Harriett

Then you smiled, he got wild. Trent and Harriett.

Abandonado. Sozinho. Estava tão acostumado com a sensação de vazio que não procurava por explicações que o levasse a entender os motivos por ter sido concebido a uma vida tão perturbada. Com a cabeça girando, praguejou em silêncio por ter se dado ao trabalho de subir as escadas e se deparar com aquilo, com uma situação tão mesquinha e sem fundamentos. O homem parado logo a sua frente tinha uma aparência muito peculiar, o fez lembrar quase que instantaneamente dos pacientes do pai. De má vontade, Trent estendeu as mãos e pegou os papéis que o desconhecido lhe oferecera em troca de seguir seu rumo passando longe da garota do vestido azul, então o garoto deu de ombros descendo as escadas novamente ainda com os pensamentos vagando pelo momento antecedente e passou os olhos de forma superficial sobre o conteúdo das cartilhas. A jovem não parecia estar feliz ao se deparar com o homem no quarto, a tensão que ficara pairando no ar e…Seus olhos se distraíram, espantando seus devaneios. Gael? De novo aquele nome! De repente sua atenção se voltou para o texto “Seja bem vindo a Gael, a cidade do Doctor Greene. Você foi enviado através da porta vermelha para um mundo paralelo com a Terra, um lugar onde as chances de sair são as mais impossíveis. Possuímos dormitórios para os dois gêneros sexuais, e a cidade vai te oferecer aquilo que precisar. Procure por Colin ou Arthur para eventuais explicações" Tinha fotos de lugares para onde se poderia conseguir informações, observações importantes, mapa; praticamente um guia completo como aqueles de Turismo que se pode encontrar em livrarias. 

Há algumas quadras do prédio de tijolos á mostra, onde, de acordo com o guia de Gael dizia ser os dormitórios, Trent parou no Madcap e observou por algum tempo que as pessoas que entravam não davam moedas em troca de comida. Era um ótimo observador, apesar de ter preguiça de ficar lendo cartilhas de turismo com textos extensos, resolveu tentar o mesmo. Preparou um capuccino direto da cafeteira que ficava sobre o balcão e mexeu o líquido quente no copo com uma colher, o cheiro fazia seu estômago reclamar ainda mais alto. Biscoitos amanteigados ficavam expostos dentro de uma cesta nas prateleiras e pareciam saborosas. Após saborear a refeição que havia preparado, pensou consigo estar em um paraíso, mas novamente a imagem da garota das escadas voltara em sua cabeça.

Trent caminhou de volta para os dormitórios e sentou-se no chão próximo a porta de entrada, encostou-se contra a parede e respirou fundo. O sol estava radiante, mas a temperatura era amena com uma brisa fresca e um vento tranquilizante, o rapaz fechou os olhos por alguns minutos, tentando criar coragem pra encontrar a tal Colin ou Arthur. Ou se desse sorte a garota do vestido azul…Harri? Foi assim que ouvira o homem chamá-la, pois bem, ela poderia surgir e dar-lhe uma chance de entender o que estava acontecendo. Pela primeira vez admitira a si mesmo que precisava de alguém.

No words cause there's no need - Harrient.

Naquela manhã o vento forte assobiava feito uma canção incessante, os galhos da grande figueira do jardim arranhavam o vidro da janela do quarto com violência, o barulho demasiado estridente acabou despertando Trent de seu sono tranquilo. Ele saltou para fora da cama, irritado, protestando em silêncio o incomodo matinal, vestia apenas uma boxer preta e o peitoral despido deixava a mostra seu físico corpulento, já os cabelos louros se encontravam bagunçados e, as mechas caídas sobre os olhos foram tiradas com um leve e involuntário deslize de suas mãos, posicionando-as atrás das orelhas. Seus pensamentos logo vagaram para o lugar em que havia estado nos últimos dias, para os lábios de Harriett, para o seu cheiro suave de baunilha e camomila, seus olhos atentos, sua voz doce, seu silêncio, sua presença, sua audácia repentina. Era Harriett, somente ela. Trent sentiu um aperto no peito ao se lembrar do Salão Comum, já se passara vários dias desde a última vez que conversara com a garota, sabia que a morte de John Colac afetara de uma forma profunda os sentimentos dela, não gostava de pensar nisso, não queria pensar também, tanto fazia ele ter ido embora, não é mesmo? Ela tinha a ele, mas parecia que não era o suficiente…Porém, não tinha ideia de como devia acabar com aquela angustia, ao mesmo tempo se via como um bobo ridículo por pensar em tudo daquela forma, tão piegas! Tão comportamento de adolescente, talvez este tenha sido os motivos por não ter saído do quarto desde o tal aviso de quarentena na cidade. Quando pensava demais acabava desistindo. Estava claro que, se perdia nas próprias vontades, entre o que era certo e errado, já não conseguia distinguir as próprias ambiguidades. Mas Trent não era o tipo de pessoa ociosa, de fato, precisava arrumar uma forma de sair daquele quarto e encontrar a garota. 

Ele abriu a gaveta da escrivaninha de canto, vasculhou o pequeno espaço e pegou seu bloco de notas com uma caneta. Sentou-se na cama, apoiou o bloco de notas em uma das pernas e escreveu com uma caligrafia aparentemente legível a seguinte mensagem:

“Ouvi dizer que no Farol o pôr-do-sol é bem legal no inverno. Quer conferir? Vou estar te esperando lá, hoje.”

No rodapé ele fez um desenho de si mesmo, embaixo assinado com a inicial de seu nome, a letra “T”. Ela saberia de quem se tratava. Trent vestiu calça jeans, uma camiseta por baixo de seu casaco preto, botas, e levou uma mochila com algumas coisas úteis para aquela tarde. Desceu as escadas correndo, se dirigiu até o dormitório feminino, bateu na porta do quarto de Harri e passou o bilhete por baixo da fresta. Não esperou que ela o atendesse, apenas seguiu seu caminho em direção do lugar onde iria preparar uma surpresa para levar até o Farol. Passou algumas horas trabalhando naquilo, e como de praxe, não fazia ideia se ela iria gostar, se aceitaria de bom grado ou se recusaria, mas aquela sensação que invadia seu peito era agradável, assim como respirar. Jamais fizera algo por alguém, até porque ninguém havia demonstrado merecer que o fizesse. Quando olhou a hora, no relógio marcava exatamente 17h20, as noites no inverno costumavam cair mais cedo, então significava que teria de se apressar ou perderia o pôr-do-sol. Trent correu desvairado pelas ruas congeladas, quase escorrendo na neve, tentou se manter firme na velocidade, saía bastante fumaça da sua boca devido ao contato quente da respiração com o ar gelado da atmosfera.
Ele avistou uma pessoa na sacada do Farol, era ela, só podia ser. Ele então abriu a porta lateral e subiu as escadas, degrau por degrau devagar, tentando recompor as energias para não chegar ofegando lá no topo. Ao chegar no andar de cima, jogou a mochila no chão e observou por alguns segundos a menina de costas, debruçada no parapeito olhando as águas frias da praia. Trent se aproximou com cautela, tentando não fazer barulho, alguns centímetros de distância agora, envolveu seus braços ao redor do corpo da jovem, aproximou o rosto junto ao dela e apoiou o queixo nos seu ombro - Desculpe te fazer esperar. Oi - disse baixo. Trent viu o sol alaranjado, o céu cintilando entre as diversas cores como uma aurora boreal. Era incrível, mas nada se comparava ao estar ao lado de Harriett.

5

Sabe que o meu gostar por você chegou a ser amor

pois se eu me comovia vendo você pois se eu acordava

no meio da noite só pra ver você dormindo meu deus

como você me doía vezenquando eu vou ficar esperando

você numa tarde cinzenta de inverno bem no meio duma

praça então os meus braços não vão ser suficientes para

abraçar você e a minha voz vai querer dizer tanta coisa

que eu vou ficar calada um tempo enorme só olhando você

sem dizer nada só olhando olhando e pensando meu deus

ah meu deus como você me dói vezenquando

                                                         -Caio F. Abreu.

we are so cute. it sucks harriett lives in leeds. fuck this is the best and the worst thing to happen to me. its like all that ive ever wanted and ever loved is just out of reach. im seeing her on monday but only for like 5 hours. i bet when im there i will never want to leave