Kretek

Você tem que entender que vocês não são o amor da vida um do outro, não são almas gêmeas. Não foi Deus ou uma força superior que fez vocês se encontrarem e também não é nada disso que mantém vocês juntos. Sei que é legal acreditar que vocês são a exceção e o melhor casal de todos os casais, mas não. Não é destino se vocês dois tem que quase se matar no processo. É só vocês dois sendo teimosos.
—  Conselhos que dei pra outras pessoas mas na verdade era pensando em mim, Vinícius Kretek
Não tô dizendo que a gente não tinha nada, mas também não é como se tivesse alguma coisa. Mas esse é o problema. Não vou continuar tendo uma meia-coisa com você. Não é suficiente pra mim.
—  Vinicius Kretek. 
Boas são aquelas relações em que, 5 minutos depois da briga, um volta correndo porque viu algo engraçado e queria compartilhar e sabe que só tem graça se for com o outro. Sabe? Quando seu orgulho e irritação não conseguem ser maiores do que a vontade de estar com a pessoa. São essas que valem a pena.
—  Vinícius Kretek
Eu sou uma bagunça, difícil de lidar. Eu me afasto do nada, mudo de uma hora pra outra e você fica se perguntando o que aconteceu. E depois disso ainda volto como se nada tivesse acontecido. Eu faço você se desculpar, quando fui eu que errei. Eu não sei quais são os limites quando se trata do que eu quero e eu sou egoísta quando o assunto é quem eu amo. Pequenas coisas me machucam. Eu adoro receber elogios, mas fico sem graça e desvio o assunto quando recebo algum. Eu faço tudo ao contrário, só pra te irritar, quando você tenta mandar em mim. Sempre acho que não sou bom o suficiente. Eu sou idiota por natureza, e fico ainda mais ao lado dos meus amigos. Resumindo: você não vai querer ficar perto de mim.
—  Vinícius Kretek.
O que eu sei é que quando alguém ama você de verdade, tem vontade de gritar pro mundo inteiro. Tipo “ei, sabe essa pessoa maravilhosa que tá aqui do meu lado? Então, ela é minha.
—  Vinicius Kretek.
eu acho que é mais fácil
e seguro
enfiar alguns goles de vodka garganta a baixo
do que as deixar palavras
“eu sinto sua falta”
escaparem garganta a cima
mas de qualquer forma
o gosto amargo é o mesmo
e o arrependimento no outro dia
também
—  vinicius kretek
Tem sempre aquela pessoa, uma só, que tem tipo um passe-livre, uma carta branca na sua vida. Que vai ir, voltar, ir de novo e nunca vai parar de ser o que é pra você. Alguém pelo qual você nunca vai conseguir deixar de ter sentimentos. Todo mundo tem essa pessoa.
—  Vinícius Kretek

“Vocês dois podem não ter nascido como almas gêmeas, tampa da panela, destinados e essas bobeiras que vocês usam como desculpa pra não estarem juntos. Tu pode contar pra ele que o teu novo cara dos olhos verdes te mandou umas flores bonitas (que ele não sabe falar nem o nome) e ele pode te falar das gêmeas ruivas que “sabiam fazer uma parada muito louca com a língua”, mas mesmo assim… Ele ainda te olha com o canto do olho esperando você esboçar um ciúme qualquer e você ainda espera que ele diga “ah, mas nem as línguas delas superam o teu cafuné”. Vocês dois podem estar separados há eras, podem ter se perdido e encontrado na cama de outras pessoas, mas sempre vão achar o caminho de volta um pro outro.”
- “Vocês dois”, Vinícius Kretek

Aviso: eu não sou legal. Não gosto de gente burra, que força intimidade nas primeiras conversas e de repetir a mesma coisa duas vezes ou ter que responder perguntar óbvias até pra uma porta. Não me apego a praticamente ninguém… Mas quando me apego, é pra valer. Sou o tipo de amigo que não tá sempre bem, mas tá sempre junto. Sou facilmente conquistado pela boca. Tenho mania de corrigir os outros (e ficar puto quando sou corrigido), ironizar tudo — o tempo todo — e sou bem chatinho.
Eu gosto de cafuné, dormir de ladinho e de chupões no pescoço.
Outra coisa: uma dose de grosseria é sempre bom.
—  Vinicius Kretek.
“Socos, preliminares, discussão de relacionamento e… Carros?”
Eu tamborilava os dedos na mesa de centro em um ritmo que irritava até a mim mesmo. Com a outra mão, eu mexia no celular, sem realmente fazer nada, mas só pra não me sentir tão constrangido. O clima já era pesado e eu só piorava agindo desse jeito. Só que como ela não disse nada, eu continuei.
Mas Alice foi a primeira a quebrar o silêncio tenso:
— Dá pra parar?
Minha mão congelou. Um segundo depois, recomecei.
— Parar com o quê?
Eu tava deitado no sofá e de costas pra ela, mas praticamente podia sentir o olhar dela me degolando, o que só colocou um sorrisinho na minha cara e me incentivou a tornar o barulho ainda mais irritante.
Eu não sabia por que a gente tava quase entrando pro tapa, mas com certeza não ia ser o primeiro a baixar a guarda.
Destruição mútua.
Ela riu, seca. Virei a cabeça e, por baixo da aba do boné, dei um daqueles olhares que eu sabia que ela odiava.
— Muito maduro.
— Vindo de você…
— Vai se foder.
Eu ri.
— Gosto quando você fala sujo assim.
Ela bufou e levantou do outro sofá, marchando pro quarto, chutando o que encontrava pelo caminho. Me levantei num pulo e me coloquei na frente dela.
— Sai da frente.
— Ou o quê? — desafiei-a. — Vai me chamar de idiota? Babaca, talvez? Estúpido? Não, espera… Otário? Ou o meu apelido preferido, “verme”? Vai me estapear por absolutamente motivo nenhum? Atirar alguma coisa em mim?
Ela me encarou.
— Faz alguma dessas coisas, então — completei. — Mas para de me ignorar.
Ela não se mexeu.
Passei a ponta dos dedos pelo rosto dela e depois coloquei uma mecha do cabelo atrás da orelha.
— Alice, qual é…
Ela simplesmente desviou de mim e continuou andando.
Agarrei-a pelos braços, prendi a parte de trás do corpo dela na parte da frente do meu e a encostei na porta do quarto. Levei minha boca até o ouvido dela.
— Acho que você devia parar de descontar o fato de que você não tem capacidade emocional pra lidar com as pessoas gostando de você e essa tensão sexual toda em mim — resmunguei e depois mordi a orelha dela. — Sério, só… Conversa comigo.
A resposta foi uma cotovelada no meu estômago. Eu me afastei, tossindo. Fiz uma careta.
— Desnecessário.
Ela se virou.
— Foi, mas me sinto melhor agora.
Me preparei pra recomeçar a discutir, mas me detive.
Ela é complicada, eu disse pra mim mesmo. Você sabe disso Tem problemas com o pai e um soco que dói. Não provoca.
— Qual o problema? — perguntei.
— Não tem problema nenhum.
— Então tá agindo assim por quê?
— Assim como?
— Alice.
— É legal quando fazem isso, né?
— Alice — repeti.
Ela suspirou, fechou os olhos e encostou a cabeça na porta do quarto.
— Não é nada. Nada mesmo.
Eu a beijei. No começo ela recuou e tentou me afastar, mas depois cedeu.
Arrancou meu boné com uma mão e agarrou meu cabelo com a outra, puxando-o com raiva. Eu podia sentir a frustração na boca dela e a prensei contra a porta.
Abri a porta do quarto com um empurrão depois de descer com a mão apertando o corpo todo dela. Mas a gente acabou andando rápido demais e tropeçando nos pés um do outro, o que nos levou a um tombo desajeitado em cima da cama. Ela riu do meu mau jeito.
Eu saí da cama, ela ficou deitada. Tirei meus tênis, meio apressado e depois cuidadosamente tirei os dela. Não desgrudei meus olhos dela. Ela mordia a ponta do travesseiro enquanto me olhava, com uma cara de estressada que era muito legal de ficar observando. Enquanto isso, ela tirou a camiseta.
Eu não sabia exatamente como tínhamos passado de briga-com-direitos-a-socos pra… Isso, mas tinha curtido.
Fist fights turn into sex… I wonder what comes next.
Coloquei os joelhos na cama e me ajeitei sobre ela, depois subi com as mãos pelas pernas da Alice, devagar. Desci a boca com cuidado até a barriga e, depois de depositar dois beijinhos ali, desabotoei o short dela. Eu sorri quando ela mesma começou a descê-lo com as mãos, impaciente e eu mesmo puxei o resto dele, jogando-o pra fora da cama.
Deitei sobre ela com cuidado, ela passou os braços pelo meu pescoço e me beijou… De um jeito doce dessa vez. Enquanto ela me beijava, eu subia minhas mãos pela barriga dela, até chegar nos seios.
— Pietro — ela disse em com a respiração um pouco alta quando sentiu meu apertão. — Eu gosto dessa camiseta que você tá usando. Mas acho que eu deveria tirá-la pra você.
Eu sorri.
Senti as mãos dela subindo pelas minhas costas, trazendo minha camiseta junto e deixei que ela tirasse. Depois disso, arranhou com força do meu ombro até a minha cintura, realmente cravando as unhas, deixando marcas. Pressionei meu corpo contra o dela por causa da dor. Eu gemi baixo e fiz uma careta.
— Machuquei você? — ela sorriu contra os meus lábios.
— Foi uma dor gostosa — respondi.
— Tô marcando território — ela passou as mãos por onde havia arranhado, fazendo só carinho dessa vez.
— E isso significa que?
— Você é meu.
Puxei o corpo dela um pouco pra cima pra poder tirar o sutiã, e o puxei lentamente pelo braço.
Agora eu estava nos seios dela; a boca em um e a mão no outro — eu sabia que ela gostava disso. Bastante. Beijei, chupei, passei a língua por eles, tentei morder delicadamente e cada vez que a minha língua atingia um ponto mais sensível, ela dava um puxão forte no meu cabelo, me incitando a continuar. Minha outra mão alternava em acariciar as coxas dela e a virilha, e volta e meia ela se retorcia contra o meu corpo. Deixei um dos meus dedos deslizar pela calcinha dela e pude sentir a umidade. Ela gemeu, primeiro um “puta que pariu” e depois o meu nome.
— Vai, Pietro… Por favor.
— O que? — respondi, parando meus movimentos e ajeitando meu corpo sobre o dela, minha perna estrategicamente enfiada contra as coxas dela.
— Você sabe — ela falou entre os dentes, a mão se atrapalhando ao tentar desabotoar minha calça. Ajudei-a, desabotoando e baixando o zíper de uma vez só, mas guiei a mão dela pra dentro da calça ao invés de tirá-la.
— Não posso te dar o que você quer se você não me falar.
— Você só quer me ouvir falar.
— Verdade.
Ela puxou meu queixo e nos beijamos de novo, agora com mais intensidade, enquanto a mão dela subia e descia pela minha cueca, dando leves apertões.
Tentei tirar a calça sem interromper o movimento dela, e quando consegui, ela me rolou na cama e montou no meu colo. Ela me arranhou de novo, do peito até a barriga dessa vez, mas nem senti muito bem. Eu tava concentrado em um pouco mais abaixo. A segurei pelo quadril no meu colo e quando ela recomeçou nosso beijo, também começou a rebolar. Foi a minha vez de soltar um gemido.
Ela lambeu meus lábios, minha língua, o queixo, e depois a bochecha, até chegar ao meu ouvido.
— Pelo que eu me lembro você gosta desse jeito — ela sussurrou, aumentando um pouco ritmo com o quadril. Pressionei minhas mãos na cintura dela e ela cravou as unhas contra minha nuca em resposta, gemendo um pouco no processo. — Lembro que você também gosta dos meus gemidos.
Desci as mãos pras coxas, apertando-as. Balancei a cabeça, excitado demais pra responder na mesma hora.
— Na verdade — falei um tempo depois, minha voz soando abafada e minha respiração pesada —, eu amo seus gemidos. Sou apaixonado por eles. E por você.
(Ponto de vista da Alice)
E eu travei. Quando ele disse a palavra com “A”. Mesmo conseguindo provocar uma piscina entre as minhas pernas, ele conseguia me broxar com uma frase. Porra, Pietro, sério, não dá pra você manter a boca fechada? Ou usá-la pra algo mais útil do que falar?
Eu queria que ele brigasse comigo. Fosse cruel. Gritasse. Esfregasse na minha cara que eu era uma vadia porque eu brincava com ele. Eu queria uma razão pra poder afastá-lo, mas o menino era muito insistente nisso de tentar fazer as coisas certas.
Ele notou que eu parei de me mexer e estendeu a mão até meu rosto, pegando meu queixo.
— Que foi? — ele perguntou, parecendo preocupado. — Por que parou?
Eu sai do colo dele, sentando na beira da cama e apoiando meu rosto nos joelhos.
— Alice — ele sentou atrás de mim, colocando as pernas em volta das minhas e envolvendo minha barriga com os braços, falando perto do meu ouvido, a voz carinhosa. — Foi o que eu falei?
Ele beijou minha orelha, pescoço, nuca, costas e ficou acariciando minhas costas.
— Desculpa.
Me livrei dos braços dele e me virei de frente, enchendo-o de tapas nos ombros e no peito. Ele segurou meus pulsos com força contra o peito dele e me encarou, confuso.
— Por que você tá surtando?
— Eu não tô surtando. Por que eu estaria surtando?
— Você tá surtando.
— Meu Deus. Eu tô surtando.
— Por quê?
Sentei na cama. Ele pegou a camiseta dele de cima da cama e me fez colocá-la, depois veio sentar do meu lado.
— Por isso você tava toda querendo me matar antes, não?
— Basicamente.
Ele sorriu. Dei um soco de leve no ombro dele.
— Não é engraçado, babaca.
— Claro que é.
— Por que seria?
— Você gosta de mim — ele disse, a voz soando extremamente confiante. Fiz uma careta. — Disso eu sei. Você pode negar um monte de coisas, isso não. Você pode não estar se apaixonando por mim, ou não gostar tanto, mas você gosta. Mesmo que não muito.
Não neguei. “Não muito.” Babaca. Senti aquele habitual friozinho na barriga.
— Mas você sempre surta — concluiu.
— Eu?
— Você. Por mais ótimo que esteja entre a gente, por mais gostoso que tudo fique, você me afasta. Você tem um jeito bem distorcido de mostrar que gosta das pessoas.
— A gente não tem nada, certo? — perguntei.
— Tecnicamente.
— Você não é meu.
— Antes você disse que eu era.
— E vice-versa — continuei, ignorando-o. — Se eu deixar… Se eu permitir que isso vire algo de verdade, e depois nós… E depois a gente terminar, eu vou estar perdendo algo. De verdade. Tô cansada de perder coisas.
— A gente já tem algo.
— Não é a mesma coisa.
— Toda vez que você me afasta, você corre o risco de perder o que a gente tem.
— Não é igual.
— Só na tua mente que não.
— Não é assim.
— Você prefere enfiar sua cabeça em mil outras coisas só pra não encarar que gosta de mim. Eu mexo contigo. Se não mexesse, isso não teria te impedido de continuar o que a gente tava fazendo antes.
Eu fiquei quieta. Passei a ponta dos dedos pelo elástico da cueca dele, depois desci pra coxa, me sentindo inquieta.
— Por que tu quer tanto ficar comigo?
Ele ergueu as sobrancelhas.
— Eu tenho que fazer uma lista de motivos? Ou você acha melhor eu desenhar? — ele se irritou. — Sério que você quer que eu responda isso?
— Não fica puto — eu pedi. — É que sei lá essa. As coisas são bem disfuncionais entre a gente.
— E você é complicada. Eu sei. E isso não vai funcionar. E todo esse seu mimimi. Viu? Até já sei o que você vai falar.
Eu ri.
— Então por que arriscar?
— Porque eu não ligo. Não gostaria de estar funcionalmente — ele sorriu da expressão — com outra pessoa.
— Olha, vê se você entende isso: eu sou tipo um carro — falei, usando a melhor comparação que pude. Homens adoram carros. Mas Pietro é meio garotinha pra tudo, então não sei se ele ia gostar tanto da analogia. — Mas eu não tenho motor. Você pode achar legal ter um carro bonitinho na sua garagem, acha que isso pode te fazer bem feliz, mas qual é a vantagem se você ainda tem que andar sozinho pra todo canto?
Ele levou a boca até o meu ouvido.
— Eu ainda posso me divertir no banco de trás, mesmo sem motor — ele mordeu minha bochecha. — Você não é um carro estragado, ok? Talvez seja um carro que precise de um empurrãozinho pra pegar, só isso.
Mordi o lábio.
— Pietro…
— Não faz essa voz de quem ainda tá confusa.
— Ô, Pietro.
— Tá, vamos pensar em outra coisa. Quer tentar ser só minha amiga? — ele perguntou.
Eu ri alto pensando na hipótese.
— Você conseguiria?
— Não. Não posso ser só seu amigo. Não sou só seu amigo. Amigos não querem pegar amigos. Vai contra as regras da amizade.
— E você quer me pegar — afirmação, não pergunta.
— Bastante — passou a língua pelo meu lábio superior.
— “Bastante” quanto?
— O mesmo tanto que você quer me pegar — respondeu. — Bastante.
— Quem disse que eu quero?
— Sua mão — olhou pra baixo. — Ficou apalpando minha coxa durante essa conversa toda.
Dei um tapa na coxa dele.
— Não é você. É sua cueca. Eu gosto de Calvin Klein. Principalmente as pretas.
Ele sorriu, malicioso.
— Vou jogar as outras fora, então — e me beijou.
Ele me levou pro meio da cama de novo e ficou por cima, puxando o edredom sobre nós e me beijando de um jeito que me deixou meio sem fôlego. Ele já ia tirando minha camiseta quando eu parei o beijo mais uma vez.
— Pietro.
— De novo não, sério. Já gastei meu estoque de melação de hoje.
Peguei o rosto dele entre as mãos, fazendo ele calar a boca.
— Shh.
— Que foi agora?
— Eu acho que eu talvez possa estar remotamente me apaixonando por você também.
Ele sorriu de um jeito tão feliz que eu até me perguntei por que passo tanto tempo negando as coisas que são relacionadas a ele.
Conta pra ela, vai. Chega nela e fala. Fecha os olhos, se for preciso. Fecha os olhos e finge que é pro espelho, como você já fez uma vez. Diz pra ela que você sente muito. Que se arrepende de todas às vezes em que poderia ter mudado a situação com poucas palavrinhas (e evitado algumas noites de choro e preocupação da parte dela), mas ao invés disso só ficou parado sem falar nada, como o idiota que é. Pede desculpas por quando ficou confuso entre um ex amor do passado que ainda te balançava, um possível caso pro futuro que te excitava e entre ela. Pede desculpa por ter deixado ela como última opção quando você era a única escolha. Confessa que se sente culpado por todas às vezes que estragou os possíveis relacionamentos dela provocando-a e fazendo ela cair na sua de novo, mesmo que isso seja a mentira mais descarada do mundo e que você não se arrependa. Assume que é egoísta e não sabe perder, que é atrapalhado e não sabe possuir, que é mimado e mandão e que tudo tem que ser do seu jeito, que é orgulhoso e pra você você sempre tá certo, que é pior do que criança, que é infantil, que é canalha, galinha… Como se ela não te conhecesse melhor do que você. Se humilha, se for preciso. Fala que vai compensar pelas noites de sono perdidas, pelas lágrimas desperdiçadas no travesseiro, pelas dores de cabeça, pelos cortes, por tudo. No fundo ela só espera um sinalzinho verde pra não desistir, uma confirmaçãozinha de que você ainda tá nessa junto com ela. Mas não deixa ela cansar de vez de você.
—  Vinícius Kretek
Tem gente que acha “escroto” você ser gay, lésbica, bi… Quer saber o que eu acho escroto? Eu acho guerra escroto, eu acho que esses países que se atacam com bomba é escroto, eu acho escroto pra caralho estuprador e assassino andando impune por aí… Mas tudo bem, se você quer acha o amor entre duas pessoas algo “escroto”, a escolha é sua, campeão.
—  Vinicius Kretek.

Modelo de Kübler-Ross, reecontros e Pinã Colada.

5 Seconds of Summer - AmnesiaEu devia ter ficado na cama, é tudo que eu sei.
Se bem me lembro, existiram dias em que eu costumava aproveitar festas. Em tempos mais felizes da minha vida, eu gostava tanto de festas quanto cachorros gostam de ossos. Hoje, infelizmente, não tanto. A não ser que aproveitar uma festa signifique ficar jogando FIFA no celular, bebendo cerveja sozinho sentado num sofá em um canto escuro tentando não parecer completamente morto de tédio… Se for assim, claro, tô tendo uma taxa de aproveitamento de 100%.
Existe aquele ditado “nada é tão ruim que não possa piorar”, e não que eu acredite em ditados, supertição, sorte, nem nada disso, mas a vida tem um jeito engraçado (e por engraçado quero dizer sádico) de me provar errado.
Me bate a sensação de ter alguém me encarando e quando eu levanto a cabeça pra ver quem é (esperando meus amigos, talvez um garçom, uma menina gata), quem eu vejo é o mais longe de tudo isso possível. Entretanto, nem tanto, porque é, de fato, uma menina gata. Só não a que eu esperava. E eu quase derrubo meu celular de susto, mas consigo pegá-lo no reflexo, graças a Deus, porque esse é novo, os restos do outro ainda devem estar grudados na parede do meu quarto.
(The pictures that you sent me, they’re still living in my phone. I’ll admit I like to see them, I’ll admit I feel alone.)
— Ei — ela diz após minha pequena proeza com o celular. E parece estar decidindo se sorri ou se chora, e eu me sinto da mesma forma, mais inclinado a chorar. E eu quase começo a chorar, ali mesmo, no sofá de couro daquela maldita boate, onde eu nem queria ir, pra começo de conversa. Mas o choro não sai, e eu me vejo respondendo, com a voz mais calma do mundo, como se por dentro do meu peito não estivesse rolando um furacão Katrina (ou melhor, um Furacão Alice).:
— Ei. Oi. E ai?
Ela fica me olhando, estudando meu rosto, depois abaixa o olhar pras minhas mãos, depois volta pro meu rosto. Ela abre a boca pra falar algo, fecha a boca, e eu não consigo fazer outra coisa a não ser encarar. E ela parece estar a mesma pessoa de sempre, mas de certa forma, não mais. Reparo que três meses de silêncio total não mudaram em nada minha vontade de por as mãos nela cada vez que a vejo e eu tenho que entrelaçar uma mão na outra e apertar até meus dedos doerem pra não levantar e fazer aquilo mesmo. Pra não pedir quanto por cento de chances eu tenho de voltar com ela.
Em um vestido azul justinho, o cabelo solto, as coxas à mostra, salto alto, batom vermelho, ela nunca esteve tão gostosa. Parece que ela se arrumou pensando especialmente em arruinar a noite do ex. Meu Deus, é doloroso olhar. Tão diferente da última vez que a gente se viu, onde ela estava toda descabelada gritando comigo, a maquiagem borrada por causa do choro, usando um moletom meu.
(I remember the day you told me you were leaving, I remember the make-up running down your face.)
— Quer sentar? — eu pergunto, indicando a cabeça o lugar vago no sofá de dois lugares ao meu lado.
— Claro — ela diz, após uma pausa, e depois passa por mim pra chegar ao sofá, o cheiro dela invadindo meu espaço e trazendo um milhão de memórias com ele.
Ninguém fala nada por um momento, e de repente nós dois começamos a falar ao mesmo tempo, e então começamos a rir nervosamente.
— Você fala primeiro — ela diz, gesticulando pra eu seguir em frente.
— Não era nada demais, na verdade. Você tá muito bonita hoje. — Pausa. — Você?
— Ah. Obrigada. Nada demais também. Só ia dizer que não tava esperando te encontrar aqui.
Na verdade, eu nem teria vindo se a gente não tivesse terminado, porque ai eu não teria ficado dois meses inteiros sem sair de casa, e meus amigos não teriam que me forçar a ir nos lugares.
(And all my friends keep asking why I’m not around.)
— É. Nem eu. Engraçada essa vida. Eu, hm, posso te pagar algo? Uma cerveja? Água? Aquela bebida nojenta de abacaxi que você gosta?
Ela ri, sabendo exatamente do que eu tô falando.
— Piña Colada.
Reviro os olhos, sem conter msu sorriso.
— Tanto faz.
— Não precisa, Pietro. Tá tudo bem. Já bebi o suficiente minha bebida nojenta de abacaxi por hoje, obrigada.
— Sorte sua. Eu não bebi cerveja o suficiente pra isso.
É claro que eu não bebi o suficiente pra estar preparado pra ver ela de novo, caso contrário já estaria em coma alcoólico em algum hospital.
— É bom… É muito bom te ver de novo — ela admite de um jeito tão formal, um jeito tão não-nós. Mal consigo me lembrar do tom de voz que ela usava antes.
— É bom te ver também. Apesar das circunstâncias não serem tão boas.
(It hurts to know you’re happy, yeah it hurts that you’ve moved on, it’s hard to hear your name when I haven’t seen you in so long.)
Nesse momento, alguém nós interrompe e o nosso pequeno momento termina, vira fumaça, tão rápido quanto começou.
— Alice, te achei! Vamos?
E é um cara, que parece ter 20 e poucos anos, todo engomadinho numa camisa social, cabelo perfeitamente arrumado num topete cheio de gel e barba grossa. E um drink de abacaxi na mão. É claro. Piña fucking Colada. Babaca.
— Eu te encontro daqui a pouco, Marco — ela responde o cara, e ele parece confuso, mas deixa a bebida na mesinha a nossa frente e some no meio da multidão. Otário.
Ela toma um longo gole e demora um pouco a voltar a olhar pra mim, a expressão dela de quem se desculpa. Mas ela não fala nada.
— É claro que você ia estar com um cara — eu digo lentamente, minha garganta queimando. — É óbvio.
E eu fico puto, puto porque em três meses eu não consegui pensar em outra pessoa, mas é óbvio que ela já está com outro cara. Um baita de um imbecil.
— Cada um lida com as coisas do jeito que pode, Pietro — ela rebate, parecendo puta por eu ter dito aquilo.
E eu fico mais puto ainda, com imagens dos dois voando loucamente pela minha cabeça, e a única forma que eu consigo lidar com isso no momento é enfiando uma garrafa de Heineken goela a baixo.
— Pietro. Vai com calma.
— Não tenta me dizer o que fazer, sua babac… — e antes que eu possa terminar a frase ela me puxa pela camisa e me beija de um jeito desesperado, a outra mão puxando com força demais meu cabelo.
(I thought about our last kiss, how it felt, the way you tasted.)
O gosto dela é de álcool e abacaxi, um gosto que eu ainda odeio e reparo que provavelmente não sou a primeira boca que sente aquele gosto hoje. Eu penso ah que se foda tudo isso e entro no clima do beijo, minha mão finalmente podendo fazer o que quer enquanto eu a puxo pra perto de mim pela coxa. Ela praticamente se joga em cima do meu colo, com o mesmo desespero de antes, pressionando meu corpo no dela com força, quase me machucando, mas me beijando lentamente agora. Eu mordo o lábio dela, aperto as costas dela, puxo o cabelo dela, imprimindo nos meus movimentos toda a raiva que sinto dela, de mim mesmo, daquele outro cara, do nosso relacionamento todo em si, do universo.
Então eu a afasto de mim e limpo minha boca com a manga da minha blusa, querendo tirar não só o gosto dela dali, mas ela em geral.
(I wish that I could wake up with amnesia and forget about the stupid little things, like the way it felt to fall asleep next to you and the memories I never can escape.)
Ela parece absurdamente surpresa porque eu parei o beijo, e, bom, eu também fico surpreso.
— Você não tem o direito de me chutar, ficar três meses sem me dirigir uma única maldita palavra e depois chegar aqui e fazer isso.
Ela suspira.
— Eu sei.
— Você não tem noção do quanto é difícil, do quanto eu… Não é justo, Alice.
— Pietro, eu sei. Nada disso é justo.
— Não sabe porra nenhuma.
— Pietro.
— Você já ouviu falar do modelo de Kübler-Ross, certo? Aquela parada dos cinco estágios do luto ou algo assim.
Ela balança a cabeça positivamente
— Acho que sei, mas o que…
— Então, cala a boca e escuta — a interrompo. — Eu nunca achei que fosse verdade, mas ai a gente terminou e eu virei a prova ambulante de que aquilo é a mais pura realidade. Nos três primeiros dias, tava tudo bem, porque eu tinha certeza absoluta que você ia esfriar a cabeça, tomar juízo, me ligar, e a gente ia sair pra conversar e se acertar. De boa. Eu só não te liguei porque você que terminou comigo e eu não queria parecer fraco tomando o primeiro passo. Mas três dias viraram três semanas e você não ligou ou apareceu lá em casa. O estágio negação terminou e começou o estágio raiva. Não sei se você reparou, mas esse celular é novo, porque num dia dessa terceira semana eu olhei pro meu celular antigo e vi nossa foto lá de fundo de tela, e me dei conta de que você não ia ligar, e simplesmente taquei ele na parede. E depois eu soquei a parede e xinguei Deus e o mundo. Eu quebrei todas as suas coisas que tavam lá em casa e lavei todas as minhas camisetas umas dez vezes pra sair teu cheiro. Quando me acalmei, juntei todas as outras coisas que me lembravam de você e coloquei elas dentro de uma caixa e quase que deixei elas na sua casa pra você se sentir mal, mas achei meio idiota copiar a ideia de um livro que foi você que me deu. “Por isso a gente acabou”, lembra? O título do livro me pareceu irônico na hora, mas é. Eu botei fogo nesse livro, apesar de ele ser muito bom, desculpa.
— Não acredito que você botou fogo no livro.
— Eu não mandei você calar a boca? Então, minha fase de negociação não foi muito demorada, eu só fui na igreja umas vezes e tentei falar com Deus, mas me senti muito babaca e falso, ai não fui mais. Quando vi que não ia rolar uma intervenção divina, eu só… Fiquei triste. E devo dizer que a frase depressão foi a mais escrota e demorada de todas. Eu só chorava, ficava cantando LOOVEEE WILL TEAR US APAAART AGAIN e assistia 500 Days of Summer. Ridículo. Ainda tenho um certo ressentimento com a Zooey Deschanel. Quase matei meus amigos de preocupação, certeza que eles achavam que eu ia cometer suicídio. Por isso aceitei vir aqui hoje, mesmo não querendo, e vou continuar aceitando eles tentando me arrumar uma nova namorada, porque eu devo isso pra eles. A minha mãe só me alertava sobre os perigos de ficar bêbado sozinho. Ai, um dia… Eu levantei da cama, tomei banho, troquei de roupa e arrumei a bagunça do meu quarto. Comecei a trocar de camisa mais do que uma vez por semana. A voltar a sair de casa. Conversar com as pessoas. Daí veio a aceitação. Simplesmente aceitei. É… Pois é.
Ficamos em silêncio por um minuto até que ela perguntou:
— Terminou?
— Terminei, Alice.
E me levantei do sofá.
— Eu não ganho direito de resposta? — ela se levantou também.
— Não, depois desses três meses, você não ganha o direito de resposta. Você não ganha porra nenhuma. Não depois daquele beijo, não essa noite.
Ela parecia não saber o que fazer comigo. Sinceramente, nem eu sabia.
— Então quando?
— Não sei, Alice. Me liga. Consegue meu novo número com alguém. Sei lá, me surpreenda. Um dia a gente se encontra de novo. Talvez na próxima vez a gente consiga se acertar, mas é insuportável ficar aqui agora olhando pra você porque eu te amo tanto que chego a te odiar por isso, e tem outro cara te esperando.
Antes que ela possa formular uma resposta, dou um beijo na testa dela.
— Olha, três meses atrás tudo que eu queria era que você me beijasse ou quisesse conversar. Eu teria aceitado qualquer coisa, Alice. Mas três meses passaram, e honestamente, tudo que eu quero nesse momento é que você se foda.
E eu não sei como, mas dei as costas pra ela e fui embora dali.
Eu realmente devia ter ficado na cama.

(So tell me this is just a dream… ‘Cause I’m really not fine at all.)

Eu fico feliz por ninguém conseguir ver o que eu vi em você, até porque seria chato, tanta gente apaixonada pela pessoa que eu amo.
—  Vinícius Kretek.

´I’ve smoked well over a hundred thousand cigarettes in my life, and each one of those cigarettes meant something to me. I even enjoyed a few of them. I’ve smoked O.K., great, and terrible cigarettes; I’ve smoked dry and moist, aromatic and almost-sweet cigarettes. I’ve smoked hastily, and other times slowly and with pleasure. I’ve scrounged, stolen, and smuggled cigarettes; I’ve obtained them by devious means, and I’ve begged for them. I once paid thirteen dollars for a pack at a New York airport. I’ve thrown out half-full packs only to fish them back out of the rubbish to render them useless once and for all under the tap. I’ve smoked cold cigarette butts, cigars, cigarillos, bidis, kreteks, spliffs, and straw. I’ve missed flights because of cigarettes and burned holes in trousers and car seats. I’ve singed my eyelashes and eyebrows, fallen asleep while smoking, and dreamt of cigarettes—of relapses and flames and bitter withdrawal. I’ve smoked when it was more than a hundred and ten degrees and when it was ten below. I’ve smoked because I was full and I’ve smoked because I was hungry, because I was glad and because I was depressed. I’ve smoked out of loneliness and out of friendship, out of fear and out of exuberance. Every cigarette that I’ve ever smoked served a purpose—they were a signal, medication, a stimulant, or a sedative, they were a plaything, an accessory, a fetish object, something to help pass the time, a memory aid, a communication tool, or an object of meditation. Sometimes they were all of these things at once. Every cigarette I’ve ever smoked was a good cigarette.

(…)

I’ve often dreamt of smoking in an art museum. I imagine how I would sit on one of those smooth, solid-wood benches already warmed by the obliquely angled afternoon sun in front of a quickly painted and austere group portrait by Frans Hals, for instance, and light up a Finas Kyriazi Frères, a filterless Oriental cigarette that sadly vanished from the market a few years ago. I’ve no doubt that this would be a moment of absolute clarity, perhaps my greatest moment of happiness. But this will never happen. I no longer smoke.`

This text was drawn from “Nicotine,” by Gregor Hens from Other Press.