Linha-do-Horizonte

Não é difícil me encontrar na cena. Um pouco mais pra cá, isso. Sou essa de vestido amarelo, estão vendo, na plantação de flores de plástico. Agora, vamos correr para o outro lado da cena. Correndo assim, tudo vira uma pincelada, não é legal? Aquele ali é o moço da história. Ele está amarrando a ponta daquele barbante porque está construindo um telefone de lata para conversar comigo. Eu tentei falar com ele, juro que tentei, mas o telefone de lata só dava ocupado. Então, eu desisti e muito tempo se passou. Tanto tempo passou que fiquei velha. Tive a péssima idéia de contar os dias, as noites, os anos e, agora, não consigo mais perder a conta. É como se a gente fosse um a cada instante e que esse um ficasse largado no tempo, à medida em que o tempo passasse. Enquanto vivo, vou largando rastros de mim por instantes. O tempo não me deixa voltar ou reaver aquilo que eu fui, mesmo que eu tenha sido apenas eu mesma, e ninguém mais que isso. Será que o tempo só anda para frente? Será que em direção ao futuro, eu só posso andar de costas, olhando as pegadas que larguei para trás? E se virássemos de frente, o passado continuaria sendo essa cauda que arrastamos pelo caminho, enquanto andamos cegos em direção ao futuro? Mas não consigo enxergar a longa distância; só quando me aproximo o máximo possível do instante, quando piso nele, quando o instante é. Não é difícil congelar a cena, quando podemos cruzar o cenário e costurar a estrela: pequeno botão que fecha a noite antes do dia se abrir. Da casa em que moravam à linha do horizonte dava dois quilômetros e meio, que percorriam em silêncio, para cuidar antes das flores pequenas. Espero o melhor segundo para dar pause, e só então ando com cuidado entre eles. Às vezes a pausa é tão bonita que cruzo o tempo para vê-la. Eles ficaram imóveis enquanto eu consertava o espaço. Não é difícil congelar a cena, é quando as folhas não pousam no chão, e os braços ficam suspensos no ar, num abraço que ela não terminou. É sempre isso: o céu que se descola das nuvens que tombam no lago que escoa no chão… E o narrador, ao consertar o espaço, puxar a linha do tempo e dar voz à personagem, não percebeu que eram só uma bolinha de papel amassado.
—  Rita Apoena.

IMAGINE COM HARRY STYLES

Para a minha surpresa, as coisas estavam indo bem desde que Harry e eu nos separamos há quatro meses. Durante um bom tempo tentamos fazer com que os compromissos e a distância, não se tornassem complicações em nosso relacionamento, mas depois de algumas tentativas, vimos que não dava mais para arrastar a situação. Após uma longa conversa, decidimos que uma separação amigável seria o melhor para ambos, pois por mais que ainda existisse aquele sentimento pelo outro, não dava para continuarmos a sofrer por algo que não estava dando certo. Mas também havia a nossa filha Chloe, um outro motivo para mantermos uma boa convivência após tudo o que passamos.

Neste final de semana Harry tinha combinado de levar Chloe para passear na praia e me convidou para ir junto com eles. Eu neguei, pois queria que os dois aproveitassem sozinhos aquele momento de “pai e filha”, mas depois Chloe insistiu e eu não pude dizer “não” para ela.

Estava caminhando pela praia, enquanto o sol já estava se pondo ao fundo na linha do horizonte. A água morninha do mar batia em meus calcanhares conforme o nível do mar ia subindo com o entardecer.

Chloe estava sentada sobre os ombros do pai, que a segurava pelos pezinhos para não cair. Ela ria de alguma coisa que o pai tinha lhe contado, e eu só conseguia sorrir observando a felicidade dos dois há alguns passos de distância.

Deus, como eu sentia falta dessa felicidade na minha vida!

Algumas lembranças felizes que Harry e eu tivemos juntos, se repassavam em minha mente naquele momento, e assim que e percebi que algumas lágrimas de saudades escorriam pelo meu rosto, diminui a velocidade dos meus passos para poder enxugá-las e respirar fundo antes de me recompor.

— Papai, posso te perguntar uma coisa? — Escutei Chloe sussurrar para Harry, o que chamou a minha atenção. Eles já estavam há uns cinco passos mais à frente, mas eu ainda pude escutar a sua voz baixinho. — Por quê você não volta a morar junto com a gente como antes?

Harry ficou em silêncio por alguns segundos, talvez pensando no que responder para ela. A gente tinha que ser cuidadoso nessas horas, não podíamos falar qualquer coisa, pois nem sempre as crianças acabavam entendendo o que queríamos dizer, podiam fazer uma outra interpretação das nossas palavras e criando outros sentidos da situação.

— Sua mãe já não conversou sobre isso com você, Chloe? — Perguntou.

— Sim, mas… Eu queria saber de você papai. Você não quer voltar para casa? Não quer mais me ver? — Sua voz falhou um pouco por causa do choro que ela segurava, mas Harry logo a tranquilizou.

— É claro que eu quero te ver sempre filha. Eu te amo muito, nunca te abandonaria. — Ele beijou suas perninhas num ato de carinho. —  Mas sua mãe e eu já conversamos sobre isso, e por mais que a gente se ame, achamos que seria melhor assim que cada um morasse em sua casa.

— Mas eu ainda não entendo papai — Chloe cruzou os bracinhos emburrada em cima da cabeça do pai. — Se você e a mamãe ainda se amam, porque vão morar separados?

— É difícil de explicar isso, filha. — Harry riu fraco. — Quando você estiver mais grandinha, vai entender que quando você ama alguém, a felicidade dela é o que mais importa, mesmo que você precise deixá-la ir para buscar a felicidade dela em outro lugar.

— Mas se a mamãe foi buscar a felicidade dela, eu ainda não entendo por que ela ainda chora todas as noites. —  Chloe murmurou.

— Como você sabe disso, filha? — Harry perguntou curioso tirando ela dos seus ombros e colocando ela no chão.

— Eu escutei através da porta do quarto dela — Confessou envergonhada.

— Você sabe que isso é errado, não sabe? — Harry repreendeu a filha que logo abaixou a cabeça.

— Desculpa, juro que não vou fazer mais isso. — Disse e logo foi perdoada pelo pai com um afago na cabeça.

— Está tudo bem filha. — Dizendo isso, Harry olhou para mim, parada há alguns passos de distância deles, e percebeu que eu estava disfarçando o seu olhar encarando o reflexo do pôr-do-sol no mar, deixando as ondas tocarem os meus pés. — Chloe, vamos procurar conchinhas? — Ela assentiu toda feliz e logo começou a procurar pela areia, enquanto Harry disse que logo iria acompanhá-la.

Respirei fundo e fechei os olhos, sentindo a brisa do mar batendo contra o meu rosto. Mesmo de olhos fechados, eu sabia que Harry estava ao meu lado, me observando.

— S/n? — Disse ao meu lado. — O que Chloe disse é verdade? — Eu sentia a preocupação pelo seu tom de voz.

— Ela é bem esperta para uma garotinha de sete anos. — Rimos. — Se eu fui buscar a minha felicidade, por que ainda choro?

Porque chora de saudade — Harry disse baixo e um silêncio se instalou no ar. Ele estava certo. Eu ainda sentia a sua falta. E muito.

— Você também chorou? — Quis saber olhando para ele.

Eram poucas as vezes que eu já tinha visto Harry chorando. Ele sempre conseguia se controlar bem diante das pessoas, não gostava que vissem ele chorar. Lembro-me somente de duas vezes que eu o peguei com os olhos cheios de lágrimas: no dia do nosso casamento e quando Chloe nasceu.

— Algumas vezes. — Confessou e pude notar a tristeza em seu olhar.

Deus, o que estávamos fazendo? Se voltássemos no passado, seria diferente? Se tivéssemos tentado mais uma vez dar certo, ainda estaríamos juntos? Ele voltaria para casa, e voltaríamos a ser uma família feliz? A verdade que eu estava em pedaços sem Harry ao meu lado. Eu não consigo mais continuar sem sua companhia, não consigo passar um dia sem ao menos pensar nem que seja por um instante em Harry. Ele era e ainda é tudo para mim.

— S/n? — Falou virando de frente para mim, obrigando a olhar em seus olhos, e ele baixar um pouco a cabeça — A gente não tá fazendo isso certo. Eu achava que estava fazendo o melhor para nós dois, mas eu quase morro só de lembrar que eu fiz isso com você. Com a gente. Com a nossa família.

— Harry… — Tentei dizer algo, mas ele me cortou.

— Só peço que você fique S/n. — Harry levou suas mãos ao seu rosto colando nossas testas, e nós dois fechamos nossos olhos. — Eu não posso deixar você ir procurar a sua felicidade, porque eu dependo da tua felicidade, e sua felicidade depende de mim, eu sei disso. Fica, vamos fazer dar certo dessa vez. — Falou grudando seus lábios nos meus.

O ovo e a galinha

De manhã na cozinha sobre a mesa vejo o ovo.

Olho o ovo com um só olhar. Imediatamente percebo que não se pode estar vendo um ovo. Ver o ovo nunca se mantêm no presente: mal vejo um ovo e já se torna ter visto o ovo há três milênios. – No próprio instante de se ver o ovo ele é a lembrança de um ovo. – Só vê o ovo quem já o tiver visto. – Ao ver o ovo é tarde demais: ovo visto, ovo perdido. – Ver o ovo é a promessa de um dia chegar a ver o ovo. – Olhar curto e indivisível; se é que há pensamento; não há; há o ovo. – Olhar é o necessário instrumento que, depois de usado, jogarei fora. Ficarei com o ovo. – O ovo não tem um si-mesmo. Individualmente ele não existe.

Ver o ovo é impossível: o ovo é supervisível como há sons supersônicos. Ninguém é capaz de ver o ovo. O cão vê o ovo? Só as máquinas vêem o ovo. O guindaste vê o ovo. – Quando eu era antiga um ovo pousou no meu ombro. – O amor pelo ovo também não se sente. O amor pelo ovo é supersensível. A gente não sabe que ama o ovo. – Quando eu era antiga fui depositária do ovo e caminhei de leve para não entornar o silêncio do ovo. Quando morri, tiraram de mim o ovo com cuidado. Ainda estava vivo. – Só quem visse o mundo veria o ovo. Como o mundo o ovo é óbvio.

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Status&Legenda: Legião Urbana

• “Brigar pra quê se é sem querer. 🍀💢”

• “Disciplina é liberdade, compaixão é fortaleza, ter bondade é ter coragem. 🌸🍂”

• “Dos nossos planos é que tenho mais saudade. 🌿🌷”

• “E hoje a noite não tem luar. 💫🍃”

• “E nossa estória não estará pelo avesso assim, sem final feliz, teremos coisas bonitas pra contar.🍀💢”

• “E o futuro não é mais como era antigamente. 🌸🍂”

• “É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã. 💕🍃”

• “Então me abraça forte e diz mais uma vez que já estamos distantes de tudo. 💕🍃”

• “Eu posso estar sozinho, mas eu sei muito bem onde estou.🌿🌷”

• “Me apego facilmente ao que desperta meu desejo. 🍀💢”

• “Me deixa ver como viver é bom não é a vida como está, e sim as coisas como são. 💫🍃”

• “O infinito é realmente um dos deuses mais lindos. 🌸🍂”

• “Quando descobri que é sempre só você que me entende do início ao fim. 🌾🌺”

• “Quantas chances desperdicei quando o que eu mais queria, era provar pra todo o mundo que eu não precisava provar nada pra ninguém. 🍀💢”

• “Que mentir pra si mesmo é sempre a pior mentira. 🌿🌷”

• “Quem acredita sempre alcança! 💫🍃”

• “Quem me dera ao menos uma vez ter de volta todo o ouro que entreguei a quem conseguiu me convencer que era prova de amizade 💕🍃”

• “Quem um dia irá dizer que existe razão nas coisas feitas pelo coração? 💕🍃”

• “Queria ser como os outros e rir das desgraças da vida, ou fingir estar sempre bem. 🍀💢”

• “Quero me encontrar, mas não sei onde estou. 🌸🍂”

• “Se você quiser alguém em quem confiar, confie em si mesmo. 🌾🌺”

• “Sempre em frente, não temos tempo a perder. 🌿🌷”

• “Sempre precisei de um pouco de atenção. 💫🍃”

• “Somos os filhos da revolução. 🍀💢”

• “Temos todo o tempo do mundo. 🌾🌺”

• “Tenho andado distraído impaciente e indeciso. 💫🍃”

• “Tenho um sorriso bobo, parecido com soluço. 🌿🌷”

• “Um rosto lindo como o verão. 🌾🌺”

• “Vai ver que é assim mesmo e vai ser assim pra sempre vai ficando complicado e ao mesmo tempo diferente.🍀💢”

• “Vamos lá, tudo bem eu só quero me divertir, esquecer dessa noite, ter um lugar legal pra ir. 💫🍃”

• “Ver a linha do horizonte me distrai.🌿🌷”

• “Somos tão jovens. 🌸🍂”

• “Me apego facilmente ao que desperta meu desejo. 🌾🌺”

• “Se você quiser alguém em quem confiar, confie em si mesmo. 💫🍃”

• “Quem inventou o amor me explica por favor 🍀💢”

• “É só o vento lá fora. 🌿🌷”

• “Meu filho vai ter nome de santo, quero o nome mais bonito. 💫🍃”

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Fala-me de lucidez. – conta-me como é que a linha do horizonte se traçou no teu peito – em que lado da memória escondeste o mar.

E porque sorris assim no interior do meu desassossego?
Fala-me de lucidez.
Fala-me, para eu adormecer.

Al Berto

entre o céu e o mar, o delírio

quando me dei conta de que não sabia distinguir o que era o céu e o que era o mar, e a única coisa que os separavam era a linha do horrizonte feito uma sequência de tons azuis e verdes, do azul para o verde, me dei conta também de que era assim no nosso amor dark, meu bem: por mais perto que pudéssemos estar um dia, foi melhor eu ter partido. nenhum de nós saberíamos como deter e nem lidar com essa linha do horizonte que acham que é nossa.

Quando a gente terminou, achei que fosse o fim do mundo. O fim do amor. O fim da vida. A gente sempre acha. A gente sempre pensa que – nunca mais – depois que acaba. E seguimos um estranho ciclo de superações. Primeiro vem a negação, a vontade de voltar. Depois, aquela vontade de descobrir tudo que se esconde por detrás da linha do horizonte. Mas, na verdade, o tempo que a gente leva no chão é crucial para os próximos passos depois de levantar. A gente cresce tanto com o fim de um namoro, que quebrar os nossos corações acaba sendo a coisa mais sincera que alguns conseguem fazer. Honestidade, sabe?! Poucos têm. Mas meu foco nem é esse. Sou eu. Demorou, mas entendi isso. Que preciso vir em primeiro lugar. Que preciso me amar, querer, bastar. Essas coisas todas que todo mundo diz. E aí, num belo dia, sem nem esperar, encontrei o que sempre procurei. Uma pessoa de verdade. De carne, osso e coração. Principalmente esse último. Alguém que entende e me ajuda a entender, o que, de fato, é ser par. Lar. Ser alguém para acrescentar. Crescer junto. Alguém que redefina as definições do que é o amor. Que se torne parte de mim, da minha família. E é nesse segundo que você entende a lógica da vida – a gente precisa ter o coração partido algumas vezes para entender o que é ser feliz de verdade.

De tarde quero descansar, chegar até a praia e ver se o vento ainda está forte, vai ser bom subir nas pedras. Sei que faço isso pra esquecer, eu deixo a onda me acertar e o vento vai levando tudo embora. Agora está tão longe. Vê, a linha do horizonte me distrai. Dos nossos planos é que tenho mais saudade, quando olhávamos juntos na mesma direção. Aonde está você agora, além de aqui dentro de mim? Agimos certo sem querer, foi só o tempo que errou. Vai ser difícil sem você, porque você está comigo o tempo todo e, quando eu vejo o mar, existe algo que diz que a vida continua e se entregar é uma bobagem. Já que você não está aqui, o que posso fazer é cuidar de mim. Quero ser feliz ao menos. Lembra que o plano era ficarmos bem? Ei, olha só o que eu achei: cavalos-marinhos. Sei que faço isso pra esquecer, eu deixo a onda me acertar e o vento vai levando tudo embora.
—  Renato Russo.

Em tardes de margaridas
pernas de moças
passeiam nas calçadas,
descobrindo o avesso
dos sentidos.

Bordados no coração
profana na pele,
sem entender
o certo o errado,
só sabe da intenção.

Anda com a solidão.
Suave,
se esconde na multidão,
dissipa o nublado do olhar
sorri para a linha do horizonte.
Leila

eu escrevi sobre a cor dos teus olhos, num pequeno pedaço de papel em branco.

nele, eu pude de alguma forma, escrever sobre a fascinação que tenho por eles. sob a cor castanha dos teus olhos, me permiti ver além do espaço da linha horizontal do teu nariz, onde eu enxerguei o mais puro amor que tentamos explicar, que na realidade não poderá nunca ser exemplificado, porque já se trata de algo simples por si só. eu tentei falar do meu amor sobre sobre teus olhos, e não consegui terminar o meu escrito  de forma singela sem dizer que os amo de todo a alma.

capitulo 42

Thais:Mayra o que te deu?(assustada),

May:Eu…eu…desculpa…caramba o que eu to fazendo.(a soltando)

Thais:May você tá bem…(estranhando)

May:Eu…er….(respirando fundo)..me deu uma tontura,enfim,desculpa.

Thais:Quer uma água eu poss…

May:Nãoo,não precisa…er..eu vou chamar a Luana tá na hora da gente ir.
Thais:Mas May ainda tá c…

May:Tchau Thais.(saindo)

(Lá fora)

Lu:E ai Ray,chega não se aguenta em pé em mano.(rindo)

Ray:E você criança pode tá bebendo isso ai?

Lu:Vixe,deixa em off,May não pode nem sonhar.(rindo)

Ray:E você hein Lu,veio fazer o que por aqui?deixou o namorado lá foi?

Lu:Vim em busca da minha liberdade,claro que com a May aqui ela será mais limitada.(revirando os olhos) que namorado Ray?

Ray:Ué…você não tava namorando um frâncês almofadinha lá?

Lu:Ray olha pra mim…(se levantando)…vê se eu tenho cara que namora francês almofadinha?

Ray:Na verdade você até tem sim,bom mas quando eu sai de lá você tava namorando um.

Lu:Ele era gay..(rindo)…Ray eu nunca namoraria com aquele cara de verdade.

Ray:Ele é gay mesmo?e porque falou que namorava com ele?

Lu:E não é obvio?…(o encarando)…Ray,não gosto de homem.(rindo)

Ray:Caramba você também…(inconformado)…desse jeito não sobra mulheres pra nós homens.(rindo)

Lu:Ah Ray vai dizer que nunca percebeu que sempre preferi o colo da Clara do que o seu?(rindo)

Ray:Deixa eu adivinhar,seu pais não sabem e você veio pra cá porque com a May não tem problema?(deduzindo)

Lu:Quando você ficou tão inteligente assim?…(rindo)…May me dá total cobertura.(deitando na grama)

Ray:Falando nela cadê ela pra te levar você não tá bem.(rindo)

Lu:Tá lá dentro com a gatissima da Thais…(rindo)…se brincar tá até dando uns pegas nela na sua cozinha?(gargalhando)

Ray:A Thais?..(incrédulo)…mas el…

May:Caramba Luana você se esconde menina.(irritada)

Lu:Achooou…(rindo)…já vamos?

May:Olha seu estado,chegar em casa a gente conversa,levanta dai.

Lu:Tchau Ray…

Ray:Tchau Lu,tchau May.

May:Tchau.

Não sei quanto tempo ficamos ali até que despertei ainda ouvindo o som que vinha lá de fora,Clara estava apagada ao meu lado com meio corpo fora do colchonete,não queria,mas precisava acorda-la pelo menos para ir para o quarto.

Van:Amor…(a balançando)..acorda,vamos pro quarto.

Clara:Só mais um pouco Van…(se virando)

Van:Amor você está quase no chão,vai ficar com dor…(distribuindo beijo pelo seu rosto)

Clara:Ai Vanessa você venceu..(se levantando e indo para a saída) que foi?vai ficar ai?

Van:Amor…(prendendo o riso)acho que seria legal se você colocasse uma roupa antes de sair.

Clara:Mais essa…(revirando os olhos)

(Lá fora)

Thais:Oi Ray,viu a May?

Ray:Foi embora.

Thais:Ela estava tão estranha lá dentro que resolvi vir ver se estava tudo bem.

Ray:Aparentemente estava ela conseguiu levar a Luna embora.(bebendo)

Thais:Mas o que sera que deu nela:(preocupada)

Ray:Thais…posso te fazer uma pergunta…(ela assentiu)…o que você e a Mayra são?(sem graça)

Thais:Como assim?(confusa)eu e a May somos amigas,porque a pergunta?(curiosa)

Ray:Nada demais besteira minha.(sorrindo sem graça)

Thais:Hmm,bom Ray deu minha hora.

Ray:Já?quer dizer tá tarde..fica ai tem vários quartos e além do mais você não mora tão perto assim.

Thais:Não é nada profissional eu dormir na casa dos meus dois chefes,já foi anti eu ter vindo pra cá.(sorrindo sem graça)

Ray:mas hoje é sábado você está aqui como minha convidada e não como uma funcionaria….(sorrindo)…fica.

Thais:Olha Ray agradeço de coração,mas não posso,tenho que ir.

Ray:Ao menos posso te levar?

Thais:Não me leve a mal mas…(apontando para o copo)…e além do mais eu estou de carro.

Ray:Bom,já que é assim o jeito é me despedir.(a abraçando)

Thais:Tchau Ray…(retribuindo)

Ray:Será que irei te ver amanhã?

Thais:Amanhã não dá,é aniversário da minha mãe e pretendo ficar com ela.

Ray:Bom,já que é assim até segunda então.(desanimado)

Depois de passar a crise de estresse por sono de Clara,e ela estar devidamente vestida,saímos da academia,a musica ainda se fazia presente e acredito eu que se passou-se muito tempo do que é permitido estar,um pouco mais pra frente encontramos Ray caído em uma das espreguiçadeiras que haviam ali,parecia “des-mai-a-do” rsrsrs.

Van:Ué cadê o pessoal?

Clara:Já deve ser bem tarde e suponho que todos tenham ido embora.

Van:E suponho que aquele ali dormindo seja o Ray.(rindo)

Clara:Nossa,encheu a cara pra variar.(irritada)

Van:Calma amor…acho melhor leva-lo lá pra dentro.

Clara:Que? você não tá querendo carrega ele até lá está?(incrédula)

Van:E vamos fazer o que deixar o coitado aqui.

Clara:Vanessa olha o tamanho do Ray,a gente não chega nem na metade.

Van:Amor,não dá pra deixar ele aqui…(segurando o braço dele)…vem e me ajuda.

Clara:merecia ficar ai para aprender.(irritada)

Ray era um garoto de um porte físico invejável por qualquer homem,tinha os músculos bem definidos,enfim um moço muito bonito e cuidadoso com o corpo. E Clara estava certa foi uma luta carrega-lo até o quarto,já irritada ela ainda lhe deu uns tapas pelo exagero com a bebida,demos graças a Deus quando chegamos a sala,o colocamos por ali,já passavam das 5:00 quando fomos dormir.

Acordei com uma leve dor na lombar fruto dos minutos ou melhor horas que cochilamos ali naquele colchonete,passei a mão ao meu lado e vi que estava vazia,depois de alguns minutos lutando contra mim mesma resolvi levantar,olhei no visor do celular e já era 16:20 e ai que reparei que dormi uma vida e não disse nada a dona Solange.

(Van no celular)

Van:Mãe?

Sol:Oi filha,tá tudo bem?

Van:Tá sim mãe..ér e por ai?

Sol:Ah está tudo bem sim,fui na casa da sua tia e voltei quase agora.

Van:Tá brava porque eu não liguei?(estranhando)

Sol:Não,graças a minha nora que me ligou um pouco mais cedo eu não morri de preocupação.

Van:Ainda bem…porque eu acabei de acordar.(bocejando)

Sol:Imagino como tenha sido a noite pra você estar assim?(rindo)

Van:Mãe…(revirando os olhos)…eu vou procurar a Clara,e depois eu ligo.

Sol:Como assim procurar? ela não está ai?

Van:Acordei e ela não estava ao meu lado.

Sol:Bom,então vai lá filha,vem hoje para a casa?

Van:provavel que sim,mas caso eu mude de ideia eu ligo tá.

Sol:Tudo bem filha,beijos e juízo.

Van:Beijo mãe…tchau!

Apesar de já ser tarde,fiz minha higiene matinal e fui atrás de Clara. Andei por todos os corredores que haviam naquela casa procurando e nada,nossa uma casa tão grande e ao mesmo tempo tão desnecessária metade dos quartos que entrei tinha cara de inauguração,por fim decidi descer e fui direto para a cozinha.

Ray:Bom dia Van.(bebendo café)

Van:Bom dia…(sorrindo)…pelo que vejo acordou agora também né?

Ray:Pois é…e com uma ressaca que está me matando.(pondo a mão na cabeça)

Van:Imagino…pelo estado que você estava ontem.(rindo)

Ray:Você e a Clara que me colocaram aqui dentro?

Van:Sim hahahaha,falando nela viu ela?(se sentando)

Ray:Aline…(a chamando) não vi van,achei que ela ainda dormia.

Van:Não,acordei e ela já não estava mais lá.

Aline:chamou Ray…(olhando para Vanessa)…boa tarde dona Vanessa.

Van:Oi Aline.(sorrindo)

Ray:Aline amor traz uma xícara pra Van por favor e já que está aqui…viu a Clara?

Aline:Sim,ela acordou bem cedo veio aqui pegou um copo com suco e saiu.

Ray:obrigado Aline.

Van:Ela não está sendo investigada …(quando a mesma saiu)

Ray:Aline trabalha com meus pais a muito tempo Van,é de confiança

Van:Bom,se você está dizendo,agora onde será que sua irmã se meteu?(desconfiada)

Ray:Não faço ideia,mas relaxa ai…(comendo)…Van você tem o numero da Thais?(sem graça)

Van:Tenho sim porque?(desconfiada)

Ray:Ah é que…er..eu preciso falar com ela..e …bem eu não tenho o numero e enfim.(se atrapalhando com as palavras)

Van:Já entendi…(rindo)…depois eu pego lá pra você.

Tomei um café,sim apesar da hora ainda estava no café quase que forçada com Ray,e depois de anotar o numero pra ele,novamente sai procurando Clara,ela não iria sair de lá sem me dizer logo constatei que ela estaria ainda dentro da mansão.

(Na casa de Mayra)

May:Muito bonito né dona Luana.(virando o rosto)

Lu:Ai meu Deus vou morrer.(após vomitar)

May:Não vai não,mas eu devia matar você menina,onde estava com a cabeça pra beber assim?(irritada)

Lu:Fala baixo May minha cabeça.(caminhando e direção a cama)

May:Eu devia te deportar de volta para Vegas.(ainda irritada)…Luana você tem 18 anos e se não se comportar isso de morarmos juntas não vai rolar cara,eu prometi aos nossos pais…

Lu:“Cuidar de mim”,já sei Mayra,agora fala um pouco baixo…(pondo a mão na cabeça)desculpa mana,eu estava feliz demais por estar aqui e exagerei.(fazendo bico)

May:Isso é golpe baixo…(falando da cara que a irmão fazia que Mayra não resistia)

Lu:É sério mana prometo que de agora em diante vou me comportar.

May:Acho muito bom viu..(se sentando ao lado da irmã)…vamos curtir mas com moderação.(olhando o celular)

whatsapp:8:30 am

Thais:“Oi preguiça,acorda,preciso falar com você. :)”

Mayra havia recebido uma mensagem no whatsapp e ao ver que era de Thais não conseguiu conter o sorriso.

Lu:Porque não fala logo com ela hein?…(fechando os olhos)…vai ficar ai esperando outro ou outra vir e falar?

May:Não é tão simples assim a Thais é uma garota diferente e é preciso de muita calma para poder chegar em uma pessoa assim,eu quero conquista-la e não assusta-la entende?

Lu:……..(dormindo)

May:Lu? (observando a irmã)…essa quenga,dormiu.(sorrindo)

whatsap:16:50 pm

May:“Oi linda,não vi sua mensagem antes mil desculpas,podemos conversar?”:P

(na casa de Clara)

Fui caminhando ali pelo jardim e escutei uma musica vindo de uma sala que havia ali fora,reconheci de cara que era legião urbana,pelo vidro vi que Clara estava lá dentro,ao seu lado havia um copo vazio e uma caixa bem parecida com aquela que May havia pegado no dia da “descoberta”,abri a porta devagar sem deixar que ela percebe-se a minha presença.

Clara:“Agora está tão longe ver a linha do horizonte me distrai,dos nosso planos é que tenho mais saudades,quando olhávamos juntos na mesma direção.”(cantando um trecho da musica)

Vi que Clara segurava uma foto em suas mãos,doeu um pouco quando vi quem estava presente na imagem que ela segurava,Letícia beijava seu rosto enquanto Clara sorria e batia a foto, era inevitável não sentir uma pontinha de tristeza ao ver que ela ainda estava presa a esse passado.

Flashback Clara:

Clara:Nossa amor pra onde você vai com tanta coisa?(se divertindo)

Leticia:Amor,o Brasil é um pais de muitas mudanças climáticas,não quero ficar desprevenida.

Clara:hahahaha mas acho que você está se prevenindo demais minha francesa.(a abraçando)

Leticia:Ah amor nem são tantas coisas assim.(fazendo bico)

Clara:Pra quem vai querer comprar tudo o que vê por lá…é sim.(rindo)

Leticia:Então,vou levar só essa.(pegando a mala menor)mas aqui só tem roupas de calor.

Clara:Lá está fazendo muito calor,e tem mais se mudar o clima,compramos algo por lá mesmo.(sorrindo)

Leticia:Então vamos né?(animada)

Clara:(rindo)Vamos minha princesa mas antes…(pegando a câmera)…primeira foto,da nossa primeira viagem.(batendo)

Leticia:Ficou linda.(sorrindo)

Clara:Porque você é linda.(a beijando)

fim do Flashback

Clara:Hoje faz 9 anos que você me deixou meu amor,não tem um dia que eu não pensa em você,como eu queria que voltasse pra mim.(chorando)

Fiquei meio atordoada ao ouvir aquelas palavras vindo dela,era como se,como se tudo o que estamos vivendo fosse em vão,claro que ela não esqueceria tão fácil assim foi algo marcante na vida dela,mas é um passado,e eu?estou marcando o seu presente?

Foi com esses pensamentos que sem querer acabei derrubando algumas coisas que haviam ali a fazendo me encarar levantar-se rapidamente.

Clara:Vanessa.(assustada)


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Pedido ao pássaro

me leve em teu pequeno peito 
e voe sobre os mares e marés.
estufe seus pulmões e respire a brisa.
liberte-se, seja livre.
siga a linha do horizonte e deixe seus rastros
para que um dia eu te alcance. 
não se amedronte, se surpreenda. 
dê cambalhotas ao vento e deixe o levar.
cante em som alto para que eu ouça os ruídos
e caia em um sono profundo tranquilo e pacífico.
faça de tuas asas teu paraíso.

10/10.

Terceiro hemisfério

     Ora, me digas, qual o sabor desta tua boca rosada, mulher? Estes lábios finos ao desencontro dos meus, que perdem-se no teu corpo à procura dos seus seios ferventes e macios. Sigo a linha dos horizontes através da circunferência do teu peito. Os meus poros encaixam-se nos teus e absorvem do mesmo fôlego inquieto e maldito. Suas costelas são o ápice de uma insanidade assombrosa. Uma fragilidade e dominância colocam-se nas entrelinhas destes ossos quase expostos. Dedilhar as tuas depressões e declínios e provar do seu abismo íntimo. 

     O desejo é de beijar o teu corpo informal e culto, intolerante e alérgico às minhas ferocidades, arrepiar-te a nuca e traçar as cordilheiras de teu quadril hostil e flutuante. Beber a água, purificadora, no mesmo cálice que as suas mandíbulas abraçaram e transforma-lá em vinho. Embebedarmo-nos do sangue impuro e salvador, místico e miserável.

     Nos vazios opacos, esconde-se dentro do teu zelo a minha solidão, como uma parasita, hospeda-se: sugando-te a carne, as células, a nudez e a sanidade, em uma única tragada estonteante. A sua pele está enrijecida, arqueada, sensível: nossa paixão é um sistema nervoso complexo que vez ou outra encanta os oblíquos olhos satânicos que observam-nos às escuras, por debaixo das saias, no sétimo cigarro e nas gravatas bem amarradas ao pescoço.

     Excitante é a ideia de abrigar-me no teu útero, tão expansível e cômodo, a flor do seu organismo. Ser o órgão que lhe mantém visível e transparente aos questionamentos cósmicos, a célula revolucionária.

     Confesso que descontrolei-me no excesso ao imaginar-te engolida pelas sombras e dissimulações desgraçadas que abastecem a minha alma eloquente e minúscula: perversa. Estavas no fervor do pecado, evaporando por de trás das cortinas, dentro dos nós, desatando-os. Estes, ao desenrolar-se, pousavam no chão, como os vestidos das mulheres, que despencavam desde os ombros, rapidamente, até os pés, em um único frame. Só me é permitido deslumbrar da visão de tuas costas, quanto ao resto: curva sombreada, mistério existente entre o volume das tuas clavículas e a pele. Surge a possibilidade do corpo ser provocante na condição de ser embasado em vazios. Soaria ridículo se eu dissesse que o meu estopim é o descaso, a inexistência, eco irreconhecível e enlouquecedor? Visualizo os vultos descoloridos da sua imagem percorrendo pelos cantos e encantos, driblando o tempo e fazendo-me de estátua contemplativa. 

     Peço-lhe o perdão por não mencionar o seu nome, pois este eu só posso sibilar, escrevê-lo já é ousadia, e nunca, em minha vida, pude ter o desprazer de ser considerado um homem digno, nada, se não um reles medíocre pecador. O que seria a memória: ato, ou essência que prolifera-se no hemisfério mirabolante e árido do meu cérebro? A realidade perde-se entre as arestas e curvas. Declaro, pois então, guardo as mulheres mais bonitas atrás dos olhos. 

Vinicius Valentim

Tenho trabalhado tanto, mas penso sempre em você. Mais de tardezinha que de manhã, mais naqueles dias que parecem poeira assentada aos poucos, e com mais força enquanto a noite avança. Não são pensamentos escuros, embora noturnos. Tão transparentes que até parecem de vidro, vidro tão fino que, quando penso mais forte, parece que vai ficar assim clack! e quebrar em cacos, o pensamento que penso de você. Se não dormisse cedo nem estivesse quase sempre cansado, acho que esses pensamentos quase doeriam e fariam clack! de madrugada e eu me veria catando cacos de vidro entre os lençóis. Brilham, na palma da minha mão. Num deles, tem uma borboleta de asa rasgada. Noutro, um barco confundido com a linha do horizonte, onde também tem uma ilha. Não, não: acho que a ilha mora num caquinho só dela. Noutro, um punhal de jade. Coisas assim, algumas ferem, mesmo essas são sempre bonitas. Parecem filme, livro, quadro. Não doem porque não ameaçam. Nada que eu penso de você ameaça. Durmo cedo, nunca quebra.
—  Caio Fernando Abreu, “Pequenas Epifanias”.

O sol queima a superfície desregular e reflete na outra, o sol racha a pedra numa linha fina e quebradiça. A outra esconde o bicho marinho morto pela falta d'água, o sol brilha, a pedra lisa dilata. Alinham-se todas as manhãs. Quando a maré sobe e a água salgada bate na beira, molhando a quentura do sol e o pé do pescador, é o ponto de encontro entre as duas. Bate, reflete, elas se fitam, abrigam as varas, e acompanham de perto a morte dos peixes que debatem. O sol se põe, e é como se a linha do horizonte estivesse há pouca distância. O mar se enfurece, as ondas batalham, espirram a água como chuva que quer voltar às nuvens. E chega o ponto que a maré as cobre até a ponta. Agora fazem parte do mar. Amor submerso até o nascer do sol.

(cansada das monomanias dos amores humanos, conto uma história de amor entre duas pedras.)

a cama que deito todos os dias é a linha do horizonte estendida entre um dia e outro. eu sou o Sol que acorda indisposto.