Linha-do-Horizonte

IMAGINE COM HARRY STYLES

Para a minha surpresa, as coisas estavam indo bem desde que Harry e eu nos separamos há quatro meses. Durante um bom tempo tentamos fazer com que os compromissos e a distância, não se tornassem complicações em nosso relacionamento, mas depois de algumas tentativas, vimos que não dava mais para arrastar a situação. Após uma longa conversa, decidimos que uma separação amigável seria o melhor para ambos, pois por mais que ainda existisse aquele sentimento pelo outro, não dava para continuarmos a sofrer por algo que não estava dando certo. Mas também havia a nossa filha Chloe, um outro motivo para mantermos uma boa convivência após tudo o que passamos.

Neste final de semana Harry tinha combinado de levar Chloe para passear na praia e me convidou para ir junto com eles. Eu neguei, pois queria que os dois aproveitassem sozinhos aquele momento de “pai e filha”, mas depois Chloe insistiu e eu não pude dizer “não” para ela.

Estava caminhando pela praia, enquanto o sol já estava se pondo ao fundo na linha do horizonte. A água morninha do mar batia em meus calcanhares conforme o nível do mar ia subindo com o entardecer.

Chloe estava sentada sobre os ombros do pai, que a segurava pelos pezinhos para não cair. Ela ria de alguma coisa que o pai tinha lhe contado, e eu só conseguia sorrir observando a felicidade dos dois há alguns passos de distância.

Deus, como eu sentia falta dessa felicidade na minha vida!

Algumas lembranças felizes que Harry e eu tivemos juntos, se repassavam em minha mente naquele momento, e assim que e percebi que algumas lágrimas de saudades escorriam pelo meu rosto, diminui a velocidade dos meus passos para poder enxugá-las e respirar fundo antes de me recompor.

— Papai, posso te perguntar uma coisa? — Escutei Chloe sussurrar para Harry, o que chamou a minha atenção. Eles já estavam há uns cinco passos mais à frente, mas eu ainda pude escutar a sua voz baixinho. — Por quê você não volta a morar junto com a gente como antes?

Harry ficou em silêncio por alguns segundos, talvez pensando no que responder para ela. A gente tinha que ser cuidadoso nessas horas, não podíamos falar qualquer coisa, pois nem sempre as crianças acabavam entendendo o que queríamos dizer, podiam fazer uma outra interpretação das nossas palavras e criando outros sentidos da situação.

— Sua mãe já não conversou sobre isso com você, Chloe? — Perguntou.

— Sim, mas… Eu queria saber de você papai. Você não quer voltar para casa? Não quer mais me ver? — Sua voz falhou um pouco por causa do choro que ela segurava, mas Harry logo a tranquilizou.

— É claro que eu quero te ver sempre filha. Eu te amo muito, nunca te abandonaria. — Ele beijou suas perninhas num ato de carinho. —  Mas sua mãe e eu já conversamos sobre isso, e por mais que a gente se ame, achamos que seria melhor assim que cada um morasse em sua casa.

— Mas eu ainda não entendo papai — Chloe cruzou os bracinhos emburrada em cima da cabeça do pai. — Se você e a mamãe ainda se amam, porque vão morar separados?

— É difícil de explicar isso, filha. — Harry riu fraco. — Quando você estiver mais grandinha, vai entender que quando você ama alguém, a felicidade dela é o que mais importa, mesmo que você precise deixá-la ir para buscar a felicidade dela em outro lugar.

— Mas se a mamãe foi buscar a felicidade dela, eu ainda não entendo por que ela ainda chora todas as noites. —  Chloe murmurou.

— Como você sabe disso, filha? — Harry perguntou curioso tirando ela dos seus ombros e colocando ela no chão.

— Eu escutei através da porta do quarto dela — Confessou envergonhada.

— Você sabe que isso é errado, não sabe? — Harry repreendeu a filha que logo abaixou a cabeça.

— Desculpa, juro que não vou fazer mais isso. — Disse e logo foi perdoada pelo pai com um afago na cabeça.

— Está tudo bem filha. — Dizendo isso, Harry olhou para mim, parada há alguns passos de distância deles, e percebeu que eu estava disfarçando o seu olhar encarando o reflexo do pôr-do-sol no mar, deixando as ondas tocarem os meus pés. — Chloe, vamos procurar conchinhas? — Ela assentiu toda feliz e logo começou a procurar pela areia, enquanto Harry disse que logo iria acompanhá-la.

Respirei fundo e fechei os olhos, sentindo a brisa do mar batendo contra o meu rosto. Mesmo de olhos fechados, eu sabia que Harry estava ao meu lado, me observando.

— S/n? — Disse ao meu lado. — O que Chloe disse é verdade? — Eu sentia a preocupação pelo seu tom de voz.

— Ela é bem esperta para uma garotinha de sete anos. — Rimos. — Se eu fui buscar a minha felicidade, por que ainda choro?

Porque chora de saudade — Harry disse baixo e um silêncio se instalou no ar. Ele estava certo. Eu ainda sentia a sua falta. E muito.

— Você também chorou? — Quis saber olhando para ele.

Eram poucas as vezes que eu já tinha visto Harry chorando. Ele sempre conseguia se controlar bem diante das pessoas, não gostava que vissem ele chorar. Lembro-me somente de duas vezes que eu o peguei com os olhos cheios de lágrimas: no dia do nosso casamento e quando Chloe nasceu.

— Algumas vezes. — Confessou e pude notar a tristeza em seu olhar.

Deus, o que estávamos fazendo? Se voltássemos no passado, seria diferente? Se tivéssemos tentado mais uma vez dar certo, ainda estaríamos juntos? Ele voltaria para casa, e voltaríamos a ser uma família feliz? A verdade que eu estava em pedaços sem Harry ao meu lado. Eu não consigo mais continuar sem sua companhia, não consigo passar um dia sem ao menos pensar nem que seja por um instante em Harry. Ele era e ainda é tudo para mim.

— S/n? — Falou virando de frente para mim, obrigando a olhar em seus olhos, e ele baixar um pouco a cabeça — A gente não tá fazendo isso certo. Eu achava que estava fazendo o melhor para nós dois, mas eu quase morro só de lembrar que eu fiz isso com você. Com a gente. Com a nossa família.

— Harry… — Tentei dizer algo, mas ele me cortou.

— Só peço que você fique S/n. — Harry levou suas mãos ao seu rosto colando nossas testas, e nós dois fechamos nossos olhos. — Eu não posso deixar você ir procurar a sua felicidade, porque eu dependo da tua felicidade, e sua felicidade depende de mim, eu sei disso. Fica, vamos fazer dar certo dessa vez. — Falou grudando seus lábios nos meus.

Fala-me de lucidez. – conta-me como é que a linha do horizonte se traçou no teu peito – em que lado da memória escondeste o mar.

E porque sorris assim no interior do meu desassossego?
Fala-me de lucidez.
Fala-me, para eu adormecer.

Al Berto

Eu não vou cometer o mesmo erro. Não dessa vez. Eu demorei muito tempo para me encontrar nessa sensação de paz, de alívio. E eu não quero que essa sensação vá embora. Eu não quero ter que voltar a sentir todo aquele medo do mundo. Toda àquela vontade de morrer que vinha à noite enquanto eu estava prestes a agarrar no sono. Então, vai ser diferente. Eu vou fazer diferente. Eu vou fazer ser diferente. Eu vou ser diferente. A dor ocupou um espaço muito grande dentro do meu peito. E eu não quero que ela volte. Eu não quero me odiar novamente. Eu não quero perder o paladar na hora de provar o doce mais doce. Então, eu vou mudar. Eu vou ser quem ainda não fui. Eu vou me renovar, expandir o olhar e ver bem mais além do que a linha do horizonte me limita. E nada, repito: nada vai ser como antes. Nem eu.
—  Wesley Trajano.

BELEZA


Sua pele possui um tom uniforme, unânime, branco gesso, o gesso dos móveis, dos ícones, mas é levemente salpicada pela areia da praia, pela terra dos bosques e como castigo por ter beijado o por do sol seus lábios se tornaram rubros de vermelho e um sorriso teima como um pé de valsa parado num baile, um sorriso que se abre como uma cicatriz, que faz doer as maçãs do rosto, um sorriso que de tão feliz é triste. E por ter encarado o céu como um amante ele adentrou seus olhos que agora são grandes o suficiente para conterem um universo.

Seu ser é como uma folha  de outono que hora voa alto, hora baixo, bailando na linha do horizonte como se ele fosse um meio fio e de repente pousando sobre meu peito que é vazio como uma concha.  


MENDES

De tarde quero descansar,
Chegar até a praia e ver
Se o vento ainda está forte
Vai ser bom subir nas pedras
Sei que faço isso pra esquecer
Eu deixo a onda me acertar
E o vento vai levando tudo embora

Agora está tão longe ver,
A linha do horizonte me distrai
Dos nossos planos é que tenho mais saudade
Quando olhavamos juntos na mesma direção

Aonde está você agora
Além de aqui,
Dentro de mim?

Agimos certo sem querer
Foi só o tempo que errou
Vai ser difícil eu sem você
Porque você está comigo o tempo todo
E quando eu vejo o mar
Existe algo que diz
Que a vida continua
E se entregar
É uma bobagem

Já que você não está aqui
O que posso fazer é cuidar de mim
Quero ser feliz ao menos
Lembra que o plano era ficarmos bem?

Pedido ao pássaro

me leve em teu pequeno peito 
e voe sobre os mares e marés.
estufe seus pulmões e respire a brisa.
liberte-se, seja livre.
siga a linha do horizonte e deixe seus rastros
para que um dia eu te alcance. 
não se amedronte, se surpreenda. 
dê cambalhotas ao vento e deixe o levar.
cante em som alto para que eu ouça os ruídos
e caia em um sono profundo tranquilo e pacífico.
faça de tuas asas teu paraíso.

10/10.

Quando a gente terminou, achei que fosse o fim do mundo. O fim do amor. O fim da vida. A gente sempre acha. A gente sempre pensa que – nunca mais – depois que acaba. E seguimos um estranho ciclo de superações. Primeiro vem a negação, a vontade de voltar. Depois, aquela vontade de descobrir tudo que se esconde por detrás da linha do horizonte. Mas, na verdade, o tempo que a gente leva no chão é crucial para os próximos passos depois de levantar. A gente cresce tanto com o fim de um namoro, que quebrar os nossos corações acaba sendo a coisa mais sincera que alguns conseguem fazer. Honestidade, sabe?! Poucos têm. Mas meu foco nem é esse. Sou eu. Demorou, mas entendi isso. Que preciso vir em primeiro lugar. Que preciso me amar, querer, bastar. Essas coisas todas que todo mundo diz. E aí, num belo dia, sem nem esperar, encontrei o que sempre procurei. Uma pessoa de verdade. De carne, osso e coração. Principalmente esse último. Alguém que entende e me ajuda a entender, o que, de fato, é ser par. Lar. Ser alguém para acrescentar. Crescer junto. Alguém que redefina as definições do que é o amor. Que se torne parte de mim, da minha família. E é nesse segundo que você entende a lógica da vida – a gente precisa ter o coração partido algumas vezes para entender o que é ser feliz de verdade.

a cama que deito todos os dias é a linha do horizonte estendida entre um dia e outro. eu sou o Sol que acorda indisposto.

Em tardes de margaridas
pernas de moças
passeiam nas calçadas,
descobrindo o avesso
dos sentidos.

Bordados no coração
profana na pele,
sem entender
o certo o errado,
só sabe da intenção.

Anda com a solidão.
Suave,
se esconde na multidão,
dissipa o nublado do olhar
sorri para a linha do horizonte.
Leila

Tenho trabalhado tanto, mas penso sempre em você. Mais de tardezinha que de manhã, mais naqueles dias que parecem poeira assentada aos poucos, e com mais força enquanto a noite avança. Não são pensamentos escuros, embora noturnos. Tão transparentes que até parecem de vidro, vidro tão fino que, quando penso mais forte, parece que vai ficar assim clack! e quebrar em cacos, o pensamento que penso de você. Se não dormisse cedo nem estivesse quase sempre cansado, acho que esses pensamentos quase doeriam e fariam clack! de madrugada e eu me veria catando cacos de vidro entre os lençóis. Brilham, na palma da minha mão. Num deles, tem uma borboleta de asa rasgada. Noutro, um barco confundido com a linha do horizonte, onde também tem uma ilha. Não, não: acho que a ilha mora num caquinho só dela. Noutro, um punhal de jade. Coisas assim, algumas ferem, mesmo essas são sempre bonitas. Parecem filme, livro, quadro. Não doem porque não ameaçam. Nada que eu penso de você ameaça. Durmo cedo, nunca quebra.
—  Caio Fernando Abreu, “Pequenas Epifanias”.

é mineral o papel
onde escrever
o verso; o verso
que é possível não fazer.

são minerais
as flores e as plantas,
as frutas, os bichos
quando em estado de palavra.

é mineral
a linha do horizonte,
nossos nomes, essas coisas
feitas de palavras.

é mineral, por fim,
qualquer livro:
que é mineral a palavra
escrita, a fria natureza

da palavra escrita.

João Cabral de Melo Neto

eu escrevi sobre a cor dos teus olhos, num pequeno pedaço de papel em branco.

nele, eu pude de alguma forma, escrever sobre a fascinação que tenho por eles. sob a cor castanha dos teus olhos, me permiti ver além do espaço da linha horizontal do teu nariz, onde eu enxerguei o mais puro amor que tentamos explicar, que na realidade não poderá nunca ser exemplificado, porque já se trata de algo simples por si só. eu tentei falar do meu amor sobre sobre teus olhos, e não consegui terminar o meu escrito  de forma singela sem dizer que os amo de todo a alma.

E Só você não vê que eu beberia toda água do oceano
Enfrentaria os 300 espartanos e te daria a lua em forma de anel
E só você não vê que eu mudaria para um mundo bem distante
Te amarraria com a linha do horizonte desenharia seu retrato lá no céu
E só você não vê … você não vê que eu faria tudo isso por você … você não vê….
—  Willian & Marlon