@mimimi

ontem quando cê passava as mãos sobre as falhas na minha sobrancelha
enquanto eu alternava em tossir compulsivamente
e rir das suas metáforas infames sobre n coisas
sobre amor
sobre a gente
sobre aquela escrivania que eu comprei na backfriday pra tua avó
até sobre aquela roupa horrorosa que cê usou no batizado do nosso afilhado haha
[de onde cê tirou esse esse vicio por sobrancelha?]
[quando é que a gente ficou tão avulso um ao outro?]
[quando é que cê ficou tão sem resposta pra tudo? e eu tão questionável?]
[quando é que ter resposta foi tão assustador?]
quando foi que a gente deixou de ser punhado de mar?

não ter resposta é resposta cê disse

tô chorando porque cê apagou as luzes e nem disse boa sorte

e não vejo sentido nesse texto
nem em nós agora

o amor mais bonito

somos todos amontoados de átomos que não se tocam nunca. ironicamente, os mesmos átomos que nos separam hoje são os mesmos que se juntaram no big bang. que esculpiram as mais belas montanhas no himalaia. moveram as placas tectônicas pra juntar dois amantes no ártico. que desenharam estrelas no céu da indonésia.
e se condensaram nesse poema. todavia insistem em nos deixar à oito elétrons na camada de valência mas estranhamente atraídos.

trágico, não?

“baby,
tive um sonho na qual estávamos dolorosamente ligados.”

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Sem esse mimimi de que tudo tem que ser recíproco. Não tem que ser coisa nenhuma, nós queremos que seja, é diferente. É diferente porque não é uma obrigação e muito menos uma tendência a ser seguida, é uma circunstância. Pode acontecer? Sim, e se assim for, ótimo. Mas p-o-d-e acontecer, é uma possibilidade e apenas isso. Mas o “não poder”, não agrada, não é bonito e por isso não vende, até porque não tem quem compre. Mas presta atenção aqui, as vezes não acontece, não rola,  não toca, sabe? Não tem aquele… como é que dizem por aí? Click, né? É. As vezes não clica, não soma, não corresponde. É querer somar mais com menos e querer mais, querer plantar mamão e colher abacaxi. É saber que é alérgico a amendoim, comer paçoca e colocar a culpa no vendedor da paçoca, na tia que fez a paçoca e até em Deus que deu a vida a tia que fez a paçoca, que vendeu a paçoca que você escolheu comprar. Falta de reciprocidade não é a doença do século. A doença do século é querer ditar o que os outros devem ser, o que devem gostar, querer, é saber que é não e insistir no sim á qualquer custo, pior ainda, é impor isso aos outros como se isso fosse o certo.
—  DESENCONTROU.