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Forgotten treasures by Mathieu Coquerelle

Lisboa trip.

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Ou couleur par Jean-Michel SANGLERAT
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Photo Jean-Michel SANGLERAT www.flickr.com/photos/7142995@N07/

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Viagem no tempo pelos festejos de Carnaval lisboetas

“O Carnaval em Lisboa

O Carnaval tem a sua origem no culto prestado pelos romanos a Saturno, que se caracterizava por festas cuja temática incidia na inversão dos papeis sociais. Os senhores disfarçavam-se de escravos e os escravos de senhores. O culto perdeu expressão na Idade Média dominada pela vida religiosa e pelo culto aos santos. O santo Entrudo surgiu como uma manifestação religiosa em que a igreja se misturava com o povo em danças, procissões e em que tudo valia, “carnem vale”.
Em Lisboa, reis e nobres disfarçavam-se também, no século XVIII, D. Pedro II, D. João V, tornaram-se “frades” e “mendigos” em alguns Entrudos, D. José I tomava parte nas aventuras com os capotes brancos, as rainhas D. Francisca de  Sabóia, D. Sofia de Neubourg e D. Mariana de Áustria introduziram na corte os bailes de máscaras, participando na festa a figura do arlequim que envergava a sua capa colorida, distraindo e animando os presentes. O povo festejava na rua, só mais tarde em 1823, teve lugar no Teatro do Bairro Alto, o primeiro baile de máscaras público que acabou em confrontos e por pouco em incêndio.

No Carnaval do século XIX é introduzido o desfile pelas ruas de Lisboa, o corso, constituído por carros ornamentados, partia da Avenida da Liberdade, seguia pelo Rossio e subia até ao Chiado, percorrendo os cafés e passando pelas ruas cujas janelas estavam  ornamentadas com colchas de seda. Pelo caminho, os foliões: o “janota”, o “galego”, a “sopeira”, o “político” divertiam-se por entre tumultos e “batalhas”, revelando a nítida influência do Carnaval parisiense, aprumando-se os guarda-roupas e surgindo o Xé-Xé. Esta foi a figura mais típica do Carnaval lisboeta até 1910, também conhecido por peralta ou o pisa-flores, o Xé-Xé era a verdadeira caricatura miguelista, com a sua cabeleira e casaca garrida, de rendas de punho e chapéu bicórnio que percorria com o corso as ruas da cidade chamando e agitando os foliões. 

Com a Implantação da República, o velho Carnaval é considerado bárbaro e de mau gosto, perdendo-se assim a velha tradição e remetendo-se os bailes a festas privadas, imobilizando-se a festa na rua com o medo de se cair no ridículo ou no excesso”

Texto in Revelar LX CML

Imagens do Arquivo Municipal de Lisboa que disponibiliza online um valioso e interessante acervo fotográfico. Conheça mais aqui:http://arquivomunicipal.cm-lisboa.pt/pt/