Ti manderò un bacio con il vento
e so che lo sentirai, 
ti volterai senza vedermi ma io sarò lì.
Siamo fatti della stessa materia 
di cui sono fatti i sogni.

Vorrei essere una nuvola bianca
in un cielo infinito

per seguirti ovunque e amarti ogni istante.
—  Pablo Neruda, Bacio
Tengo ganas de que te den ganas
de que te quieran bonito
que olvidaras
la estúpida lógica de sufrir
que te inventes los pretextos
de felicidad
en la comunidad de mis hombros
y bien, si todo fluye,
que el arco de los cielos
nos encuentre en la atardecida
música de tu boca,
que de esperanzas
no nos queden dudas
que de millones de morras
siempre vas a ser la única
a la que yo me atrevería
a perseguir por el mundo
tengo ganas de que te den ganas
de que te quieran bonito
que el amor
luce sin lujos de complacencia
y todo lo que te doy
es la humanidad de mi cuerpo
y te espera más
si te atreves a tocarme
los latidos
con la espuma de tu alma
—  Te vuelvo a ver en Morelia, Quetzal Noah

Años de internado

Tiempo de mi corazón jugando a la guerra
y la guerra era un llanto en todas las paredes
y yo vivía allí.
Palabras absurdas que oía a la sombra
y quería ser perro para matarlas
y decir que la mentira más grande
se vestía de blanco y negro.
Castigos que no podía inventarlos un loco,
ni un suicida,
entre hachís y las flores tan bellas del altar.
Años en que sólo las moscas eran mis amigas,
la torpeza de mi corazón cansado de rebelarse
mientras yo sabía mirar mis senos de madrugada.

Fui mala oveja en esos años,
esto me contenta ahora,
mala conductora del calor por donde querían remediarme,
cosía mis medias
y no pensaba nunca en el infierno.
Era ese mi triunfo cuando jugaba sin truco
ni impaciencia.

Celda Verde / Pureza Canela

Tu sei disperatamente infelice; tu vivi fra le agonie della morte, e non hai la sua tranquillità
—  Ugo Foscolo
È bella di notte la città. C’è pericolo ma pure libertà. Ci girano quelli senza sonno, gli artisti, gli assassini, i giocatori, stanno aperte le osterie, le friggitorie, i caffè. Ci si saluta, ci si conosce, tra quelli che campano di notte. Le persone perdonano i vizi. La luce del giorno accusa, lo scuro della notte dà l’assoluzione. Escono i trasformati, uomini vestiti da donna, perché così gli dice la natura e nessuno li scoccia. Nessuno chiede di conto di notte. Escono gli storpi, i ciechi, gli zoppi, che di giorno vengono respinti. È una tasca rivoltata, la notte nella città. Escono pure i cani, quelli senza casa. Aspettano la notte per cercare gli avanzi, quanti cani riescono a campare senza nessuno. Di notte la città è un paese civile.
—  Erri De Luca
Loucura

Ela evitava espelhos. Não apenas por consequência do descaso com o externo, mas também por puro horror à ideia de ver o reflexo da sua alma, podre e exposta, marcado para sempre em suas retinas. Os demônios beliscavam seus ouvidos, recitando cantos do passado que a faziam querer fugir para não mais voltar, mas isso não era possível, estava presa a eles por maciças correntes translúcidas. Os habituais pensamentos ensurdecedores batalhavam entre si e os escombros de sua mente eram mais uma vez o pano de fundo para essa sangrenta guerra psicológica.

Suas mãos trêmulas pressionavam as têmporas doloridas, seu corpo apático deixava-se levar de um lado a outro naquele quarto inóspito por seus pés enérgicos. O caos fez morada há tempo na psique atormentada. Imaginava como seria o silêncio, tão pacífico e harmônico. Ela sabia como calar as vozes e por um momento cogitou a ideia de fazê-lo. Arfava tão rapidamente como se nem todo o oxigênio do mundo fosse suficiente para satisfazer seus pulmões. Sua visão lhe mostrava visitantes correndo em sua direção com corpos desformes, chamando-a com suas falas hediondas, mas antes que eles pudessem alcança-la sumiam, deixando-a sem chão e com um permanente grito de horror estampado em seu rosto. Seu coração encolhia a cada hora que passava naquele inferno barulhento.

A última chama de perseverança dissipou-se e a escuridão finalmente se apossou de cada canto de sua existência. A prata reluzente acariciava seu pulso. Uma, duas, três linhas vermelhas. As vozes excruciantes escapavam libertas. Silêncio enfim.