Vilões

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     Ouvia-se da boca de muitas pessoas: vivemos em tempos de vigilantes fantasiados. E não era mentira. A cada dia parecia surgir um novo cara de roupa colorida, pronto para lutar contra o crime, ou alguma mulher super forte tendo que brigar com alguém quase tão forte quanto. Ruas, quarteirões e, aos mais azarados, bairros inteiros eram destruídos na tentativa frustrada de salvá-los.
     Existia quem dizia que super heróis criavam super vilões, no entanto, aos mais esperançosos, os super heróis nasciam apenas pela necessidade de combater um super vilão. Seja qual fosse a circunstância, em alguns lugares, sendo vilão ou mocinho, você precisava apenas ter algo a mais pra ser odiado e caçado pelas autoridades, aquelas que combatiam o crime dentro das leis do país (ao menos em teoria).
     Contudo nem todos tinham o infortúnio de receber o desprezo e ódio das pessoas, pelas quais arriscavam as vidas todos os dias para preservar a de terceiros. Alguns eram adorados como deuses.
     “Olá, Red Eagle!

Onde estão os anti-heróis feitos de manequins? Curvas em diagonais, carteiras atiradas aos bonzinhos e sutiãs para os vilões. Desligue as luzes, pois a transfusão de corações e piadas já está para começar. Não importa que seja malfeito, apenas sigo o meu conceito, guarde pra si seus próprios segredos e conselhos. Você sabe aonde a vontade de um beijo elétrico pode nos levar, eu sei que sabe. Romeu passeia pela cidade sussurrando que não existe amor nesse buraco, poetas morando em caixas de papelões nas esquinas de qualquer lugar. Fitas métricas não são necessárias para se medir a humanidade daqui, talvez alguns palitos de dentes já bastem. A afilhada de um pianista cego, troca saliva com o capataz recém chegado a cidade. Amassando e dividindo calmantes entre os ratos, crianças e damas decaídas em ascensão. Musas dos desesperados, as maníacas que despertam o desejo de salamandras veteranas. A eterna máquina fabricante de sonhos tortos, a torre feita por você com meus poemas está começando a desmoronar. Não vou mais seguir suas trilhas, apenas prostre seu coração diante de mim e ficaremos quites. Narrando desencantos e ansiedades no chão com um giz, quem sabe um dia eu volte a te encontrar enquanto tomo chá em Paris. Atira dedos e aponta pedras enquanto lê frases Castro Alves. Em quartos escuros adolescentes egoístas se preparam para o perigo divertido, enquanto eu escrevo crônicas sobre a ausência de corações…
—  Narcisismo Em Refém À Promessas de Bar, Pierrot Ruivo