a caixa de pandora

eu tenho medo.
hoje, pela primeira vez, confessei pra mim mesma em voz alta o meu medo. e não é dos outros, é de mim.
eu tenho medo de mim.
eu tenho medo do que posso me tornar.
eu tenho medo até do que, em parte, já me tornei.
e é um medo como um fogueira em que o fogo começa pequeninho e vai crescendo, subindo, consumindo tudo em volta - destruindo talvez seja a palavra certa.
“mas você é tão boa”, me dizem.
mas eu não sei, retruco - só em pensamento.
até hoje eu encaro as fotografias de quando era criança sem entender bem quem é que está ali. logo me reconheço. me olho no espelho e vejo o traço que nunca mudou: os olhos.
o vazio dos olhos.
lá está ele. incansável. interminável. insone.
eu tenho medo desse buraco negro, medo de abrir a “caixa de pandora” e descobrir que só pássaros negros e mortos vivem ali.
“mas você é calma”, me dizem.
mas eu não sei, retruco de novo - só em pensamento, de novo.
eu tenho medo desse fantasma que fica à espreita só aguardando eu fraquejar pra colocar porta abaixo e me vencer de novo.
eu nunca fui boa em vencer.
eu tenho medo de descobrirem que eu não sou nada do que pensaram que eu fosse.
eu tenho medo desse gelo que cresce de dentro pra fora e não de fora pra dentro.
eu tenho medo de que os psicólogos cansem, de que os psiquiatras esgotem as receitas de remédios, de que as pessoas sangrem nos meus estilhaços sem controle.
eu tenho medo de o mundo desistir de mim antes de eu desistir dele.
“mas você passa tanto amor”, me dizem.

mas eu não sei.
eu não sei.

e eu nem retruco.

Caixa de Pandora

Originally posted by ooh-lua

Eu sou uma caixa

Exatamente igual a de Pandora

Cheio de maldições


Abra-me

Com muito cuidado

Prova-me

mostra que tens coragem

Olha-me

De cima a baixo


Toca-me;

As minhas feridas.

Liberta-me;

Toda a angústia.

Ouça-me,

Do cochicho ao grito.


Incendeia-me,

Corpo em brasa.

Rompe-me,

Desabrocha a lágrima.

Dilacera-me,

Parte a alma.


Enquanto eu aguardo,

Eu guardo a esperança,,,

[Por Eduardo Souto, @deliriosdoeumesmo​]

Vem cá, me descubra, abre essa minha caixa de pandora, minha arca da aliança, vasculhe bastante, com intensidade, investigue meus mundos indefinidos, meus mundos incongruentes, mundos descobertos ou ainda desconhecidos, procure meus gostos e dissabores, meus males e encantos, talvez você goste e encontre coisas que ainda não sei, e quem sabe, decida ficar.
—  Ronaldo Antunes

Choro que cai como brasa escorrendo, fogo de uma maldita erupção vulcânica, rasgando. Ódio, asco e todos os malditos sentimentos liberados da caixa de Pandora. Mas a caixa do meu ser nunca é esvaziada, o cheiro é pútrido como algo que é acumulado por muito tempo e só decidiu entrar em contato com o ar porque ou choro ou explodo de dentro pra fora e espalho mil pedacinhos de mim pelo mundo. Como é um choro por tristeza? O condicionamento é a água quente escorrendo dos olhos pois se o ódio domina cada parte do meu ser, de mim é só isso que surgirá. 

debohipocrisia

abriram a caixa de pandora: papelzinho colorido é paz indiscreta na ponta da língua
ali na Rep a gente construiu uma sociedade inteirinha de luz e amor
minhas calças coloridas ficam ótimas dentro do carro da mamãe Passeando por aí
“como é possível sentir raiva? não entendo quem não busca a paz..”
a paz interior é um privilégio de condominio
não é atoa que as religiões orientais mutantes e energias e espiritualismo atingem os donos de algo
os filhos dos donos de algo
a bolha da federal se constitui numa espécie de Sociedade Alternativa
as faculdades estaduais constituem numa utopia Papai Pagou
a maconha na biqueira é um pedaço de sangue e de dor e sem crise, relaxa
fumar continua bom
mas a grandeza inútil das nossas conversas sobre o universo
põe Ghandi numa estátua de pedra o Buda gordo sentado: prosperidade autoreferenciada
e no fim fica fácil chamar Malcom X de quebrador de vidraça
as vidraça tem mais alma que um pedaço de carne
o cérebro é um poço de ideias jogadas: profissionalismo, dinheiro, arranjar emprego
é mais fácil a gente acabar morrendo de dor e de desapego
mas é incrível o que essa gente passa todo dia O Estado De Sítio
essa molecada vive dentro dum mundo imenso de Bucolismo
“nosso cartaz apoiando o povo em luta na índia é o próximo passo da revolução”
esses dias ouvi de um professor que só anda de terno que o Exército Vermelho é coisa da imaginação
ele não viu a Verdade obstruída nas casas, a bomba relógio ocupando praças as crianças que olham no olho
o fim anda próximo demais do que parece o pino foi retirado
a Granada é de mão vai explodir por todos os lados
Tem mais Gente Viva nos trens e buzão do que no Laboratório De Estudos de Periferização,
A Realidade Ingrata é um palácio íngreme construído sob a sucata
é hora de tirar o lixo e lavar a roupa, o silêncio é mais forte que a sua boca
e o mundo vai permanecer como tá enquanto você, deboísta não se tocar
“No inferno os lugares mais quentes pertencem aqueles que permaneceram neutros em tempos de crise”
como eu não acredito em inferno, a praga é meu dedo em riste
A Coisa Vai Ferver, Parceiro
A coisa vai ferver no mundo inteiro;

3

“The Hours” -  Michael Cunningham

There is a beauty in the world, though it’s harsher than we expect it to be.
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Entre os livros que me fascinaram, deixaram uma marca indelével ou traduziram algum tipo de evolução interior tornou-se um verdadeiro desafio explicar porque razão surgiu "The Hours” de Michael Cunninham no meu espírito quando interrogada pelo Mário Pires acerca de uma obra da minha predileção para este magnífico projecto que são as “Book Loving Girls”.
É simples: Recuso-me a admitir ter feito algum tipo de seleção.
E passo a explicar: Foi o livro que dentro de mim vivia, aparentemente adormecido depois de tantos anos, que ousou responder em meu lugar (antes que eu pudesse sequer intervir). A sério.
É uma excelente obra, aprecio imenso tudo de Cunningham, mas não será decerto o melhor livro que já li na minha vida. Aquilo que me une a “The Hours” talvez tenha mais ver com algum tipo de fixação (de ordem passional) bastante mal resolvida - e, no entanto, continuada fonte de consubstanciação.
Fui procurar a minha velha edição paperback (em versão original, bastante maltratada, provavelmente comprada em algum aeroporto) e retomei nova leitura integral, regressando a mim própria tal como eu era há 17 anos atrás - e há 15, há 12, há 9 anos atrás - porque os livros que eu amo, pelos quais cultivo obsessões, crescem comigo durante um tempo, são lidos repetidamente, por vezes anos a fio - esses livros vão comigo a muitos lugares. Neste, entre as páginas amareladas, com cantos dobrados, encontram-se bilhetes de metro parisiense, nódoas de chá e por vezes coisas indecifráveis escrevinhadas nas margens em momentos de maior emoção.
“The Hours” é uma daquelas obras que funciona como cápsula do tempo de mim mesma - e, sim (porque não admiti-lo?), caixa de Pandora.
Relendo, vejo-me com várias idades diferentes - desde aquela em que tudo é uma possibilidade até outras horas e lugares que não pareciam oferecer uma porta de saída.
Diz Laura Brown : “What does it mean to regret when you have no choice”.
Verifico, mergulhando de novo nesta narrativa não-linear, feita de épocas, personagens, fluxos de consciência e monólogos interiores paralelos que esta ainda me comove e afecta profundamente. Produz-se uma estranha identificação com cada uma das três personagens femininas principais: Virginia Woolf (baseada na escritora), Laura Brown e Clarissa Vaughan - e, adicionalmente, Richard Brown.
Declara Richard a certo ponto : “We want everything, don’t we?”.
Tenho uma certeza: A maior felicidade que este livro trouxe foi (tal como as matrioshkas) conter outro livro dentro. E outro, e outro, e outro.
“The Hours”  mostrou-me o caminho para Virginia Woolf e “Mrs. Dalloway” - bem como “To The Lighthouse”, “Orlando”, diários, biografias várias e Vita Sackville-West - a partir dos quais Cunningham soube traçar paralelismos intencionais e assumidos, sempre hábeis e elegantes.
You cannot find peace by avoiding Life, Leonard”. A realidade confunde-se com a ficção nesta frase que Michael Cunningham ousa pôr na boca de uma Virgínia Woolf que não podemos dissociar da verdadeira, de tão real, amando profundamente a vida até decidir pôr-lhe um ponto final. Maravilhosa Virginia.
Assim vivo esta história peculiar da qual ainda não logrei libertar-me. Sem paz alguma - mas muito, muito viva.
Ignoro quantas vezes mais voltarei a ler este livro: É possível que venha a fazê-lo até compreender a ressonância essencial que provoca em mim. E até poder articulá-la. Com sorte, virei a identificar esse lugar ou momento impreciso e fugidio e então direi, como Clarissa Vaughan: “(…) there was such a sense of possibility. You know, that feeling? And I remember thinking to myself this is the beginning of happiness. This is where it starts. And of course there will always be more.

Yara Letartre - 9 de Outubro de 2016

Achados e Perdidos

“Vire a segunda à esquerda, na Esquina dos Desiludidos”. Foi o que me disseram; então o fiz.

Caminhei pela calçada; as ruas vazias, lotadas com o ar frio da noite. Virei a esquina com as mãos nos bolsos. Enfim, entrei nos achados e perdidos. Olhando baixo, perguntei à senhora curva e enrugada que estava atrás do balcão:

– Com licença. Um dia desses estava caminhando pela rua e acabei perdendo as minhas esperanças. Elas estão aqui?

– Meu querido  – ela disse sorrindo atrás dos minúsculos óculos –, aqui guardamos apenas o que se pode fazer alguém feliz.

A senhora deve ter percebido a confusão que tomou meu rosto, pois saiu de trás do balcão e parou a alguns centímetros de mim. Colocou seus dedos em meu queixo.

– Se a Esperança fosse algo que trouxesse felicidade, meu querido, ela não estaria na Caixa de Pandora.

Ei, alunos de Hogwarts. Gossip Witch aqui.

Eu não sei vocês, mas eu amo esse clima natalino que enche nossos corações com esperanças e amor. E junto com as duas coisinhas saídas da caixa de pandora, temos um terceiro elemento: Relacionamentos.  E Hogwarts não seria diferente do resto mundo.  Meus passarinhos me informam que o numero de casais, e possíveis casais, vem crescendo mais a cada dia.

Com a chegada dos bailes vários casais tem feito diversas coisinhas para chamar seu amor para o baile, alguns estão um tanto enrolados em relação a isso, que é o caso de Diana Jackson e James O’Brien.  Seria eles o mais novo casal de Hogwarts? Ou os dois estariam apenas aproveitando o momento?  E o convite do baile? Conte-nos mais.  Aguardo updates.

Você acha que precisa mesmo de um namoradx para o baile? Megan Rhoodes convidou Dominique DiNozzo para o baile, viu garotas!? Não é necessário um homem para ser feliz, mesmo que as duas estejam com relacionamentos engatados.  Deixem-me contar um pouco sobre Megan Rhoodes e James DiNozzo, vamos chama-los de Jegan, eles viveram esse romance escondido por algum tempo… Pena que chegou aos meus suaves ouvidos.  

Já nossa queridinha, Dominique, está em um relacionamento sem rótulos com Jude Van der Bilt, depois de tanto tempo entre tapas e beijos, eles resolveram ficar só nos beijos mesmo. Infelicidades aos casais.

Falando em casais e em infelicidade, vamos falar de Brian Royler e Ellen Flint, não sei se devo chama-los de casal, já que os dois foram vistos em pé de guerra mais cedo, tudo devido ao ciúme que um dos dois sentiu já que não vão ao baile juntos. Vocês querem cena mais de filmes para adolescentes americanos que essa?

Volto mais tarde com mais fofocas para vocês, fieis leitores.

Vocês sabem que me amam.

XOXO,

Gossip Witch.

Falar é fácil, difícil é ouvir. Somente quem se sente aprisionado sabe que a vitalidade se despedaça igual uma peça de porcelana. A solidão, a futilidade, o fracasso, o anonimato, é tão, tão grande que chega a ser insuportável. Vivemos numa caixa de vidro mental e física. Um sistema com permissões, normas e aceitação que molda tudo aquilo que não é dito e que caso se rebele, se torna apenas outra estatística num mundo que não irá parar para consertar o seu coração. Ao ler estas linhas, qual o tamanho da sua jaula? Cinquenta metros, cinquenta quilômetros, alguns centímetros? A limitação da sua mente? É isso? Uma caixa de Pandora que liberta de tudo, medos, tristeza, guerras, desprezo, menos a capacidade de ouvir. Cuidado com isso, ainda faltam alguns itens para saírem da imaginação. O que acontece quando você abre essa caixa e a esperança não está mais lá? Oras meu caro, a resposta é simples, a vida termina e não existe uma passagem de volta. É uma longa viagem num campo minado onde você caminha tentando sobreviver, ou melhor, apenas existir. Pontes deveriam ser uma bela travessia para admirar a paisagem, não um cemitério. Imagino a quantidade de pessoas que se sentem atordoadas, vazias, levando porradas da vida diariamente e aguentando para prosseguir até a luz do fim do túnel, uma luz que na verdade está apagada há muito tempo por falta de manutenção: aquele cuidado com o tesouro mais precioso que alguém poderia possuir.
—  Emerson Mollin