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Era a capacidade de respirar. Os puxões intensos que eu dava enquanto conseguia sentir o ar dentro dos pulmões. Eram soluços. Altos, claros, como um desespero eminente de que de repente, eu ia parar de respirar. Duraria apenas um segundo. Por que, em uma fração, você não estaria mais ali. Sumiria e eu, já não seria mais capaz de saber o gosto do oxigênio. Eu não entendia como isso funcionava, melhores amigos, e toda essa baboseira,nunca iam embora . Amores sim, amigos, não. Amigos ficavam. Irmãos mais velhos estavam sempre presentes para que eu lhes ensinassem como lidar com as suas namoradas. E peguetes, piriguetes, garotas estúpidas que não faziam ideia de que só eu ia saber escolher quem você iria amar. O suposto amor da sua vida, passava pelo meu sexto sentido e aprovação. Era assim que funcionava. Eram as risadas, as brincadeiras que nunca iam fazer a gente parar de rir. As piadas idiotas. O maldito ombro que só funcionava se fosse o seu. Eu não sei contar minhas historias para outra pessoa, eu não sei rir sem te contar que o cara do meu curso não passa de um maconheiro e eu sou santa demais para amar tanto os Beatles e Legião Urbana. Eu não sei explicar a ninguém que só fico bem de verdade, se você estiver por perto. Eu não preciso contar minhas lagrimas, eu não preciso dos meus dramas. Eu preciso respirar. E isso só acontece se eu te contar que mudei de cidade, que tenho medo de ser assaltada porque pego o último ônibus do dia e, se eu souber qual foi a frescura que te fez discutir com o amor da sua vida hoje, porque eu preciso xingar. Eu sempre tenho que xingar você. Afinal, irmãos ficam pra proteger a gente. Melhores amigos então, nem se fala.
—  E ai, será que você volta? - Danielle Quartezani