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Não entendo. Tem gente que não consegue se afeiçoar à própria mãe e acha que vai amar até a morte um sujeito qualquer que conheceu no banheiro de uma festa idiota.
—  Gabito Nunes
Não entendo. Tem gente que não consegue se afeiçoar à própria mãe e acha que vai amar até a morte um sujeito qualquer que conheceu no banheiro de uma festa idiota.
—  Gabito Nunes
Quem nunca saiu com uma pessoa para esquecer outra pode dar o fora, vá fazer outra coisa, aqui não é seu lugar. No momento, este espaço está reservado àqueles que sabem de que porra estou falando porque, como eu, são imaturas o bastante pra realizar este tipo prosaico de besteira. Você precisa ser sensato e adulto pra ficar em casa remoendo sua tristeza e disfarçando seu sofrimento com algum método budista, com carboidratos ou mesmo com a televisão. Nós, imaturos e ocidentais, ficamos emburrados em algum bar, na companhia de algum outro emburrado com quem geralmente acabamos flertando no Facebook.
—  Gabito Nunes
Não quero mais que ela venha ao Sta. Gemma e muito menos que pergunte por mim. Há montes de outras coisas com as quais preciso me concentrar e não posso ficar amortecendo solavancos no meu peito cada vez que a porta de vidro tocar a sineta informando que algum freguês entrou. Não quero associá-la a canções ou a personagens de Fante. Não quero perder nenhum minuto formulando diálogos que não sairão conforme ensaiado quando a encontrar.
—  Gabito Nunes
- Essa camisa tem dono.
Meu coração estava na boca. Tu estava na minha frente usando a calça de couro e a camisa social rosa de punhos brancos que eu tinha visto mais cedo na festa. Com aquele sorriso torto que assolava a minha capacidade de manter o meu pulso sobre controle, como se não tivesse nada melhor para fazer as quatro da manhã do que está recostado no batente da minha porta com as pernas cruzadas.
- Você sempre soube que ela ficava melhor em mim.
Foi tudo o que consegui responder. Eu não sabia quanta saudade podia passar pelos pontos de ligações elétricas do meu corpo. Eu não sabia que aquele seu olhar petulante de quem carregava toda a sacanagem do mundo nas mãos poderiam me deixar tão devastada a ponto de sentir vontade de te agarrar ali mesmo. Principalmente quando você começou a chegar mais perto me fazendo dar um passo em falso para trás.
- Não, eu sempre soube que tu ficava bem melhor sem ela.
Foi ai que me beijou. E eu finalmente consegui entender porque a minha cama sentia tanto a sua falta. Ninguém nunca me beijava da forma como você fazia. Como se nada no mundo fosse mais importante do que explorar cada canto da minha boca. Daniel, o toque dos seus lábios eram sentidos pelas pontas dos dedos , percorriam a minha coluna até a região existente entre minhas pernas. Eu me sentia viva quando era beijada por você. E todo esse desejo que emanava do meu corpo, era correspondido. Eu podia senti-lo pressionando insistentemente a sua calça enquanto as suas mãos arrancavam a minha camiseta, eu sentia todo o seu corpo sobre o meu, e cada milímetro daquele peitoral que tanto senti falta me fez querer arrancar cada botão da camisa cara que você usava e, quando me dei conta as minhas pernas estavam envoltas de sua cintura e você estava nos levando para cama. Desabotoando rapidamente o sutiã e tocando com o seu hálito quente os seios desnudos que sempre foram seus. Eu estava derretendo. As minhas mãos abriam o zíper de sua calça e tirava com os pés, porque eu queria, porque eu sentia falta daquele volume em minhas mãos. Tu sorria me deixando ensandecida quando com os dedos firmes e fortes que encontraram a convavidade entre minhas pernas. Meu deus, como eu sentia falta daquilo. Do seu nome sussurrado entre meus dentes, da sua boca em meus mamilos, dos seus dedos me deixando ainda mais úmida e quente, das minhas unhas arranhando as suas cortas como se fosse propriedade minha. Eu queria você. Cada parte do meu corpo gritava alto por ti e era como se eu dependesse daquele momento. Das caricias, dos beijos que percorriam cada milímetro da minha pele esbranquiçada. E quando minhas mãos apertaram a sua nunca, tu se encaixou em mim. Era o paraíso. Era como morrer e estar em algum outro lugar que só você era capaz de me levar. A cada movimento, a cada milésimo de centímetro em que tu se movia era como sair do meu próprio corpo, como se aquilo nunca fosse parar de existir. As chamas em consumiam, o meus ossos correspondiam ao desejo ímpeto, se é que isto era possível. Eu não entendia como tinha conseguido passar sete meses sem você. Eu não entendia como alguém conseguiria ser moldado para o meu corpo daquela forma. Aquele abismo, do qual eu caia agora enquanto meu nome era sussurrado pela sua boca, era esplendoroso, épico, me fazia querer cantar por mais brega que isso parecesse. E sentir o teu corpo caído sobre o meu, com aquela expressão no rosto era a certeza de saber que tínha acabado de me encontrar lá também.
E quando os únicos barulhos que eu conseguia escutar era o batimentos do meu coração batendo contra o peito e a nossa respiração ofegante, finalmente pude entender porque sentia tanto a sua falta.
Eu finalmente consegui entender porque amava você.
—  Mais que Casual, parte III - Danielle Quartezani
Dança comigo?

Na beira do abismo, no centro do caos, no fundo dos meus olhos delineados e mal intencionados. Desfila tuas cores nos corredores da nossa casa, mancha as cortinas de nós impregnadas, mistura em mim teus tons e sons ao pé do ouvido. Fica comigo mais uma noite? Me assiste e resista-me, se puderes. Ganha meu sorriso e minha malícia, digna de pena a ser cumprida a dois. Sentença, solidão a dois. No acaso, do acaso, do acaso, nós somos (como diz Caetano) o avesso, do avesso, do avesso. Me dispo e me despeço, te atiço e me aqueço. Nos carinhos/caminhos dos sentidos que ainda sinto, traço uma rota nas pontas dos pés descalços, meu ballet clássico. Rodopio em tua boca, carne vermelha, gosto da maçã proibida. Me dê uma mordida?

Era a capacidade de respirar. Os puxões intensos que eu dava enquanto conseguia sentir o ar dentro dos pulmões. Eram soluços. Altos, claros, como um desespero eminente de que de repente, eu ia parar de respirar. Duraria apenas um segundo. Por que, em uma fração, você não estaria mais ali. Sumiria e eu, já não seria mais capaz de saber o gosto do oxigênio. Eu não entendia como isso funcionava, melhores amigos, e toda essa baboseira,nunca iam embora . Amores sim, amigos, não. Amigos ficavam. Irmãos mais velhos estavam sempre presentes para que eu lhes ensinassem como lidar com as suas namoradas. E peguetes, piriguetes, garotas estúpidas que não faziam ideia de que só eu ia saber escolher quem você iria amar. O suposto amor da sua vida, passava pelo meu sexto sentido e aprovação. Era assim que funcionava. Eram as risadas, as brincadeiras que nunca iam fazer a gente parar de rir. As piadas idiotas. O maldito ombro que só funcionava se fosse o seu. Eu não sei contar minhas historias para outra pessoa, eu não sei rir sem te contar que o cara do meu curso não passa de um maconheiro e eu sou santa demais para amar tanto os Beatles e Legião Urbana. Eu não sei explicar a ninguém que só fico bem de verdade, se você estiver por perto. Eu não preciso contar minhas lagrimas, eu não preciso dos meus dramas. Eu preciso respirar. E isso só acontece se eu te contar que mudei de cidade, que tenho medo de ser assaltada porque pego o último ônibus do dia e, se eu souber qual foi a frescura que te fez discutir com o amor da sua vida hoje, porque eu preciso xingar. Eu sempre tenho que xingar você. Afinal, irmãos ficam pra proteger a gente. Melhores amigos então, nem se fala.
—  E ai, será que você volta? - Danielle Quartezani