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Oops found some pictures of me in my Elemental Dreamer dress! I forgot to pack my tights and apparently my wig was misbehaving, but it’s nice to know this happened. :>

Photos taken by Neelie! (Posted with permission from the ever awesome Cai)

Vriska!John at the bottom and in the other shippy pictures is Cai!
Dark Squiddle!Rose to the left of and with Cai is Kathy!
I’m the Elemental Dreamer!Jade besides the God Tier Rose u vu
God Tier!Rose is Brooke!
Formal!Rose to the right of Cai is Hayley!
Lord English!Jake is Mortson!

If you see yourself in these pictures please let me know who you are so I can give you credits because you’re all so lovely >3<

The Road to El Dorado - Miguel Cosplayer

Hey guys! Recently I attended Another Anime Convention, and on Sunday I was cosplaying as Miguel from The Road to El Dorado with my Tulio. We ran around with a convention map and asked people if they knew how to get to El Dorado. If anyone has any pictures, both of us are dying to see them!

We appreciate the love we got so much, despite the fact there were a few off things. (beards didn’t work exactly right, shirt not being tucked in, not Altivo!)

Thank you for making my weekend wonderful, and me sure to message me if you have any pictures! (or if you know how to get to El Dorado!)

Capítulo Doze: Aquele Em que Harry e Gina Tem Que Se Esconder.

A calmaria do quarto me causava uma certa sonolência. O sol entrava através das cortinas brancas, o cheiro de sal e areia não era forte o suficiente pra enjoar e o marulho chegava de mansinho, acariciando o ouvido. 

- Último dia, parceiro! - Simas arrebentou a porta com o pé e esboçou seu maior sorriso, vestindo apenas uma bermuda de tecido fino e um largo sombreiro, carregando dezenas de utensílios infantis de praia - O sol está brilhando, hora de finalmente ir à praia!

Puxei o lençol pra cima com pressa, Simas não notou estava juntando do chão uma pequena pá de plástico que havia caído de suas mãos.

- Aãhn…Hoje não tô muito afim, Sims. Desculpe. Leve Luna com você.

- Ela já está lá embaixo - Ele respondeu empolgado - Vamos, cara, vai ser demais! Eu vou cavar um buraco tão fundo que vou chegar à China!

- Uau, boa sorte, Simas.

- Vou trazer comida Chinesa pro jantar.

- Que na China deve se chamar só comida.

Ele gargalhou alto, apoiando-se nos joelhos.

- Ai, você é demais, cara. Eu te amo.

Ah, eu mereço essas coisas.

- É isso aí, cave o maior buraco que puder, não pare até ouvir chinês do outro lado.

- Pode deixar.

Ele saiu batendo a porta, ainda soltando risadas frouxas, murmurando “comida chinesa”

Assim que ele fechou a porta, Gina saiu debaixo do lençol, atenta.

- Você acha que ele me viu?

- Não. Com certeza não - Eu a abracei e Gina sorriu - Simas não nota nada sozinho, memso que fosse um elefante rosa dividindo a cama comigo…O que graças a Deus, você não é.

Ela sorriu e me roubou um selinho.

- Bom dia, Harry Potter. 

Harry girou devagar e ficou por cima de mim, aprofundando o beijo com lentidão, eu agarrei-lhe os cabelos e ele riu dentro da minha boca.

- Bom dia, Ginny.

Geralmente eu não gosto muito de surpresas, mas não há surpresa maior ou melhor do que descobrir que você está perdidamente apaixonada seu melhor amigo e que ele sente o mesmo por você.

Ontem à noite, ainda parece surreal demais pra ser verdade, mas aconteceu.

Fiz o jantar pra todo mundo, entupi Luna e Simas com um prato tão pesado que eles dormiram praticamente na mesma hora da refeição. E eu me vi sozinha novamente com Harry.

Quando reuni coragem para perguntar algo que estava apertando meu coração de tal forma que ele parecia menor que um amendoim, nós dois já estávamos no andar de cima, no corredor dos quartos. Ele estava me, como ele mesmo chamou, “levando para a cama”, só que não da maneira que eu desejava.

Então eu lhe perguntei:

- Você disse lá na praia que descobriu que estava apaixonado por outra pessoa, Harry… - Eu girei nos calcanhares e fiquei de frente pra ele, pregada na porta do meu quarto. - Por quem? 

E até que eu tivesse coragem pra perguntar isso, minha cabeça formulou um milhão de respostas diferentes, eu me sentia apreensiva porque, se não fosse a resposta que eu queria, eu ia sofrer de forma tamanha que talvez eu não pudesse suportar a dor.

Mas, ele sorriu, segurou meu rosto com as duas mãos e respondeu, para minha completa e absoluta surpresa e felicidade:

- Pela minha melhor amiga.

Ele possuiu meus lábios de maneira febril e ao mesmo tempo, carinhosa. Ele estava ansioso eu estava desesperada. Agarrei sua camiseta fina e o empurrei pela porta da frente, que viria a ser seu quarto, só parei de empurrá-lo quando caímos os dois na cama.

- Você não quis dizer Hermione, não é? - Ainda consegui perguntar entre os beijos. 

Não quero desmerecer meus outros namorados, e não foram poucos, mas acho que nunca estive tão feliz e satisfeita em toda minha vida, talvez fosse porque a paixão que estou sentindo é nova em folha, ainda está aflorando em mim, talvez seja porque a casa de praia com suas goteiras e areia atulhada tem um inesperado romantismo ou talvez simplesmente porque Harry Potter simplesmente se superou em me surpreender.

Eu nunca havia pensado em Harry dessa maneira, porque enfim, éramos apenas amigos, seria bizarro pensar nele desta maneira, mas eu nunca poderia imaginar que ele fosse tão bom, tão firme e ao mesmo tempo, tão amável. Eu nunca havia ouvido tantos elogios sobre mim. Nem mesmo Mike que gostava de me comparar com uma porção de personagens famosas por sua beleza, nem mesmo ele, conseguiu me deixar mais embasbacada do que Harry conseguia.

Não queria dizer isso da maneira que vou dizer, mas Harry era muito mais gostoso do que eu imaginava. Seu beijo era surpreendentemente viciante, seu toque era mais do que enlouquecedor, era inexplicavelmente perfeito.

E havia um brilho em seu olhar esverdeado que se intensificava toda vez que ele dizia, gemia, vociferava meu nome. 

Perfeito. Fora perfeito. 

Eu só conseguia pensar: Eu dormi com Gina Weasley.

Eu mal conseguia acreditar, quanto mais pensar direito sobre isso. 

Gina parecia uma boneca feita de porcelana, pelo menos era branca feito uma, e ela tinha sardas espalhadas pelo corpo, beijei-lhe cada uma das sardinhas lindas que fui descobrindo, fiquei absolutamente hipnotizado pela visão que ela era, quase uma miragem de tão perfeita, quase me belisquei pra ter certeza de que não estava sonhando.

E, quando ela disse que também estava apaixonado pelo melhor amigo dela, não sei dizer, foi como se eu estivesse no céu. O monstro que ficava escondido nas minhas entranhas se espreguiçou todo e abanou o rabo, contente. 

E…Deus, não consigo pensar em muito mais, foi a noite que passei acordado mais inacreditavelmente incrível da minha vida. 

Fechei meus olhos bem apertados, Harry beijava minha barriga com carinho desmedido, eu apertava seus cabelos rebeldes entre os dedos, talvez estivesse usando força demais, mas ele não reclamava, torci os dedos dos pés, ansiosa, a textura dos lábios de Harry sobre minha pele me arrepiavam, me deixavam ansiosa por mais, sempre por mais.

Ele prosseguiu seu caminho, mas no sentido contrário ao que eu estava querendo, roçou seus lábios entre os meus seios e disse com a voz sussurrada:

- Não me leve a mal, Ginny, você fica linda com esse sutiã roxo… - Ele beijou de leve a renda da peça íntima - Mas, eu acho que você devia tirá-lo…

- Ah é, Potter? - Eu passei a ponta dos meus dedos por toda a extensão dos seus cabelos, Harry olhou em meus olhos, aquelas orbes verdes me vidrando.

- É, conheço algo que se encaixa muito melhor neles - Harry sorriu de lado, beijou meu pescoço e pousou a mão direita em meu seio, fazendo meu corpo faiscar.

Tomei a boca dele na minha e girei pra ficar por cima.

- Bom, já que Simas e Luna vão passar a manhã na praia… - Eu sorri enquanto tirava a peça diante dele - Acho que podemos aproveitar um pouco.

Joguei o sutiã longe e Harry arregalou os olhos, não por excitação e sim por horror.

- Hum…Algum problema?

- Eu lembrei do seu irmão.

Hein?

- Mas, que momento perfeito você escolheu pra se lembrar do meu irmão, não é? - Rebati me apoiando no peitoral dele, que subia e descia, Harry respirava em grandes sorvos.

- Ginny, ele vai me matar! 

- Não vai não - Ela me beijou novamente e eu a agarrei pela cintura com uma mão afundando a outra em meus cabelos - Mato ele primeiro.

- Você… - Eu tentei falar embora Gina não me deixasse muito espaço pra usar a boca para outra coisa que não fosse retribuir seu beijo - Se importaria de…Ginny, pára…Hum…Manter isso em segredo, por enquanto? - Ela se afastou um pouco, me encarando - Pelo menos até que eu consiga comprar passagens para o México.

Ela riu, ela ficava ainda mais linda rindo.

- Você acha mesmo que ele vai ficar muito bravo?

- O que você acha?

- Bem, ele já tinha parado com essa história de sentir ciúmes dos meus namorados…

- Mas ele teve um ataque ontem, lembra?

Se ele soubesse que foi ela quem cavalgou…Enfim, ele certamente vai me matar.

- Eu prometo pensar nisso depois, ok? - Gina voltou a atacar meu corpo com seus lábios e eu não conseguia nem lembrar mais do nome do irmão dela. Rudolph? Rupert?Robert? 

Há quanto tempo eu não acordava bem daquele jeito? Sentindo aquela paz, a sensação de plenitude e aquele cheiro incrivelmente sedutor que só Hermione tem depois de uma noite de amor perfeita?

Ela estava nos meus braços, as curvas do corpo delicado encaixavam-se com perfeição aos moldes grosseiros e enormes do meu. Ela com certeza havia sido feita pra mim.

A cabeça de Hermione descansava sobre meu peito e a respiração dela soprava contra minha pele. Eu precisei de um esforço monstruoso para conter o desejo que já crescia em mim, só de olhar para ela.

Precisei de toda minha força de vontade para acordá-la, não para amá-la de novo, como eu desejava, e sim para alertá-la de que a fantasia havia acabado, pelo menos por enquanto.

O dia havia clareado e por mais intensa e mágica que houvesse sido a noite, ainda tínhamos uma realidade para enfrentar. Ainda tínhamos vidas paralelas e pendências que precisavam ser solucionadas, antes que pudéssemos retomar de onde paramos.

Toquei o rosto dela, com a maior delicadeza minhas mãos grandes e estabanadas me permitiam. Retirei os fios de cabelo que marcavam o rosto e a respiração dela ficou mais profunda antes de olhar pra mim.

Ainda está pra nascer algo mais encantador do que Hermione Jane Granger, nua, apoiada ao meu corpo, com os cabelos espalhados pelo meu peito, com a luz dourada do sol a lhe coroar a cabeça. É uma visão que eu gostaria de ter para sempre.

Gostaria. Mas, poderia? 

Não existe nada, absolutamente nada mais lindo no mundo que o rosto de Ronald Weasley, recém acordado.

Os cabelos ruivos meios bagunçados, os olhos levemente inchados cobrindo parte daquele azul magnífico, um sorriso lento e preguiçoso se abrindo em seu rosto levemente barbado, fora o semblante de satisfação. Satisfação atribuída, total e completamente a mim.

Sorri de volta. Não havia como não retribuir. Estar com Rony, novamente, daquela maneira era… Era como se nada houvesse mudado entre nós. Parecia tão certo. Tão perfeito.

Rony acariciou meu rosto com a mão, beijei-lhe a ponta dos dedos e ele esboçou um sorri mínimo. Ergui a mão lentamente por seu peito, traçando um caminho lento até a bochecha, depois acariciei sua boca com a ponta dos dedos e ele tremeu.

Vi Rony fechar os olhos em resposta as minhas caricias por uns instantes, até sentir a mão dele sobre a minha, grande, quente.

- Olhos de Mel… Precisamos…

- …Conversar – Eu completei por ele quando o vi engolir as palavras.

Ele assentiu e foi minha vez de tremer, mas por motivos completamente diferentes.

Sim, a realidade estava prestes a desabar sob minha cabeça. 

- Mione… – Eu sentei na cama trazendo-a comigo e no momento em que o lençol deslizou, revelando parte do corpo nu, eu não pude continuar. Estagnei. Engoli seco e respirei o mais fundo que deu.

Hermione pareceu perceber meu estado e voltou a se cobrir com a manta, sentando-se ao meu lado. Aquela conversa seria muito mais difícil do que eu pensava. 

- Mione… – Eu recomecei, tentando encontrar as palavras certas. – Nós… Eu não me arrependo – Falei com rapidez, querendo deixar o ponto mais importante bem claro logo de cara, de uma vez por todas.

- Eu também não Ron – Ela segurou minhas mãos – Não me arrependo e nem retiro qualquer coisa que disse ontem.

Ela realmente sabe como inflar meu ego, mas isso não ajudava em nada minha baixa, nanica, anã resistência.

- Eu não me arrependo de nada, morena, mas isso não muda o fato de eu estar me sentido horrível.

Vi um lampejo de confusão nos olhos dela. Eu sei que não era o mais bonito a se dizer, mas eu tinha que ser sincero. Não havia como dizer isso de outra forma. 

Senti algo de amargo descer garganta abaixo. Não apenas por ver Rony sentir-se mal em trair Lilá. Mas por que eu me sentia da mesma forma.

O fato de nos amarmos, de ainda estarmos completamente loucos um pelo outro não absolvia o nosso erro. Ainda era um erro. Os fins nunca justificam os meios.

- Eu sei que é errado – Disse sentindo a garganta queimar – Sei que temos…Responsabilidades.

Eu realmente não queria fazer meu relacionamento com Viktor parecer algo tão frio quanto um acordo ou uma obrigação, mas eu não conseguia fazer soar de outra forma. As palavras se perdiam nos sentimentos.

Eu jamais conseguiria sentir por outro homem o que Rony me fazia sentir por ele.

- Nós… Temos que…Precisamos…Consertar as coisas… - Ele balbuciou visivelmente nervoso.

- Eu sei – Concordei com rapidez. Precisávamos por um fim nos relacionamentos paralelos, dentro de mim, era o Viktor que estava sobrando e eu esperava, eu estava realmente rezando que a Lilá ocupasse a mesma posição na cabeça do Rony. 

Meu coração deu um salto e eu não conseguia entender direito por quê. Ela sabia que precisávamos consertar as coisas, mas o que exatamente seria “consertar” pra ela?

Eu não podia continuar com a Lilá, eu não podia me casar com ela sentindo tudo isso por Hermione, principalmente por que eu jamais conseguiria, mesmo que quisesse, tirar Hermione Granger da minha cabeça, e da minha vida.

Não era justo com Lilá. Ela realmente merecia a verdade, ela merecia ser amada por inteiro, e não apenas a parte que eu conseguia oferecer.

Ok, eu precisava terminar com minha noiva, mas como fazer isso? Eu não podia simplesmente chegar pra Lilá e dizer: “Oi amor, transei com a Mione, vamos terminar por que eu a amo, mas que amo você”.

Eu sempre fui grosso, mas não tanto assim. Terminar um relacionamento sempre foi um problema pra mim.

Se bem que imaginar Hermione dando uma resposta desse tipo ao Vitinho, adoçava qualquer pensamento amargo que eu tivesse no momento. 

Segurei a mão dele com força. Eu não quis admitir nos primeiros momentos, mas eu estava ansiosa que Rony terminasse com Lilá. Estava ansiosa que ele voltasse para mim. Claro que eu já estava mais que decidida a terminar com Victor e voltar correndo para os braços dele. Porque era o lugar a que eu pertencia.

E o que havia mudado minha decisão não foi apenas o fato de eu me dar conta de que não importa o que ele fizesse Ronald não sairia do meu coração. Fora também o fato de estar do outro lado.

Não me julgue mal, mas houve algo doce em ser a outra. Era como uma vingança, um troco. Estávamos em posições contrárias agora, e mesmo que ela nunca soubesse o que houve entre nós, eu saberia. Era como se eu tivesse a alma lavada. É imaturo, eu sei. Mas, eu estava me dando o direito de ser um pouco imatura.

- Como ficamos? – Eu perguntei devagar, sondando uma área ainda perigosa. Ainda não tinha certeza do quão disposto Rony estava a largar Lilá. Ele tinha o péssimo hábito de pôr a gratidão acima dos demais sentimentos. De quase todos os sentimentos.

Ele suspirou alto, o que era um sinal claro de incerteza. Meu coração apertou.

Não que eu não compreendesse as razões que ele tinha para ficar confuso, afinal, gostando eu ou não, em matéria de lutar pelo que queria, Lilá se sobressaía a mim e eu sei o quanto minha fraqueza magoou o Rony. Além disso, eles estavam se relacionando já há algum tempo, tempo o suficiente pra criar algum tipo de laço. Não era só sexo e eu sabia disso. Mas, o fato de eu entender não significa que eu aceitava muito bem.

E se ele precisava de incentivo pra se decidir, eu lhe daria os melhores. 

Hermione engatinhou na cama até deixar o rosto a centímetros do meu, tão perto, tão perto que eu podia sentir o calor da pele dela.

O cheiro dela me impregnou como feitiçaria. Era até pecaminoso que alguém pudesse possuir tanto poder sobre outra pessoa.

- Não podemos continuar assim…Não é certo…

Ela beijou o canto da minha boca, a ponta da língua dela roçou minha pele e eu senti todos os meus nervos despertarem.

- Nós vamos, Ruivinho? Vamos fazer o certo? - Ela me questionou e em seguida me beijou.

A boca de Hermione colou na minha, as unhas se prenderam na minha nuca, a língua invasiva tomou posse dos recantos da minha boca e de todo o resto do corpo. Minhas articulações enrijeceram e meu cérebro começou a funcionar como se estivesse sendo monitorado por controle remoto.

E o controle era ela.

Agarrei a cintura fina e a puxei contra mim, sem delicadeza. Puxei-a de uma vez e ela ficou de joelhos entre minhas pernas. A manta deslizou novamente pelo corpo dela e desta vez ficou esquecida lá.

Minhas mãos passearam sob a pele das costas nuas e eu senti todo o corpo tremendo em antecipação. 

Você pode dizer que eu estava jogando sujo, eu não me importo. Na minha concepção eu estava apenas lutando por ele, pelo que era meu por direito.

Senti as mãos dele vagueando por minha pele, despertando meus nervos, a boca assumindo um controle que era meu, possuindo o comando do meu corpo.

Passei as pernas ao redor da cintura dele e aprofundei o beijo. Rony me suspendeu sem dificuldade e ajeitou o corpo. Agora, a posição era no mínimo… Tentadora.

Apertei mais as mãos nos cabelos dele e ele fez o mesmo, fazendo uma centelha elétrica atravessar minha coluna.

Os beijos ganharam proporção mais intensa e as coisas estavam começando a sair do controle. Não era minha intenção inicial, mas estava quase impossível parar.

Fechei mais as pernas ao redor da cintura dele e quase sucumbi ao desejo por senti-lo tão excitado. Aquele poder que eu experimentava ao manipular a libido do Rony me fazia mudar completamente. Nascia em mim uma Hermione que nem eu mesma conhecia.

Rony atacou meu pescoço e as mãos dele correram para os meus seios expostos. Eu gemi mais alto. As coisas estavam saindo do controle rápido demais. E eu gostava de estar no controle.

Ele pressionou a ereção contra mim e eu gemi de novo. Era hora de parar. Se eu não parasse agora, eu não pararia nunca mais.

- Ron…Chega…- Eu disse com a respiração entrecortada pelos beijos que ele distribuía pelo meu pescoço – Não podemos Rony…Não podemos…

Encontrei forças - não sei de onde - mas encontrei, consegui afastar as mãos deliciosas dele do meu busto e parei seus beijos, afastando, em partes, a tentação.

- Não podemos continuar… Não nessas condições. 

Eu odeio quando ela está certa. De verdade.

Mas, ela tinha razão. Não podíamos continuar nestas condições. As coisas apenas se agravariam.

Ontem estávamos sob os efeitos do desejo insano, mas agora, já havíamos conversado e concordado que estávamos errados. Precisávamos manter o mínimo de dignidade.

Mas pelo amor de Deus, eu não conseguia manter minhas mãos longe dela.

Respirei fundo, tentando aceitar o fato de que eu teria que me acalmar, controlar, me manter…Longe dela. Pelo menos por um tempo. Já era hora de resolver aquela situação.

Eu a abracei para evitar atacar sua boca de novo, a apertei contra meus braços e ela se moldou a mim. O cheiro dela era insuportavelmente excitante. Que inferno, eu realmente amava essa mulher, não podia mais fugir disso.

- Eu sei…Eu sei… Precisamos…Eu não posso mais ficar longe de você.

Ela me apertou mais, evidentemente satisfeita com o que ouviu.

- Também não posso mais. Não consigo mais – Mione sussurrou no meu ouvido quase arruinando o pouco de sanidade que eu havia reunido em mim.

Segurei o rosto dela entre minhas mãos com um desespero contido e a beijei levemente nos lábios, algumas repetidas vezes.

- Eu vou… Vou terminar com a Lilá…Eu vou contar pra ela.

Não havia o que fazer. Não havia outra coisa a decidir. Não havia outra coisa que eu quisesse mais.

- Ron… - Ela murmurou, evidentemente Mione também tentava se controlar.

Eu a beijei de novo. Não havia mais o que dizer.

- Vou resolver isso Mione… E rápido. Prometo. 

Meu coração se inundou. De amor, de esperança, de ansiedade, de expectativa, de alegria. Era tanta coisa junto que de repente fiquei assustada.

Além de tudo, eu sabia que Rony esperava que eu fizesse o mesmo. Não que eu pensasse em manter uma farsa com o Victor, claro que não. Mas ele queria ouvir também. Ou pelo menos era o que os olhos ansiosos dele me diziam naquele momento.

- Vamos resolver, ok? Vamos resolver isso rápido.

Ele apertou os braços ao meu redor.

Era hora dele me deixar. Pelo menos por um momento. Nossa fantasia havia acabado.

Não acabado realmente. Ela havia pausado, havíamos apenas interrompido-a temporariamente esperando que nossos problemas fossem solucionados. E somente assim, eu poderia desfrutar de todas aquelas sensações juntas, sem medo, sem remorso.

E somente assim, eu poderia amá-lo sem as sombras do passado interpondo-se entre nós. 

Então, depois de ter ouvido o que eu mais queria levantei da cama e comecei a vasculhar as roupas havíamos espalhado pelo quarto na noite anterior, Rony cobriu-se com o travesseiro, seguindo meus movimentos com um olhar de dar pena. Pelo menos, em pessoas normais, em mim causava…Outros tipos de sentimentos.

- Ron, pára! Não consigo me vestir com você me olhando assim.

- Desculpe - Ele murmurou baixinho, apertando o travesseiro contra o corpo - Eu…Preciso de um banho frio e de uma camiseta limpa.

- Uma camiseta limpa? - Perguntei indicando a camisa de botões e minha mão.

- É, você vai ficar com esta - Ele empurrou a camisa pra mim - Lilá vai sentir seu perfume nela de longe. 

Sorri de canto vestindo a camisa dele. Rony engoliu seco.

- Fica melhor em você.

Rony me olhou de um jeito que deixou bem claro que não fossem os problemas que temos que resolver ele arrancaria aquela camisa de mim agora mesmo e eu não teria forças o suficiente pra fugir dele.

- Você precisa de um banho frio - Eu disse passando o resto de suas roupas, Rony as pegou sem tirar os olhos de mim. 

- Mione…

- Ron, por favor.

- Tá bem. Tá bem - Ele fechou os olhos bem apertados e levantou ainda com o travesseiro cobrindo-o parcialmente - Vou tomar banho. 

Usei o tempo em que Rony estava no banheiro pra arrumar o quarto e a casa, nunca ficaria perfeito, como Gina gostaria que ficasse, mas pelo menos já não haviam mais marcas do que acontecera noite passada.

Rony saiu do banho como um dejávù maldoso, seus cabelos estavam molhados e a água escorria pelo seu rosto, sem falar que ele estava sem camisa…Ele tinha que sair do apartamento o mais rápido possível.

- Encontrou algo que caiba em mim?

- Numa casa onde vivem duas garotas - Eu lhe respondi - Meio difícil.

- Não posso ir pra casa sem camisa! 

- Ah, tem uma…Bem velha…

- A que você usa pra dormir?

- Bem, ela é sua.

- Vai ficar apertada…

- Ronald, é uma camiseta e cabe em você - Eu queria de verdade que ele fosse embora logo, era mais seguro.

Passei a camiseta branca que dizia “Frankie Says: Relax” em letras pretas, Rony a olhou com desgosto e a vestiu, ficou realmente apertada, mas eu não diria que ficou feio.

- Eu te encontro amanhã?

Eu o guiei até a sala.

- Se tudo estiver acertado… - Respondi. 

Existe um lado muito bom de namorar escondido.

Toda aquela ansiedade, aquela adrenalina de ser pêgo com a mão na massa, pêgo em flagrante.

Mas, existe um lado ruim. Muito ruim.

Tipo quando seu amigo fica o tempo inteiro te seguindo e enchendo o seu saco, falando uma infinidades de besteiras enquanto a única coisa que você consegue pensar é no tempo que está perdendo, tempo que podia estar usando com a namorada.

E tudo fica bem pior quando você pensa que esse amigo é Simas Finnigan, então multiplique a infinidade de besteira por um milhão.

Estávamos voltando da praia, eu estava dirigindo, Sims ao meu lado e as meninas no banco de trás, ele não parava de falar, nem mesmo por um minuto, sobre a espetacular ruiva que foi ver o buraco que ele estava cavando na areia enquanto eu fingia dirigir atentamente quando na verdade estava encarando a minha ruiva espetacular pelo retrovisor central do carro.

- Ah, estou entediado - Simas exclamou, depois de ficar calado por um minuto inteiro. Um minuto de paraíso.

- Vamos cantar pra passar o tempo - Luna aconselhou - Eu já sei que música!

- Acho que eu também sei!

- Gato fedido, Gato fedido ♪ 

Tomei um novo banho quando cheguei em casa, pra ter certeza de que o perfume de Hermione não ia mesmo vir a tona durante minha conversa com Lilá.

Por mais que eu estivesse ansioso para terminar o relacionamento com ela, não significava que eu queria magoá-la, Lilá fez tudo por mim, doou-se inteira por mim, suportou meus problemas, principalmente quando eu sentia falta de Hermione, ela esteve lá comigo o tempo inteiro. Lutou pelo meu amor e teria conseguido de maneira justa não fosse minha total incapacidade de resistir à tentação.

Em resumo, eu queria ficar numa boa com ela. Sem brigas, sem discussões. Não queria fazer uma inimiga.

Vesti-me e dirigi em direção à mansão Brown, passei em frente à casa dos Granger, podia imaginar o tamanho do sorriso da Charlie quando Hermione e eu contássemos a ela que estávamos juntos outra vez.

Rodeei a fonte gigantesca da entrada e estacionei em frente ao casarão. Respirei fundo várias vezes antes de entrar, eu não precisava me anunciar ou bater, eu já tinha permissão total, afinal, o casamento seria em poucos dias… 

- Lilá? - Chamei enquanto avançava pelos cômodos.

Estava tudo escuro e meio silencioso, o que era esquisito, Lilá e eu estávamos combinados, ela já devia estar me esperando e quando isso acontece sempre tem música e baixa iluminação, tudo muito bem afrodisíaco, tudo muito bem direcionado. Lilá era do tipo que sabia o que queria e não fazia rodeios pra demonstrar.

Então, o vazio da casa me surpreendeu.

- Lilá?

Só quando cheguei ao nosso quarto foi que ouvi algo estranho. É, nosso quarto. Eu tinha uma boa quantidade de roupa no armário dela e uma gaveta inteira de coisas minhas em sua cômoda.

O som atípico que ouvi foi um gemido baixo, lamurioso, doído. Seguido de um choro compulsivo.

- Lazinha?

Ela estava chorando, muito. Muito mesmo. 

Lilá não me respondeu, pelo menos não na minha língua, ela estava deitada na cama, em posição fetal, chorando sem parar, podia ver seu rosto vermelho mesmo sem luz nenhuma em volta e com a cortina de cabelo loiro que ela deixou cobrindo os olhos.

Olha, eu sei que sou insensível e tudo o mais, eu sou mesmo, mas não consigo dizer que meu coração não ficou do tamanho de uma bola de tênis vendo essa cena.

- O que houve, loirinha? - Sentei na beirada da cama e Lilá escondeu o rosto no travesseiro, murmurando palavras desconexas - Lilá, respire fundo e fale comigo. Fala comigo, loira…

Ela o fez, tirei o cabelo do rosto dela, seu rosto estava inchado e tão vermelho que parecia prestes a explodir.

- Ronnie…Meu pai, meu pai…

Ah, credo.

Eu a puxei pela cintura e Lilá se pendurou em meu pescoço, chorando em meu peitoral, seus gemidos ficando cada vez mais inaudíveis. 

- Meu pai…Ron - Ela fungou alto - Ataque cardíaco…Fulminante… 

Minha primeira reação foi…Choque. Só isso. Não consegui pensar em nada, ou sentir nada. Só um grande…Vazio.

Eu nem gostava muito do velho e ele também nunca caiu muito de amores por mim.

Lilá continuou sentia-se a vontade o suficiente pra desabafar agora, mas eu não consegui ouvir direito, eu ouvia algumas partes enquanto ela se agarrava a mim, trêmula, balbuciante.

- No meio da reunião…Não sei o que fazer…Eu só tenho você agora, Ron.

E o fim foi como um chute no estômago, pra não dizer outro lugar. “Eu só tenho você agora”. Como é que eu poderia terminar um relacionamento assim? Deixá-la desse jeito, nem eu era tão insensível assim.

- Vai…Vai ficar tudo bem, amor… - Eu tentei tranquilizá-la, abraçando-a, eu a sentei em meu colo e me apoei na parede com ela em meus braços.

A separação teria que esperar. Não tinha outro jeito, eu não destruiria Lilá desse jeito. Eu não conseguiria. 

- M-Mas…Her-mion-ne, eu non entendo…

- Desculpe, Vic, quando estou nervosa falo rápido e alto demais, está dificil de acompanhar o sotaque?

- Non, eu entendi o que focê dice, eu só não entendi porquê focê dice.

- Victor, não consigo explicar melhor…Eu não consigo mais sair com você, não seria justo com você…

- Mas…

- Vic, não está mais funcionando. Você é incrível…Mas…

Victor e eu estávamos no Três Vassouras, eu estava tentando explicar pra ele porque nosso relacionamento não ia durar muita coisa. E era muito dificil dizer isso sem dizer a verdade.

A verdade seria ruim demais para ser dita, seria melhor deixar subentendido.

- Non so incrível o bastante para foce? É isso? - Ele perguntou de repente, parecendo nervoso.

Eu me encolhi em minha cadeira, abraçando minha xícara de café.

- Não é bem assim, Vic…Eu só…Não quero, não posso mais, ok? 

Victor levantou de supetão, eu nunca tinha percebido quão grande ele era. Pelo menos, não até agora.

- Non acredito que ésta terminando comigo, você não pode fazer isso!

- Ah, é? Bem, eu acho que ela já fez isso, amigo - Simas levantou do sofá, eu tive medo, desde o início de que Victor ficasse agressivo, não porque ele demonstrasse, mas porque fora Ron, eu nunca terminara um namoro, eu não sabia o que podia esperar.

Então chamei o Simas para ficar por lá, comendo um bolinho enquanto Victor e eu conversávamos.

Simas não era tão alto quando Victor, mas sabia se impor e Victor só estava tenso, não ia fazer nada, não de verdade.

Ele bufou, fungou e mexeu seus ombros enormes. 

- Desculpe, Vic…

Ele fez outro movimento com os ombros.

- Se é o que foce quer… - Simas ocupou o lugar dele em minha mesa - Non posso faze nada, posso?

- Eu diria que não, meu chapa - Simas respondeu por mim, bebendo do café que Victor pedira.

Victor ainda me olhou longamente antes de pegar o casaco e sair pisando forte da cafeteria. 

Demorou alguns minutos até que a apreensão do momento passasse, enlacei minha mão com a de Simas.

- Obrigada por ter vindo, querido.

- Ah, de nada - Ele sorriu gentilmente - Ninguém se mete com as minhas amigas.

- Simas, você é um doce.

- Além do mais, você me pagou um bolinho. Era o mínimo que eu podia fazer.

Olhei em volta, senti-me um pouco o centro das atenções, minha discussão não passara despercebida dos clientes e de Neville que estava me olhando sem piscar a quase quinze minutos, ele podia estar juntando coragem pra vir me chamar pra sair, achei melhor não lhe dar muito mais tempo.

- As pessoas estão me olhando demais aqui - Eu disse a ele - Quer subir.

- Vambora. 

Eu amparei Lilá nos braços e tirei-lhe o cabelo do rosto, eu nunca a tinha visto com uma expressão tão sofrida, tentei acalmá-la, dizer que eu estava ali para ela naquele momento, engasguei na hora de dizer que estaria para sempre ao lado dela, mas acho que ela pensou que fosse a emoção tomando conta de mim.

Beijei-lhe delicadamente os lábios salgados, ela me abraçou e apoiou a cabeça no meu ombro, frágil, pequenina, como uma boneca de vidro. Eu a deitei melhor, bem no meio da cama e a cobri com a manta.

- Você precisa descansar, amor.

Lilá encolheu-se instantaneamente. 

- Não consigo, Ron. Essa casa…É grande demais…Fria demais, ele está…Por toda parte…

E antes que eu pudesse dizer alguma coisa, Lilá voltou a chorar e suas palavras perderam-se em gemidos e lágrimas.

Logo, eu tive que deixar Hermione de lado, pelo menos por enquanto, eu a amava, verdade. Mas, eu não podia abandonar Lilá agora, quando ela mais precisava de mim. Eu não seria capaz disso, de ser tão egoísta. Ela entenderia, Mione entenderia. Quando soubesse de tudo, eu tenho certeza de que vai compreender.

Abri o lado esquerdo do guarda-roupa, tirei uma bolsa de viagem que deixara ali há algumas semanas atrás e joguei ali dentro a maior quantidade de pertences de Lilá que consegui encontrar, passei a alça da bolsa pelo ombro, me ajoelhei na cama e a puxei para os meus braços.

- Ron…Quê isso? Que está fazendo? Onde…?

- Você vai pra minha casa. 

Estávamos no corredor, Simas e eu, quando encontramos com Luna descendo as escadas.

- Eu pedi pizza - Ela nos disse - Mandei entregar no apartamento de vocês.

- Genial! - Simas exclamou - Eu te amo, Luna.

- Eu sei - Ela sorriu cheia de si.

Então continuamos caminhando pelo corredor e Simas foi logo na frente, abrindo a porta do apê.

Quando entramos, ouvimos um baque enorme, como alguém caindo no chão, Gina levantou do sofá, cuspindo cabelo da boca e arrumando as roupas.

- Que foi que aconteceu?

Harry também apareceu por trás do sofá, endireitando os óculos, arrumando a camiseta no corpo.

- Gente, que foi que houve?

- Estávamos… - Harry balbuciou com as mãos nos quadris - Hum, brigando pelo controle…

- Da televisão - Gina completou. 

- A televisão está desligada… - Comentei. Havia algo de muito, muito estranho nesses dois.

- Exatamente! - Gina exclamou de repente - E vai continuar assim, Potter! Se quer ver jogo, vá para o seu apartamento!

- Tá bom, eu desisto - Harry deu de ombros, voltou a arrumar a roupa meio sem jeito - Eu, hum…Eu ainda posso usar o banheiro ou também tenho que ir para o meu apartamento?

- Aproveite que estou de bom humor hoje - Gina rebateu.

Harry saiu correndo até o banheiro, o motivo eu realmente não sei.

- De qualquer forma - Simas já estava sentado na cozinha, tomando cerveja - Luna pediu pizza.

- E, eu sei, eu sei - Luna interrompeu - Vocês me amam.

Gina sorriu e eu me aproximei dela o mais rápido que consegui.

- Ginny, terminei com o Victor.

Ela arregalou os olhos e disse:

- Vamos para a varanda, quero saber de tudo. 

- Ele levou numa boa?

- Bem, mais ou menos… 

- Me conta!

- Bem, ele ficou meio nervoso no fim, mas eu levei Simas comigo e ele me protegeu…

- Mas, você acha que ele tentaria algo?

- Provavelmente não, Victor é só tamanho, ele é muito sensível por dentro…

- E porque você terminou com ele, Mione? Nem chegamos a conversar sobre isso…

- Eu…Ahn… - Senti minhas bochechas queimarem, Gina franzio o cenho, estava começando a entender o que eu ainda não tinha dito.

- Ginny, pode vir aqui? - Harry enfiou a cabeça na pequena janela que dava para a varanda - Aparentemente Luna mandou o entregador deixar a pizza aqui porque não tinha dinheiro pra pagar…

Gina rolou os olhos pra mim, murmurou que voltava logo e deixou-me por alguns minutos.

Tempo o suficiente pra me deixar sem chão. 

Caso você não se lembre, Rony mora no prédio ao lado, a janela de sua casa fica de frente para a janela da nossa e a distância de um para o outro, não era realmente muito grande.

Fiquei esperando Gina voltar, apoiada ao parapeito da varanda e através da janela, vi Rony entrando em seu apartamento, com uma bolsa de viagem, abraçado com Lilá.

Algo meio inesperado pra quem fora até a casa dela terminar o noivado, não acha?

Ele deixou a mala no sofá e a abraçou melhor, beijou a testa dela e acariciou seu rosto, eu consegui ver Lilá sorrindo e dar um selinho nele.

Decididamente algo muito inesperado em alguém que acabara de levar um fora, certo?

Eles sumiram do meu campo de visão e eu fiquei ali, pregada na pedra, indecisa entre chorar e gritar de ódio, entre matá-lo ou me jogar da varanda e quebrar alguns ossos, não era realmente tão alto…

Fiquei ali, sem saber o que fazer.

Mas eu sabia muito bem, o que faria com ele. 

Eu a levei para o meu quarto e a deitei em minha cama.

Lilá ficou encarando o teto, sem ação. Deitei ao seu lado, eu não ia tocá-la, eu não queria, nem poderia, nem deveria. Tampouco Lilá se aproximou de mim, imaginei que sexo fosse a última coisa que passaria pela cabeça dela agora, então apenas virou pra mim, me olhando nos olhos.

- Eu estou sozinha agora, Ron - Ela fungou - Eu nunca me senti tão sozinha.

Desviei o olhar do dela, eu não tinha coragem de encará-la, mas a puxei pela cintura e a aninhei comigo, eu só queria que ela descansasse, que voltasse a sentir um pouco de paz.

Eu não fazia idéia do que ia fazer agora ou de como o faria, mas no momento, confortá-la era muito mais importante que isso.

- Eu estou com você, Loirinha, estou sempre com você.

Lilá fungou alto e não disse nada.

Eu me entenderia com Hermione amanhã, eu explicaria e ela teria que entender a situação. 

Lilá dormiu bem rápido aquela noite, o cansaço a derrubou logo depois que eu a abracei. Esperei alguns minutos, até que sua respiração se tornasse mais lenta e preguiçosa, usei o famoso método do abraço e do giro, aquele que você a abraça e a vira na cama, de volta para o lado dela e depois rola de volta para o seu lado, peguei o celular no criado-mudo e liguei para Hermione.

Chamou três vezes e caiu na caixa-postal. Desliguei e disquei para o telefone fixo.

Gina atendeu.

- Que é que você quer?

- Ahn…Ginny, sou eu…

- Eu sei que é você, eu vi o número. A questão é, que é que você quer?

Ela estava…Arfando? Sem ar?

- Você tá bem?

- Estou malhando.

- Há essa hora?

- Algum problema com isso, Rony?

- Não, não…Cada louco com a sua manina…Ouça, cadê a Hermione?

- Está no quarto dela.

- Será que eu posso…Conversar com ela, rapidinho?

- Não sei, Ron. Ela terminou com o Victor, parecia bem ainda agora, mas depois entrou no quarto e não quer sair de lá, acho que está meio abalada ainda… Nem pizza ela comeu…

- Ela terminou com o Victor?! 

Droga, estou ferrado. Ela vai me matar.

- Terminou. Você não teria nada a ver com isso, teria Ron?

- Não, Ginny. Claro que não. 

- Acho bom mesmo. Ela tinha uma boa chance com Victor, ele era bom pra ela.

- Hum…Guardaram pizza pra mim?

- Impossível, Simas estava aqui.

- Ah…Então diga a Mione que amanhã eu vou aí depois do trabalho, preciso conversar com ela.

- Vou tentar falar com ela, mas você sabe como ela é quando está chorando…

Senti algo estranho na garganta e no estômago, ela estaria mesmo triste por terminar com Victor, mesmo depois…De nós dois?

- Ok, obrigado maninha.

- Tá tá - Ela desligou com certa impaciência. Talvez aqueles dias estejam se aproximando para ela… 

Como eu havia prometido, passei no apartamento de Gina e Hermione depois do trabalho.

Quando cheguei encontrei as duas em casa, além de Harry, todos sentados no sofá.

- ‘Noite, Ruivo.

- Oi… - Eu estava nervoso demais pra conversar trivialidades - Será que posso conversar com a Mione à sós, por favor?

Ela estava impassível, não consegui ler suas emoções ou adivinhar o que estava se passando em sua cabeça.

- Porque? - Gina indagou curiosa.

- Obviamente não nos interessa, Ginevra - Harry levantou prontamente - Vamos deixar os dois sozinhos, a gente fica lá no meu apê…

- Mas, Simas não está lá?

- Não, ele vai trabalhar até tarde no restaurante….

- Ah, então vamos!

Não entendi porque a presença de Simas atrapalharia os dois, mas de qualquer jeito, eu tinha coisas mais importantes com que me importar.

Harry e Gina saíram mais rápido que eu esperava, pareciam até animados, quem sabe Hermione havia contado que havíamos voltado, ou tentado voltar…Céus, como eu queria voltar com ela…

- Hum…Oi, Mione.

Ela me lançou um olhar duro, intenso, meio inflamado. Eu conhecia muito bem esse olhar.

- Que foi que eu fiz?

- Vi a que deveria ser sua ex-noiva entrando abraçada com você no seu apartamento ontem.

Eita.

- Como você viu isso?

- Pela janela, Ronald.

Eita, ferrou.

- Hermione, eu posso explicar… 

- Você acha que pode me explicar isto Ronald? Você acha que isto tem explicação?

Eu estava furiosa, acho que nunca estive tão furiosa antes. Sentia-me traída, roubada, saqueada.

- Talvez se você me ouvir…

- Ouvir você? O que você poderia me dizer para que eu me sentisse menos usada.

- Eu não usei você. 

Ele rebateu no segundo seguinte. 

-Não? Então o que significa isso tudo? Até onde eu me lembro você disse que ia terminar com a Lilá.

- Mas eu ia…

Eu o interrompi mais uma vez. Minha raiva se acumulava em meu estomago, provocando uma dor semelhante a gastrite. Sabe aquela gastrite de cunho emocional? Que abre um buraco no seu estomago dando a sensação de que ele está vazio? Falar alto fazia com que eu mascarasse essa dor por alguns segundos.

- Você ia? Quando? Antes ou depois de transar com ela no seu quarto?

Hermione estava gritando e eu dei graças a deus por não haver ninguém por perto. Já era desconcertante demais a situação como um todo.

Às vezes eu acho que nasci com um alvo no meio da testa sabe? E deve ter escrito no centro dele, acerte-me. Por que eu definitivamente era um imã para problemas. Como explicar a Hermione que eu não podia terminar com a Lilá agora?

- Hermione…

- Sabe qual foi minha primeira atitude depois que você saiu de lá? Sabe? Eu terminei com o Victor, eu cumpri minha palavra.

Senti meu peito vibrar. Então finalmente ela tinha deixado o fanhoso. Ou era doente ou um cretino. Lá estava eu comemorando em silencio o fato de Hermione ter dado um pé na bunda do ogro estrangeiro, sabendo que ia ter que dizer a ela que não podia romper com a Lilá.

- Eu sai da sua casa com o mesmo propósito.

Tentei iniciar minha defesa, mas Hermione estava possessa.

- Com certeza saiu, mas ao que me consta seus propósitos morreram na cama da Lilá.

- Você quer fazer o favor de me ouvir Hermione?

- Não! Eu não quero fazer favores a você, eu não quero fazer nada pra você. Estou cansada de viver minha vida em sua função, enquanto tudo o que recebo é traição. Sempre que viro as costas você me apunhala. 

Eu explodi. Deixei a raiva possuir meus sentidos. Eu estava frustrada e definitivamente fervendo de ódio.

- Calma ai. Você está exagerando Hermione.

- Exagerando uma virgula! Eu deixei Cormack por você – apontei para ele como se aponta para um condenado e vi a face de Rony se contorcer. – Ele era louco por mim, beijava meu chão e eu disse não, POR VOCÊ. E o que você fez Rony? O que você fez? Você me traiu com a Lilá.

Rony estava vermelho.Era algo típico Weasley se transformar de acordo com o estado de espírito. Vi Gina diversas vezes nesse momento mutante. Primeiro os olhos se arregalam, as narinas abrem e a testa franze dando um ar severo aos olhos. Os dentes trinca, e dá pra ver isso através do maxilar.

- Como é que é?

Ele rugiu. Se eu não estivesse realmente fula da vida, talvez até sentisse medo.

Aquilo doeu. Como assim, ela passa Cormack McLaggen na minha cara? Isso não é justo.

- É isso mesmo – Ouvi ela gritar ainda me apontando, e se daquele dedo pudesse sair uma única bala que fosse, esta viria direto para o alvo na minha testa. – E agora a história se repete não é? Vejamos… O que eu fiz? Cometi a insanidade de dispensar o Vic, Por sua causa de novo. Isso deve ser doença.

Ela ria descontroladamente enquanto falava, a voz saía irregular, junto com a respiração e os olhos dela crispavam fogo. Eu não estava muito melhor, meu peito ardia. Hermione estava sendo injusta comigo, mais que injusta, cruel.

- Eu acabei com uma relação estável, segura, uma relação de futuro, com um homem que me amava de verdade por você. E você me traiu de novo. Pior, muito pior…Me traiu de novo com a mesma mulher!

- Está arrependida Hermione? – perguntei quase no mesmo estado de fúria que ela.

- ESTOU! – ela cuspiu de volta.

- VOLTE PRA ELE ENTÂO!

- EU NÃO SOU VOCÊ – devolvi aos gritos – Não pulo de cama em cama como melhor me convém. Não vou fazer isso com Victor, ao contrário de você, ele é bom, não merece isso.

Eu sabia que provavelmente estava acabando com os nervos do Rony. Ciumento como ele era, a morte poderia ser traduzida pra ele sob a forma de comparação. Sempre foi assim. Rony sempre se comparou com todo mundo. Os irmãos principalmente. Aquele complexo de inferioridade que ele tinha na adolescência era algo que realmente me irritava e agora, eu estava me valendo dele para atacá-lo onde mais doía.

- Eu não trai você. – eu apontei pra ela também, precisava me defender. – A traída aqui é a Lilá. As coisas não são bem assim como você está dizendo.

- Oh coitadinha da Lilá. Estou morrendo de pena dela.

- Hermione escute. Eu sai da sua casa decidido a terminar com a Lilá, eu fui na casa dela fazer isso, mas quando eu cheguei lá, eu não pude…Não pude por que…

Eu o cortei de novo. Esta era uma das minhas manias mais irritantes.

- Por que ela tirou a roupa pra você?

- Por que o pai dela morreu!

Soltei assim mesmo, não havia outro jeito de fazer isso com Hermione gritando injurias o tempo inteiro.

Eu a vi estagnar, seu rosto ficou lívido. Dava para ver cada emoção que se apropriava dela no momento.

- Como…Como é?

- É isso mesmo… Eu cheguei lá e… Ela estava…aos prantos…

Nosso tom de voz havia diminuído agora. Estávamos ambos constrangidos.

- O pai dela tinha acabado de falecer…Ela está destruída Hermione. O que queria que eu fizesse? Abandonasse no momento em que ela mais precisa de mim?

Hermione exalou o ar com força e me deu as costas. Ela estava pensando ou tentando controlar as lágrimas. Talvez ambas as coisas.

- Ela precisava de mim Mione… eu não podia abandoná-la.

Senti meu peito queimar. 

Não saberia explicar o que era aquele sentimento. Em outras condições eu certamente me penalizaria da Lilá, e até estava penalizada, mas… Não o suficiente para aceitar perder Rony. De novo.

Talvez eu realmente seja egoísta, insensível, não importa que adjetivo me caracterize. Eu sentia muito pela perda dela, mas não via isso como motivo para Rony me renunciar.

- Sinto muito.

Duas palavras. Secas, desprovidas de emoção.

- É uma situação complicada Hermione…exige cautela…

- Em outras palavras você não vai deixar Lilá não é?

- Eu não posso fazer isso com ela. Não posso ferir Lilá deste jeito.

Ele parecia realmente perturbado. Como eu já disse, Rony tinha o habito de deixar a gratidão dominar os outros sentimentos. Eu poderia fazer com que aquilo fosse mais fácil para ele, mas eu estava ferida. Doía muito. E eu sou humana.

- Mas pode fazer comigo? Pode me ferir, me abandonar, me substituir mais uma vez?

Eu estava num redemoinho. Preso numa encruzilhada pronto para receber o choque entre uma briga de búfalos. Estava… como é mesmo o ditado? Entre a cruz e a espada.

Lilá ou Hermione? Sim por que era exatamente isto que estava acontecendo. Hermione não ia entender e eu teria que escolher uma das duas.

Isso era muito injusto, sabe por que? Por que eu fui um bom filho, eu sou um bom irmão, eu sou um bom cristão.

Ok ok, talvez nem tanto, talvez eu esteja em falta mesmo, mas ainda assim… se isso era uma penitência, eu acho que Deus pegou pesado comigo.

- Não faz isso Hermione. Por favor, não é assim…

- Não? Não é assim? E como é Rony? O casamento de vocês está próximo e você me diz que não pode deixar a Lilá. O que você ta me propondo então? Bigamia? Ou ser a outra? Aquela que vai esperar quando você tiver um tempo livre para fugir da esposa. Aquela que vai mendigar um pouco da sua atenção?

- Eu não disse isso, eu só preciso de tempo. Eu só preciso, esperar a Lilá se acalmar e…

- Quanto tempo?

Disparei sem dó. Talvez eu não estivesse pensando direito, mas eu não agüentava mais. A minha relação com Rony estava se tornando doentia e eu precisava da resolução daquilo imediatamente, com ou sem Lilá e seus problemas.

- Não sei…

- E enquanto isso, eu assisto de camarote você desfilando com a Lilá, curando as feridas dela e dormindo na cama dela, e finjo que não houve nada entre nós?

Vi ele esfregar o rosto com as mãos impacientemente.

- Você está sendo muito injusta comigo.

- E você não está sendo comigo? Não é injusto eu desistir de tudo e ainda ter que esperar as feridas da sua namoradinha cicatrizarem para que eu possa ser feliz? Ou talvez eu mereça isso não é? Como forma de punição? E como bônus, eu talvez mereça ver Lilá rindo ao seu lado, segurando sua mão, beijando você. Quem sabe eu não deva imaginar vocês dois juntos na cama. Posso acabar ganhando uma canonização.

- Isso não é brincadeira Hermione.

Eu amava Rony, com todas as minhas forças. Mas eu não podia aceitar aquela situação.

- Não, não é Rony. É realidade, a minha realidade. E parece que nela, eu vivo perdendo pra Lilá.

- A Lilá não tem culpa dos nossos problemas.

Eu sabia que era quase como cutucar onça com vara curta dizer isso, mas eu não podia deixar ela descarregar uma culpa nossa na Lilá.

- Não, ela não tem – ela devolveu – Ela é nosso problema. Ela vive no meio de nós.

Me aproximei dela e ela recuou um passo, dei dois passos maiores e acabei com a distância entre nós e segurei nos ombros dela.

- Eu só preciso de tempo, você não pode fazer isso por nós? Nunca pode sacrificar algo por nós?

Ela riu sem alegria. Era um riso irônico e carregado de raiva e mágoa.

- Mais sacrifício? Mais do que sacrificar minha honra traindo Victor, meu amor próprio sendo a outra? Mais do que destruir meu ego esquecendo sua traição? Passando por cima da dor e da humilhação que eu senti quando vi você com Lilá? Então me diga você, faria este sacrifício por nós? Passaria por cima de tudo isso?

Fiquei calado. Não podia responder no momento, por que eu não sabia se realmente perdoaria uma traição. Sei que parece injusto, mas era melhor me calar do que mentir.

- É mais complicado do que parece Rony, eu não posso, e nem vou simplesmente ver você fingir que nada aconteceu, ver você brincar de casinha com a Lilá enquanto eu espero pacientemente minha vez. Já chega.

- Hermione não…

Ele segurou meu rosto e eu parei suas mãos. Se o deixasse continuar seria o fim.

- Não…digo eu Rony. Eu realmente sinto muito pela Lilá, pelo ai dela, e desejo do fundo do coração que ela se recupere e até que seja feliz, mas não me peça pra aceitar que seja você a curá-la. Não me peça, eu não posso.

- O que você quer que eu faça?

- Isso é com você Rony. Não vou ditar seus passos, é livre pra escolher. Mas vai ter que escolher.

- Eu não posso largar a Lilá deste jeito. Eu não posso fazer isso.

Meu coração doeu, mas eu já esperava esta resposta. Rony nunca magoaria a Lilá, pelos vários motivos que já expliquei, era algo como uma convicção. Mas se ele tinha as convicções dele, eu tinha as minhas, e precisava resgatar um pouco do meu amor próprio.

- Então isso é um adeus. – disse. As palavras queimando minha boca e meu coração.

- Sua ultima palavra?

Senti o peito apertar e uma vontade violenta de negar, de dizer a ele que esperaria o tempo que fosse preciso, de me jogar nos braços dele e gritar o quanto eu o amava e o quanto eu precisava dele, mas eu já havia me humilhado demais.

- Sim. – disse, contrariando tudo em mim.

Vi Rony murchar como uma flor que morre. Vi uma sombra tomar seu rosto e ele se afastou de mim com uma expressão de dor.

- Eu não sei por que pensei que você lutaria por nós Hermione. – ele disse carregado de mágoa. – Você nunca luta não é mesmo? É mais fácil fugir.

Não respondi, apenas o encarei por um tempo que eu não sei precisar. Até ele deixar uma única lagrima rolar no canto do olho direito e me deixar sozinha pra chorar as minhas próprias.

Voltei para o meu apartamento, não me importei em ascender as luzes, senti meu corpo sendo afogado pelo sofá quando me joguei nele, segurei as lágrimas, eu não queria chorar por causa dela outra vez, passar o que passei nesses quatro anos, tudo de novo.

Olhei pela janela, Hermione fechara as cortinas, mas eu podia vê-la sentada ao lado da vidraça, meu peito queimou como nunca, ficou pequeno, apertado, fechei minhas próprias cortinas - eu deveria deixá-las assim sempre - mas, infelizmente é provável que a reação dela não fosse muito diferente.

O que eu faria agora? Eu precisava de Hermione, eu a queria, ela me machucava, me fazia mal, mas eu ainda a queria. E o mesmo valia para ela. Pelo menos, costumava ser assim. Agora era diferente, não? Era um adeus. Um ponto final. 

Senti meu corpo implorando pra estar ao lado dela e funguei alto, eu não ia chorar, eu não podia chorar. Contenha-se, Ronald!

Lilá veio arrastando as pantufas, saindo do quarto, os olhos pregados em mim. Eu olhei pra ela e desviei no momento seguinte, eu nunca mais ficaria em paz com ela, não depois do que Hermione e eu fizemos. E eu lembrei, e lembrei do olhar dela, e do que ela me disse e dos nossos beijos, e da minha promessa. 

Talvez Lilá tivesse sentido que eu não estava nada bem, ou tivesse pensado que era por causa de seu pai, que a ficha só tivesse caído agora. Não sei, só sei que ela esboçou um sorriso triste e abraçou meu peito, deitando a cabeça em meu ombro e aí, bem, eu desabei. Chorei, tipo, pateticamente, feito um bebê. E ela não disse nada, nem perguntou nada, apenas me abraçou de volta e acho que chorou um pouco também, embora eu tenha certeza que foi por um motivo diferente.

Eu não tinha escolha, parecia que eu tinha, mas não tinha. Se eu deixasse Lilá, Hermione ainda estaria furiosa comigo e não me aceitaria, sei que não.

Então, eu só tinha Lilá agora, assim como ela só tinha a mim. 

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