MENINO-MALUQUINHO

Ele tinha o olho maior que a barriga, tinha fogo no rabo, tinha vento nos pés, umas pernas enormes (que davam pra abraçar o mundo) e macaquinhos no sótão (embora nem soubesse o que significava macaquinhos no sótão).

Ele era um menino impossível.

A melhor coisa do mundo na casa do menino maluquinho era quando ele voltava da escola, a pasta e os livros chegavam sempre primeiro voando na frente. 

Um dia no fim de ano, o menino maluquinho chegou em casa com uma bomba:

“Mamãe, tou aí com uma bomba!”
 

“Meu neto é um subversivo!” gritou o avô.

“Ele vai matar o gato!” gritou a avó.

“Tira esse negócio daí!”  falou - de novo - a babá.

Mas aí o menino explicou:

“A bomba já explodiu, gente. Lá no colégio.”

“Esse menino é maluquinho!” falou o pai, aliviado. 
E foi conferir o boletim.

 (…)

E aí, o tempo passou, e como todo mundo, o menino maluquinho cresceu.

Cresceu e virou um cara legal!

Aliás, virou o cara mais legal do mundo!

Mas um cara legal mesmo! 

E foi aí que todo mundo descobriu que ele não tinha sido um menino maluquinho, ele tinha sido um menino feliz!