ainda consigo pensar direito. No começo é sempre difícil, a gente chora de raiva porque é o que se tem pra fazer. Pode demorar, mas a gente sobrevive.
—  But, I like you.
Eu sei, as chances de você ser feliz comigo são mínimas. Mas vai parecer egoísta ou doentio se eu te pedir pra sermos infelizes juntos?
—  But, I like you.
É bonitinho quando ele finge que se importa comigo, é engraçado como eu finjo que acredito e ainda consigo ser feliz sabendo disso. Dois idiotas.
—  But, I like you.
Pra ser sincera eu tive medo, foi isso, medo. Eu… não queria estragar tudo, atropelar o tempo, falar besteira, eu sempre faço isso. Eu tive medo de estragar tudo, mas caramba, você faz isso bem melhor que eu.
—  But, I like you.
Queria que soubesse que tudo que eu escrevo é pra você. E quando não é, acaba sendo de qualquer jeito. Todas aquelas coisas que eu escondi. Tudo que eu deveria ter dito, mas omiti. Fingi, sei lá. Tudo que eu escrevo é pra você, ainda que você nunca tenha parado pra ler.
—  But, I like you.
Se te serve de consolo: Nada dura pra sempre. Nem adianta. Tanto as coisas boas, quanto as ruins, todas elas tem… Um certo prazo de validade. O lado ruim é que quando se está ansioso pro fim, o tempo se arrasta mais devagar. O lado bom é que não importa o quanto tenha chovido de manhã, existe sempre a possibilidade de estar fazendo sol na manhã seguinte.
—  But, I like you.
Pessoas não foram feitas para serem substituídas, por mais chatas, ultrapassadas e cheias de defeitos que elas sejam. Todo mundo dá defeito, até videogame dá defeito. A diferença é que depois de um certo tempo eles podem ser trocados por algum outro mais avançado. Ainda não vi uma loja que conserte pessoas. Seria ótimo. Mas não existe. Gente tem mania de querer ser importante, por mais inútil que seja. Tu não pode trocar as peças, é isso aí mesmo, e acabou. Pessoas tem fases também, algumas são mais fáceis, outras cansativas. O que te faz continuar jogando é o espírito esportivo, a paciência e a expectativa de ganhar alguma coisa no fim. Faz algum sentido? Resumindo… Videogames e pessoas só querem que você não desista.
—  But, I like you.
A gente esquece sim, mas demora um tempinho pra isso. Tudo bem, acontece. Nem sempre as expectativas são correspondidas, na verdade pessoas foram feitas para quebrar promessas. Por bem, por mal. Sem intenções ou só por diversão. Todo mundo, todo mundo mesmo já disse alguma coisa que não pôde cumprir. “Eu nunca mais vou ligar”, ou “nunca mais vou responder suas mensagens”. No fim de tudo a gente mesmo acaba se contradizendo, e quebrando as promessas que nós mesmos fazemos.
—  But, I like you.
Tu é engraçadinho… Do tipo que faz a gente planejar coisas, do tipo que faz a gente rir sozinha no meio da rua. E eu tô fugindo de problemas, então não vem atrás de mim.
—  Os opostos se atraem, brigam e ficam de mal.
Talvez a distância seja a resposta. Tudo indica que se o Titanic não tivesse se aproximado do iceberg, ele não teria afundado. Sei lá, tiveram outros motivos? Ele afundou de qualquer jeito. Era isso que eu tava tentando descobrir. Certos afastamentos são necessários… Ou melhor, certas aproximações nem deveriam ter acontecido.
—  But, I like you.
Saudade não traz ninguém de volta? Bom, talvez não seja esse o nome, mas eu acho que alguma coisa me trouxe de volta pra você todas as vezes que eu fui embora.
—  But, I like you.
— Alô?
Oi.
— Eu nem ia atender.
Eu nem ia ligar.
— O que você quer? Faz menos de 20 minutos que a gente se viu.
Eu sei. Você esqueceu seu cd, tá comigo. Vem buscar?
— Hoje não. Amanhã eu passo aí e pego.
Tá.
— Posso desligar?
Não.
— Você quer que eu diga alguma coisa?
Pode ficar quieto, não me importo.
(Ele ri do outro lado) — Quer que eu fique mudo?
Quero.
(silêncio)
Tô ouvindo você respirar, é bonitinho.
— Você me assusta.
Você me assusta.
— Eu?
É.
— Porque? Sou um monstro agora?
Quase isso.
— Vou desligar.
Não, fala comigo.
— Tô com sono, me deixa dormir.
Não posso te deixar dormir, você nunca me deixa dormir.
— Você gosta de mim.
Gosto.
— Sou irresistível.
E gostoso.
— Então você não me ama, o nome disso é tesão.
Pode ser, eu ainda não sei o nome.
— Como você não sabe nomear o que sente?
Vou chamá-lo de corda.
— Corda?
Tá me sufocando.
— É uma piada?
Não.
— Tô com mais sono ainda.
Porque você faz isso?
— Isso o que?
Me faz te querer tanto assim, não é normal.
— Eu roubei uma calcinha tua, e escrevi meu nome. Agora você vai me amar pelos próximos 70 anos.
Isso é o que? Macumba? — Ela dá gargalhadas.
— Aprendi na internet. E dá certo.
Se eu roubar uma cueca tua e escrever meu nome? Você vai me amar pelos próximos 70 anos?
— Não.
Não?
— Não.
Porque?
— Por que minha sentença já foi dada. Eu vou te amar pelos próximos 100 anos.
É quase uma prisão perpétua.
— Eu não ligo.
Mas eu ligo.
— Posso desligar agora? Fui romântico e tudo.
Agora pode.
— Posso?
Pode.
— Jura que você não vai vir com aquele papo de “desliga você primeiro”?
Não. Isso é ridículo, e só namorados fazem isso.
Quer namorar comigo?
—  Rayssa G, abstinenc-e.
Provavelmente você quer que eu diga alguma coisa que eu nunca vou dizer. A gente se agarra ao fiozinho de esperança que tem, mas ele sempre arrebenta, no final a gente sempre cai. Desculpa se te deixei cair… Desculpa se eu me segurei em você.
—  But, I like you.
Senti sua falta hoje. Que engraçado. Não omiti e não tentei pensar em outra coisa. Só não vou te contar por que não te interessa mais, a saudade é minha, quase não tem a ver com você. E o pouco que tem, faço questão de deixar pra lá. Não aceito devolução. Isso não é sobre nós dois, é sobre o que eu vou ter que esquecer… Sozinha.
—  But, I like you.
Ele foi embora. Ele sempre vai. Todas as outras vezes foram iguais. Eu sempre deixo a porta aberta porque eu sei que ele volta. Ele sempre volta. Mas não deveria, justo na hora que eu tava aprendendo a me virar sozinha, parece até de propósito. É tipo aprender a andar de bicicleta e ter que colocar as rodinhas depois. Ele sempre vai embora, e eu fico esperando que ele volte. Sempre espero, mas toda vez que ele vai, leva um pedação com ele, e quando ele volta, nunca me devolve nada. Um dia eu ainda vou acordar pela manhã e me perguntar: Cadê ele? Cadê eu?
—  But, I like you.