ASSUSTADO

O que você não aprendeu ainda é que não sou mais uma das suas menininhas, ou melhor nunca fui. Você nunca soube lidar comigo, uma mulher. Sua imaturidade era visível, mas como gostava de você, sempre te dei mais uma chance. Só que essas chances, nunca tinham resultados positivos. Sempre voltava fazendo as mesmas coisas. Isso com o tempo acabou cansando, sabe? Essas suas desculpas de criança para não conversar comigo, já não estava mais aguentando. Mas no final de tudo, quem acabou terminando o relacionamento foi você. Com uma desculpa mais esfarrapada ainda, que não me amava. Claro que não acreditei no primeiro momento, só que você insistiu nisso até cair minha ficha. Aí meu amigo, outro erro seu foi pensar que iria sair correndo atrás de você. Pena que nunca fui com esses relacionamentos que vai e volta, para mim sempre foi acabou, então acabou, só seguir em frente. E foi dito e feito, foi isso que fiz. Eu chorei por um tempo, isso foi normal, mas me acabar por isso, nunca mesmo. No dia seguinte já deletei seu contato e suas redes sociais, coloquei tudo no lixo. Com isso o tempo passou, depois de dez meses você me procurou para dizer que estava com saudades, só que quando você falou isso, senti algo estranho, que não era verdade. Só disse para você parar com essas coisas e no dia seguinte começou a namorar com outra guria. Aos poucos fui vendo quem era você de verdade, pude ver que nunca te conheci realmente. Depois de mais alguns meses, depois de um ano que tudo tinha terminado, eu te vi passando pela rua, você me olhou com uma cara de assustado mas não falou comigo. No dia seguinte já me chamou para conversar, dizendo novamente que estava com saudades e pedindo para sair comigo. Inacreditável! De novo, senti que isso não era verdadeiro, que você só queria matar a saudade e depois ir embora. Te dar mais uma chance? Esquecer tudo o que fez comigo? Seria capaz disso? Eu perdoei, mas dar outra chance isso não posso fazer. Seria inaceitável da minha parte. Seria uma burrice tremenda! Disse que não era assim e para me esquecer de vez, só que ainda você insiste? Porque disso? Será que caiu sua ficha também? Uma coisa que me lembro muito bem, você dizendo “sei que não vou encontrar alguém como você”, será que finalmente viu isso? Só sei que já era, já foi há muito tempo. Já segui minha vida e pelo jeito você continuou parado no mesmo lugar que me deixou. A vida tem dessas, né? Só digo boa sorte, você ainda não está preparado para se relacionar com uma mulher.
—  Ilusões de Esther.
Eu gostava dele, sabe? Das risadas, idiotices, do falatório, da birra e marra. Eu gostava de tudo nele. Pena que eu dei bobeira e ele descobriu. Se eu não tivesse vacilado ou deixado tão na cara assim, talvez ele não teria se assustado com tamanho gostar e o amor não teria acabado.
—  Escriturias
Entre outras coisas, você vai descobrir que não é a primeira pessoa a ficar confusa e assustada, e até enojada, pelo comportamento humano. Você não está de maneira nenhuma sozinho nesse terreno, e se sentirá estimulado e entusiasmado quando souber disso. Muitos homens, muitos mesmo, enfrentaram os mesmos problemas morais e espirituais que você está enfrentando agora. Felizmente, alguns deles guardaram um registro de seus problemas. Você aprenderá com eles, se quiser. De forma que, algum dia, se você tiver alguma coisa a oferecer, alguém irá aprender alguma coisa de você. É um belo arranjo recíproco.
—  O Apanhador no Campo de Centeio – J. D. Salinger
Como foi transar com uma vítima de estupro

“Não conheci ela no jazz. A gente se conheceu numa viagem e, não, ela não era a menina frágil, desengonçada e de olhos assustados. Ela era mais velha que eu. Fodona. Me intimidava sem nem querer. Fazia eu me sentir bobo demais, novo demais. Tudo sem querer. Porque ela era doce. Absolutamente doce.
Um sorriso aqui. Uma coincidência forjada ali. Mais um sorriso. Uma música que os dois gostavam. Uma conversa mais sincera. Uma mais tonta. Uma mais ácida. Pronto. Ela já não era toda aquela inacessibilidade e nem eu toda aquela insegurança. Éramos sintonia pura, ao som de Alt-J, metendo o pé na estrada.
Quando percebi já tava claro pra mim que já tava claro pra ela que já tava claro pra nós dois. E na primeira oportunidade demos um perdido em todo mundo e fomos pra praia. Era noite. Um pouco frio. Pareciam quilômetros de areia até o mar. Mas o caminho foi leve e agradável. Embalado por toda aquela excitação do romance de verão.
Colocamos os pés na água e, como se tivéssemos atingido qualquer “linha de chegada”, que não tinha sido previamente combinada, nos olhamos e estávamos livres.
Do abraço meio torto se fez nosso primeiro beijo. Meu maior pecado romântico. Eu lembro de todo primeiro beijo apaixonado que dei na vida. De cada um. E o dela foi rápido, porque era bom e não queria nem tomar o ar pra dar o segundo.
A praia era imensa e absolutamente deserta. Então não demorou pros beijos ficarem mais herméticos e os movimentos dos corpos mais coordenados. Em minutos transformamos aquele lugar público em nosso universo privado e, tomando o mar e a areia como nossas quatro paredes, entramos telepaticamente em harmonia.
Foi quando minha respiração ficou mais rara e minha mão mais pesada que ela arrepiou pela primeira vez. Não um arrepio bom. Daqueles que abrem o caminho. Um arrepio incontrolável. Agudo. Frenético. Acompanhado duma imediata contorção de cada músculo do corpo e a recusa absoluta do meu toque.
Não perguntei. Não era exatamente igual a outras situações que já tinha vivido mas, também, não exatamente diferente. Aquela reação podia ter milhares de motivos e só me restava tirar a mão e respeitar, seja lá qual fosse o recado que ela tava me passando.
Não paramos. E tudo chegou de novo ao mesmo lugar. Cheio de vontade, meio receoso mas, meio influenciado por ela, repeti o mesmo movimento de antes. Um pouco mais suave e devagar. A reação foi igual. Ainda mais intensa.
Eu teria entendido o recado desta vez. Teria guardado minha mão boba bem longe das intimidades dela e voltado a curtir todos os outros prazeres daquele momento. Mas não existiam mais prazeres. Eu olhei pro rosto dela e vi tudo, menos prazer. Parecia decepção. E medo. E raiva. E nojo. E mágoa. E milhares de outras coisas todas no mesmo rosto contraído, que desviava constantemente o olhar.
Pode parecer aqui, contando, que tudo aconteceu muito rápido mas, embora nossos flertes não tenham durado mais do que dois dias, a gente tava tão disposto a viver aquilo que, juntos, era um amor e uma entrega sem idade. Os dois abertos um pro outro numa consciente e intensa ilusão. Tínhamos até uma música pra chamar de “nossa”.

Então, dessa inusitada, mas tão natural, intimidade, perguntei se tinha alguma coisa que ela queria me contar. E sem nenhum rodeio. Sem preliminares ou frases de efeito que ajudam o interlocutor a se preparar pra algo que ele não está esperando, ela disse: “Eu fui estuprada”.
Como agora, não soube o que falar na época. Minha reação foi um olhar de silêncio absoluto e não faço ideia quanto tempo demorei pra voltar. Aqui, neste texto, dois dias. O último parágrafo foi escrito dois dias atrás. Porque, até hoje, não sei exatamente como lidar com aquele momento. São quase 50 mil estupros por ano no Brasil. Um a cada 11 minutos e, com vinte e tantos anos, eu ainda não tinha ouvido esta frase da boca de qualquer mulher.
O silêncio foi interrompido por “não transo há dois anos” e, quem sabe, um “desculpa”. Não tenho certeza sobre o desculpa. Espero que ela não tenha dito isso. Só sei que nunca falei uma palavra sobre o assunto. Nem um “sinto muito”. Não que eu me lembre. Lembro só destas duas frases dela e, quando minha memória religa, já estamos novamente nos beijando.
Como disse, eu tinha vinte e tantos anos. Hoje tenho vinte e muitos. O que significa que sou um exemplar de homem que aprendeu muita coisa já influenciado pela disponibilidade e efemeridade da internet. Inclusive sexo. Não posso reclamar da minha vida sexual “real” e de tudo que aprendi com ela, mas também não posso negar que, muito antes dela começar, a Silvia Saint e o Rocco já tinham me ensinado “tudo que eu tinha que saber”.
Passei, então, a tomar os angustiantes arrepios dela como balizadores das minhas ações. Tava claro que ela não queria que eu parasse. Tava claro que ela não sabia como não me parar. E tava ainda mais claro que eu não fazia ideia de como lidar com aquilo. Segui com o cuidado e o despreparo da minha primeira vez. Mas com muito mais medo.
Aos poucos, bem aos poucos mesmo (foi uma longa noite), enquanto as barreiras dela iam caindo, dentro de mim ia se formando uma angustia sem tamanho. Cada movimento que eu fazia, que claramente despertava nela o trauma do estupro, revelava em mim o meu próprio estuprador. Era didaticamente clara a distinção entre carinho e violência. Assustadora a naturalidade como a violência estava cravada nos meus movimentos, e desesperadora a revelação, aos poucos, do que eu havia me tornado.
No meu imaginário, um estupro é o momento onde o homem age o mais próximo da sua irracionalidade sexual. Como não existe ali uma relação de troca, em absoluto, ele simplesmente reproduz aquilo que ele quer, como ele quer, sem nenhuma consideração pela pessoa estuprada. Sendo assim, mesmo sem ela me contar, eu soube exatamente o que o estuprador tinha feito. Como o estuprador tinha feito. Porque eu também reproduzi algumas dessas mesmas ações.
Em algum momento nos deitamos. Tinha chegado a hora. Até ali haviam sido apenas preliminares. Nos olhamos, mas não conseguimos sair do olhar. Ninguém ousava dar o primeiro passo. O som do mar não nos trazia paz suficiente. Ela então estendeu a mão, alcançou o celular, colocou um fone de ouvido em mim e um nela, e deu play na nossa música.
Enquanto transávamos, ela em cima e eu em baixo (isso nunca foi tão significativo), cheguei a pensar “nossa, eu to libertando ela”. Que narciso engano. Foi só reparar pra perceber que ela tava se libertando sozinha, e tinha simplesmente me permitido compartilhar desse momento.
Talvez o prazer mais negado à todas as mulheres, das fisicamente mutiladas na África às psicologicamente mutiladas no ocidente, ela se permitiu gozar. Eu observei. E como se tudo aquilo já não fosse mágico o suficiente, exatamente no mesmo momento em que ela gozava, uma onda quente, que não veio nenhum momento antes, e não voltaria nenhum momento depois, lavou nós dois.
A gente gargalhava, meio desesperados, enquanto tentava salvar os celulares. Foi inacreditável na hora, é inacreditável sempre que eu me lembro, e com certeza vai ser inacreditável pra você que tá lendo. Mas foi isso. Sou cético. Acredito mais no Carl Sagan que no Prem Baba. Mas foi isso. Seja Iemanjá ou só uma coincidência muito, mas muito, certeira. A onda veio, e lavou nossas almas.
Agora, por que eu tô contando essa história pra você? Porque alguns dias atrás saiu aquela pesquisa do Datafolha que revelou que uma em cada três pessoas culpa a mulher pelo seu próprio estupro. Um número que ilustra e da argumentos pra algo que todo mundo já sabia, mas escolhia ignorar.
O que a pesquisa não revelou é que três em cada três de nós carrega a cultura do estupro fundida na pele, no jeito de ser, no jeito de pensar. Todos nós reproduzimos o estupro e consumimos o estupro. Nas capas de revista, nos ângulos constrangedores das câmeras de programas de auditório, no pornô de WhatsApp, no terror psicológico dos pais que não dão liberdade pra filha, no terror psicológico dos pais que forçam as liberdades do filho.
Estou contando essa história porque a gente precisa lembrar que não basta não estuprar. Isso é meio óbvio demais. O que não tá óbvio é que pra acabar com os estupros precisamos questionar profundamente nossos modelos de relação. Evoluímos muito, mas a mulher ainda é um pedaço de carne girando no forno de calçada da padaria. E o homem ainda é o cachorro faminto que baba enquanto observa.
Não sei tudo sobre cultura de estupro. Não sou exatamente a melhor pessoa pra ficar aqui te explicando o que fazer ou não pra se empoderar sobre esta questão. Mas sei que quando ouvi esses números no jornal, de certa forma, eu tava ali e, admita, você sabe que também está. Então pare de se eximir da culpa, simplesmente por nunca ter efetivamente estuprado uma mulher, e se inclua na solução. Porque este texto demora em média sete minutos pra ser lido, e ainda te sobraram quatro antes do próximo estupro.

A sensação de que falta algo, de que não consigo ser boa para ninguém, aquela sensação de que as pessoas estão indo embora e não tenho noção do que posso fazer para que elas fiquem me persegue. É difícil manter sonhos, ideias, esperança, em tempos como este. Eles são esmagados diariamente pela dura realidade, mas não é por falta de amor, nunca foi e nunca será. Isso tem me assustado. A maneira como tudo tem sido, como tudo tem ido, faz com que eu fique tão perdida. Às vezes acho que isso é algum tipo de pesadelo que não consigo acordar, é fora da realidade. Tento todos os dia fugir desse mundo, fugir das pessoas que não sabem o valor dos meus sentimentos. Quando estou no meu quarto, no escuro, com os fones de ouvidos me sinto em outro mundo, no meu mundo onde tudo é bom e onde todos me entendem. Consigo colocar para fora o que sinto, porém sinto que ainda falta algo. Alguém que entenda meus momentos, que aceite meus sentimentos e que acima de tudo, fique. Alguém que eu não precise falar e que me decifre apenas com o olhar. Mas infelizmente ainda não achei um aventureiro que se dispusesse a me explorar e me ajudasse a entender tudo aqui dentro. Mais ele vai aparecer, sempre aparece e tomara que eu perceba quando for a pessoa certa.

Sensação que ainda me falta, Isabella Wintter & Luan Leão.

Camisas Xadrez.

Eu passei pela porta ao seu lado, o ar estava frio, mas algo no seu olhar fez com que eu me sentisse em casa.
Eu deixei meu cachecol lá, na casa da sua irmã. E você ainda o tem em sua gaveta, até hoje.
A sua doce disposição, para meus olhos bem abertos. Estamos cantando no carro, perdidos no interior.
As folhas do outono caindo como peças se encaixando, eu ainda as vejo, mesmo depois de todo esse tempo.
E eu sei que já passou, e que a magia não existe mais. Eu posso ter estado “ok”, mas realmente não estive bem.
Pois aqui estamos novamente, na rua dessa cidadezinha. Você quase passou no sinal vermelho, pois estava olhando para mim. O vento em meus cabelos, eu estava lá, eu lembro de tudo bem demais.
O álbum de fotos no balcão da sua casa, suas bochechas vermelhas. Você costumava ser uma criança com óculos, em uma cama de solteiro.
E sua mãe está contando histórias sobre você, quando jogava no time de futebol infantil. Você me contava sobre seu passado, achando que seu futuro era eu.
E eu sei que já passou, e não há mais nada a fazer. Eu esqueci de você tempo o bastante, para esquecer o porque que precisava de você.
Talvez nós nos perdemos na tradução, ou talvez eu tenha pedido por muito. Talvez simplesmente esse relacionamento não tenha sido essa obra de arte toda.
Até que você a arruinou, e me fez correr assustado. Eu estava lá, eu me lembro bem demais.
Depois de alguns meses você me liga de novo, só para me quebrar como uma promessa. Tão casualmente cruel, sob o pretexto de ser honesto.
Me deixando como um pedaço de papel amassado, jogado aqui, pois eu lembro de tudo isso muito bem.
O tempo não passa, parece que estou paralisado por ele. Gostaria de ser como era antes, mas ainda estou tentando me encontrar.
Depois dos dias e noites que passamos em camisas xadrez, quando você me fez seu. Agora você envia minhas coisas pelo correio, e eu ando sozinho até em casa.
Mas você mantém meu cachecol velho, daquela primeira semana. Pois te lembra de inocência, e tem o meu cheiro.
Não consegue se livrar, pois se lembra de tudo muito bem.
Pois aqui estamos de novo, no meio da noite. Dançando pela cozinha, sob a luz da geladeira.
No primeiro andar, eu estava lá e eu te amava tanto.
Antes de você perder a única coisa real que jamais terá, era raro, eu estava lá, eu lembro de tudo bem demais.
As folhas do outono caindo, eu estava lá, lembro bem!
Meus olhos bem abertos, você estava lá, lembra bem.
Vento no meu cabelo, você estava lá, lembra de tudo.
O sinal vermelho, eu estava lá, lembro de tudo.
O álbum de fotos, você estava lá, lembra?
Suas bochechas vermelhas, eu estava lá, e me lembro.
Nossas blusas xadrez, estávamos lá, nos lembramos bem demais.

【 PT - BR 】

“(…) – Não foi isso que eu perguntei – Liten negou com a cabeça sutilmente – Por qual motivo você realmente aceitou essa missão?

Ezarel deu um sorriso do qual o ar sai pelas narinas e sua boca permanece fechada. O elfo quebrou o contato visual e rolou os olhos ao redor do cômodo, enquanto sua mente nublava-se com lembranças.  

– Porque você parecia um Pimpel que acaba de ser chocado. Assustado. Perdido. Precisando da orientação do seu dono – Agora ele sorria tristemente para si mesmo, como quem não acredita nas próprias palavras, seus olhos estavam vidrados em algo que não estava realmente presente ali. Quando voltou a falar, sua voz saiu em um sussurro – Quando na verdade você tinha a astúcia de um Sgarkellog, que sempre soube se virar sozinho.

Mesmo ali, naquele cômodo iluminado apenas pelas chamas das velas, ela percebeu o quanto os olhos dele estavam cansados, o quanto aquela viagem o estava desgastando e o quanto Khedan o esgotava. Ambos estavam exaustos demais para manter qualquer tipo de conversa ácida, machucados demais por todas as mentiras e conflitos que os levaram até ali.

Liten queria despejar tudo o que estava passando por sua mente, tirar o peso das costas dele e dizer que não era apenas culpa dele terem chegado àquele ponto. Então, automaticamente, sua mão ergueu-se em direção ao rosto de Ezarel, mas antes de chegar ao seu destino, a mão travou e parou no meio do caminho. O movimento chamou a atenção dele, que agora alternava o olhar entre a mão paralisada e o rosto dela.

Ela não podia. Sabia que não, pois havia feito uma promessa. 

Mas ao contrário de Liten, Ezarel não hesitara. Liten surpreendeu-se quando a mão de Ezarel segurou a dela e a levou até o rosto dele, completando a trajetória que deveria ter feito alguns segundos atrás. A sensação de tocá-lo após tanto tempo era como sentir o Núcleo Arcano próximo ao seu peito, quente e familiar. Aquele gesto que parecia tão simples para qualquer outro ser, se tornara um símbolo carregado de significados para eles.

Os olhares se encontraram, e assim ficaram, mantendo aquela comunicação silenciosa que fazia seus olhos se encherem de reconhecimento e rendição, porque ambos souberam naquele momento; a barreira que existia entre eles agora estava se partindo. (…)”


【 ENG - By Translator 】


(…) “That’s not what I asked,” Liten shook his head subtly. “Why did you really accept this mission?”

Ezarel gave a smile that the air exits through the nostrils and his mouth remains closed. The elf broke eye contact and rolled his eyes around the room as his mind clouded with memories.

“Because you looked like a Pimpel who’d just been shocked. Creeped out. Lost. Needing his owner’s guidance”  Now he smiled sadly to himself, as if he didn’t believe his own words, his eyes were glazed on something that was not really there. When he spoke again, his voice came out in a whisper. "When you actually had the cunning of a Sgarkellog, who always knew how to handle himself.”

Even there, in that room lit only by the flames of the candles, she realized how tired his eyes were, how tired that trip was, and how much Khedan exhausted him. They were both too exhausted to hold any kind of acid conversation, hurt too much by all the lies and conflicts that had brought them there.

Liten wanted to dump everything that was going through her mind, take the weight off his back and say that it was not only his fault that they had reached that point. Then, automatically, her hand lifted toward Ezarel’s face, but before reaching his destination, her hand caught and stopped halfway. The movement caught his attention, which now alternated the look between the paralyzed hand and her face.

She could not, and she knew it. She had made a promise.

But unlike Liten, Ezarel had not hesitated. Liten was surprised when Ezarel’s hand caught hers and carried it to his face, completing the path she should have taken seconds ago. The feeling of touching him after so long was like feeling the Arcane Core close to his chest, warm and familiar. That gesture that seemed so simple to any other being, had become a symbol full of meanings to them.

The gazes met, and so they remained, keeping that silent communication that made their eyes fill with recognition and surrender, for they both knew at that moment; the barrier that existed between them was now breaking. (…)

É por isso que eu quero te agradecer: obrigado por me amar. Obrigado por estar ao meu lado quando eu mais preciso, quando me perco, quando não sei quem sou, quando mergulho e não encontro o caminho de volta. Obrigado por me amar nos meus dias ruins, quando estou assustado ou agressivo, chateado ou morno. Obrigado por me amar mesmo sendo mandão, mimado e bravo. Obrigado por me amar quando não sei o que fazer, quando não consigo dizer ao certo o que preciso, quando o que aparece é só o meu avesso. Obrigado por amar minhas fraquezas, angústias e asperezas. Obrigado por amar minha sujeira, meu lixo interno, meu lado azedo e estragado. Obrigado por amar meu jeito muitas vezes infantil. Obrigado por amar meus defeitos, que não são poucos. Obrigado por amar minha forma desastrado de ser. Obrigado por me amar quando falo sem pensar, quando o filtro vai embora, quando surto, enlouqueço, grito ou vomito frases feias. Obrigado por me amar quando eu erro. Obrigado por me amar quando eu não sou tão legal. Obrigado por me amar quando o amor anda na corda bamba. Obrigado por me amar quando eu acabo esquecendo de gostar de mim. Obrigado por amar o que escolhi ser. Obrigado por amar quem eu sou e não quem você gostaria que eu fosse. Isso, sim, é amor.
Estou triste, assustado e com medo. Triste por ver como tudo está estranho, assustado por não saber que atitude tomar e com medo de me arrepender após ter tomado alguma.
—  Gian Lucas.

você gosta da vista noturna da tua cidade?
quanto tempo faz que você não olha pro céu?
eu tenho pensado demais.
só evita andar olhando pro chão.
há uma imensidão acima de você, vê?
mas eu só não queria ter tornado as coisas maiores do que eram.
eu só não queria ter te assustado tanto.
você conhece mesmo o mito da caverna?
é estranho, eu sei.
você gosta da minha paz de espírito?
do meu silêncio constrangedor?
obrigada.
ninguém nunca me contou essas coisas.
ninguém nunca me mostrou que a vida é boa.
qual a sua cor favorita?
eu amo azul.
mas a cor preta é realmente bonita.
eu não queria que você me olhasse assim.
eu nem queria te mostrar essa parte de mim.
o quê? você não vai se assustar?
você gosta do barulho da tua cidade a noite?
eu não gosto aos sábados nem aos domingos.
é que por dentro eu já grito demais.
abafo sempre a voz aqui dentro.
eu pensei em escrever uma carta pra você.
você não gosta de cartas?
você acha que são promessas que se quebram?
tudo bem, não se assusta.
eu salvei tua foto antes de você resolver me tirar da sua vida.
se eu soubesse que iria eu não te impediria não.
tudo bem.
todo mundo sempre vai e vem.
mas eu salvei a tua foto pra as vezes lembrar como a vida é boa.
eu só queria não ter tornado as coisas maiores do que eram.
eu só queria ter te mostrado que a vida é boa.
ninguém nunca te mostrou essas coisas?

atlantis.

{leia ouvindo sorry- halsey…}

eu parei de atender suas ligações há meses porque percebi que às vezes é preciso abrir mão de pessoas que amamos muito porque nosso peito já não é mais um bom lar. eu sei que foi cruel da minha parte desaparecer sem dar explicações de porque eu fui embora assim mas eu sei que, em algum lugar da sua alma, você sabe que o amor que eu sinto não é mais o suficiente para me fazer ficar. eu sempre fui brisa que passa e furacão que assusta e você não estava preparado para enfrentar o meu pior lado e quando ele surgiu você ficou assustado e eu resolvi fugir, mas eu entendo você. é muito fácil amar a parte calma do outro, a parte boa e que faz feliz difícil é amar seus defeitos e permanecer no temporal quando ele chega.
eu ainda sei qual é a sua música preferida do coldplay e sei como ama aquela do ron pope. eu ainda sei o seu endereço, o seu telefone, sei até qual é o seu tênis preferido entre as dezenas que você tem. eu sei que sua cor preferida sempre foi cinza porque você era incapaz de escolher entre o preto e branco e que cê dizia que o cinza existia para quem não sabia escolher entre os dois. eu lembro da frase que cê sempre dizia quando eu estava triste e do gosto do seu beijo misturado com lágrimas quando a gente se via depois de meses longe um do outro.
eu tive medo da maneira de como você me olhava porque você olhava com amor em um mundo onde ninguém nunca parou para me enxergar direito. eu tive medo porque você era apaixonado por mim e eu era apaixonada por você em um mundo onde eu não sabia como era dar certo com alguém.
eu fugi porque minha covardia sempre foi maior que o amor que eu carregava no peito e quando eu vi que as coisas estavam bem eu só quis correr pra longe com medo do dia em que tudo chegaria ao fim.
a vida sempre fez questão de nos separar mas nossas almas sempre encontravam o caminho de volta, mas dessa vez elas não encontrarão.

“{…} eu não pretendia abandonar você
e tudo aquilo que tínhamos
e alguém vai te amar

mas esse alguém não sou eu.”

Ana Flávia Castro.
E então, resolvi dizer o que sentia. Resolvi dizer que você era tudo que eu tinha, e que os dias em que não te via não faziam sentido. Disse que você era a pessoa mais importante pra mim, e que se fosse preciso, eu faria tudo por você. E por fim, disse o mais importante, você sabe. Eu disse que te amo, e até agora estou sentindo a sensação de ver você sem reação. Não precisava falar o mesmo, mas eu esperava ver você feliz ao saber disso. Mas parece que o fato de amar alguém se tornou assustador, e não encantador. E eu me arrependo de ter dito isso, mas eu disse. E se preciso for, direi quantas vezes forem necessárias. Só espero que você não tenha se assustado, porque eu te amo.
—  amparas
São 3 da manhã, estou lendo um desses romances clichês do Nicholas Sparks para poder me sentir mais amada e menos sozinha, mas não consigo prestar atenção em nenhuma palavra e acabo jogando o livro de lado. Vou até a cozinha, abro a geladeira, sinto aquele geladinho consumindo meu rosto por míseros segundos, respiro e me dou conta do que eu precisava não se encontrava exatamente dentro da geladeira. Pego uma água só para eu me sentir menos tola, e dou uma espiada na janela da sala. É lua cheia. A lua que eu mais odeio e a que você mais ama. Mas me conforta observá-la, é como se alguém me pegasse no colo e me colocasse pra dormir enrolada em um edredom. Sinto vontade de escrever, e faz 6 meses que eu não sei o que é pegar num lápis e sentir prazer em deslizá-lo no papel. A vontade passa quando o telefone toca. É JP, o cara que eu tenho saído já faz algum tempo. Ele é aquele estereótipo de cara perfeito, se veste bem, me leva pra jantar, me manda flores, toca violão e marca viagens surpresas para lugares que eu mais desejo ir. O cara perfeito, o cunhado perfeito, o genro perfeito, a porra toda perfeita, mas que no fim das contas não fazia eu me sentir perfeita. Alias o que é mesmo ser perfeita? Eu quero sumir daqui. É isso, eu quero largar meu emprego, meus estudos, minha casa, minha família, meu projeto de namorado perfeito e simplesmente desaparecer. Sem deixar rastros e nem nada. Sumir e pronto. Ai eu ia recomeçar a minha vida do zero, conhecer novas pessoas, novos lugares, novos ambientes e finalmente tentar ser um pouco mais eu do que um dia eu tenha sido. Finalmente o telefone para de tocar, mas a campainha dispara um ruído tão alto, que eu solto um grito abafado do qual o sujeito nota de que há alguém acordada. Merda! Abro a porta, e é JP. Sorrio amarelo com aquela expressão de quem queria dizer “QUE DIABOS VEIO FAZER AQUI?”, e noto que o moleque mais uma vez estava com um buque de flores na mão e na outra chocolates. Oba, chocolates! Começo a comer esquecendo de sua presença no sofá. “Tá tudo bem? Eu te liguei.” Aham, eu vi que você me ligou umas 300 vezes e mandou no mínimo umas 500 sms. Ele me olha de uma maneira como se não me reconhecesse mais, e não conhece! “Você tá com uma aparência horrível, por que não vai tomar um banho e a gente assiste um filme qualquer? Ein? O que você acha?” O QUE EU ACHO? EU ACHO QUE VOCÊ NEM DEVIA TÁ AQUI PRA COMEÇAR E EU NÃO TÔ AFIM DE ASSISTIR PORRA DE FILME NENHUM! Alguém por favor tira esse cara daqui? Não dou a mínima pro que ele fala, e continuo comendo meus chocolates como se o fim do mundo fosse no dia seguinte. Ele se aproxima como quem quer alguma coisa em troca, é sexo, aposto, ele não trouxe esses chocolates atoa. Não tô nem um pouco a fim de trepar, transar, fazer sexo, ser comida, seja lá o que ele veio fazer aqui, mas ele alisa minhas pernas e pressiona meu corpo ao dele, e pela primeira vez na vida eu me senti a pessoa mais suja desse mundo. Me exalto. “Olha só JP, eu não to afim de ser comida hoje, amanhã eu acordo cedo e fazendo as contas com o horário de agora, eu tenho exatamente 4 horas de sono, então se você não se importar, a gente combina de trepar outro dia, ok?” Na hora ele se levantou, sua expressão de safado mudou para assustado e ele saiu da minha casa de uma maneira como se nunca mais fosse voltar. E não voltaria mesmo. Me senti um pouco mais sozinha do que eu já era. Liguei a tv como companhia e fiquei mudando de canal loucamente como se fosse encontrar algo de que tanto desejava. Não sabia mais o que estava fazendo e chorei por isso. Chorei por ter mandado mais uma pessoa da minha vida embora. Chorei porque o chocolate havia acabado e eu já não sabia onde mais ia depositar a minha ansiedade. Chorei porque eu tinha o mundo nas mãos e resolvi carregá-lo nas costas. E tudo aquilo me pesava tanto, que chorar era tudo que me restava. Ai parei num canal que estava passando “Tom&Jerry” e pela primeira vez durando 6 meses eu sorri de verdade. Foi um sorriso de dentro pra fora, uma vomitada pra vida. E tudo isso tinha muito a ver com você. Era seu desenho favorito, lembra? É claro que eu lembro, foram muitas raivas passadas enquanto eu discutia nossa relação e você dava altas risadas em meio ao gole de cerveja. “Dá pra você desligar essa merda e prestar atenção em mim?” “Ahh amorzinho, vem assistir comigo.” Como eu odiava profundamente a palavra “amorzinho”, e como eu queria ser chamada de amorzinho agora. Pego o telefone e começo a discar seu número. Desisto. A essa hora ele deve tá trepando com a vizinha ou ta tão chapado ao ponto de não saber atender o maldito telefone. Amanhã eu ligo, hoje não. Na verdade eu é quem queria ser procurada, ser achada, e ser inteira mais uma vez. Vou deitar com a intenção de encontrar a minha paz, só que faz tanto tempo que eu não sei o que é ter paz. Abraço o travesseiro com a ânsia de ser abraçada de volta, e me questiono “Quando foi que eu me tornei uma pessoa tão vazia?” E me recordei da vez que eu me senti tão cheia, a ponto de transbordar. Você me sugeriu pra pegar umas duas ou três peças de roupa, um pouco de dinheiro, minha escova de dente e só. 20 minutos depois tava você aqui em casa com o carro da sua mãe dizendo que íamos viajar. Viajar? Pra onde? Eu não posso viajar. Amanhã eu tenho uma reunião, provas e falava sobre todo o meu planejamento do dia seguinte como se fosse a coisa mais importante do mundo, e você sempre me calava com um beijo fazendo eu esquecer de todo o resto. Suas viagens nunca eram planejadas, a gente brigava 99% do tempo porque tudo saia errado, e eu odiava erros. E olha eu aqui, sozinha, no meu quarto, recordando o quanto eu queria estar errando agora.
—  Muita Coisa Inacabada Porque a Gente Acabou - Part I