Fabinho

Sangue Bom

Frustrante é a palavra que define o final de Sangue Bom.
Quão decepcionante é ver Malu (Fernanda Vasconcellos) terminar ao lado da personagem mais infantil da novela? Maurício (Jayme Matarazzo) foi do começo ao fim a criança mimada que queria tudo do seu jeito. Ele duvidou do amor de Malu até o último minuto.
Aliás, Malu era mulher demais tanto para Bento (Marco Pigossi) quanto para Maurício, mas pelo menos com o florista a relação era mais leve, mais bonita. Bento nunca duvidou do amor de Malu, o amor deles foi interrompido e no final menosprezado.
Tinha tudo pra ser uma bela história, um amor que foi sendo construído e não idealizado, nasceu de uma amizade. E não tem história de amor mais crível do que as que nascem de uma amizade.

Temos Fabinho e Giane, brilhantemente interpretados por Humberto Carrão e Isabelle Drummond, para provar isso. Eles se tornaram, indiscutivelmente, o casal mais bem construído, interpretado e aceito pelo público. Casal, aliás que poderia ter rendido muitos outros momentos bons para a novela, ao invés de intermináveis e cansativas cenas de mulheres frutas, seriados fracassados, Felipinho, Perácio, demais figurantes de luxo e cia.

Voltando para Malu, que triste ter que vê-la correr atrás de Maurício mais uma vez. Triste aguardar tanto tempo para ver ela e Bento viverem o amor pelo qual a maioria do público esperou, e no final esse casal nos ser negado. Mais triste e desprezível do que isso, só mesmo o fato de a novela se encerrar com a idéia de que Bento vai voltar para Amora, confirmando assim que Bento foi transformado do personagem sangue bom da trama para um completo idiota, sem amor próprio, sem palavra (ele afirmou que não voltaria com ela), e sem graça. Não sei se essa era a idéia, mas acredito que a mensagem final foi: Quanto mais Sangue Bom você for, mais burrice você fará.

E o Sabotador?
Desde a revelação até os motivos para fazer as armações contra Amora foram fracos, aliás, criar um sabotador para forçar uma regeneração da personagem, por si só, já foi fraco e apelativo. Ninguém muda com a morte de uma irmã, ainda mais por uma irmã que é desprezada. As pessoas só mudam por si mesmas.
Amora foi odiosa a novela inteira, perdeu o carisma, a ironia, o sarcasmo, perdeu a graça. Sophie foi muito bem nas cenas que exigiam uma Amora fria, egoísta e egocêntrica, mas não soube passar emoção. E aqui entra o trabalho primoroso de Humberto Carrão, que deu a Fabinho o tom certo em carisma e emoção.

Desde o início Fabinho foi arrogante, ganancioso, aproveitador e.. frágil. Sim, eu disse frágil. Sempre ficou evidente a fragilidade de Fabinho, sua instabilidade emocional. Ele claramente se sentia injustiçado pela vida, foi abandonado pelos pais, preterido na Casa Verde (O próprio Érico, filho legítimo de Salma e Gilson, em determinado momento afirmou que Bento sempre foi o preferido de todos), e depois ainda passou pela falência dos pais adotivos. Justifica os pequenos crimes que cometeu e deixar a mãe pagar por alguns? Não, não justifica, mas ele foi denunciado e responde a processos por seus delitos. O que o movia era a raiva e o que o fez mudar foi a consequência de seus próprios atos, e uma ajudinha da Amora com a falsificação dos exames de DNA.

O jeito de bad boy nunca foi suficiente pra esconder a carência que Fabinho deixava transbordar através dos olhos. Novamente, mérito de Humberto Carrão que soube conduzir essa linha tênue entre o bad boy revoltado e o menino frágil de maneira brilhante. A cena em que o resultado do exame de DNA é trocado mostra muito bem isso. Plínio (Herson Capri) faz questão de afirmar o quanto está aliviado por não ter nenhum laço com Fabinho. Ser desprezado pelo pai traz a tona toda a fragilidade da personagem que tenta, sem sucesso, demonstrar com  gritos de “eu quero o meu dinheiro”, que a atenção dos pais não o interessa, porém os olhos cheios de lágrimas mostravam o quanto ele queria ter sido aceito. A mágoa pela rejeição do pai transborda nos olhos em cada segundo da cena e fica ainda mais evidente ao ir embora dizendo “Vocês tão me jogando no lixo de novo”.

Ele sempre foi óbvio e até previsível, ao contrário de Amora que sempre foi fria, sem emoção nenhuma. Não é difícil entender porque Fabinho foi tão bem aceito e Amora tão rejeitada

Ele foi desprezado, rejeitado, abandonado, foi parar nas ruas, dormindo nas praças e procurando comida em lixeiras. Giane deu à ele a chance que precisava e ele aproveitou. Aproveitou pra se entender com a mãe adotiva, pra não fazer nada que o fizesse ser abandonado de novo, mudou por ele, pra não passar novamente pelos dias infernais nas ruas. Se permitiu tirar a armadura de bad boy e mostrar o menino inseguro que era, se deixou amar pela mãe. Mostrou o lado que a gente antes só via pelos olhos. E se apaixonou. E nós nos apaixonamos por ele de volta. Ninguém teve que morrer pra essa mudança acontecer. Ele foi acusado e crucificado por crimes que nem sequer cometeu (incêndio na ONG, pichação, causar um aborto) e mesmo depois de tudo o que passou, ninguém teve pena, ninguém perdoou seus delitos. Mas quando os mesmos crimes e até outros foram creditados à Amora, ninguém os julgou grave, tudo é perdoável, afinal a irmã dela morreu.

Então é isso? É essa a lógica que devemos aceitar?
Se um crime fosse cometido por Fabinho: Cadeia pro marginal.
Se fosse cometido por Amora: Ela já está pagando o suficiente com a morte da irmã, tadinha.

Então vem gente, VAMOS PRA RUA, vamos com placas e cartazes..
Vamos exigir a libertação de cada presidiário que tiver uma irmã ou familiar morto, ainda que seja um parente distante e desprezado. Esses pobres coitados não merecem estar presos, eles já estão pagando o suficiente com a morte de seus entes queridos.

Coerência pra quê né?

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All couples argue. Imagine if they didn’t. If you don’t argue and scream the roof off, what do you do? Sit in silence, playing brother and sister? Go there, you idiot. Time and life are short. Go there.

I love you. You’re the love of my life. I want to marry you, have children with you, I want- I want to be with you forever, I want to hold your hand and walk with you even when you’re the grouchy, grumpy old woman you’re going to be.

You know, I never thought I’d say this.
But?
But… I love you.