Vilões

Hoje eu senti saudade de ser dono do mundo. Saudade de ser super-herói. Senti saudade de ser invisível.  Senti saudade de derrotar todos os vilões. Senti saudade de abraçar a chuva. Senti saudades de salvar a garotinha encurralada por valentões do bairro. Senti saudade de ser aventureiro. Senti saudade de salvar a humanidade de todo mal. Senti saudade do povo me aplaudindo por algo que eu fiz. Senti saudade de sentar no banco do motorista e fingir que estava em uma corrida. Senti saudade de voar. Senti saudade de usar minha capa protetora. Senti saudade de sonhar. Senti saudade de quando eu era o tudo o que eu queria; É, saudades da minha infância, e o mundo, consumiu ela.
Engraçado como o mundo devora tudo que nós temos de bom. Ele arranca com raiva tudo aquilo que nos deixa nas nuvens e te joga para o chão da realidade. Mas o pior de tudo, é quando ele devora tudo aquilo que você não teve.
—  Já que é pra falar de saudade, eu falei. Kenedy Vinicios.
Personagens marcantes criados a partir dos clichês

Hoje em dia quase tudo é considerado clichê. Poucas coisas realmente me parecem totalmente originais. E, por causa disso, muita gente tem medo de começar a escrever uma história e tornar seu personagem menos atrativo e muito clichê. Porém, muitos escritores/roteiristas sabem dosar tão bem a personalidade deles, misturando os clichês,  que se tornam apaixonantes  e, para os escritores de primeira viagem, ótimas dicas. Escolhi alguns personagens que me cativaram e que se diferenciaram do quesito que se encaixariam na história.

Lydia Martin da série Teen Wolf: todo mundo sabe como é a garota popular da escola, não? É loira (em pouquíssimas vezes vi alguma morena), olhos azuis, alta, é líder de torcida, namora o cara do time de futebol – ou outro esporte – e, em quase todas as vezes, ela nunca é inteligente. O que diferencia Lydia Martin (Holland Roden) de todas as outras personagens populares que já conheci. Pra começar as características físicas que já a diferem: Lydia é ruiva e tem olhos verdes. Pra quem assiste – ou não – pode ver que no começo da série ela realmente parecia essa personagem clichê e que, para o susto de alguns, teria um fim não muito legal e nem seria tão adorada. Mas o que aconteceu foi completamente o oposto. Lydia é inteligente, até demais, e por mais que namore mesmo um cara popular e pareça que não liga para os sentimentos dos outros, essa personagem só cresce nos episódios, demonstrando, nem que de pouco em pouco, que por trás daquela imagem de popular e desejada, ela realmente se importa com as pessoas. O Jeff criou tão bem essa personagem que ela é uma das mais amadas da série e continua na temporada atual. 

  • O ponto que quero esclarecer sobre esse personagem é: Jeff (escritor da série) juntou – querendo ou não, eu não sei – dois tipos de personagens que são a Patricinha e a Nerd, e, no fim, deu um papel muito mais importante a personagem.

Katherine Pierce da série The Vampire Diaries: antagonistas são feitos para serem odiados, serem desejados mortos ou coisa pior. Mas nem sempre isso acontece, exemplo é: Katherine. Para quem não assiste a série, Katherine é uma vilã que é citada desde a primeira temporada, mas só aparece mesmo na segunda. Então, o que os criadores fizeram para que os sentimentos por essa personagem fossem todos menos o ódio? Eles simplesmente colocaram características marcantes que, >> em minha opinião << são as características que espero em todo personagem principal para ser adorado. Katherine é realmente uma vadia, porém, é uma vadia inteligente, esperta e, mesmo que manipuladora, ela consegue ganhar mais destaque do que a personagem principal. Misturaram o jeito vadia, egoísta e divertido numa mesma personagem. Quem realmente espera gostar de alguém que não liga pros outros e que mata qualquer um que interromper seu caminho? Ninguém, mas Katherine realmente consegue esse prodígio.

  • O ponto para esclarecer é: a personagem foi uma mistura do jeito vadia e do egoísmo, mas, no fundo, ela tem fortes motivos – mesmo que não sejam o suficiente para suas ações – são necessários e extremamente realistas e fortes para torná-la quem é. E, para melhorá-la ainda mais, adicionaram a comédia nela.

  • Se você quer criar um vilão, o primeiro passo é criar um passado ou um motivo bastante forte e significativo para torná-lo quem é.


Stiles Stilinski da série Teen Wolf: quem não conhece o NERD? Quem não conhece o garoto que quer entrar para o time do esporte, mas não tem talento ou tem pouco talento em comparação com os outros? E quem não conhece a diversão em pessoa? Três pontos pra se criar três personagens, mas que em Teen Wolf se tornou apenas um. E um ótimo personagem, eu devo ressaltar. Não conheço ninguém que não ame o Stiles. Ele é o melhor amigo do personagem principal – e é um dos principais –, que mesmo nos piores momentos solta uma piada que nunca é sem graça. Stiles também é um garoto insistente, porque mesmo tendo todas as chances de sempre permanecer no banco, ele continua na expectativa de ser escolhido para jogar. E, por fim, ele é muito inteligente, com notas que – aqui no Brasil – acho que não seriam abaixo de 8/9. Se Stiles não fosse tão engraçado e não tivesse o sonho de participar do time onde só tem os “fodões” e populares, ele seria apenas mais um NERD. Mais um de tantos outros que conhecemos em tantas histórias. E, por isso, Stiles é um exemplo da mistura dos clichês que deu certo.

  • Ponto a ser esclarecido: vejam que um único personagem carrega três características que, separadas, dariam um personagem fraco e visto em todos os lugares. Pode ser que tenha outro parecido com ele, mas para mim ele é o único no momento que foi criado dessa forma. Sem contar que, por ser tão inteligente, ele sacaria que nem sempre pode salvar as pessoas não, é? Mas Stiles é um personagem altruísta, que sofre com a dor do próximo e fica feliz com a felicidade dos demais. Resumindo: é um dos melhores personagens que tenho o prazer de ver.

Eu tenho um gosto por vilões, quase sempre por me ver neles, ver algum traço da minha personalidade neles, mas eu gosto de um tipo específico de vilão. Eu gosto dos psicopatas, dos que matam por prazer, ou só por gostar de lutar, que não dão nenhum valor a nada a não ser a si mesmos. Nunca entendi o por que, mas acho que gosto deles porque eles não tem nenhuma característica que os tornem “humanos”, que os tornem fracos e vulneráveis como a maioria de nós somos.