a garota da chuva

Não me peça para ser

a menina dos seus sonhos, porque eu sou real demais para ter vindo de algo imaginário. Não sou aquela que chora por qualquer coisa, não levo desaforo pra casa, gosto de ser a última a dizer algo sobre um assunto; meu calçado dificilmente vai ser um sapatinho de cristal, não sou a menina que vai para a casa das amigas chorar horas por algo que você disse, não peço permissão para viver minha vida, eu vivo e você se quiser pode viver junto a mim, mas não peça para ser algo inventado, não sai de contos de fadas, sou a garota da rua, aquela que dança na chuva e não liga em se molhar. Só saiba que não sou igual, sou muito diferente de tudo que já viu.

OLAAAA TERRÁQUEOS e aliens claro, sem preconceito

GENTEEEE ESSA É A ULTIMA SEXTA-FEIRA DO ANO C O M O  A S S I M?

Então, ultima sexta do ano (c o m o  a s s i m?) plena 23:52 e eu inventando de fazer follow friday, na verdade quando eu terminar já vai ser sábado né, então vamos chamar de follow saturday.. bláh bláh bláh to enrolando

VAMOS AOS REIS E RAINHAS (alguns deles pelo menos) DO ANO DE 2015 (antes que meu pai me mande ir dormir) !!!!!!!!!!!!!!

jesus vai demorar pra terminar de fazer isso

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Tinha mais tumblr, mas já to com sono então vai só isso mesmo

E lembre-se mesmo se você não estiver aqui seu tumblr continua sendo divo 

FELIZ ANO NOVOOO *adiantado* E QUE 2016 SEJA MIL VEZES MELHOR QUE 2015

FOLLOW FRIDAY BITCHES!

Olá migos, como vai o feriado de vcs? Muito produtivo aposto, com muitas coisas pra fazer, muitas baladinhas pra ir e tals (sqn, até parece que vcs tem vida social) vamos ao ff logo pq é isso que nois quer

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Sigam esses lindo pela essa água de jesus nunca te pedi nada, amém B on C  já sabem não tirem nem adicionem ngm BLÁBLÁBLÁ não tenho paciência pra quem ta começando, se estiver reblogue ou de like e é nois 

Me sigam tbm né monas radio-via-dagem 

Esse foi isso ~eu nunca sei como terminar um ff~

Bjs de luz no core de vcs e tchau

Em Seus Olhos - Cap 39

- Oi mãe.

- Oie mina filha.. Hmm.. aconteceu alguma coisa?

- Porque?

- Sua cara, me diz que algo aconteceu – eu larguei mina bolsa no sofá e me sentei no chão de frente para minha mãe.

- A decoradora deu em cima de mim hoje – minha mãe sorriu.

- Linda desse jeito, eu estranharia se ela não tivesse. – Você vai jantar filha? – Eu achei estranho, minha mãe não perguntou o que tinha acontecido.

- O que foi? -  ela perguntou se levantando do sofá.

- Bom, você não quer saber o que aconteceu?

- Eu sei que nada aconteceu Clara.

- Sabe?

- Claro minha filha, você ama a Vanessa, e eu não duvidaria de você e do amor que você sente por ela nem por um segundo – ela voltou e beijou minha testa – Vou fazer alo para você jantar, tome um banho enquanto isso.

Eu e minha mãe nos sentamos a mesa para comer, ficamos conversando sobre o apartamento e o que faltava para que ficasse pronto. O meu celular vibrou sobre a mesa eu sorri, porque era ela, minha mãe apertou minha mão e retirou os pratos.

- Oi amor.. por aqui esta tudo bem, minha mãe te mandou lembranças.. eu mando.. e com você? ..e ele? Tem ido atrás de você eu te ligado? ..Hmm.. bom, eu também acho isso estranho, ele saiu daqui disposto a ter você de volta.. deixe o maximo de pessoas avisadas quando você sair por favor.. ok.. bom hoje fui ao prédio, falta pouco mesmo.. eu queria que você estivesse aqui.. sim, eu vou.. já que hoje você resolveu dormir mais cedo, vou escovar os dentes e eu te ligo assim que eu me deitar.. ate, eu também.

Não achei necessário contar sobre Nora, não tinha motivo.

Eu dormi mal aquela noite, nenhuma noite tinha sido a mesma sem Vanessa aqui, mas essa noite foi diferente, eu acordei mal, cansada e angustiada, minha mãe me trouxe o café na cama e ficamos conversando, eu não ia para o escritório hoje, iria passear com minha mãe por Miami.

Minha mãe quis comprar algumas coisas para colocar no meu apartamento, coisas para mim e para a Vanessa.

Na hora do almoço eu já não estava mais agüentando o sentimento estranho, eu pedi que minha mãe aguardasse em uma loja, fui para o lado de fora. Eu liguei duas vezes para o celular de Vanessa e nada, depois liguei para Thais que também só chamou, voltei para a loja.

Andamos mais um pouco ate que paramos em uma joalheria, minha mãe foi escolher algo para ela, depois de andar um pouco pela loja eu escolho um anel para dar a Vanessa, um anel de diamantes, eu sei que ela não me deu uma resposta par ao pedido, mas um dia.. mas para frente, quem sabe? Eu sabia que seria ela, e só ela, caso ela não aceitasse eu lhe daria o anel mesmo assim, porque ela é a única que deveria usá-lo. Quando vi o anel, eu sabia que tinha que ser esse, ele era todo de ouro rosa, com diamantes em volta circulando metade do circulo passante em cima ele era redondo com uma pedra de diamantes cobrindo quase todo o circulo, e em volta mais diamantes menores sobre o outro rosa.

Eu guardei a caixinha de couro e veludo preto comigo, e tentei ligar para Vanessa novamente, nada.

-  O que foi Clara?

- Eu não consigo falar com a Vanessa e nem com a irmã dela, e eu estou sentindo uma coisa ruim mãe, não sei o que é, mas não me deixou dormir bem, e eu acho que só vou conseguir me acalmar quando conseguir falar com ela.

- Não fique assim, vamos ao hotel, eu acho que chega de compras por hoje, assim que chegarmos lá você tenta de novo.

Assim que subi, eu disquei novamente e a mesma coisa aconteceu, só chamou, eu comecei a digitar uma mensagem de texto.

Para: Garota da chuva

Amor, me liga, estou preocupada.. Te amo.

Mandei a mensagem e esperei, esperei e esperei, nada, liguei de novo varias vezes e nada, minha mãe ficou ao meu lado, tentando me acalmar, mas não deu muito certo.

Lá pelas quatro da tarde meu celular vibrou, vi que era Thais.

- Thais, onde está a Vanessa. – e o silencio prevaleceu do outro lado da linha - ..Thais? ..O que? .. quando e como ele entrou? ..E onde foi isso? ..a policia? .. não, eu estou indo para ai, eu vou precisar que você me mande o endereço por mensagem, e assim que eu chegar.. não, eu estou indo.. absoluta, eu vou pegar o próximo vôo para o Brasil e aviso você, me mantenha informada por favor.

- Filha, que conversar foi essa? – eu peguei uma mochila coloquei as primeiras roupas que vi pela frente, peguei meu passaporte e documentos e enfiei na mochila.

-  O canalha do ex dela, ele surgiu na frente do prédio, o porteiro disse que ele obrigou ela a entrar no carro, o porteiro ligou para Thais, ela disse que passou a manha e a tarde tentando falar com o Austin, e só conseguiu agora pouco antes de me ligar, ela disse que viu minha chamadas, mas ele não podia atender quando não tivesse noticias dela.

- Mas o que ela contou para você filha? Ela conversou com Vanessa?

- Ele disse que.. que, ele disse que ela vai ficar com ele ate que ela desista de ir embora, e volte com ele.

- Isso é seqüestro.

- Sim, eu sei, e eles estão com medo de chama a policia, estão com medo que ele tente algo contra ela.

- Calma, fica calma Clara, eu vou com você, espera que eu vou.

- Não mãe, eu vou sozinha, eu só estou com medo por ela, mas não precisa ir comigo, eu só preciso ir para o aeroporto agora, precisa de passagem.

- Calma, eu pedir para a Amanda fazer isso, arrume suas coisas, eu levo você para o aeroporto.

Minha mãe me levou as pressa, por sorte e graças ao poder de persuasão de Amanda, eu consegui um vôo que sairia as seis de Miami, pedi que minha mãe avisasse meu irmão e Luis, depois de minutos de atraso deu tchau a minha mãe.

Eu torcei e rezei para que assim que eu ligasse meu celular novamente eu tivesse boas noticias. Tomei umas duas doses de conhaque, e parei por ai, consegui dormir umas quatro horas, foi o pior vôo da minha vida, demorado e angustiante quando acordei eram quase seis horas da manha no meu relógio, mas em São Paulo seriam uma oito da manha, eu liguei meu celular assim que pousamos, avisei a minha mãe e em seguida fui para o ponto de taxi no aeroporto. Passei o endereço que a Thais me enviou por mensagem, eu tinha me esquecido de trocar dinheiro mas o taxista não se importou em receber em dólar, dei algumas notas para ele e sai d carro. Liguei para Thais assim que cheguei, eu sabia que ela estaria acordada, o porteiro abriu para mim assim que desliguei o telefone.

- Oi Thais.

- Oi Clara, prazer em conhecer, infelizmente assim, mas prazer – Thais era da minha altura, o mesmo tom de pele de Vanessa, mas ela tinha olhos azuis também, alguns traços dela eram parecidos com os de Vanessa, como o formato dos olhos e a boca.

- Noticias?

- Não, nenhuma, mas eu falei com o pai e a mãe dele, eles foram para lá, e essa é nossa esperança, eu estava esperando você chegar para irmos.

Eu deixei minha mochila no sofá da sala, e fui com Thais para a garagem, ela ia passar na casa da outra irmã delas e Mayra.

- Como vai? – a irmã dela me cumprimentou assim que entrou no carro, ela era mais branca que as duas, e mais baixa também, seus cabelos eram loiros, mas pareciam ser pintados, e eu percebi que Thais era a mais parecida com Vanessa do que Mayra, eu respondi a ela, mas ela não falava inglês, então muitas vezes Thais teve que traduzir a conversa para mim.

Nós chegamos a casa que eles estavam, e todas as luzes estavam acesas, havia alguns carros parados na frente, uma mulher estava ao lado de fora e ela parecia estar chorando, quando ela nos viu ela chorou ainda mais. Thais foi ate ela, elas conversaram em português, percebi que ela perguntou quem eu era, e Thais me chamou.

- Essa é a mãe dele – ela era baixa, de uma certa forma com ar jovem, cabelos lisos e castanhos, seus olhos estavam vermelhos e ela carregava consigo um terço, ela começou a falar em português comigo, Thais colocou a mão no meu ombro e quando ela parou de falar, ela começou a traduzir.

- Ela disse que esta feliz que a Vanessa tenha encontrado alguém, alguém que tenha vindo de tão longe para ajuda - lá, ela disse que sabe que nós estávamos com raiva do filho dela, mas que ele não é má pessoa, ela disse que gosta muito de Vanessa, sempre a tratou como filha, ela disse que esta tão preocupada com ela quanto com o filho, o pai dele esta lá dentro tentando acalmá-lo, porque ele se recusa a deixar Vanessa sair do quarto.

- E a policia? – eu perguntei a Thais, a mulher parece ter entendido a pergunta, e ela começou a falar com Thais, desesperada e ela respondeu a ela.

- Ela pediu para ter paciência, pediu para não chamar a policia que o pai dele ia conseguir dar um jeito nisso.

- Mas ele não pode ficar impune.

- Sim, foi o que eu disse a ela, mas ela disse que no caso seria melhor tratamento psicológico e não cadeia.

- Ele esta armado? – vi o medo no rosto de Thais, um medo que refletiu em mim. Mayra estava impaciente, e ela começou a discutir com a mãe do canalha, Thais teve que interferir e pedir para a irmã voltar para o carro.

- Ela esta muito nervosa, ela sempre foi assim, e quando ela ouviu que a mãe dele não queria que chamassem a policia ela ficou mais brava ainda, disse que se algo acontecesse com a nossa irmã, ela mesma iria fazer justiça com as próprias mãos.

- Porque ela esta aqui fora, e não lá dentro com eles? – Thais se virou para perguntar isso a ela, esperei que ela respondesse.

- Foi ele quem pediu, ele disse que ela o deixa ainda mais nervoso, ai o pai dele exigiu que ela ficasse aqui fora – Nós sentamos na calçada, tínhamos que esperar para ver se o pai dele ia conseguir fazer alguma coisa.

Uma hora depois a porta da frente foi aberta, eu me levantei e fui para a frente da casa, Thais me segurou, mas ficou ao meu lado, Mayra saiu do carro e ficou ao nosso lado.

O homem tinha cabelos brancos por toda a cabeça, parecia cansado e nervoso, a mãe do canalha foi ate homem, ele falou com ela, então se virou para nós, ele me deu uma olhada e logo em seguida Thais, começou a falar com ele, pelas feições de Thais as noticias não eram boas, eu queria saber o que eles estavam conversando, então Mayra começou a falar, aquela discussão não ia ter fim, a mãe dele pegou um celular e começou a falar com alguém, e eu fiquei ali olhando a cena, eu respirei fundo, e comecei a andar em direção a casa. Ouvi Thais me chamar, não olhei para trás, e pouco antes de chegar a porta uma mão me segurou, e então o pai de Austin veio junto e ficou na minha frente, ele começou a falar com Thais, que começou a me explicar.

- Ele disse que não vai mudar de idéia, ele disse a ele que eles passaram por muita coisa, eles já brigaram e se resolveram inúmeras vezes, agora seria igual, ele não quer saber de policia, ele disse que se chamarem a policia ele a mata e depois ele mesmo. O pai dele disse que já implorou a ele.. que eles quase brigaram lá dentro, mas ele se recusa, e … – foi quando ouvimos um grito, e era de Vanessa, eu passei por ele, ouvi todos atrás de mim, o pai dele berrava o nome dele, eu não sabia de onde vinha o grito, o pai dele passou por mim e entrou no corredor, e depois abriu uma porta, ele ficou parado na porta e mostrou a mão nós pedindo que esperássemos, a mãe dele passou por mim e foi para a porta, ela chorava muito e começou a berrar com o filho, eu precisava saber o que tinha acontecido, o que ele tinha feito com Vanessa, ele estava machucada? Meu Deus, eu não ia agüentar muito tempo, Mayra sussurrou algo no ouvido de Thais, que depois sussurrou no meu.

- Mayra chamou a policia, mas pediu que eles viessem com as sirenes desligadas, ela explicou a situação, ela vai ficar lá embaixo esperando por eles -  eu concordei com a cabeça. – A mãe dele esta implorando para que ele solte Vanessa, o pai está nervoso pedindo o mesmo.

- Você não me respondeu, ele está armado?

- Parece que ele esta com uma faca. – eu não podia mais agüentar aquilo, porque ela tinha berrado? Ele tinha a ferido? O pai dele entrou no quarto, e começou a berrar muito, ouvimos um barulho forte, alguém tinha caído, a mãe dele começou a gritar e foi no mesmo instante que a Mayra surgiu com quatro policiais atrás dela, Thais berrou algo, e os policiais avançaram, mais barulho e gritos, eu não tinha mais ouvido Vanessa, desde o grito.

Mayra foi atrás dos policiais e eu fui junto, eu não vi mais nada eu só consegui ver Vanessa, no canto do quarto, sua cabeça estava apoiada nos joelhos e ela os abraçava com força, Thais estava com ela.

- Vanessa? – ao ouvir minha voz ela levantou a cabeça no mesmo instante, ela estava sangrando, um corte nos lábios e um na sobrancelha, percebi que suas roupas tinham sido rasgadas, ela me abraçou forte e começou a chorar soluçando no meu ombro, Mayra veio logo em seguida, ambos falando com ela em português, imagino que perguntando se ela estava bem, um dos policiais veio ate nós, quando olhei para trás, o ex dela estava algemado, ele não falou nada, mas o ódio em seus olhos eram plausíveis, era para mim que ele estava olhando. Agora, seus pais estavam chorando ao ver a cena, eu senti pena deles, mas eu queria que a justiça fosse feita.

Alguns paramédicos surgiram em seguida e nós tivemos que nos afastar dela, eu não queria, mas ela disse que seria necessário, então eu soltei sua mão e fiquei perto,  o maximo que pude.

Quando minha hora chegar, não tente introduzir vida artificial em meu corpo através da utilização de uma máquina. Quero dar a minha visão ao homem que nunca viu um nascer do sol, o rosto de um bebê ou o amor nos olhos de uma mulher. Dê meu coração a uma pessoa cujo coração causou nada além de intermináveis ​​dias de dor. Dê meu sangue para o adolescente que foi retirado dos destroços de seu carro, para que o possa viver para ver seus netos jogar. Dê meus rins a alguém que depende de uma máquina para existir de semana para semana. Tome meus ossos, cada músculo, cada fibra e nervo do meu corpo e encontre uma maneira de fazer um aleijado andar. Explore todos os cantos do meu cérebro. Pegue minhas células, se necessário, e deixá-los crescer para que, um dia, um menino mudo seja capaz de gritar quando sua equipe marcar um gol e uma garota surda ouça o som da chuva contra as janelas. Queime o que sobrou de mim e espalhem as cinzas ao vento para ajudar as flores a crescer. Se você realmente quiser enterrar alguma coisa, que seja minhas falhas, minhas fraquezas e todos os preconceitos contra meus semelhantes. Dê meus pecados ao diabo. Dê minha alma a Deus. Se você quiser se lembrar de mim, faça uma boa ação ou diga uma palavra gentil a alguém que precisa de você. Se você fizer tudo o que eu pedi, eu viverei para sempre.
—  Minha vontade
Em Seus Olhos - Cap 4

As  luzes da cidade deixavam Miami com um tom alaranjado, com um ar de romance, era sempre assim  ou eu havia acabado de me dar conta disso?

Liguei o som do carro e sorri da coincidência, era Wish you were here do Pink Floyd, Eu só a vi uma vez, uma doida que gostava de sentir a chuva gelada, porque isso a fazia sentir-se viva. Provavelmente eu me senti atraída pela beleza exótica dela, me deixando intrigada com as atitudes. Mas então porque é que eu queira tanto que chegasse amanhã para vê-la novamente? A luz do visor do meu celular acendeu sobre o painel do carro, meu coração deu um salto e acelerou. Resolvi estacionar o carro e entrar no hotel antes de ver a mensagem. Alguns funcionários que costumava ver todos os dias estavam me olhando diferente, até os homens que costumavam me dar olhares de desejo, estavam me olhando diferente. Quando entrei  no elevador e me vi no espelho, descobri  o porque. Eu estava sorrindo sem parar, as portas se fecharam e eu vi a mensagem recebida no meu celular.

De: Número Desconhecido

Reportando a terrorista, sua bomba deve ter sido trocada por uma incrível torta de maça que eu acabei de devorar. Obrigada. PS: Torcendo para que seja só uma torta ;)

Pronto, agora eu já tinha o numero dela. Meu plano bobo parecendo ter vindo de um adolescente deu certo. Junto com a torta coloquei um bilhete com meu numero de telefone, pedindo que ela me ligasse ou mandasse uma mensagem falando o que tinha achado do doce, agora não tinha mais como ela escapar. Salvei o numero na minha agenda de contatos e comecei a digitar uma mensagem para ela.

Para: Garota da chuva

Que bom que gostou, como uma boa terrorista, sinto em informar que não poderei dar garantias sobre o doce, mas de qualquer forma eu entrarei em contato amanha para saber se você está viva. Uma ótima noite para você.

Eu ainda estava sorrindo, me sentindo como uma adolescente de dezessete anos, ansiosa para o dia de amanha. Fui para a cama. Resolvi deixar a cortina aberta para poder olhar para a vista, senti que a tal leveza no meu estomago não me deixaria dormir facilmente. Eu coloquei meu celular no móvel ao lado da cama, dei play na lista de musicas e tentei relaxar.

Abri meus olhos, dei uma olhada no celular, ela não tinha mandado mais nenhuma mensagem de texto, fiquei instigado a mandar uma, mas ainda era cedo e ela devia estar dormindo ainda. Assim que cheguei ao escritório, vi meus e-mails Luis havia me passado as informações sobre possíveis terrenos a venda e bem localizados em Miami. Mandei um e-mail de resposta a Luis solicitando uma reunião com os proprietários e pedi que ele entrasse em contato com George, avisando que eu ainda não tinha decidido a respeito da localização e assim que eu estivesse certa ele seria o primeiro a saber.

Olhei pela janela, o dia estava cinza, mas nada comparado com o dia de ontem, não havia nuvens carregadas. Fiquei olhando para os lugares que Vanessa passou ontem, hoje cheio de pessoas. Queria achar um motivo para chamá-la para almoçar comigo, mas não estávamos muito perto no momento, e logo após o almoço eu tinha uma reunião com o proprietário de um dos terrenos, resolvi mandar uma mensagem de texto.

Para: Garota da Chuva

Boa Tarde. Viva?

Resolvi comer um lanche na lanchonete do escritório. O celular vibrou no meu bolso, paguei o sanduíche e fui me sentar em um banco perto do rio, onde nos conhecemos ontem.

De: Garota da chuva

Viva? Sim e com muita fome, começando a almoçar.

Tomei um gole de Coca-Cola e respondi sua mensagem.

Para: Garota da chuva

Estou almoçando agora, exatamente onde a conheci ontem, mas hoje a paisagem não está tão interessante.

Meu celular vibrou novamente, eu sorri antes mesmo de ler.

De: Garota da chuva

Ainda bem que a paisagem está diferente, ou seu almoço estaria um pouco mais úmido. Bom Almoço.

Um garoto se sentou ao meu lado, mas eu não me importei não me dei ao trabalho de olhá-lo, só reparei que os sapatos eram masculinos. Eu estava absorta no celular.

Para: Garota da chuva

Obrigada, e bom almoço para você também.

Continuei comendo meu lanche e sorrindo sozinha.

- Piadas na internet? – Era o garoto do meu lado, olhei rapidamente para ele. Ele parecia tão comum, muito branco, cabelos claros, olhos azuis, bonito na verdade, mas nada que chamasse atenção. Eu provavelmente não lembraria seu rosto amanha.

- Não! Sem piadas de internet! -  respondi.

- Então você só está feliz? – ele perguntou sorrindo, apensar do sotaque e seus dentes entregarem que ele definitivamente era britânico, eu sorri de novo porque meu celular vibrou.

Antes de ler a mensagem, respondi o garoto, ele deve ter achado que eu tinha achado seu comentário engraçado.

- Sim, pode se dizer que é só felicidade.

De: Garota da chuva

Hoje vou comer uma torta também, me certificando que seja somente uma torta mesmo.

Para: Garota da chuva

Dente britânicos muito próximos, o que faço?

- Pelo visto sua felicidade vem do celular e não são piadas. – o garoto continuava. Eu queira sentir a alegria daquele momento sozinha, mas eu ainda estava comendo e não queria ser indelicada com o garoto.

De: Garota da chuva

Olhe a sua volta… Esses dentes estão em todos os lados XD, mas se forem dentes masculinos talvez um beijo resolva e você não precise ficar olhando para eles.

Ela provavelmente não estava tendo o mesmo tipo de alegria que eu estava ao conversar com ela. Fiquei desanimada por saber que ela não se importava que eu beijasse alguém. Eu não gostaria que alguém estivesse com ela agora, eu gostaria que o garoto ao meu lado fosse a Vanessa.

Pensei em uma reposta…

Para: Garota da chuva

E eu não tenho interesse algum de dentes britânicos, o garoto está admirado com meu sorriso para o celular.

- Pelo visto a ultima coisa que você leu não te agradou certo? – que garoto estranho, muito curioso. Eu não gostava de pessoas assim, se bem que eu gostaria que a Vanessa fosse um pouco mais curiosa sobre mim.

- Bom, nem tudo é como nós queremos, certo? – dei uma piscada pra ele e isso fez com que ele sorrisse mais. Tomei mais um gole de Cola-Cola e amassei o papel do lanche, meu celular vibrou, e antes que eu pudesse responder ela me viu pegando o celular e parou sem que eu precisasse mostrar.

De: Garota da chuva

Não tem interesse no pobre garoto que deve estar deslumbrado ao seu lado? Mmm e você ainda está sorrindo para o celular? Talvez ele seja um psiquiatra e deve estar achando que você enlouqueceu rindo para um aparelho telefônico, talvez ele só queira te ajudar, não conte a ele que você está conversando com uma louca, ele pode querer meu telefone.

Senti-me mais confortável com essa resposta, olhei a hora, eu tinha que voltar para o escritório, me levantei enquanto o garoto ao lado ficou me observando, dei um pequeno aceno de cabeça. Eu já estava chegando ao sinal para atravessar a rua quando o garoto parou ao meu lado.

-  Esqueci de me apresentar, sou Keaton Stromberg. – ele esticou a mão.

- Prazer, Clara Aguilar, mas eu preciso ir agora… Reunião na empresa… Com licença! – Vi os olhos de desanimo do garoto. Mas eu não conseguiria pensar muito sobre isso. Peter meu motorista estava em frente ao prédio me aguardando. Enquanto ele me levava para a reunião digitei uma resposta para Vanessa.

Para: Garota da Chuva

Não sei se o garoto britânico ficou deslumbrado, mas ele ficou um pouco chateado quando sai sem demonstrar muito interesse. Eu não vou passar seu telefone a ninguém, eu acho que loucura é contagiosa.

Quando olhei para a rua, percebi que estávamos muito próximos a hotel que ela estava hospedada, uma quadra praticamente. Peter estacionou, eu sabia que seria em um restaurante, mas não sabia qual, Luisa havia passado as informações para Amanda, que estão passou para Peter.

- Peter, volte ao hotel e venha com alguém para trazer o meu carro sim? Quero sair depois da reunião.

- Sim senhora! – Quando entrei  Luis e o dono de um dos terrenos estavam sentados em uma mesa próxima ao bar do restaurante. Uma mesa redonda de madeira escura,  tínhamos uma visão do local todo.

- Como vai? – dei minha mão para ambos. Richard era o nome dele, aparentando ter uns trinta e oito anos, muito comunicativo, olhos muito fundos, algo nele me deixava um pouco desconfortável.

Meu celular vibrou novamente.

- Só um momento. Eles se entre olharam e sinalizaram com a cabeça.

De: Garota da chuva

Pobre garoto, mas se ele soubesse como você é autoritária talvez ele ficasse feliz por você não tenha dado bola. Você não sabia? Só os loucos conseguem lidar co os mandões ;)

Eu tentei, mas não consegui segurar meu sorriso, Luis ficou me olhando intrigado, baixei meus olhos novamente e mandei uma reposta.

Para: Garota da chuva

Estou em uma reunião no momento, sorrindo de novo para o aparelho telefônico, você pode explicar isso? Por falar nisso, estou em um restaurante que fica a uma quadra do hotel, assim que acabar aqui podemos fazer algo?

Fiquei meio insegura mandando essa mensagem, eu poderia ter um não como resposta, mas mesmo assim achei que deveria perguntar.

- Podemos continuar. – eu disse, Luis pegou alguns papeis e Richard estava me explicando sobre as obras que o governo espera para o local. Esse era  o terreno que eu mais tinha interesse, Luis sabia disso por isso marcou nossa primeira reunião com ele. Olhei para o relógio e nada dela responder, Luis estava me mostrando um outro projeto de um novo arquiteto chinês e Richard estava comentando sobre alguns que ele conhecia no Reino Unido, quando parou de falar e ficou olhando para sua frente, como eu estava de frente para ele, fiquei de costas para o que lhe chamou atenção.

- Wow! – Ele disse, e então senti um perfume, um cheiro bom de peônia e sândalo, eu sabia por que minha mãe cultivava flores em uma enorme estufa e eu e meu irmão conhecíamos muitas flores. Muitas pessoas achavam isso estranho, até explicarmos o hobby da nossa mãe.

Vi os longos cabelos castanhos dela balançando em sua cintura, ela estava com uma calça jeans surrada mas bem colada ao seu corpo, um sapato preto de salto simples não muito alto, e uma blusa de linho cinza claro. Ela tinha acabado de me dar a resposta positiva, eu sorri por dentro.

- Que garota é aquela? – Richard perguntou olhando descaradamente para ela, que tinha ido se sentar no bar. Vi que ela estava um pouco curvada e um garçom, a esperava ao lado. Luis resolveu voltar sua atenção aos negócios, relutante Richard também, eu só queria que a reunião acabasse.

O garçom veio até nós, Luis disse que não tínhamos pedido nada alem de bebidas.

- Com licença aquela senhorita pediu que eu entregasse a você… – com um guardanapo dobrado ele direcionou- o a mim.

Richard ergueu suas sobrancelhas e Luis ficou olhando de mim para o guardanapo. Eu olhei para ela que estava de costas, tomando algo que não consegui identificar o que era.

- Obrigada! – Eu disse ao garçom, abri o guardanapo. Eu soltei uma risada que fez com que os dois ficassem me olhando intrigados. Ela havia desenhado perfeitamente uma boca com um sorriso cheio de dentes tortos, com a frase “um sorriso britânico para você”. Eu não consegui responder aos dois, Luis queria ver o papel, eu respirei fundo, e me levantei.

- Senhores acho que vi o suficiente, amanha entrarei em contato com uma resposta sim?

- Luis – dei a mão a ele e fiz o mesmo com Richard.

- Se me derem licença – Luis sorriu para mim, parecia meio incomodado, levantou os ombros, sabendo que não adiantaria argumentar.

Fui em direção a ela.

Peguei uma nota em meu bolso, vi que ela era alta o suficiente e deixei no bar, o garçom viu então peguei a mão dela e a conduzi para fora do restaurante, passamos pelos dois que ainda estavam arrumando a papelada na mesa, eles ficaram de boca aberta quando saímos, vi pelo vidro da porta.

Como esperado meu carro estava estacionado, Peter veio e me entregou as chaves.

- Para onde vamos? – ela perguntou, na verdade eu não me importava muito mais com isso, o importante era que ela estava aqui comigo.

- Não sei ainda, mas veremos. Eu não virei para saber qual tinha sido sua reação, mas pelo menos ela não se negou.

Liguei o carro, e comecei a dirigir.

- Se importa? – ela apontou para o radio, e eu fiz que não com a cabeça, ela ligou o som, estava na mesma estação que eu vi ontem.

Ela começou a cantarolar a musica que estava tocando, essa eu conhecia. Ainda estava claro, o céu estava cinza, e ventava pouco.

Eu arrisquei cantando um pouco com ela, que olhou pra mim e não disse nada, continuou a cantar Somertimes salvation da banda Black Crowes, ela cantava com a alma isso fazia com que eu me sentisse a vontade para cantar junto. Estava rodando um pouco sem direção e de ultima hora resolvi ir para o rio, lembrei dos passeios de barcos, esperando que ela não tenha ido ainda. Sai do carro, estava dando a volta para abrir a porta para ela, mas ela saiu antes que eu chegasse, mas não perdi a oportunidade de pegar em sua mão.

- Mmm conheço bem esse lugar – ela disse colocando o dedo indicador sobre os lábios.

- É, eu também, e provavelmente não vou esquecer ele tão cedo. – ela não fez comentários.

Haviam vários tipos de barco de passeio, agora já passava das cinco da tarde e ela poderia ficar com fome, comprei ingressos para um barco com restaurante a bordo. Ela estava olhado para o rio, com as mãos nos bolsos traseiro, eu revirei os olhos odiando profundamente bolsos traseiros.

- Aqui! – Mostrei os ingressos a ela.

- Para um passeio de barco? – eu fiz que sim com a cabeça.

-Hey! Isso é muito legal, você é uma amiga incrível, acho que dei sorte, fiz uma amiga em Miami, americano e que está me agüentando a quase quarenta e oito horas e ainda vai me levar para um passeio de barco, serio mesmo isso?

- Claro que sim! – comecei a caminhar com ela ao meu lado, o barco estava prestes a sair e quando subimos na plataforma, olhei para o lado, ela estava com um grande sorriso no rosto.

Estava começando a vendar muito, os cabelos dela batiam em seu rosto e ela estava com uma blusa que não iria esquentá-la, tirei meu casaco e coloquei em suas contas.

- Ah! Não precisa Clara, eu não estou com frio, eu gosto desse vento. – ela me devolveu o casaco, não pareceu ser proposital, mas era ruim ouvir um não vindo dela.

O Barco de partida, e resolvemos dar uma volta, assim fui mostrando a ela a paisagem. O guia turístico começou a falar e eu parei, para que ela ouvisse o que ele tinha a dizer.

- Prefiro que você continue me mostrando Miami! – ela cochichou perto do meu ouvido.

A viagem estava tranqüila, aviam muitos casais, eu devia ter deduzido que em um barco com restaurante no final da tarde seria mais visitado por casais.

- Essa cidade realmente é linda! – ela disse enquanto se apoiava em um banco no meio do barco, ficando de costas para o assento, fui para o seu lado.

- Sim, está cidade é muito bonita mesmo. – ficamos observando a cidade passar, as vezes  vento batia, trazendo o cheiro dela.

Ela não tinha me perguntado de onde eu era, bom na verdade ela não me perguntava muita coisa. Eu queria conversar um pouco e arrisquei começar uma conversa.

- eu acho que não cheguei a dizer de onde eu sou… Eu nasci em Salt Lake City, mas moro em Nova York, mas apesar de gostar muito das duas cidades… sempre me identifiquei com Miami.

- Assim como eu! - ela disse, mas só isso, nada a mais.

- Vamos comer alguma coisa? - ela concordou com a cabeça. Ela pareceu ter ficado um pouco pensativa, menos risonha.

Estávamos na mesa esperando nossos pedidos, seu olhar estava um pouco distante!

- Posso saber o que você está pensando? - eu perguntei a ela, tomando um pouco de vinho.

- Estou pensando no amor.

- Eu acho que não penso muito sobre o amor, talvez eu devesse… e ela me interrompeu.

- Você está certa, não se deve pensar sobre o amor, e sim senti-lo. Deixa-lo tomar conta do seu ser… talvez eu tenha falado da forma errada, eu na verdade estou pensando em como eu gostaria que as pessoas deveriam sentir o amor de verdade.

- Como assim?

Ela suspirou, e começou a falar.

- Bom pessoas são mais complicadas que o necessário, eu também sou um pouco, confesso, mas estou tentando mudar isso, estou tentando ver o outro lado - ela fez uma pausa, bebeu um pouco de vinho. Ela continuou. - Quando eu era pequena eu ouvia sobre o amor, eu acreditava que era um sentimento que existia por um homem e uma mulher, e que era tudo lindo e perfeito quando se encontrava a pessoa certa, então quando eu cresci e me apaixonei algumas vezes, eu simplesmente deixei de acreditar nesse  amor, porque as pessoas nos magoam, e nós mesmo nos magoamos. Eu descobri que esse negócio de pessoa certa não acontece com todos, e por um bom tempo sofri pensando sobre isso, porque eu me sentia excluída. Mas hoje eu sou grata por todas as dores que passei. Hoje sim eu acredito no amor de verdade, não naquele da minha infância, eu me encontrei e me conheci melhor na dor, descobri todas as formas de amor que existem, o que eu posso dar e o que eu quero ou posso receber. É um pouco complicado explicar, mas se as pessoas abrirem os olhos da alma, todas vão entender o que eu estou falando. E hoje eu desejo que as pessoas encontrem essa tal pessoa. Pois as vezes as coisas não são como todos dizem. As opções… Não me sento mais excluída, aprendi a aceitar. - ela bebeu um pouco de vinho, nossos pratos chegaram.


- Posso fazer uma pergunta?

- Pode, você pode fazer todas e quantas perguntas quiser, e eu posso respondê-las ou não.

- Quando você fala que não existe a tal da pessoa certa, em que sentido diz isso? - ela parou de comer, a cor pareceu ter sumido um pouco de seu rosto, ela bebeu um gole de vinho.

- Eu acho que entendo perfeitamente que, meus pais me deram a melhor educação que uma menina jamais merecerá, e sinto muito orgulho disso, eu os amos, de verdade, por isso compreendo perfeitamente que, eles desejam que eu seja uma filha muito melhor que eu jamais poderei ser e, mesmo sendo tão nova, garanto que vivi muito pouco, talvez, sem a experiência necessária e até mesmo influenciada pela atual cultura, que é diferente da que eles viveram na sua adolescência, mas já estou decidida quanto a minha orientação sexual… enfim, eu sinto atração por mulheres.

Uma mulher começou a cantar no microfone, por ter tantos casais, eu sabia que só poderia ser algo romântico, era No ordinary love, ela me deu um pequeno sorriso, era visível que ela não estava mais a vontade.

- Você está triste com alguma coisa que eu disse? - perguntei já me sentindo arrependida, eu não à queria triste.

- Não, eu não estou triste, eu estou imensamente feliz, acredite.

- Mas não é o que parece.

- Pessoas! - Ela piscou pra mim, e foi o que ela me disse.

- Não perca seu tempo pensando nisso, eu estou feliz.

Resolvi mudar de assunto.

- Quando eu era pequena, vim com minha família para Miami, foi quando andei pela primeira vez de barco, lembro de ter ficado de boca aberta vendo a cidade. - ela sorriu de novo, isso me deixou mais aliviada.

- Então seu amor por Miami começou na sua infância? - fiz que sim com a cabeça, mas pelo visto ela não queria conversar muito e me pegando totalmente de surpresa, ela colocou o garfo próximo da minha boca.

- Mmm esse ravióli está uma delicia, experimenta! - normalmente eu diria não, mas me deixei levar.

- Melhor que o meu filé de pescada.

Eu estava com receio de fazer outra pergunta que a deixasse triste, mas resolvi fazer uma que não fosse tão profunda, ou assim eu imaginei.

- Como foi sua infância na sua cidade? - ela olhou pra mim, respirou profundamente de novo, e pelo seus olhos eu percebi que não deveria ter feito essa pergunta também.

- O passado? Bom, tive uma infância divertida. Não em todos os momentos, claro. Mas Clara eu me importo com o hoje e com o amanha, mais com o hoje pra falar a verdade.

- Posso saber o porquê? - ela olhou para o copo, e depois para mim.

- Porque eu não posso fazer nada em relação ao passado, e prefiro que o passado fique onde está.

- Me desculpe, não quis ser intrometida.

- Você não foi, você fez o que qualquer pessoa faria, tentou manter uma conversa inocente, só não sabia que eu sou o tipo de pessoa que não fala sobe o passado, ou que queira saber do passado, pelo menos não mais.

- Não mais?

- Sim, eu já fui uma pessoa que falava muito no passado, que sentia falta dele e hoje prefiro as coisas como elas estão, prefiro que o passado fique onde está.

Eu não queria mais prolongar aquele assunto, a viagem já estava acabando todos estavam se levantando. Olhei no relógio, por sorte ainda era cedo e eu estava torcendo por dentro para que ela não pedisse pra ir embora.

Descemos no barco, comecei a ir em direção ao meu carro, ouvi sua voz um pouco atrás de mim, não tinha percebido que ela tinha parado.

- Vamos ficar um pouco aqui? - ela perguntou?

Eu guardei a chave do carro, e fui até aonde ela tinha parado. Ela estava olhando para o céu e continuou andando até chegar em um banco, que foi o mesmo onde eu almocei hoje mais cedo. Comecei a sorrir, ela me olhou e sorriu também, ela não quis saber o motivo, mas eu quis falar mesmo assim.

- Foi aqui que eu almocei hoje, enquanto falávamos pelo celular.

- E foi aqui que o sorriso britânico ficou também? - eu fiz sim com a cabeça, ela deu risada.

Pedidos podem ser realizados, eu desejei que ela sentasse nesse banco ao meu lado hoje mais cedo, aconteceu, com um pouco de atraso, mais aconteceu.

Em Seus Olhos - Cap 28

Apaguei a luz do escritório, musica vinha do quarto, Vanessa, estava deitada no escuro, eu fui para a cama, para debaixo do edredom junto dela, e a toquei por trás, ela estava virada em direção ao vidro do terraço, beijei seu pescoço, ela se virou para mim.

- Eu podia passar a noite toda olhando para você.

- Mas uma hora você se enjoaria.

- Eu nunca vou me enjoar de você.

- Não fale coisas que você pode não cumprir.

- Mas essa é a única coisa que eu posso cumprir – eu disse beijando-a, assim ela não falaria mais essas coisas.

Quando acordei, Vanessa estava dormindo, fui para o chuveiro, eu tomei um banho rápido, escovei meus dentes e fui para o closet. Me troquei e fui para o quarto, Vanessa estava dormindo ainda, eu não queria acordá-la, apesar de querer muito um beijo agora, mas ela estava dormindo tão bem, e em paz, fui ao  escritório e escrevi um bilhete.

Deixei o bilhete e as chaves do carro e do apartamento ao lado da cama, onde ela pudesse ver quando acordasse, dei mais uma olhada nela antes de sair.

Assim que cheguei ao meu escritório minha secretaria Emma estava em sua mesa, com uma pilha de pastas ao seu lado, ela parecia estar absorta no que estava fazendo.

- Bom dia Emma! – ela pareceu ter se assustado, se levantou meio sem jeito.

- Bom dia senhorita Aguilar! – ela veio atrás de mim enquanto eu entrava na minha sala. – Deixei tudo o que a senhora precisa na sala de reuniões principal, a senhora deseja alguma coisa agora?

- Me traga um café, por favor.

Liguei meu computador, Amanda havia feito o que eu pedi, e todos os investidores já estavam cientes do próximo passo com os japoneses, Amanda costuma ficar aqui comigo, ela era minha secretaria principal, mas Emma também era muito boa, sempre prestativa e eficaz, ela bateu na porta e entrou com o café que eu havia pedido.

- Pode ir agora Emma, assim que terminar isso aqui – apontei o café – eu irei para a sala de reunião.

Quando entrei na sala, Simon e os outros investidores já estavam lá.

- Bom dia.

Começamos a conversar sobre as lojas e restaurantes que seriam introduzidos ao prédio, uma lista me foi apresentada, Emma e Amanda já tinham feito uma pesquisa sobre cada marca, eu Sabóia que podia me basear nas pesquisas delas, Simon concordou com cada ponto apresentado, senti meu celular vibrar em cima da mesa, era Vanessa.

- Vocês se importam? Todos acenaram para mim, e eu atendi, indo em direção a janela da sala.

- Bom dia.. você acordou agora? Sim já começou..não, eu não quero que você desligue.. sim, eu estou… todos devem estar olhando agora.. logo após essa reunião tenho uma videoconferência.. se você preferir.. eu vou te avisar caso demore.. qualquer coisa me ligue.. tome cuidado por favor.. até mais tarde.. e Vanessa, eu amo você.

Me virei e realmente todos me olhavam – Namorada – eu disse sorrindo, eu não precisava dizer o que era, nunca precisei  mas nesse caso, eu senti necessidade e um certo orgulho em dizer isso a eles.

Nossa reunião foi rápida graças a Emma e Amanda, eu precisava recompensá-las, Simon parou na porta logo após a reunião.

- Quase não te reconheci quando você atendeu  telefone, mas depois da festa.. bom Clara, fico feliz que  você esteja feliz, Erika ficou feliz quando falei sobre você e Vanessa.

Erika era a esposa de Simon, depois de alguns jantares em sua casa, Erika se mostrou tão amiga quanto Simon.

-Obrigada, e sim eu estou Simon, mande um abraço para Erika.

Quando todos saiam, Emma entrou na sala, e começou a arrumar a tela para a videoconferência.

- Emma, tem algum lugar no mundo que você sempre quis conhecer? – ela se virou surpresa para mim.

- Hmm, eu não sei senhorita Aguilar, talvez Veneza, Itália, suponho eu, mas me desculpe senhora  porque a pergunta.

- Só curiosidade, mas obrigada por hoje Emma, assim que terminar essa reunião, adiante o que o for possível, e você esta dispensada. Meu celular vibrou, era uma mensagem.

- Claro, obrigada senhorita Aguilar – ela saiu da sala, ouvi a porta fechar, eu já estava olhando para o celular.

De: Garota da chuva

Eu queria ter feito seu café da manhã.

Para: Garota da chuva

E eu queria ter tomado café ao seu lado, mas nós teremos tempo para isso, saudades.

Em alguns minutos a tela se iluminou e o senhora Hayashi surgiu, ele tinha um inglês com sotaque muito forte, mas eu conseguia entender. Se os japoneses assinassem esse contrato, os lucros aumentariam em 78%. O bom é que eu gostava do senhor Hayashi, ele era direto como eu. Em poucos mais de quarenta minutos conseguimos nos entender e ele mandaria o contrato assinado o mais rápido possível, agora eu só precisava ligar para Vanessa. Peguei minha bolsa e fui para fora da sala, discando o numero dela.

- Até mais Emma, não ouvi o que ela disse, eu já estava com o celular encostado na orelha, e entrando no elevador.

- Pronto, onde encontro você? ..Sim.. Te vejo em alguns minutos – Fui para lá o mais rápido que consegui, infelizmente ali tinha transito.

Algumas pessoas estavam ali, mas consegui achar Vanessa rapidamente, ela estava quietinha, olhando para o altar, eu fui para o seu lado, ela se virou e sorriu para mim, mas não disse nada, ela voltou a olhar para o altar, parecia concentrada, colocou sua mão sobre a minha e apertou, eu fiquei em silencio e aguardei.

Ela fez o sinal da cruz, fechou os olhos por alguns segundos, e então se levantou ainda segurando a minha mão, quando estávamos para sair ela fez uma reverencia ao altar e novamente o sinal da cruz e então saímos.

- Não pensei que você fosse religiosa.

- Não se trata de religião, eu tive uma educação católica, fiz primeira comunhão e tenho muita fé, eu acredito que Deus esteja em todos os lugares, mas eu gosto  da paz que encontro nas igrejas, então só vim conversar um pouco. Podemos ir agora e fazer alguma outra coisa. Vamos comer alguma coisa?

- Você tem algo em mente? – eu perguntei a ela.

- Bom nós estávamos em dois carros, ao vir pra cá eu senti o cheiro de yakissoba, sugiro que a gente coma juntas e depois nós pegamos os carros.

- Por mim está tudo bem, onde vamos comer? – ela abriu um sorriso e deu um olhar de criança sapeca, ela me puxou pela mão, fomos parar em um carrinho de comidas na rua, o cheiro estava realmente bom, eu olhei para ela, mas ela continuou, então fui com ela assim mesmo.

O vendedor era um oriental e definitivamente foi o melhor yakissoba que já comi, e eu já comi na China heim.

Voltamos para onde os carros estavam estacionados, eu acompanhei Vanessa até a porta do hotel.

- Você ainda me deve um beijo – ela me agarrou e me beijou, no inicio suavemente, então o beijo urgente, nossas línguas dançando em nossas bocas, eu mordi levemente seu lábio, o beijo dela era viciante, e eu já estava  pensando nas possibilidades de enfiá-la no carro e irmos para algum estacionamento, paramos para respirar um pouco.

- Nos vemos em casa – e assim eu me virei, senti ela dar um tapa na minha bunda, quando me virei ela já tinha entrado no carro, mulher nenhuma, nunca tinha feito isso comigo, eu fui para o carro sorrindo.

Em Seus Olhos - Cap 25

Acordei de madrugada, estava chovendo forte, a luz estava apagada. Me virei e não vi Vanessa. Fui até a sala, e lá estava ela, eu acho que já imaginava, ela estava deitada no sofá, uma das pernas estava para o alto apoiada no encosto, ela estava abalançando o pé, quando cheguei mais perto, vi que ela estava de fone. Eu não queria assustá-la, então acendi a luz do abajur próximo a mim, ela virou sua cabeça para trás e sorriu.

- Eu não queria te assustar, por isso acendi a luz.

- E eu não queria te acordar, por isso o fone, mas pelo visto não adiantou.

- O que você esta fazendo aqui? – olhei para o celular dela, era 4h11 da manhã.

- Eu fiquei com vontade de ouvir musica. – eu não acreditei muito, ela estava com cara de pensativa, mas eu sabia que ela não ia dizer muita coisa.

- Você já arrumou suas coisas para amanha? – ela fez que sim com a cabeça.

- E você? – ela perguntou sentando no sofá.

- Ainda não, mas amanha eu arrumo -  eu bocejei.

- Você vai para a empresa amanha?

-Vou, tenho que resolver umas coisas.

- Então acho melhor irmos deitar -  ela deu pause na musica, enrolou o fone e deixou o celular no sofá, ela jogou o corpo para frente e colocou as pernas em volta na minha cintura, e os braços em volta do meu pescoço, me beijou suavemente, e em seguida me abraçou um pouco mais forte, senti uma ponta de preocupação.

- Vamos para a cama.

Acordei o céu estava escuro devido a chuva, olhei no relógio, eram 8h48 da manha.

Vanessa estava dormindo ainda, sai da cama e fui para o banheiro, quando voltei. Vanessa não estava mais, senti um cheiro bom invadir o quarto.

- Fazendo o seu café da manha – ela disse me mostrando uma frigideira com o que pareciam ser ovos mexidos, voltei para o quarto, aproveitei e coloquei o colar que comprei para ela dentro da minha bolsa, e ui para o closet para me trocar.

- Assim aquelas recepcionistas não vão conseguir resistir a você senhorita autoritária. - ela disse sentada na cadeira, com um dos pés para cima, de uma forma que ela pudesse segurar seu joelho, eu olhei para mim atreves do reflexo do espelho que tinha entre a sala de jantar e a de estar, eu estava como todos os dias, passei minha mão sobre os cabelos e o joguei para o lado, e ela se abanou, eu dei risada.

- Assim que eu voltar, eu arrumo minha mala, eu não vou levar muito tempo.

- Tudo bem, você quer comer alguma coisa antes de irmos?

- Acho que não, não daria muito tempo, e nos podemos comer alguma coisa no avião, só para enganar, vou deixa avisado em casa, assim teremos o que comer quando chegarmos.

- Deixar avisado?

- Sim, com Ana, ela é minha governanta e cozinheira.

- Hummm

- Obrigada pelo café da manhã – ela me beijou, antes que eu fosse para o escritório.

                                                               ***

- Aqui está Amanda, encaminhe isso para cada do Junior e eu vou ligar para ele agora avisando. Assim que você voltar, explique para Ana que vou para casa hoje com Vanessa, diga que vamos jantar em casa sim?

Eu iria enviar os colares para casa de meu irmão, queria fazer uma surpresa para ela lá.

- Claro senhorita Aguilar – Amanda sorriu para mim, ela estava feliz por eu estar levando Vanessa em casa.

Fui para minha sala, e liguei meu computador, peguei meu celular e disquei o numero do meu irmão.

- Junior? ..sim.. eu vou, quer dizer nós vamos.. eu conto para você quando chegarmos ai.. minha namorada (risos) sim, pode se dizer que sim.. eu liguei para pedir um favor.. chegará um embrulho para você essa semana, assim que chegar você me informa, eu quero pegar ele sem que Vanessa veja, é uma surpresa pra ela.. sim, o nome dela é Vanessa.. pode ser.. no meu antigo quarto.. isso.. Obrigado.. nos veremos essa semana.. Sim Junior, eu te conto.. ate mais.

Logo em seguida meu celular tocou.

- Sim Luis? .. desde quando? ..pode contratar, quero ele sem nenhuma informação, seja sobre minha empresa ou a de qualquer um, ele mexeu com a pessoa errada… Sim Luis, e quero provas conclusivas que incriminem ele.. eu sei, eu já agradeci varias vezes por você ser meu amigo.. faça isso.. vou hoje.. a reunião será segunda-feira.. ligo confirmando. Até mais Luis.

Porra, então esse Richard conseguiu informações internas, e já estava investindo em mais uma fraude contra a minha empresa? Vi Amanda voltando, fiz sinal para que ela entrasse.

- Tudo feito senhorita Aguiar, o pacote chegara a Londres na segunda-feira, no endereço do senhor Junior.

- Obrigada Amanda – eu ainda estava nervosa com essa historia do Richard, mas eu sabia que podia confiar cegamente no Luis, e ele conseguiria as informações necessárias para acabar com Richard.

Olhei para ora, a janela que eu a tinha visto pela primeira vez e hoje quase quatro meses depois, aqui estou, namorando com a garota da chuva, prestes a levá-la para a minha casa, lugar onde eu só tinha levado a Nicole, na época da faculdade.

Vi a hora em meu celular, peguei minhas coisas e sai, como de costume Amanda estava muito próxima a tela do computador.

- Amanda, vá a um oculista sim? – ela se afastou rapidamente da tela e ficou vermelha, mas acenou com a cabeça. – Já estou indo, me mantenha informada de tudo.

- Sim senhorita, faça uma boa viagem. – Obrigada, Amanda, nos vemos na próxima semana.

Quando sai do elevador me deparei com uma das recepcionistas, me olhando muito sem jeito, vi que ela ruborizou, eu sorri, e ela ficou ainda mais vermelha, lembrei do que Vanessa tinha dito hoje de manhã.

Abri a porta, e lá estava ela, linda, ali para mim, olhando para fora, os fones estavam em seus ouvidos, ela estava em pé com as mãos no bolso traseiro da calça, andei até ela e a abracei por trás, ela tirou o fone e passou a mão pelos meus braços.

-  Como foi o dia no escritório?

- Chato sem você por perto. -  ela deu risada e se virou.

- Bom aqui também não é muito bom sem você por perto – ela beijou meus lábios.

- Que bom saber que também faço falta – ela revirou os olhos e sorriu me beijando de novo.

- Acho melhor você ir arrumar suas coisas.

- É verdade. -  eu dei um beijo nela, e a soltei.

Dei uma checada em tudo para ver se não estava esquecendo nada, e fechei a mala, Vanessa estava na porta do quarto com um copo de água na mão, me observando.

- Tudo pronto, acho melhor irmos para o aeroporto. Peter já estava a nossa espera.

                                                                   ***

A Viagem seria um pouco cansativa, calculei umas seis horas dentro do avião, quando a comissária de bordo veio, ela viu que estávamos de mãos dadas, deu para acompanhar seu olhar, então formalmente ela nos deu um pequeno cardápio. Pedimos uma salada, seria o suficiente ate chegarmos a Londres.

-Vai ter um jantar só para a família?

- Bom, eu acho que sim, mas meu irmão exagera as vezes um pouco, ele não me disse por telefone.

- É seria bom, eu gostaria de saber se preciso comprar uma roupa antes de irmos.

- Não se preocupe, assim que pousarmos vejo com Junior.

Quando chegamos ao aeroporto, o dia estava brilhando, estava bem claro, e devido ao fuso horário ganhamos algumas horas.

Fomos direto pegar um taxi, eu amava Miami, e é por isso que estava construindo a empresa e uma residência lá, mas de repente Londres ficou mais ou tão interessante quanto Miami. Era Vanessa eu sabia, e agora onde ela estivesse para mim estaria bom.

Fui mostrando o caminho para ela, era sua primeira vez aqui, assim que nos aproximamos da primeira avenida, mostrei a ela o topo do prédio onde ficava minha casa.

- Você realmente gosta de ter uma boa vista.

- Muito, eu sempre gostei, acho que você vai gostar de lá, a maioria das paredes são de vidro.

O taxi parou na frente do prédio, um dos funcionários veio ajudar, levando para dentro nossa bagagem enquanto fomos para o elevador.

Eu passei minha mão pelas costas dela, eu fui descendo, ela cruzou uma das pernas na parte de trás das minhas e me beijou.

Chegamos ao andar e tivemos que nos recompor, o funcionário estava lá com nossas bagagens, eu peguei minha chave e abri a porta. Fechei agradecendo assim que ele deixou nossa bagagem na sala, Vanessa estava olhando para fora, para a vista.

- O que você achou? – Ela se virou para mim.

- Eu preciso mesmo falar?

- Vem, deixa eu te mostrar, nós fomos para fora, para o terraço, dali conseguíamos ver o rio. – A noite fica ainda mais bonito, eu disse abraçando-a pó trás, voltamos para dentro e vi Ana saindo de um dos quartos, ela deu um sorriso ara mim e depois para Vanessa.

- Como vai Clara? – Ela tinha essa intimidade comigo, eu cresci comendo a comida dessa mulher, Ana devia ter seus cinqüentas e cinco anos agora, era a pessoa mais calma que eu conhecia, com seus 1,60cm sua pele clara, e pouco enrugada, sempre co cabelos presos e um rabo de cavalo, seus fios hoje em dia não tão pretos.

- Ana, essa é Vanessa, minha namorada. Ana se aproximou de Vanessa, e lhe deu um abraço, que Vanessa retribuiu.

- Ela é autoritária com a senhora também? – Vanessa perguntou sorrindo e olhou para mim para ver minha reação.

- Eu troquei muitas fraldas dela para que ela seja autoritária comigo.

- Comigo ela tenta. – Vanessa disse piscando para Ana que sorriu para mim.

- Você deve ser muito especial,para ter conquistado o coração dela.

- A sua opinião e da minha mãe não contam. – falei dando um abraço em Ana. -  Ela está na família há mais tempos que eu, tem mais direito a herança que eu, Junior e Taylor.

- Para com isso Clara! – ela disse dando um tapinha em mim.

- Bom, o jantar ficará pronto as sete sim? – fiz que sim com a cabeça.

- Vamos, vou te mostrar o resto, seguimos pela sala de jantar, e fomos para a cozinha, que era ampla e clara, fomos para um pequeno corredor ao lado da cozinha, onde havia uma sala, eu tinha feito um pequeno estúdio ali, um sofá, poucos moveis, havia um banheiro, caso quisesse transformar em um quarto, mais achei desnecessário.

- Aqui tem um quarto. -  seguimos para a próxima porta -  E aqui eu guardo documentos e arquivos da empresa -  chegamos na sala onde coloquei uma mesa de sinuca, e uma d e baralho, havia alguns moveis, um sofá grande em L e cadeiras, havia uma saída pra o outro terraço.

- Aqui. – e eu abri a porta – Esse é o quarto principal, onde você vai ficar comigo. -  eu gostava do meu quarto, alem de familiares e Ana, nunca ninguém tinha estado ali.

- Seu quarto é muito bonito, tudo tão claro.

- Sim, eu gosto muito desse quarto, aqui também tem uma porta para o terraço. – mostrei a ela, abrindo-a.

- Aqui tem o closet, o banheiro, e do outro lado do apartamento tem mais três quartos, um esta mobiliado os outros dois não, estou pensando ainda o que fazer neles, ela parecia ter gostado de tudo, incrível como o fato de ver ela na minha cada me deixava feliz.

- Você quer fazer alguma coisa agora?

- Eu queria muito um banho.

- Posso fazer companhia? – ela me puxou pela gola da camisa, acho que isso foi um sim.

                                                                       ***

Fui para a cozinha, Ana estava colocando a mesa, fui atrás de um vinho.

- Ela é muito bonita Clara.

- Sim ela é, e também muito especial.

- É o que parece, eu e sua mãe não achamos que você iria namorar alguém serio de novo, achávamos ate que um dia você voltaria com a Nicole -  eu bufei com o comentário.

- Eu não tinha o intuito de namora ninguém também, só aconteceu, mas com a Nicole? Não Ana, por favor – ela sorriu para mim. Vanessa surgiu na cozinha, ela estava com uma calça preta, e uma camisa cinza larga, a gola parecia gasta, e pendia para um lado, deixando o ombro a mostra, seus cabelos estavam úmidos e jogados para um lado só, eu agarraria ela agora, mas achei que não deixaria Ana muito a vontade. Eu puxei uma cadeira para que ela se sentasse.

Ana tinha feito salmão com purê de legumes, ela sempre cozinhou muito bem, mas agora que eu tinha comido a comida da Vanessa, eu sabia que a dela era mais saborosa, é lógico que eu não falaria isso para Ana, nunca.

Em Seus Olhos - Cap 22

Acordei antes dela, pedi que o serviço de quarto retirasse o jantar de ontem, e trouxessem o café da manha. Fui para a mesa na sala e liguei meu notebook, eu sabia que não tinha acontecido, nada demais nos últimos dias, mas era melhor checar. Tudo estava certo, só teria que ir para Londres de qualquer forma, por uns dias.

- Bom dia! – ela tinha acordado, estava com o roupão e parada na parede espelhada, com um sorriso no rosto.

- Bom dia, eu me levantei e fui ate ela, passei minhas mãos em sua cintura e beijei sua boca, ela colocou sua mão na minha nuca, ouvi bateram na porta e paramos de nos beijar, ela tomou ar, eu sorri e fui até a porta.

- Hoje eu vou dar uma passadinha na empresa, mas eu volto antes do almoço, assim nós podemos visitar os Ribeiro. – eu disse enquanto terminava meu café da manha, ela tinha comido algumas torradas com geléia, e agora estava terminando o seu chá.

- Tudo bem, eu estarei pronta.

Fui para o chuveiro, tomei uma ducha rápida e me enrolei na toalha, Vanessa estava tirando a mesa do café, ouvi a porta enquanto eu colocava minha roupa, provavelmente o serviço de quarto retirando a louça, eu tinha que ver os mantimentos, eu queria que usássemos a cozinha.

- Vou tentar ser rápida lá – eu dei um beijo em sua boca, e de repente eu não queria mais sair, eu fiquei com minha mão em sua cintura, ela me olhava sorrindo.

- Mudou de idéia? – ela perguntou

- Sinceramente? Sim. – eu disse, ela me beijou e então mordeu levemente meu lábio inferior. – Mas eu preciso ir, eu juro que volto logo. – relutante eu soltei sua cintura e deu um passo para fora da suíte, ela ficou na porta, me olhando, ela ainda estava de roupão, a porta do elevador se abriu, ela me deu tchau, e por um segundo quase voltei, mas quanto mais rápida eu fosse, mais rápida eu voltaria, entrei e apertei o térreo.

- Bom dia!

- Bom dia senhorita Aguilar, vou providenciar os relatórios. – fui para a minha sala provisória.

Liguei para Simon, ele ainda estava em Londres, então seria realmente necessário ir para lá, eu queria deixar tudo pronto no novo prédio. Eu tinha que ver com a Vanessa se ela estaria disposta a ir junto, vi o visor do meu celular brilhar, era meu irmão.

- Junior? ..Está tudo bem? .. Mamãe? .. comigo está tudo certo… quando? ..tudo bem, eu confirmo com você ..sim ..ate mais.

Essa era uma ótima oportunidade, de ir para o Londres e levar Vanessa comigo, ela não poderia dizer não, comecei a escrever uma mensagem de texto para ela.

Para: Garota da chuva

O aniversario da minha mãe será na próxima semana, minha família está marcando um jantar, espero que não tenha esquecido que ela quer ter conhecer, combinamos quando eu chega,r estou com saudade.

Mas uma hora e consigo terminar tudo aqui, já tinha revisado os relatórios, falei com os patrocinadores e agora vou esperar uma resposta para marcar a reunião. Nós teríamos que ir para Londres primeiro para a reunião, e depois para o aniversario da mamãe, precisava saber disso ate amanha no máximo, para que Amanda providenciasse tudo. Meu celular vibrou.

De: Garota da chuva

Eu não me esqueci, tem certeza que é uma boa idéia isso? Também estou com saudades.

Para: Garota da chuva

A idéia é ótima, você é minha namorada, e minha mãe quer conhecer você, nada complicado, tudo muito simples, só estávamos aproveitando a oportunidade, já que coincidiu com o aniversario dela, logo estarei ai.

Recebi o e-mail da reunião mais rápido do que eu esperava, para segunda-feira, o aniversario seria na quara, daria tempo de irmos sem pressa para os dois, e voltamos para Miami antes do fim de semana.

- Amanda, compre passagens para Londres, para está quinta-feira, para mim e para Vanessa.. isso.. e compre passagens de Londres para Miami na sexta-feira.. ok, Amanda peça para alguém levar ou retirar o Mercedes no hotel sim? Obrigada.

Eram 11h30 quando sai do escritório, ainda chovia muito.

- Vanessa? – entrei na sala, e nada, deixei minhas coisas sobre a mesa, e fui para o quaro, Vanessa estava sentada na cama, ela estava com uma regata preta, e uma calça jeans, ela me abriu o sorriso, eu fui ate ela.

- Oi! – eu disse me juntando a ela na cama, ela passou os braços pelo meu pescoço.

- Oi.. quer  dizer então que vou conhecer sua mãe? – fiz que sim com a cabeça, passando meus dedos em seus cabelos.

- E quando vai ser isso?

- Bom era sobre isso que eu queria conversar, tenho uma reunião em Londres, então nós iríamos para lá na terça-feira, o aniversario será na quarta – esperei sua reação, ela fez um bico pensativo, mas então me beijou, acho que isso era um sim, ouvi seu estomago roncar.

- Melhor irmos agora, assim nós podemos almoçar, também estou com fome. – ela saiu da cama e foi ate sua mala, ela tinha colocado a sua bota vermelha e pegou sua jaqueta preta, e fui para a minha e peguei uma calça jeans, uma camiseta branca básica e minha jaqueta de couro, coloquei um salto e fui para a sala pegar minhas coisas.

Fomos par o elevador, e sem que eu esperasse ela me agarrou pela nuca, e começou a me beijar, eu coloquei minha mão em sua cintura, o elevador parou, e eu não estava em condições de sair, ela sorriu para mim, podia jurar que vi um pouco de malicia naquele sorriso.

Caminhamos ate meu carro, eu estava com saudade de dirigi-lo. Luis tinha me passado o endereço por e-mail, dava uns quinze minutos de carro, Vanessa ligou o radio e deixou na estação de sempre, a que eu ouvia.

- Você prefere comer antes de irmos?

- Não, eu agüento, prefiro ir vê-los antes, depois nós podemos decidir onde comer.

- Tudo bem! – eu coloquei minha mão em sua perna enquanto diria, um ponto positivo para os modelos automáticos, ela estava apreciando a paisagem.

- Hmm.. pela que Luis me passou, a rua é essa, nós devemos estar perto – então eu achei, era uma caminha de tijolos vermelhos com uma arvore em frente.

Nós subimos os degraus e eu bati na porta, alguns segundos depois ouvimos os latidos de Sol e depois passos, Ângela abriu a porta, com um enorme sorriso no rosto, primeiro para mim e depois para Vanessa, Sol pulava em nós duas.

- Desculpa não avisar que vínhamos – eu disse.

- De forma alguma, entrem, por favor -  assim que entramos Ângela me abraçou e depois Vanessa, ela soltou minha mão para retribuir o abraço, mas logo em seguida me deu a mão de novo.

- Eu estou tão feliz de ver você aqui, ver você duas juntas – Ângela disse olhando para nós duas.

- E então como estão as coisas? E Marcelo? Star? – Vanessa perguntou.

- Ele saiu cedo, foi ver a situação na bolsa, parece que ele teria que vender algumas, para comprar outras, eu não entendo muito disso, mas ele estará em casa logo, ele vai ficar feliz de ver vocês. Star esta ótima, ela vai ficar feliz quando ver vocês também.

- Você já começou a fazer o almoço Ângela?

- Eu ia começar a fazer agora, mas acabei de dar banho na Star, ela resolveu dormir um pouco.

- Bom, o que você acha se eu fizer o almoço? E se você não se importar, algo mais brasileiro.

- Claro que não, eu adoraria Vanessa.

- Bom então sobrou para mim ir comprar os ingredientes.

- Eu vou com você. – Vanessa disse sorrindo para mim.

Compramos uma peça de lombo, alguns temperos, farinha, feijão de um tipo diferente entre outras coisas, Vanessa estava saltitante, era divertido ver. Voltamos para a cada e fomos para a cozinha, a casa era modesta nada de especial, mas muito melhor que abrigos ou na rua, principalmente para criar uma criança.

Clara, posso falar com você um pouco? – Ângela me chamou, enquanto Vanessa procurava pelas panelas na cozinha, nos fomos para a pequena sala de estar, Sol estava deitada no carpete.

- Eu queria agradecer, imensamente pelo que você fez por nós, eu e Marcelo já estávamos mais do que satisfeitos com o fato de que você nos conseguiria um emprego, mas então seu amigo veio, e nos trouxe para cá, sua secretaria levou Star ao medico, isso é muito mais do que já pedíamos, eu não sei como agradecer. – Ela me abraçou.

- Ângela, não me agradeça, era o mínimo que eu poderia fazer, e acho que muitas outras pessoas poderiam fazer o mesmo, mas no caso de voes, eu só pude ajudar através de Vanessa, você sabe.

- Sim, eu sei, eu vou conversar com ela também, e eu estou tão feliz por vocês. Como a encontrou? Foi difícil?

- Bom não foi muito fácil, ela estava disposta a continuar viajando, sumir pelo mundo, eu quando cheguei lá tive que explicar o que ela negava a ela mesma, que ela também estava apaixonada.

- Vocês vão ficar juntas, eu sei disso.

                                                                       ***

- Que tal descemos para comer? – Vanessa falou enquanto eu penteava meu cabelo.

- Por mim tudo bem.

Nos trocamos, eu dei uma olhada pela janela, não estava chovendo, Vanessa já estava na sala me esperando com a porta aberta, descemos pelo elevador, e fomos em direção ao restaurante do hotel, algumas pessoas olharam para nós quando nos sentamos, Vanessa parecia alheia aos olhares.

Um funcionário veio nos atender.

- Massa? – eu perguntei olhando para Vanessa, ela fez que sim com a cabeça. -  Dois talharins com camarões.

Ela estava com o queijo apoiado sobre seus dedos entrelaçados, olhado para mim, seu queixo estava um pouco enrugado pela posição, fazendo com que sua boca ficasse mais saliente, eu fiquei com vontade imensa de beijá-la.

Alguns minutos depois nossos pratos chegaram, estávamos sorrindo, lembrando da nossa viagem de volta a Miami quando ouvi alguém me chamar.

- Clara? – eu levantei meus olhos para a voz feminina que havia me chamado, e parada a lado de nossa mesa uma mulher, Vanessa ficou olhando da mulher para mim, talvez esperando uma apresentação, o problema era que eu não tinha a menor idéia de nome da mulher, eu já tinha saído com ela, mas seu nome? Eu não fazia idéia de qual era, baixei meus talheres e me levantei.

Em Seus Olhos - Cap 13

Fui para o metro, eu nunca tinha feito isso aqui, eu estava sempre de carro. Comprei a passagem e olhei o mapa, escolhi ir para um dos Parks, muitas pessoas também desceram comigo. Andei ate a entrada do parque, e vi que muitas pessoas estavam tomando banho de sol, deitadas em esteiras pela grama verde.

Fiquei andando ate chegar a uma ponte, onde parei e tirei uma foro do rio com meu celular. Voltei a andar, ate que achei um lugar debaixo de uma arvore, um salgueiro chorão e me sentei, eu tirei mais uma foto dessa vez uma vista do parque, fechei meus olhos e dei atenção a musica e aos meus pensamentos.

Porque é que agora que ela não esta aqui, eu tenho me sentindo tão mais próxima a ela?

Isso me confundia profundamente, abri meus olhos, procurei sua foto no meu celular, resolvi mandar, ela não sabia que eu tinha tirado foto, mas antes de mandar, eu virei o celular para mim, eu provavelmente estava toda descabelada, mas tirei a foto, dei uma olhada, nada demais, dava pra ver que eu estava sentada na grama, mandei a foto dela e em seguida a minha.

***

O céu estava com outra cor quando abri os olhos, eu devo ter cochilado, me levantei e comecei a andar em direção ao metro.

Desci e peguei um taxi para o hotel, a caminhada seria muito longa se eu voltasse a PE e eu estava cansada. Assim que cheguei, fui ao frigobar e peguei uma água, sentei no chão encostada na parede de vidro, tirei o tênis e fiquei ali sentada. De repente me senti impotente, pela primeira vez nesses vinte e seis anos de vida eu estava apaixonada por alguém, e eu não a tinha comigo, em sequer sabia onde ela estava, e isso doía.

Levantei-me e fui para o banheiro, deixei a água da banheira encher e fui para o quarto tirar a roupa que eu estava, tirei do bolso minha carteira o celular com os fones de ouvido, deixei a roupa para levar a lavanderia e voltei para o banheiro. Eu precisava relaxar um pouco, descansar minha mente.

Alguns minutos depois ouvi meu celular tocando. Eu tinha acabado de entrar, seja quem for eu ligaria depois.

O celular não voltou a tocar e eu praticamente apaguei na banheira.

Quando acordei a água estava fria, peguei a toalha e fui para o quarto, me joguei na cama, me cobri com pude e voltei a dormir, a ultima coisa que vi foi o celular, mas eu estava com muito sono.

Eu realmente dormi aquela noite, descansei tudo que precisava, meu corpo estava muito pesado, eu tinha andado o dia todo. Acordei com muita fome, eu não tinha jantado ontem, fui ate a cozinha e tomei um copo de leite com alguns biscoitos, então vi meu celular, lembrei que ele tinha tocado ontem, procurei pelas chamadas perdidas, Luis havia me ligado, retornei para ele, não cheguei a ver a hora, dei uma mordida no biscoito, ele atendeu, com voz de quem havia acabado de acordar, olhei a hora pelo meu notebook, 07h30, de boca cheia comecei a falar.

- Luis, bom dia, desculpe acordá-lo cedo, não pude atender ontem.. o que houve? … conseguiu? .. e onde ele estava? .. Hum, no meio do oceano.. se essa semana fechasse sem que ele respondesse eu comeria o fígado dele… E qual data que ele te passou?.. Entendo, mas não saia do PE dele ate que ele passe a informação.. Obrigada Luis, vou aguardar.

A minha felicidade era tanta que mal cabia em mim, agora era só esperar a localização para ir ate ela. Me troquei, colocando um shorts jeans e uma camisa preta de manda curta, escovei meus dentes e coloquei um tênis, dessa vez peguei as chaves do carro, coloquei meu celular e carteira no bolso e fui para fora.

Comecei a acenar e dar bom dia a todos, eu queria abraçar as pessoas, sei que algumas gostariam mais do que outras, e isso me fez sorrir.

Fui para a obra, amanha o prédio começaria a ser erguido. Eu mal podia esperar para que ficasse pronto, pois alem da empresa, os últimos andares foram reservados para o meu apartamento, assim eu teria minha vista e uma residência em Miami.

O apartamento seria acima da minha sala. Andei pela obra com os arquitetos e depois fui almoçar, havia uma lanchonete ao lado da obra, pedi um lanche e comi ali mesmo, minha ansiedade estava tirando um pouco meu apetite.

Ao sair da obra resolvi passar no shopping, fui a uma loja de brinquedos, eu queria levar algo para Star, depois fui a uma loja de animais e comprei alguns biscoitos e um brinquedo para Sol.

Eu queria comprar algo para Vanessa, mas eu achei que nada ali daria certo, no fundo eu acho que eu já sabia o que dar a ela, era mais simples que qualquer coisa que eu poderia encontrar em um shopping, mas também tinha muito mais valor que qualquer coisa ali dentro, eu liguei para Amanda.

Eu voltei para o hotel, deixei as coisas no carro, eu não queria correr o risco de esquecer. Passei no quarto de Amanda, para falar sobre o presente de Vanessa.

- Oh! Olá senhorita – Amanda estava absurdamente vermelha e ela estava com cara de quem não esperava me ver nesse momento. Eu realmente não era de vir ate ela ou trazer coisas, acho que ela pensou que eu ligaria solicitando que ela fosse ao meu quarto, ela estava com um roupão, achei que ela tivesse envergonhada por isso.

- Não fique com vergonha Amanda, você já me viu com menos roupa. – eu dei risada – Eu só vim deixar isso com você, para o presente que pedi hoje.

Ela apareceu aliviada, pegou o papel e então ela me deixou na porta e foi correndo ate sua bolsa em uma poltrona, deixando o papel que entreguei a ela em cima de uma mesinha e voltando com um pacote nas mãos.

- São os papeis do senhor Simon, ele pediu que a senhora desse uma olhada. – então ouvi um barulho de porta sendo aberta.

- Amanda meu doce, onde você está? – e Amanda já estava suando frio, eu olhei para ela erguendo a sobrancelha, quando ela ia começar a falar, eu a interrompi – Vá Amanda, e obrigada! – dei uma piscada para ela.

- Guarde com cuidado esse papel que eu te entreguei – fui andando de costas para me manter de frente para Amanda.

- Eu quero ele de volta sim? – ela colocou o rosto para fora – Boa sorte senhorita, tudo vai dar certo – ela fechou a porta, eu comecei a sorrir, Amanda tinha uma affair em Miami, ou alguém que veio visitá-la, bom, não era da minha conta, ela merecia ser feliz.

Passei a noite lendo aqueles documentos, liguei para Simon aceitando sua proposta, seria bom o que ele estava propondo para o prédio, ele queria trazer algumas franquias diferentes, não limitando somente a um prédio empresarial. As pessoas poderiam fazer outras coisas, como compras e comer em algum restaurante diversificados.

Meu celular tocou, me dando um susto, com certo medo apertei o botão para atender.

- Sim Luis… tem? … Onde ela está? – Aberdeen? Escócia? .. droga! Quando? .. sim eu aguardo Luis, muito obrigado.

Eu quase corri para o carro, eu queria ir agora para a Escócia, para Aberdeen, mas eu precisava esperar Luis com os dados de onde ela estava hospedada, e o presente também, eu tinha que esperar ele ficar pronto eu estava pulsando, todo o meu ser estava pulsando, disquei o numero de Amanda esperando não ter interrompido nada.

- Amanda, preciso que você faça reserva para mim em um vôo para Escócia amanha, na parte da tarde, de preferência depois que você conseguir retirar o presente sim? .. Isso, consegui Amanda, alugue um carro no aeroporto também .. Sim.. não, não é necessário hotel, eu me viro assim que eu chegar lá, me passe os dados por e-mail e amanha assim que você conseguir pegar o presente me traga junto com a passagem. Obrigada Amanda, boa noite.

E agora, como que eu ia conseguir dormi com essa ansiedade toda? E eu precisava estar bem amanha.

Peguei meu carro e fui a procura de uma farmácia, lembrei que antialérgicos ou remédios de gripe me faziam dormir como criança, eu preferia tomar um deles a tomar algum tipo de sonífero ou tarja preta. Meia hora mais tarde comecei a sentir os primeiros sintomas de sonolência, fui para a cama, liguei a TV e peguei meu celular.

Para: Garota da chuva

Eu torço para que o seu dia seja tão bom quanto o meu será amanha. Boa noite. Sentindo sua falta.

Me ajeitei na cama e me cobri, comecei a piscar com mais freqüência ate que adormeci.

Quando acordei, vi que o céu estava meio cinza, mas chuva nenhuma iria me impedir de ir para Aberdeen hoje, tomei banho e quando voltei fui para a cozinha, comi os últimos biscoitos de um dos pacotes que eu havia comprado, tomei um pouco de suco, escovei os dentes, e procurei uma roupa, coloquei uma calça jeans preta, cortei a etiqueta, e me olhei no espelho, tinha ficado boa, peguei uma camisa branca de manga curta, passei um pouco de perfume e desodorante, peguei um casaco e as roupas que iriam para a lavanderia,coloquei no meu bolso meu celular e canteira.

Primeiro passei na lavanderia, eles sabiam que Amanda as pegaria depois, resolvi dar uma passada na obra, eles realmente eram bons a coisa estava começando a criar vida, tinham feito quase toda a base do térreo. Resolvi ir almoçar no restaurante onde Doug trabalhava, na esperança de ver a família, por sorte assim que eu cheguei eles estavam lá. Quando me viram acenaram, fui ate eles.

- Posso pedir o almoço para nós aqui?

- Claro senhorita Aguilar.

- Me chame só de Clara por favor, o que vocês vão querer?

- O que a senhorita pedir está bom.

- Tem certeza? – eles fizeram que sim com a cabeça, corri para o restaurante.

- Hey Doug, como vai?

- Olá senhorita, estou bem e você?

- Estou muito bem obrigada - ele sorriu como se fosse algo obvio, eu devia estar sorrindo como uma estúpida, mas eu não liguei.

- Gostaria de fazer um pedido por favor, e quero que levem ate nós na praça.

- Claro senhorita o que será? – fiz nossos pedidos e acrescentei e um prato com carnes para Sol.

Voltei para a praça, e me sentei.

- Como vão as ações? – Perguntei a Marcelo, que abriu um generoso sorriso.

- Definitivamente fiz a escolha certa.

- Isso é bom, isso é bom – a pequena Star estava agachada brincando co sua bonequinha, quando me lembrei dos presentes – Com licença eu já volto – eles acenaram com a cabeça, corri ate o carro, peguei as duas sacolas e voltei caminhando para a praça, me sentando novamente.

- Eu tomei a liberdade de comprar uns presentes para a Star e Sol, se não se importam.

- Não era necessário, mas obrigada – Ângela disse enquanto chamava Star.

Sol estava deitada ao meu lado, peguei as sacolas e tirei o embrulho de Star e entreguei a sua mãe, Star ficava envergonhada na minha presença, ela sempre desviava os olhinhos, quando olhava em sua direção. Peguei os biscoitos e um ossinho para Sol, que sentiu o cheiro na mesma hora. Star ficou feliz por ver a reação de Sol, e começou a bater palminhas.

- Star, esse presente foi a moça bonita que trouxe para você. – o pai dela olhou para mim e disse em um tom mais baixo – É assim que ela se refere a você – eu dei risada, ela olhou para mim e logo desviou olhando para o embrulho

- Aqui filha, abra! – sua mãe deixou em suas mãos o embrulho roxo e dourado, vi que seus olhinhos brilharam quando ela viu a boneca dentro da caixa, uma dessas bonecas novas com rosto pintado a mão e roupas de cetim. Olhei para Sol e ela estava com o ossinho na boca, mastigando-o deitada ao meu lado. O garçom chegou com a nossa comida, comecei a ajudá-lo com as sacolas, olhei para aquela família e vi que apesar das adversidades, eles estavam juntos e felizes. Eu falaria com Luis ainda hoje, para arranjar um lugar para eles ficarem ate que a empresa estivesse pronta, e eles pudessem se manter.

Ângela se dividia entre se servir e dar comida para Star. Achei que seria um bom momento para contar a novidade.

- Consegui descobrir onde Vanessa está – eu disse enquanto bebia um pouco de suco.

- E a senhorita vai ate ela? Ângela perguntou.

- Sim, eu vou, estou aguardando uma ligação com o nome do hotel onde ela está hospedada, assim que receber a informação pego umas coisas e vou hoje mesmo.

- A senhorita realmente está apaixonada por ela! – Ângela disse enquanto dava comida para Sol, que estava abraçando sua boneca nova, mas sem deixar sua antiga de lado, eu parei de comer e olhei para aquela mulher na minha frente, alguém que eu conhecia há dias e que agora compartilhava comigo um dos momentos mais importantes da minha vida.

- Sim, sem sombra de duvida, ela me mudou de tal forma, eu só consegui passar por esse mês, porque eu tinha esperanças de vê-la novamente – Ângela me olhou com compaixão.

- Onde ela está senhorita? – Marcelo perguntou.

- Em Aberdeen.

- Você vai de carro?

- Não, quero chegar lá mais rápido do que isso vou de avião, - eu estava colocando no lixo os recipientes que usamos para comer, quando senti meu celular vibrando no bolso, olhei para o visor era Luis, senti meu coração dispara, Marcelo e Ângela me olharam com expectativa.

- Luis? .. espere só um pouco – eu corri ate o restaurante – Caneta e papel por favor? – pedi ao recepcionista, que me entregou imediatamente. – Pode me passar o endereço Luis… Qual o nome do hotel? .. Quanto tempo de viagem? .. ok Luis obrigada.. vou.. claro. Luis preciso de mais um favor seu – expliquei rapidamente a ele sobre o caso dos Ribeiro, Luis achou tudo muito estranho vindo de mim, mas ele não questionava muito, então passei o endereço de onde eles costumavam ficar e voltei para a praça, segurando o papel, como se meu mundo estivesse nele.

- Consegui, vou pegar umas coisas no hotel e vou pra lá. – eles sorriram para mim, eu via sinceridade em seus olhos e sorrisos, isso me fez mais confiante.

- Tudo vai dar certo! – Ângela disse para mim – Diga a Vanessa que mandamos um abraço sim?

- Eu posso fazer melhor, se juntem por favor, eu vou tirar uma foto de vocês, Marcelo segurou Sol e Ângela continuou com Sol no colo, bati a foto e sem pensar depois fui ate eles e abracei-os, Sol me lambeu e Star ficou envergonhada, mas sorriu, eu estava saindo quando me lembrei.

- Um amigo meu chamado Luis, vira para conversar com vocês sim? Talvez amanha mesmo. E então sai em direção ao carro, deixei o celular no Bluetooth para conversar pelo auto falante, e liguei para Amanda.

- Amanda, eu espero sinceramente que o presente já esteja com você e a passagem também.

- Senhorita acabei de pegar o presente e a passagem já esta comigo.

- Estou chegando no hotel, pode descer, venha comigo, você volta do aeroporto com meu carro.

- Sim senhora.

Assim que cheguei, Amanda estava a minha espera, estacionei rapidamente, ela entrou no carro, pela minha visão panorâmica vi que ela constantemente olhava para mim e desviava o olhar.

- Algo errado comigo Amanda?

- Desculpe a indiscrição senhorita, eu nunca a vi tão sorridente – eu estava sorrindo? Eu não havia percebido, me olhei no retrovisor, e sim, o sorriso estava lá, olhei-a e dei risada, uma risada de verdade, ela sorriu comigo também.

- Amanda, passe na lavanderia e pegue minhas roupas sim? Se Luis precisar de sua ajuda, você já sabe, me mantenha informada sobre a empresa, estarei com o celular, se Simon ou outra pessoa quiser falar comigo, peça para que me mande e-mail. – eu peguei minha blusa, o embrulho de Vanessa e a passagem com Amanda. Dei um rápido abraço nela, que a fez ruborizar como de costume e corri para dentro do aeroporto. Ouvi de longe a voz de Amanda.

- Boa sorte dona Clara! – acenei de costas e as portas se fecharam atrás de mim.

Em Seus Olhos - Cap 12

Enviei a mensagem, e me sentei na areia úmida e gelada, subi meus joelhos e abracei-os próximo ao meu peito, o céu estava mudando de cor, ali parecia ser um pouco mais quente que Miami, Haviam tons de roxo, no fundo um rosa mais claro e o laranja começou a predominar, peguei meu celular e tirei uma foto e enviei para ela. Ela certamente se lembraria do pedido que ela havia feito para dançarmos ao por do sol.

Resolvi ficar ate o crepúsculo, olhei o relógio e já tinha passado das nove. Resolvi comer em um restaurante que vi na cidade enquanto vinha para cá, entrei em um lugar chamado Carrigans, fiquei do lado de fora, em uma das mesas de madeira próximo a um pequeno canteiro, uma garçonete veio me atender.

- Boa Noite, deseja ver o cardápio?

- Boa noite, não obrigada, já sei o que vou pedir, quero peixe com fritas e uma caneca de cerveja bem gelada, por favor. – Ela anotou o pedido e foi para dentro, eu apoiei meus cotovelos na mesa e comecei a olhar em volta, eu deveria ter vindo para cá outras vezes, ficava muitas vezes só enfiada na empresa ou em algum hotel. Saindo ocasionalmente quando necessário para jantares de negócios, ou com alguns homens e algumas vezes mulheres, esse pensamento me fez rir, o que me impulsionava a sair com aquelas pessoas?

Haviam algumas pessoas sentadas em outras mesas, eu deu uma olhada geral, e vi que em uma das mesas haviam somente garotos, e assim que os vi virei, porque todos estavam olhando para mim, não consegui ver direito nenhum rosto.

Meu pedido chegou. Uma musica começou a tocar muito alta em algum lugar, vi um movimento grande em direção ao fim da rua. Assim que terminei paguei a conta e me levantei, fui andar um pouco, segui o luxo de pessoas, vi que as pessoas estavam dançando, outras menos corajosas estavam em volta só olhando.

Dei a volta para ver do outro lado e então senti alguém pegar minha mão, meu coração disparou, me virei e me deparei com garoto sorridente, bonito, olhos azuis, seu cabelo era loiro muito claro.

- Dança essa comigo?

- Oh! Não! Não, eu.. – mas ele me puxou para o centro, sorriu para uns outros garotos, imagino que fossem os mesmo do restaurante. Acabei cedendo.

- Você não é daqui! – era uma afirmação

- Tenho trabalhado em Miami.

- Está aqui a negócios?

- Não, estou aqui porque.. Mmm.. me deu vontade de ver o mar, de pensar um pouco na vida. – eu sorri para mim mesma, pensando que eu não teria feito isso a um mês atrás.

- Você deveria vir mais vezes. – ele disse colocando a mão nas minhas costas, uma musica conhecida começou a tocar, era a musica da Vanessa, a que ela havia cantado no bar.

Quem está cantando? – perguntei ao garoto, que parou de sorrir e disse achando estranha minha pergunta.

- Gavin DeGraw! – isso! Era ele mesmo, eu sorri. - Você gosta? – agora o garoto tinha começado a deslizar a mão pelas minhas costas.

- A mulher que eu amo gosta! – o sorriso foi desfeito, ele ate parou um pouco ficando sem graça, depois disso ele não falou mais, eu continuei dançando e ouvindo a musica, que era o mais importante, eu ia baixar algumas musicas deles, para me familiarizar.

Assim que a musica acabou o garoto deu um tchau gelado e saiu, enquanto fui pra o carro sorrrindo.

De volta a Miami fui para meu quarto, eu estava realmente exausta, mas de alguma forma estava começando a me sentir mais leve. Me enfiei no chuveiro e tentei relaxar os músculos.

Quando fui para a cama eu peguei meu celular e digitei uma mensagem.

Para: Garota da chuva

Vendo o mundo com outros olhos.. Boa noite, durma bem, onde quer que você esteja.

E quase que instantaneamente eu dormi.

Eu geralmente não sonhava, era muito raro, mas passei a noite inteira vendo olhos castanhos, misturados com fios de cabelos molhados.

***

Acordei e a luz estava por todo o quarto. A bateria do meu celular estava acabando, coloquei para carregar, liguei meu notebook, digitei o nome do cantor e selecionei um dos vídeos.

Minha caixa de e-mail estava cheia, baixei algumas musicas e fiquei ouvindo, enquanto lia meus e-mails e comia uma caixa de biscoitos e suco que peguei no frigobar.

Fiz umas ligações e encaminhei alguns e-mails, Amanda iria me trazer a documentação que seria enviada a alguns sócios da empresa que estavam em Nova York, para que eu assinasse. Eu resolvi esperar na varanda, eu estava ainda com o shorts do pijama quando bateram na porta.

Abri a porta e voltei para pegar uma canela, Amanda olhava para os papeis em suas mãos quando me virei, suas bochechas estavam vermelhas como tomates.

- Ora vamos Amanda, você já me conhece há anos, não fique com vergonha por me ver de pijamas.

- Desculpe senhorita! – eu sorri para ela.

- Quer biscoitos? – ofereci a ela apontando para a caixa.

- Não obrigada, já tomei café da manhã. Vejo que a senhorita está melhor, e fico feliz por vê-la assim! – eu a olhei enquanto assinava a ultima olha.

-É difícil de explicar Amanda, eu estou realmente tentando.

- A senhorita se apaixonou, posso ver. – ela ficou mais vermelha do que antes, ela estava avançando uma linha que nunca havia ultrapassado, mas era Amanda e ela já tinha demonstrado seu afeto por mim, resolvi responder.

- Sim Amanda, dessa vez eu realmente me apaixonei! – ela acenou com a cabeça.

- Eu acho que ela também gosta de você, deu para perceber quando as via juntas, sempre sorrindo e felizes.

- É o que você acha mesmo Amanda? – eu disse entregando os papeis, ela acenou com a cabeça.

Ela já estava se virando para sair, e eu estava na porta.

- Amanda! Obrigada! – ela me mediu dos pés a cabeça ficando tão vermelha quanto antes, o elevador chegou e ela se foi.

Tirei meu shorts do pijama, coloquei uma calça jeans preta e uma camiseta velha, cinza, eu não usava há anos, já estava desbotada. Coloquei um tênis confortável e fui ao banheiro dei uma boa lavada no rosto, escovei os dentes e penteei o cabelo rapidamente. Eu estava pronta para sair.

Desci pelas escadas, quando passei pelo Lobby, vi as recepcionistas sorrindo com muitos dentes para mim, alguns não tão bonitos. Acenei e passei pela porta de vidro, olhei para dentro e elas estavam se abanando. Fui para a lanchonete perto da empresa e pedi um lance para o almoço, peguei uma Coca-Cola e fui me sentar no banco de costume.

Coloquei meus fones de ouvido e dei play, estava ouvindo algumas do Gavin DeGraw que tinha acabado de baixar, enquanto comia meu lanche, lembrei daquele dia feliz, o dia em que passei sorrindo para o celular e agora ele andava tão silencioso.

Lembrei dela entrando no restaurante e o guardanapo com o sorrido, que eu ainda guardo. Olhei em volta para ver se a garota estava por ali.

Eu senti a necessidade urgente do beijo, de ver o corpo dela, de tocar ela pela primeira vez … Eu tentei me acalmar eu estava na rua pensando em como seria tê-la realmente. Eu baixei minha cabeça apoiando-a em minhas mãos e respirei fundo.

Eu tinha que me controlar, acho que eu precisava andar um pouco, espairecer, mas antes mandei uma mensagem para ela.

Para: Garota da chuva

Sinto sua falta…

Em Seus Olhos - Cap 10

Deixei o porteiro para trás, não dando importância ao guarda-chuva, porque agora eu precisava sentir a chuva. Eu a tinha feito chorar, havia feito com que ela não quisesse mais me ver. Ódio misturado a dor foram os sentimentos que me consumiram. A chuva caia insistentemente e muito fria, em poucos passos eu já estava encharcada. Virei a esquina e continuei vagarosamente até chegar ao carro, apertei o botão do alarme e abri a porta, eram movimentos mecânicos, eu mal podia sentir, tranquei a porta, mas não liguei o carro.

Eu apoiei meus braços no volante e fiquei olhando a chuva cair no pára-brisa, gotas pingavam do meu cabelo, tudo estava embaçado, confuso, como eu.

Eu não sei quantas vezes eu pensei em sair do carro e voltar ao quarto, agarra - lá e não deixar que saísse dos meus braços. Mas se eu fizesse isso as coisas poderiam piorar, no fundo eu sabia que ela precisava de um tempo, que ela precisava pensar e enxergar a situação toda.

Parecia que eu tinha acabado de entrar no carro, mas quando olhei no relógio no painel do carro já passava da uma da madrugada. Liguei o carro, percebi que eu estava tremendo.

No hotel eu resolvi subir pelas escadas, eu não queria olhar para ninguém. Eu só conseguia pensar que ela não queria me ter por perto. A angustia que eu estava sentindo não estava me deixando raciocinar, eu não queria pensar no dia de amanha, eu tinha plena consciência que não iria me concentrar em mais nada a não ser ela.

As palavras dela não saiam da minha mente.

Você entendeu tudo errado, eu não estava sendo apaixonando para você, e sim para mim mesmo, como há muito tempo eu não era.

Algo vibrou e vibrou de novo, lembrei que meu celular estava na minha bolsa, só podia ser ela, eu peguei para ver, meu desanimo quase me fez jogar o celular longe, era Luis, resolvi não atender.

Fechei os olhos e toquei minha boca, o gosto dela ainda estava ali. Foi o beijo mais intoxicante de toda a minha vida, como eu queria tê-la agora, eu a jogaria na cama ou no chão e faria dela minha, só minha.

O que raios poderia ter acontecido com ela? Quem a teria magoado? Ou ela teria magoado alguém e estava tentando me privar de algo?

- Que PORRA!! – esbravejei me levantando.

Porque ela não se abriu comigo? Porque tantos segredos? Fui para o banheiro tomar um banho, fechei os olhos deitada na banheira e só podia confirmar o que eu já sabia desde o inicio, eu estava ferrada, ferrada de verdade.

Acordar foi desesperador, porque toda a dor e angustia de ontem voltaram. Olhei para o meu celular, nem sinal dela. Fui para o escritório de carro, a chuva continuava, só para piorar a situação, qualquer movimento me fazia olhar para fora, na esperança de que ela estivesse na chuva de novo.

A hora estava custando a passar, ouvi baterem na porta, era Amanda, acenei com a cabeça para que ela entrasse.

- Senhora, eu não gosto de me intrometer, eu já perguntei uma outra vez, mas dessa vez a senhorita está me preocupando, você está bem? Precisa de algo?

- Não Amanda, eu agradeço sua preocupação.

- Entendo! – ela disse ruborizada, parecia ser difícil para ela dizer aquelas palavras.

- Clara? Eu.. eu me preocupo com você, e … bem eu seu que sou só sua funcionaria, mas por favor se precisar de algo, eu estou aqui. Com licença – Amanda já estava comigo o tempo suficiente para me conhecer, nem que fosse um pouco, eu sabia que podia contar com ela.

Ficar ali estava me sufocando, peguei minhas coisas e sai.

- Amanda, vou para a construção e depois volto para o hotel, trabalharei de lá o resto da semana, qualquer coisa me ligue e caso queira, pode trabalhar do hotel também.

Assim que cheguei na construção um dos funcionários disse que Richard havia tentando entrar novamente. Agradeci e logo em seguida liguei para Luis.

- Luis, ligue para Richard e deixe claro que não temos mais negócios com ele, por favor, faça isso hoje, não quero ele vindo a construção mais… Sim eu estou bem.. Eu sei.. Hoje? Não estou com cabeça Luis… Mulher? Sim você acertou, é ela..quem diria não é mesmo?  Pois bem, faça o que eu pedi, até mais Luis… sim tenho certeza, ok -  não tinha como enganar Luis, ele ainda era um dos poucos se não o único amigo mais próximo que eu tinha, voltei para o carro, liguei o sim na mesma radio de sempre o radialista estava falando alguma coisa.

O céu estava com um tom escuro por causa da chuva. Segui meio sem direção, mas eu sabia para onde eu estava indo e quando dei por mim, lá estava eu em frente ao hotel dela.

Na recepção o atendente me reconheceu.

- Boa noite senhorita!

- Boa noite! Você pode me deixar subir sem que a senhorita Mesquita saiba? Eu gostaria de fazer uma surpresa – isso é o Maximo que seu cérebro consegue inventar Clara? Pensei comigo.

O atendente me olhou como se eu tivesse dito algo de errado. Depois de alguns segundos parecendo meio inseguro ele continuou.

- Senhora, a Srta Mesquita fez seu check out hoje mais cedo.

A notícia ainda estava sendo absorvida pelo meu cérebro, quando uma recepcionista surgiu por de trás de uma porta e sorriu para mim.

- Senhorita Clara boa noite! A Srta Mesquita me pediu que entregasse isso a senhora – estendeu sua mão com um envelope branco, olhei para os dois que também me olhavam e peguei o envelope.

- Obrigada! – o envelope na mão parecia pesar cem quilos. Assim que entrei no carro, percebi que não tinha desligado o radio. Olhei para o envelope e respirando fundo o abri, havia uma carta dentro, meu coração disparou assim que comecei a ler.

Clara

Eu passei a noite toda acordada e perdida… Completamente perdida, se você soubesse o quanto me faz mal sentir assim.. você não teria pronunciado aquelas palavras. Eu estava em paz comigo mesma pela primeira vez em muito tempo, uma paz que eu necessitava como se fosse ar. Eu sei que você não sabe meus motivos, mas acredite, eu tenho motivos e contar a você não mudaria nada.

Você interpretou isso como paixão, mas entenda Clara, eu abri seus olhos sim, mas para a vida e não para um amor, uma paixão. Agora que você consegue enxergar as pequenas coisas, você tem tudo, tudo mesmo para ser feliz e fazer uma mulher feliz. Você sabe o efeito que tem sobre as mulheres, todas acham você extremamente linda, mas elas não podiam ver alem disso não é? Porque você não deixava ninguém te conhecer. Eu vi alem e gostei do que vi, você alem de bonita por fora é bonita por dentro, você faz coisas boas sim, so que sem perceber, você é culta, interessante, engraçada e quando se deixa levar parece uma menina, livre e leve, Seja mais assim, senhora autoritária, deixe mais pessoas verem quem você realmente é, certo?

Agora, é claro, se você está lendo isso já sabe que eu não estou mais hospedada no hotel. Eu resolvi dar um tempo de Miami, na verdade eu acabei ficando mais tempo do que eu havia planejado, então dei continuidade a minha viagem. Talvez você esteja certa em alguns pontos, mas acredite em mim, é melhor não nos envolvermos, nos acabaríamos machucadas, de uma chance para o tempo ele vai te ajudar a ver com clareza e você ficara agradecida. Existe alguém nesse mundo para você sim, mas não sou eu.

Obrigada de verdade pelas semanasincríveis.

PS: Miami fica melhor com você. Vanessa

Eu li e reli a carta, eu não podia acreditar que ela havia ido embora, ela não podia estar falando serio. Peguei o celular e liguei para Luis. Passei os dados de Vanessa, conversamos sobre os possíveis lugares onde ela poderia estar e expliquei por cima para ele o que tinha acontecido, assim que ele tivesse uma posição do que faria primeiro me avisaria.

Eu queria tentar ajudá-la com o que quer que ela tenha passado, assim que eu encontrasse eu daria um jeito de afastar esses demônios e fantasmas dela.

No quarto de hotel, deixei as luzes apagadas, a chuva caia muito forte agora, deixei que toda dor viesse à tona. Apenas me deitei na cama e me permiti chorar.

No dia seguinte, liguei meu notebook, mandei alguns e-mails e liguei para Luis por volta das onze da manha, para saber se ele tinha alguma novidade, mas ele disse que estava aguardando um posicionamento de um contato dele.

Pedi meu almoço no quarto. Eu dificilmente tirava Vanessa dos meus pensamentos, mas com ela longe eu só conseguia pensar nas coisas erradas, e se ela estivesse em algum outro lugar do mundo onde estivesse chovendo também? E ela resolvesse sair para andar na chuva, mais alguém iria ate ela? E se esse alguém fosse diferente de mim em todos os aspectos, aspectos que chamariam a atenção dela? Droga perdi o apetite, larguei o garfo e tomei uma decisão, eu não a deixaria, ela não precisava saber, pelo menos não agora que eu estava a sua procura, mas eu não ia me distanciar dela, eu sabia que se eu ligasse ela não atenderia, então peguei meu celular na mesa e comecei a digitar uma mensagem.

Para: Garota da chuva

É apenas com o coração que se pode ver direito; o essencial é invisível aos olhos…

Antoine De Saint Exupéry

Eu não esperei respostas, mas eu me senti um pouco menos pior, com essa pequena conexão entre nós.

Na manhã seguinte, peguei meu celular e como era de se esperar não havia nada dela. Mas mesmo assim mandei mais uma mensagem.

Para: Garota da chuva

Bom dia, se estiver chovendo por ai,leve um guarda-chuva, já que não estou por perto…

Na hora do almoço, eu sai um pouco de carro e parei em frente a um mercado, ele não era muito grande. Peguei um carrinho e fui as comprar, na verdade me deu vontade de comer todas as porcarias possíveis, eu queria me sentir melhor, então eu peguei coisas que me lembravam a minha infância, Biscoitos, refrigerantes, chocolate e balas, resolvi mandar uma mensagem para ela.

Para: Garota da chuva

Tentando suprir a falta que você me faz… e você não tem idéia do quanto você me faz falta.

PS: acho que minha TPM está próxima.

Comer aquelas coisas que me fizeram relembrar de uma época mais simples da minha vida me deram ter vontade de ligar para a minha mãe em Nova York.

- Mãe? …Oi é a Clara.. Sim estou bem mãe… não! Não, eu liguei porque fiquei com saudades mesmo… como estão as coisas por ai? …Por aqui estão bem também, as obras já começaram, e estão em um ótimo ritmo.. acho que sim.. eu também.. você acha que estou diferente? … (risos) sim mãe, talvez tenha algo a ver com uma garota ai.. ok!… bom, ela se chama Vanessa, ela é a garota mais diferente que eu já conheci em toda a minha vida, como posso explicar? Ela é livre mãe, alegre, engraçada, uma pessoa boa – eu pensei mais um pouco e me veio na mente – ela gosta de água.. como? Bom pra ter uma idéia eu a conheci enquanto ela tomava um banho de chuva.. sim ela não é como as outras… ela é simplesmente linda, vou mandar uma foto para  você.. eu também acho que era de alguém assim que eu precisava …claro, um dia eu a levo para conhecer você mãe.. agora preciso desligar.. sim também foi bom para mim, te amo mãe.

Eu não acho que menti para minha mãe, eu realmente queria levar Vanessa para conhecer minha família, mas eu não podia dizer que eu não fazia idéia de onde ela estaria agora. Abri a foto que tirei aquela noite e enviei para o celular da minha mãe, alguns minutos depois ela me mandou uma resposta.

De: Mâe

Ela é linda filha, e deve ser encantadora, mas com certeza sortuda por ter conseguido seu bom coração, quero conhecê-la.

Eu sorri por dentro, será que só eu não achava tudo isso de mim mesmo? Bom, mãe e mãe, não conta. Passei para o notebook a foto que eu tinha dela no celular e fiquei um tempo olhando.

Guardei o monte de comida que estava jogada em minha cama, tomei um banho de banheira, e resolvi não pedir o jantar hoje, eu havia comido muito doce. Liguei a TV para me distrair um pouco, mas não estava conseguindo prestar atenção. Peguei o celular e mandei mais uma mensagem antes de dormir par Vanessa.

Para: Garota da chuva

Minha mãe quer conhecer você… bom, espero que esteja bem, boa noite, garota da chuva.

Em Seus Olhos - Cap 7

Deixei o celular em cima da pia enquanto enchia a banheira, coloquei meu notebook sobre uma cadeira e selecionei algumas musicas, Disquei o numero de Amanda no celular.

- Amanda reserve uma mesa para dois naquele restaurante próximo ao teatro, hoje as 18h30min.. Sim.. Obrigada

Antes de entrar no banho mandei uma mensagem para Vanessa.

Para: Garota da chuva:

Temos um compromisso as 20h00,passarei ai as 18h00 para jantarmos antes. PS: o compromisso exige um figurino mais sofisticado, espero que goste.

Apertei o enviar e entrei na banheira, tentei relaxar, as imagens do dia passaram na minha mente, a cara de Richard enquanto se referia a Vanessa, depois ela na rua com os moradores, onde eu estava me metendo.

Olhei para o celular e havia uma mensagem dela, não devo ter ouvido vibrar por causa do sim vindo do notebook.

De: Garota da Chuva

Ok. Também espero gostar, até mais tarde.

As cinco comecei a me trocar, arrumei meu cabelo, eu gostava dele meio bagunçado, mas hoje resolvi deixar jogado para o lado e penteei até ficar completamente liso. Vesti minha roupa e desliguei o notebook e coloquei a toalha no banheiro, borrifei um pouco de perfume, pronto. Peguei minhas chaves, o celular e minha carteiro junto a bolsa, dei uma olhada no espelho, eu estava me sentindo bonita.

Quando sai d elevador senti os olhares sobre mim, de certa forma eu estava acostumada. Mas hoje eu não estava me sentindo nada disso, o mesmo com todos esses olhares, acenei com a cabeça para algumas pessoas que passaram por mim enquanto me dirigia até a porta, ainda estava garoando, o porteiro me levou até meu carro. Fui o mais rápido possível para o hotel de Vanessa, onde decidi esperar ela no lobby.

Sentei em uma das cadeiras com estofado vermelho e aguarde. Os elevadores estavam na minha lateral, então ela me veria assim que a porta abrisse.

Alguns homens resolveram se sentar no sofá próximo a mim, alguns dias atrás eu teria olhado para eles, se algum fosse bonito o suficiente eu passaria uma noite com ele, mas essa noite eu não me dei ao trabalho de olha-los.

Liguei  o visor do celular, 18h05, na mesma hora ouvi o ping do elevador e a porta se abriu. Eu queria filmar aquele momento, eu ainda estava com a mão ligeiramente levantada após ter visto a hora.

Vanessa estava usando um vestido de seda azul marinho, que se encaixava perfeitamente em seu corpo, com alças finas, ela não usava nenhuma jóia e não era necessário, seu cabalo estava solto, mas não todo ele, ela havia feito duas trancinha nas laterais e puxando –as para traz deixando dois punhados de fios para frente, ela estava perfeitamente maquiada, nada exagerado havia uma encharpe em sua mão junto com a carteira dourada, e com  movimento de seu andar vi que suas sandálias era douradas também.

Os homens ao meu lado tinha se silenciado, quando voltei a mim, vi que os homens e outras mulheres olhavam pra ela enquanto passavam, resolvi me levantar e assim mostrar a todos que ela estava comigo.

- Oi! – eu disse.

- E então.. Sofisticada o suficiente para esta noite? – ela deu uma volta me mostrando a roupa, as alças dinas caiam em varias outras alças que ficavam soltas na parte de trás do vestido até a sua cintura, o cabelo dela não estava tão liso como de costume, eu gostei.

- Você está linda! – eu disse olhando ainda boba para ela.

- Pessoa de péssimo gosto você – ela deu risada.

- Claro! Eu e o resto do hotel. – então ela deu uma olhada e viu a reação das pessoas, ela deu uma pequena corada.

- Você está chamando atenção, posso ver alguns homens quando lambendo a cadeira que você estava. – Ela disse apontando com a cabeça para o luar que eu estava antes, não olhei para trás.

- Melhor irmos jantar. – eu disse dando meu braço para que ela se apoiasse, com um sorriso ela fez, e assim fomos para o carro.

O porteiro a levou para o lado do passageiro com o guarda-chuva, ela agradeceu e entrou.

- Com fome? – perguntei

- Um pouco

- Não é longe de onde estamos, logo estaremos lá.  – em dez minutos chegamos, o maitre me reconheceu e nos recepcionou.

- Clara! – Acenei uma vez com a cabeça e um sorriso, eu não era freqüentadora assídua, mas eles me conheciam por eu ser uma empresaria conhecida, geralmente eles sabem quem é quem nesses lugars.

Um garçom nos levou até a mesa que ficava perto da janela.

Vanessa viu o menu e soube o que pedir de entrada, salada verde com coquilles, e de prato principal magret de cannard a Provence – gostei da escolha.

- O mesmo para mim.

- Traga a carta de vinhos, por favor – eu pedi ao garçom.

- Essa parece ser uma noite mais a sua cara – o garçom trouxe a carta de vinhos, não demorei a escolher.

-Pode trazer Folgone Rosso – O garçom pegou a carta de vinhos – Sim senhorita – e saiu nos deixando a sós.

Minha cara? Eu estou acostumada com jantares assim, mas não diria que é mais a minha cara, eu gosto de lugares mais caseiros, na verdade te trouxe aqui por ser conveniente para o resto da programação.

Nossa salada chegou, eu estava comendo quando ela me chamou, ela estava com a mçao na frente na boca então falou baixo.

Clara, disfarçadamente veja se tem algo verde no meu dente? – e ela tirou a mão da frente, eu quase cuspi o vinho no rosto dla, havia uma folha de rúcula cobrindo quase todos os sentes da frente, então ela começou a rir muito e eu também, após perceber que era uma brincadeira, comecei a rir mais ainda, algumas pessoas se viraram para nos olhar, mas mal conseguíamos falar, depois que nos acalmamos e finalizamos nossa salada, o prato principal chegou.

- Você viu seus amigos hoje? – perguntei a ela.

- Sim eu os vi. – ela continuou comendo, ela devia ter visto depois do almoço, como ela me disse que tinha alguns compromissos.

- E vocês se divertiram? – bebi um pouco mais de vinho.

- Claro! Eles são legais! – ela não colaborava  mesmo.

- Fizeram alguma coisa de especial hoje? – ela tomou um pouco de vinho também.

- Não, nada demais. – eu sabia que essa conversa não chegaria a lugar algum, achei melhor só terminarmos o jantar.

Olhei para o relógio -  você quer sobremesa?

- Não! – eu pedi a conta, e olhei seriamente para que ela largasse a carteira, ela revirou os olhos.

- Então vamos! – me levantei e fui para o seu lado, assim fomos para fora. A garoa tinha parado, vi que muitas pessoas já estavam entrando no teatro, entramos no carro, ela ficou me olhando, eu sorri sem olhar para ela, dei a volta no quarteirão e entrei no estacionamento do teatro, ela continuou me olhando, me aproximei do porto luvas, e esbarrei na sua perna, senti um arrepio crescente, peguei os ingressos quês estavam em um envelope branco e mostrei a ela.

Quando chegamos ao Hall ela viu do que se tratava.

- Nós vamos a ópera! – ela estava sorrindo, olhando o prédio.

- Você gosta de opera?

- Bom eu nunca fui a uma, mas eu amo, e sempre quis ir, eu tenho minhas preferidas, eu as via pela internet.

- Tosca de Giacamo Puccini – ela leu o cartaz – A minha preferida é La Traviata de Verdi! – ela disse.

- Eu também gosto de La Traviata, mas minha preferência é Carmen de Bizet, um dia levo você para ver os dois, certo? – ela fez que sim com a cabeça, mas não a senti muito confiante.

 O teatro estava começando a ficar cheio, fomos em direção aos camarotes, passamos pelo bar do teatro onde haviam alguns homens, percebi que eles ficaram olhando para Vanessa, tomei sua mão então eles disfarçaram e olharam para outro lado. Ela parecia estar encantada com tudo, achamos nosso camarote, um para nós duas somente, o garçom entrou.

- Algo para beber?

- Champagne.

A s luzes começaram a pagar, o garçom encheu nossas taças e deixou a garrafa no balde, saindo e fechando a porta.

A música começou suavemente, eu sabia que agora não teria mais a sua atenção, ela estava vidrada no palco.

As vozes entraram, e eu vi que ela suspirou, eu acho que poderia ficar a noite toda só olhando para suas reações, ela estava tão linda. Antes eu saia com mulheres justamente por sua beleza, mas com a intenção de me divertir e mostrá-las aos outros, nunca senti ciúmes. Eu só tive uma namorada, Fernanda, na época da faculdade, um ano de namoro, depois disso eu so tive tempo para a carreira. Pelo que soube Fernanda estava casa, mas diferente dela, eu nunca senti ciúmes. Ela achava que todas as garotas da faculdade iriam cair em cima de mim a qualquer momento, é claro que tive oportunidades de trair, porque realmente as garotas se jogavam, mas nunca a trai, geralmente eu estava sempre estudando, quando sobrava um tempo eu ficava com ela, ouvi batidas, vinham do palco, voltei minha atenção a ópera.

Depois de dois atos, fizeram um intervalo.

- Gostando?

- Muito, é exatamente como eu imaginei. Eu preciso ir ao banheiro! – ela disse.

- Tudo bem, eu também vou.

Quando sai vi que ela estava olhando um quadro pendurado no corredor, fui até ela.

- Eu sempre gostei desse quadro. Você aprecia arte também?

- Gosto desde pequena e tenho meus pintores prediletos.

- E quais são?

- Monet, Childe Hassam, Dali, Rembrandt, Botticelli, esses são alguns.

- Bom gosto, nós podemos ir a Oxford um dia desses, para visitar os museus – eu disse – ela abriu um grande sorriso, esse era o tipo de sim que ela me dava que eu mais amava.

- Vamos voltar para os dois últimos atos?

- Vamos! – ela foi a frente, dessa vez me puxando pela mão.

                                                  ***

Então acabou, todos estávamos aplaudindo, ela olhou pra mim e deu um sorriso que fez minha perna amolecer, eu jamais pensei que eu sentiria esse tipo de sensação. Fomos para fora de mãos dadas.

- O carro está no estacionamento! – eu havia me esquecido.

- É verdade, vá buscar, eu espero aqui! – eu não gostei muito da idéia, mas ela estava com aquela cara, de que preciso sentir isso aqui, o vento a garoa, eu sorri e fui.

O hall estava cheio ainda, e o transito no elevador estava impossível, decidi ir pela escada. Vi que havia uma fila para sair, achei meu carro e encarei a fila.

- O que há de errado com essas pessoas? Qual a dificuldade afinal? – depois de vários minutos, na tal fila eu consegui sair, parei do outro lado da rua, e fui buscar Vanessa,  vi que ela estava conversando com alguém. Mas de repente eu a vi se afastando do homem e tirando seu braço fora do alcance dele. Era um homem com mais de cinqüenta anos, não chegava a ser gordo, mas fora de forma e com um bigode horrível, ele tentou novamente se aproximar de Vanessa, então eu corri.

- Vanessa? – eu chamei e passei minha mão em sua cintura, puxando-a para perto do meu corpo – Algo errado?

- Peço desculpas, ela não me disse que tinha… companhia. – torcendo para que Vanessa não negasse, eu respondi ao homem.

- Sim, nós somos, faça o favor de se manter longe e mesmo que ela não tivesse uma namorada ou namorado, não é assim que se aborda uma mulher. – Aparentemente o homem ficou constrangido, e eu puxei Vanessa para irmos em direção ao carro, agora ela tinha passado a mão na minha cintura, eu podia sentir o calor do seu corpo. Abri a porta para que ela entrasse e dei a volta para entrar também.

- Aquele homem foi rude com você?

- Não, só insistente. – ela disse.

- Vanessa, ser insistente quando a mulher visivelmente não quer nada com ele é ser rude.

- Deixa isso para lá, já passou. – e ela ligou o radio, resolvi não forçar.

Eu não queria me despedir ainda, então parei no hotel que eu estava, ela não reclamou, talvez ela também não quisesse se despedir.

- Topa tomar alguma coisa no bar do hotel?

- Claro.

Sentamos próximo ao vitral com flores, Vanessa estava ajeitando o vestido na cadeira, e não pude me conter terei uma foto dela, não sei se ela percebeu, resolvi não falar nada.

- Já volto. – eu disse.

Fui ao bar pegar as bebidas, o bar não estava muito cheio, talvez pelo horário.

- Aqui. – entreguei a taça para ela, - Você se divertiu hoje? – eu perguntei.

- Muito, de verdade, obrigada.

- Não agradeça, eu fico feliz que você tenha gostado! – assim eu nossas taças esvaziaram o garçom veio e encheu-as novamente.

- Seus namorados costumavam te levar a Ópera?

-  Não, e na verdade eu só tive uma pessoa que realmente ficou comigo, e era uma garota, uma namorada. Geralmente eu saio com mulheres e dependendo, alguns homens também, os encontros em alguns eventos, mas não mantenho nenhum relacionamento – ela tornou a beber mais um pouco, e continuou olhando para o copo.

- Uma namorada? Seria o seu grande amor?

- Longe disso. – ela desviou o olhar.

- E depois que você sai com elas, digo as pessoas, elas não tentam te encontrar novamente?

- Algumas sim, mas a Amanda sabe com lidar com elas.

- E você não tem vontade de se encontrar com elas novamente?

- Não, nenhuma delas me fez querer isso, todas eram mulheres muito bonitas, algumas interessantes, outras nem tanto. Os homens, bom, me proporcionaram prazer, e eu imagino que dei o mesmo a eles. – ela virou a taça, e olhou nos meus olhos por alguns segundos, depois fechou os olhos por um momento muito rápido, eu queria saber o que estava se passando na cabeça dela agora.

- Mas nem amizade você mantêm com as mulheres que você dorme?

- Eu não acho necessário, isso só atrapalham as coisas, eu sou muito ocupada, não teria como dar atenção a elas.

- Mas você tem tempo pra mim. – será que ela não via como ela era diferente?

- Você é diferente, e eu não te conheci em um evento e depois formos transar, não é?

- É, não é o nosso caso, mas você teria tempo para elas.

- Não, porque todo o tempo que eu tenho quando não estou na empresa, eu passo com você, então definitivamente eu não teria tempo para nenhuma delas. – o garçom encheu nossas taças novamente.

- Eu não entendo, se você… -  Não deixei que ela continuasse.

- Vanessa, eu não quero e nunca quis me envolver emocionalmente com nenhuma delas, sim eu poderia, eu teria tempo para isso, para sair, passar as tardes juntas, a noite, o que fosse, e mesmo que não pudesse durante a semana, eu poderia aos finais de semana. Mas eu nunca fiz questão, eu passo meu tempo com você porque eu gosto, porque eu quero. E sinceramente hoje… Eu acho que não conseguiria mais não passar meu tempo com você, as vezes acho que o tempo que passamos juntas ainda é pouco, porque com você eu me divirto, eu aprendo, eu fico bem, me sinto leve, sem pressão nenhuma, não é como com elas, que desse a primeira palavra eu já sei qual será o final da conversa. Seria um simples tchau, depois do sexo em alguma cama de algum hotel por ai, eu pagaria a conta do hotel e o que mais a mulher quisesse e depois iria para o meu hotel, sem me preocupar em pensar na noite que tive. Mas com você eu não sei quais serão as próximas palavras, os próximos assuntos, e muito menos como será o final do nosso dia e eu gosto de chegar no hotel e lembrar do dia que tivemos.

- Você ainda não se cansou de me ver todos os dias?

- Não, e receio que não cansarei. Como eu disse… Você é diferente Vanessa. – ela bebeu um pouco e olhou para baixo.

- O que foi? Eu disso algo errado?

- Não, você só não disse nenhuma novidade, desculpe a minha reação – eu não esperava esse tipo de resposta.

- O que não é novidade Vanessa? – ela bebeu mais um pouco.

- Todo homem, ou mesmo quando eu era mais nova, os garotos, todos eles sempre disseram isso, “você é diferente”.

- Talvez porque você realmente seja. – eu coloquei minha mão sobre a sua, ela tirou.

- Eu sei que eu sou diferente, porque eu nunca aceitei o que a maioria aceita, eu não falo o que a maioria fala, não faço o que a maioria faz. Geralmente eu faço o que a maioria não espera talvez você seja parte dessa maioria, assim como todos que disseram que eu sou diferente – ela brindou.

- Eu não sei se me encaixo nessa maioria que você citou, eu nunca me dou ao luxo de me aproximar de alguém o suficiente.

- Então você deve fazer parte da minoria que nunca me notou, porque estava ocupada demais olhando para o próprio umbigo.

- Provavelmente você está certa.

- Não, não estou, eu fui rude, me desculpe.

- Você não foi rude, não se preocupe.

- Acho melhor eu ir embora. – ela se levantou, mas se sentou de novo.

- Você bebeu demais Vanessa.

- Não, acho que eu consigo. – ela levantou de novo, mas ficou alguns segundos parada segurando a mesa, como se estivesse se equilibrando.

- Venha, vamos subir. – ela olhou pra mim com olhos alarmados.

- Eu não acho boa idéia eu subir para o seu quarto, eu acho melhor eu ir para o meu hotel.

- Vanessa, você fica deitada até melhorar um pouco, assim que você estiver melhor eu levo você para o seu hotel. – ela me olhou seriamente. – Acredite em mim. – passei minha mão em sua cintura, ela se apoiou no meu ombro com os dois braços. No elevador apertei o numero e ela levantou a cabeça.

- Você não enjoou ainda, mas vai enjoar e você vai querer me mudar, como todas elas! – então ela abaixou sua cabeça novamente.

Abri a porta do quarto e coloquei-a na cama, tirei suas sandálias, ela se ajeitou. Eu sabia qual era a sensação, tudo girando, e só o que a gente quer é fechar os olhos. Eu tirei minha roupa, sabia que ela não acordaria, tomei uma ducha, coloquei minha calça de pijama e fui para o quarto, ela estava na mesma posição, seus cabelos estavam cobrindo seu rosto e ombro e outra parte estava toda espalhada pelo travesseiro. Eu me sentei na poltrona de frente a cama, e fiquei ali olhando-a.

Ela deve ter encontrado só idiotas na sua vida. Como alguém poderia se enjoar dela? Eu não entendia. Eu nunca pedi nada em uma mulher, só que agora olhando para ela e lembrando-me desses últimos dias, ela era tudo que eu poderia querer. Dei-me conta do pensamento que eu estava tendo, eu realmente estava apaixonada por ela, desde o primeiro momento, quando ela já estava fazendo o que era o oposto da maioria, enquanto todos se escondiam da chuva e saiam as pressas da rua, lá estava ela, entregue, sentindo o frio e a chuva. Vai ver eu estava cansada do mesmo, ela era o que me faltava.

Será que as pessoas conseguiam identificar o exato momento em que elas descobriam estar apaixonadas? Eu queria dar o mundo a ela agora, apagar tudo de ruim que fizeram a ela, mesmo que hoje ela fosse grata a essas dores.

Ela se mexeu, seu vestido ficou preso em seu pé, ela tentou puxar mas não conseguiu, então se virou e se encolheu.

Me levantei, peguei um edredom e a cobri, fui até a cozinha e me servi com um pouco de vinho, voltei para a poltrona, e continuei olhando-a.

Mas e se eu enjoasse? Eu nem me conhecia mais, como podia ter certeza de alguma coisa? Há alguns dias atrás eu não teria feito um terço do que fiz com ela em todos esses dias, vir para Miami me deixava em paz e era só isso, agora minha vida estava virando de ponta cabeça.

Poucas coisas agora faziam sentido, mas o pior é que só faziam quando ela estava por perto. Desde o dia da tempestade que nada mais parecia ser o mesmo, incluído a mim mesma desde que me olhei no espelho do banheiro do bar… droga!

Achei melhor eu ir dormir, ela não iria acordar e amanha eu a levaria para o hotel antes de trabalhar, talvez fosse melhor não vê-la mais, mas só a idéia de não vê-la doeu amargamente.

Eu estava completamente apaixonada e com medo, muito medo. Perdida por não fazer idéia de onde estava me metendo, fui para a cama, apaguei o abajur e fechei os olhos. O cheiro que vinha dela tomou conta de toda a cama. Ela era linda, em todos os sentidos. Eu resolvi arriscar, eu não queria me aproveitar daquele momento dela, não queria me aproveitar de sua bebedeira, mas eu sentia todas as células do meu corpo exigirem que eu encostasse nela. Eu passei meu braço em sua cintura, e a puxei um pouco para perto, automaticamente ela se ajustou a mim. Ouvi um suspiro seu, que me fez suspirar também e assim eu adormeci, provavelmente sorrindo.

Em Seus Olhos - Cap 6

-  Boa Noite senhorita! – os funcionários me deram boa noite, eu só pude acenar. Subi para o meu quarto, joguei minhas roupas no chão e tomei uma ducha, a água caiu tão bem, relaxando meus músculos. Quando sai do banheiro, vi que estava chovendo, resolvi mandar uma mensagem para ela.

Para: Garota da chuva

Espero que você não esteja na chuva

Coloquei uma blusa qualquer que não fosse necessário usar um shorts, Peguei um refrigerante no frigobar, apaguei as luzes, e me joguei na cama. O visor do meu celular acendeu, com a nova mensagem recebida.

De: Garota da chuva

Na verdade, agora está meio complicado de responder, não consigo cobrir o celular todo, e ele vai ficar todo molhado se eu continuar escrever.

O refrigerante quase voou no visor do meu celular, ela estava na chuva? Uma hora dessa? Sozinha na rua? Eu me levantei e comecei a me vestir, ela ia acabar doente ou algum louco pervertido poderia se aproveitar dela, então o meu celular acendeu novamente.

De: Garota da chuva

Brincadeirinha =P

Me sentei na cama, com metade das calças colocadas, tirei-as com os pés e deitei.

Para: Garota da chuva

Eu estava indo para ai nesse exato momento ia trazer você pra cá, onde eu pudesse ficar de olhos em você. Aprecie a chuva pela sua janela, pelo menos hoje.

Seria bom se ela fosse pra chuva agora, pensando bem, assim certamente eu cumpriria minha ameaça.

De: Garota da chuva

Ai  ai ai, senhora autoritária, pode ficar sossegada, estou apreciando a chuva de dentro do hotel, durma bem.

Eu sorri com sua mensagem, virei o ultimo gole do refrigerante e respondi.

Para: Garota da chuva

Boa Noite! Durma bem também, e até amanha.

Deixei o celular na cabeceira e me virei pra dormir.

A caminho da reunião liguei o som do carro e reconheci a musica, era a mesma que ela cantou no bar aquela primeira noite, eu aumentei o som e deixei a musica invadir, lembrei dela cantando e segurando o garfo, seu cabelo bagunçado. Isso me alegrou, e eu ainda ia vê-la mais tarde, eu já estava sorrindo.

Para: Garota da chuva

Liguei o som e está tocando a musica que você cantou no bar, a que você ama e não deixa que as pessoas a sua volta falem com você, porque você está cantando =D Bom Dia.

A musica havia acabado, sai do carro e fui para o escritório de Richard, encontrei Luis no hall.

- Bom Dia Clara!!

- Bom Dia Paul! Entramos no elevador.

- E então você vai me contar agora o que foi aquilo ontem no restaurante?

É lógico que ele iria perguntar pensei comigo.

- Aquela é uma amiga minha, e eu não sabia que ela iria aparecer no restaurante, ela me mandou um papel com uma piada interna, foi só isso.

- Ela é bem bonita! Richard ficou impressionado, ele vai querer saber sobre ela.

- Ele vai?

Na sala de reunião Richard estava sentado e conversando ao celular, assim que entramos ele nos cumprimentou com um aceno. Continuou falando no seu telefone. Luis pegou alguns papeis e deixou na mesa, eu estava observando o dia lá fora, ate que Richard desligou seu telefone.

A reunião foi como esperei, fiquei ciente das estruturas e o que seria necessário para que o projeto fosse aplicado.

- Nos podemos agendar um dia na próxima semana para visitarmos o local, o que você acha Clara? – Richard estava dizendo enquanto me mostrava algumas fotos, o celular de Luis tocou e ele revirou os olhos, pude adivinhar que era George, Luis começou a falar com ele, enquanto eu lia um dos papeis. Richard se aproximou mais.

- Então Clara, quem era aquela garota que saiu com você no restaurante? Sua amiga, devo dizer – me recusei a olhar para ele, continuei com os olhos nos papeis – Ela faz? … Você sabe! – e pude ouvir um sorriso em sua voz – Ela é muito bonita, você poderia passar o telefone da agencia  dela pra mim? Meu sangue começou a ferver, olhei friamente para ele sem erguer minha cabeça, com meu olhar percebi que ele ficou desconfortável.

- Calma Clara, me passa só o telefone da agencia, eu não irei machucar sua amiguinha.

Coloquei o papel calmamente na mesa, me levantei ainda olhando friamente para ele, Luis nos olhou enquanto ele tentava cortar George.

- Ela não é o que você está dizendo, e nosso relacionamento aqui é profissional, e em nenhum momento dei liberdade a você para conversar desse tipo. A partir de hoje você trará os assuntos com o Luis. Não refira-se a ela dessa forma ou nenhuma outra.

Luis ficou mudo no telefone e ficou nos olhando, me virei e fui para o corredor. Pude ouvir Luis desligando com George e falando com Richard em seguida.

Eu já estava no meu carro quando meu celular tocou.

- Clara… – Eu disse, era Luis.

- Eu não quero  ele e nem ninguém se intrometendo na porra da minha privacidade… sem mais e nem menos, ou ele trata com você ou não tem acordo …sim, diga que você me passara as informações ..há outros vendedores… sim Luis, eu gostei desse terreno… nos falamos depois.

Desliguei o celular, eu tinha o resto do dia livre, pensei em ligar para Vanessa, mas vi que ela não havia respondido minha mensagem ainda. Eu esta próxima ao hotel. Eu ainda estava extremamente nervosa, não queria voltar para a empresa, dei a volta no quarteirão, eu ia ligar o som e voltar ao hotel, mas foi quando a vi sentada em um banco perto de alguns moradores de rua, diminui a velocidade e estacionei o carro atrás de um caminhão de entregas na frente de um restaurante, assim ela só conseguiria ver o meu carro se ele olhasse pelo outro lado da rua.

Havia um homem sentado no chão com uma mulher ao seu lado, e atrás de uma moita saiu uma criança e era uma menininha de cabelos loiros. O que ela estava fazendo lá com eles? E se ela já estava acordada porque ela não tinha respondido minha mensagem? Olhei de novo meu celular, ela não havia respondido mesmo.

Aquilo era perigoso, por mais que houvesse uma criança junto! Ela estava conversando e sorrindo com eles, achei melhor esperar e ver o que mais aconteceria. Depois de alguns minutos ela se levantou,, liguei o carro, mas ela foi ate o restaurante onde o caminhão estava fazendo entregas. A família ficou no mesmo local, a criança apontava para o restaurante e seus pais sorriam carinhosamente para ela enquanto explicavam algo.

Havia um cachorro com eles também, a criança foi até ele passar a mão. Vi Vanessa voltar, ela se sentou no banco o cachorro pulou pedindo sua atenção e deixou que ele lambesse seu rosto todo, então a criança foi até ela e pediu colo. Ela colocou a menina em seu colo, e continuou conversando com seus pais. As pessoas passavam na rua, olhavam para aquela cena, provavelmente sem entender assim como eu.

Ela levantou novamente com a menina em seu colo e atravessou a rua, continuei no carro, alguns minutos depois ela voltou com um jornal debaixo do braço e a menina no colo, que aprontava em direção aos outros moradores. Vanessa sorriu e fez que sim com a cabeça. Ela entregou o jornal ao homem, que abriu e começou a procurar algo, Vanessa entregou a menina para a mulher e o cachorro foi novamente lambe-lá. Vanessa jogou o corpo para frente, apoiando os cotovelos nos joelhos, ouvindo algo que o homem tinha a dizer, ela concordava com a cabeça, vi que ela olhou para o relógio.

Vanessa levantou de novo, esperei, ela foi novamente para o restaurante. O homem continuou olhando para o jornal, a mulher estava com a menina no colo, mas estava procurando algo em uma grande sacola, ela tirou uma garrafa de água, e jogou nas mãos, como se estivesse lavando-as depois fez o mesmo com a menina passando a garrafa para o homem.

Vanessa voltou trazendo sacolas, um garçom do restaurante veio atrás trazendo mais algumas, ela agradeceu e deu algo a ele. Então ali no meio daquela pracinha no banco sentados, eles começaram a comer.

Ela havia comprado o almoço daqueles moradores e também estava almoçando com eles, mas porque aquilo? Ela poderia só ter comprado o almoço e saído, não é assim que algumas pessoas fazem? Porque com ela tudo era diferente?

Eles almoçavam sorrindo, a mulher dava de comer a menina e Vanessa tinha colcoado em um alumínio comida para o cachorro também. A cena durou mais uns quinze minutos. Ate que se levantou e se despediu deles, pegando as sacolas com os lixos e levando ate uma lixeira próxima. Ela deu um beijo na menina e brincou mais um pouco com o cachorro, então atravessou a rua, colocando as mãos no bolso traseiro indo embora. A família ficou no mesmo lugar, a mulher deu um beijo na menina e depois um beijo no rosto do homem. Eu liguei o carro, como eu imaginei Vanessa estava indo em direção ao hotel, estava entrando quando parei o carro.

Decidi comer alguma coisa, fui para o restaurante de ontem, fui a pé, deixei o carro perto do hotel que ela estava hospedada. O tempo estava esfriando de novo, a garoa estava começando a apertar, mas decidi continuar a pé. Era como ela havia dito, era como se eu precisasse sentir a garoa e o vento no rosto.

Senti meu celular vibrar, era uma mensagem de Richard, Droga!

De: Richard Terreno

Eu não quis ofender Clara, ela deve ser especial para você, espero que possamos continuar os negócios.

Para: Richard Terreno

Ok. Os negócios serão tratados diretamente com Luis.

Enquanto almoçava, senti meu celular vibra novamente, apertei o garfo com um pouco mais de força, para o meu alivio não era de Richard, era da Vanessa.

De: Garota da chuva

Belief, makes things real makes things feel, feel alrigth. Belief, makes things true things like you, you and! É que eu canto muito bem, e as pessoas tem que ouvir minha bela voz enquanto canto ¬¬ Bom dia e boa tarde!

E lá estava eu de novo sorrindo olhando para o telefone, comi mais um pouco e digitei com o celular na mesa uma resposta.

Para: Garota da chuva

Eu gosto quando você canta, como tem sido seu dia?

De:  Garota da chuva

Você tem um péssimo gosto, vou trocar seu nome no meu celular de autoritária para péssimo gosto, e meu dia tem sido muito bom, vou terminar meu banho e fazer mais algumas coisas, o que vamos fazer hoje mais tarde?

Meu coração de repente se encheu, eu não sabia o que era, me senti dez  anos mais jovem, mais leve, mais feliz, comecei a desconfiar de que eu estava me apaixonando. Não era mais interesse físico ou qualquer coisa do tipo, o problema era que eu a conhecia somente há poucos dias, e meu cérebro insistia em dizer que não podia ser paixão, contrariando todos os outros sentimentos.

Para:  Garota da chuva

Quer dizer então que estou como autoritária? No meu você está como Garota da chuva, eu não tenho péssimo gosto, isso eu posso garantir. Eu estou com a tarde livre, como você estará ocupada, vou voltar para o hotel agora, mais tarde te digo o que faremos hoje. Assinado senhora autoritária.

Voltei para frente do hotel, fiquei alguns segundos olhando para os andares antes de entrar no carro.

No caminho de volta, vi um cartaz que me fez parar, era isso que faríamos hoje de noite, desci e fui comprar os ingressos.