a entorpecida

[…] sou tão sensível que sinto como se cada sopro de vento fosse uma pancada. E dói. Dói e me deixa enferma. Ou estou totalmente vulnerável ou entorpecida a ponto da dormência dos sentidos.

Eu nunca aprendi direito a andar de bicicleta. Meu senso de equilíbrio era horrível, mas eu me esforçava para manter a mão erguida pra você segurar. Nós fazíamos as pessoas desviarem da gente porque fizemos um juramento de nunca mais nos soltarmos.
Minha casa, já era nossa, teu cheiro e tuas roupas estavam espalhadas por todo lado, nos lençóis que nos cobriam todas as noites, tinha tua essência lá, e no meu peito, já havia formado um espaço destinado para os seus cabelos.
Enquanto eu era gaiola de porta aberta, tu eras rouxinol. Livre para ir onde quisesse, escolhia ficar e cantar. Então eu te erguia, e te fazia voar em meus braços, e o som da tua risada enchia meus pulmões de felicidade, e eu ia estocando, porque eu sabia que nós dois íamos nos partir.
Nas manhãs frias, teus pés se enrolavam nos meus, e você dizia com a voz entorpecida de sono que havia milhares de lugares para ir, mas que não tinha coragem de me deixar. Eu resmungava, dizendo que não sabias mentir e você selava meus lábios com os teus. Eram sonhos acordados, então não pregava os olhos.
Em todos os meus livros tinham marcas suas, tuas pistas me apaixonavam. Cada coração, guarda chuva ou âncora, em páginas distintas ganhavam pedacinhos minúsculos do meu órgão, que antes de te conhecer servia apenas pra bombear sangue, mas é dessa forma que enxergo agora, sobreviver pra te ter.
Entretanto, nossa história tinha um fim com prescrição médica, eu sabia que iria te amar pra sempre e a reciprocidade era arrebatante , porém, o infinito se provou menor do que eu esperava que fosse, ver teus cabelos caindo vagarosamente e o sorriso ir afinando pra infelicidade, me matava lentamente, igual a ti.
Todas as madrugadas, eu olhava pro seu rosto, lhe acariciava enquanto dormia e desejava que aquela não fosse a última noite, que tua última noite nunca chegasse, mas ela definitivamente chegaria. Eu implicava contigo, até mesmo na fase terminal, não suportava ver a garota marrenta se entregar aos poucos. Mas eu não teria coragem de ir dormir irritado contigo, e eu não deixaria que o inverso acontecesse também.
Saber que suas últimas palavras foram pra dizer que eu era o único homem que você amou, fez eu querer viver pra continuar sendo exclusivo por mais tempo, e eu carregaria isso até meus últimos suspiros e diria que tu foras a única mulher que amei também.
Foi inevitável  eu não derramar lágrimas dias a fio, e quando aquele pequeno cômodo se transformou no maior vazio existencial refletido em minha aparência caótica, as reservas do teu riso já não me serviam mais como morfina. Eu precisava de um antidoto que curasse a saudade, só que esse elixir vinha de ti, e a vida se provou uma sádica, transformando o único remédio no pior veneno.  Para suportar, eu te mantive viva em todas as coisas que eram suas. Principalmente em mim, reconheço que não admiti isso em voz alta nenhuma vez, mas te digo agora que sempre fui teu. E todas as noites eu seguro tua mão, seja lá onde estejas, eu nunca vou soltar. Eu prometi.
—  Pedro Ribeiro, Promessas pra depois da morte.

eu tô aqui bebendo café enquanto escrevo isso, quando a única sede que eu sinto é a do teu ar. ontem um amigo leu um texto meu e perguntou quem era você e eu só ri, porque ele não ia entender, baby, ele não ia. e nem você entende. você não sabe de nada, porque enquanto você me jogava tudo aquilo e eu concordava porque tava tentando ser forte e impenetrável quando tudo que eu queria era ser inundada por você, você achou que tava tudo bem. eu sei, aconteceu de não acontecer. o problema é que você tem jeito e cara de problema e eu sou auto destrutiva; eu procuro problemas pra me esquecer dos que eu já tenho e eu quis te fazer do meu novo passatempo, mas aconteceu de não acontecer. e eu tô enlouquecendo com a minha lucidez quando eu queria era tá entorpecida de você. quem sabe em outra dimensão eu esteja, baby. e pensar isso só me faz questionar porque diabos a outra eu pode ter essa sorte e eu não. e agora eu tô rindo porque quero culpar até a quântica. o meu problema é que eu não sei me dar tempo. eu não sei. e eu tô enlouquecendo.

Se eu tiver de chorar, agora é o momento para isso. De manhã já terei sido capaz de enxugar os estragos causados pelas lágrimas em meu rosto. Mas não há nenhuma lágrima. Estou cansada ou entorpecida demais para chorar. A única coisa que sinto é um desejo de estar em qualquer outro lugar.
—  Jogos Vorazes
vinte e nove de agosto, 2016 - insônia

há muito tempo eu não tinha insônia.
costumo sempre estar entorpecida pelo cansaço, e desfalecer assim que encosto a cabeça no travesseiro. 
ontem, porém, foi totalmente o oposto. 
eu não conseguia dormir, minhas pálpebras teimavam em manter-se abertas, o meu corpo estava como se uma corrente elétrica corresse dentro dele. 
começamos a conversar, eu e você. 
meia noite, estávamos trocando playlists. 
uma da manhã, entramos em assuntos profundos sobre julgamentos e identidade. 
uma e meia começamos a ficar nostálgicos. 
duas horas, estávamos contando um ao outros coisas de nosso passado. obscuridades e segredos de nosso coração quebrado. o meu, partido. o seu, conquistador. eu deveria imaginar. 
me sinto inferior às garotas adolescentes que conquistaram seu coração, me sinto menos que meninas que nunca nem vi. 
duas e meia eu ria de uma piada sua na tela do celular, porém chorava sob o cobertor, percebendo que a ferida que está sarando, sempre abre e o pus começa a sair. a dor, às vezes, se torna insuperável.
eu poderia evitar, eu poderia ter tentado dormir. eu poderia não ter me entregado. 
duas e quarenta, não sou a garota no qual você espera. aquela que irá valer a pena a concretização da sua promessa. 
três da manhã, nos despedimos. eu preciso me forçar a dormir. 
“boa noite, durma bem.”

seis da manhã, acordo com os olhos inchados, visão turva.
minha cabeça dói e meu coração parece já não se encontrar em seu peito. 
suplico a Deus que me livre da agonia de perder o sono novamente, pra não viver outra madrugada perdida na ilusão de que um dia serei mais que uma distração pras suas noites em claro, ouvindo músicas do anos dois mil.  

eu só queria dormir.

songs about adam.

Querido,
Eu já não consigo mais suportar. Todas as noites me embriago de saudade pra ver se de alguma forma eu mato você que tanto vive em mim, mas nunca da certo. Entorpecida estou e é impossível conseguir fugir dessa dependência de ter você perto de mim.
A saudade me arranca, leva de mim toda esperança que um dia tive.

Sempre que penso em desistir de nós, você vem e faz esse sentimento florescer ainda mais. Pra falar a verdade eu não me acostumei. Ainda dói a falta que você me faz, e pelo visto não vai passar.

Te peço por favor, não vá.

e.c

Aquele meu amor do colégio...

Ele era daquele amor que me deixava entorpecida, não aqueles de ficar escrevendo o nome no caderno e fazendo corações é do tipo que você quer ter por perto, sabe que você ama, se imagina fazendo mil coisas com a pessoa, morre de saudade só porque vê ela poucas vezes na semana e quando chega perto quer ficar conversando durante horas, mas simplesmente vê a pessoa e já fica imperativa ?
Era do tipo amor bom, mas não era recíproco então acabava que tudo era tão em vão, mas sempre me passou na cabeça se depois que a gente parou de se falar, será que ele sente minha falta? sente falta das nossas conversas? sente falta do meu abraço (por mais que nunca a gente nunca tenha tido um relacionamento, nem tenha se beijado),será que ele sente saudade do nosso tempo ?
Ou eu deveria ter escutado minha professora de português e ter deixado passar as meras palavras dele, que deveria ignora-ló,deixar ele ir pro caminho dele enquanto eu cruzava o meu ?
Depois de um tempo a gente percebe que é em vão,né ? incontáveis noites que meus sonos foram seus, eu dormia e sonhava com você e com esse teu sorriso lindo aí, que é capaz de restaurar qualquer coração quebrado em incontáveis partes, inclusive o meu.
Amor bom esse, em que eu sorria pensando em você, eu pensava em algo que me levava a você, você era dono do meu pensamento e eu ainda desconfio que você visitou minha memória congestionada e não gostou, daí viu meu coração e achou ele bem aconchegante.
Moço, acho que esqueceu algumas coisas aqui talvez fotos suas pra que eu sinta saudade,mas moço pra que isso se eu não posso te ter? Só pra te amar mais ainda?
Moço, isso não se faz,já te amo como louca,talvez se você souber disso iria me achar mais estranha ainda, não ia? Não sou do tipo que gosta muito da lucidez, sabe? Ultimamente tenho fugido pra minha cabeça pra pensar em você, ou para simplesmente existir.
Sei que nunca vai ler isso, mas sei que outras pessoas vão,então pra resumir tudo depois desse texto falando o quão sou idiota e obcecada em você, e que mesmo sabendo que nunca daríamos certo eu penso em você o tempo todo e sonho em ser teu último amor.
Eu simplesmente te amo, amo cada imperfeição tua, amo teu jeitinho desajeitado e sério, esse teu sorriso, amo você inteiro e quero cada parte tua.
-Dulcificaste