45 anos!

Aos 17 anos todo mundo é poeta, junto com as espinhas da cara, todo mundo faz poesia. Homem, mulher, todo mundo têm seu caderninho lá dentro da gaveta, e têm os seus versinhos que depois ele joga fora ou guarda como mera curiosidade. Ser poeta aos 17 anos é fácil, eu quero ver alguém continuar acreditando em poesia aos 22 anos, aos 25 anos, aos 28 anos, aos 32 anos, aos 35 anos, aos 40 anos, eu estou com 41, aos 45 anos, aos 50, aos 60 anos, até você encontrar um poeta, por exemplo, como Drummond ou como o admirável Mário Quintana que são poetas que estão fazendo poesia há mais de 60 anos e há mais de 60 anos que a poesia é o assunto deles. Então eu acho que 90%, mais! 99% dos poetas que estão fazendo poesia hoje, daqui a dez anos eles vão estar fazendo outra coisa, porque vem a vida, vem os filhos, vem preocupações com dinheiro, vem as ambições do consumo, vem a necessidade de comprar isso, comprar aquilo, de adquirir uma casa na praia e tal, e tudo começa a se tornar mais importante do que a poesia. A poesia é uma espécie de heroísmo, você continuar ao longo dos anos acreditando nessa coisa inútil que é a pura beleza da linguagem, que é a poesia, é um heroísmo, é uma modalidade quase, às vezes eu gostaria de acreditar, de santidade. É uma espécie de santidade da linguagem. Porque a poesia não vai te fazer rico de jeito nenhum, é muito mais fácil você abrir uma banquinha e vender banana do que fazer poesia. Quer dizer, para você continuar acreditando em poesia é preciso muita santidade.
—  Paulo Leminski
Conheça o parque abandonado e mal-assombrado do Japão.

Construído como uma espécie de Disneylândia do Oriente, este parque temático no Japão, conhecido como Nara Dreamland, hoje em dia tem uma fama da qual seus idealizadores não poderiam prever na época da sua inauguração: a de um lugar abandonado e mal-assombrado.

Ele fica na cidade de Nara, localizada a cerca de 470 quilômetros de Tóquio e foi desativado em 2006, após 45 anos de operação.

O declínio no número de visitantes veio depois que a Universal Studios inaugurou, em 2001, um parque temático a menos de 50 quilômetros do lugar.

Como o desinteresse do público só aumentava, os antigos donos do Nara Dreamland não encontraram outra alternativa a não ser desativar de vez o parque.

Abaixo, você verá várias imagens feitas pelo fotógrafo Victor Habchy que revelam o clima arrepiante do local:

Carta da Mia
— 

“ Permita que eu me apresente.Meu nome, ou como eu sou chamada pelos “médicos”, é Bulimia. Bulimia Nervosa é meu nome completo, mas vc pode me chamar de Mia. Esperançosamente nós podemos nos tornar boas parceiras.No começo, eu vou investir muito tempo em vc, e eu espero o mesmo de sua parte.Antigamente, vc ouviu de tudo o que seus professores e pais falaram sobre vc. Vc é tão “madura”, “inteligente”, “entre 14 e 45 anos”, e vc tem “muito potencial”. Onde isto te afetou, posso te perguntar? Em absolutamente nada! Vc não é perfeita, vc não tenta o suficiente, além do mais, vc gasta seu tempo pensando e conversando com amigos, e desenhando! Tais atos de indulgência não devem ser permitidos no futuro. Seus amigos não entendem vc. Eles não são verdadeiros.No passado, quando a insegurança foi quietamente afastada de sua mente e vc perguntava a eles “Eu pareço… gorda?” e eles respondiam “Ah não, claro que não!” vc sabia que eles estavam mentindo! Apenas eu digo a verdade. Seus pais, nem vamos chegar nesse ponto! Vc sabe que eles amam vc, e se preocupam com vc, mas parte disso é apenas porque eles são seus pais, e são obrigados a agirem assim. Eu te direi um segredo agora: no fundo do coração deles, eles estão desapontados com vc. A filha deles, aquela com tanto potencial, se tornou uma gorda, preguiçosa e uma garota subserviente. Mas eu estou para mudar tudo isso. Eu espero muito de vc. Vc está permitida a comer. Eu não vou te privar de um verdadeiro prazer na vida. Um verdadeiro amigo não faria isto. Mas eu vou te ajudar a compensar o que vc come. Isto vai começar devagar: comer um sanduíche e se sentir culpada, tomar uma soda e malhar por duas horas, comer um pedaço de bolo e vomitá-lo, etc. Por um tempo, será simples: se vc come, vc deve se torturar depois. Nada muito sério. Talvez vc perca alguns quilos, diminua um pouco aquela enorme barriga. Mas não vai demorar muito para que eu te fale que não está bom o suficiente. Eu vou esperar que vc provoque vômitos depois de cada refeição. Vou te pressionar até o limite. Vc deve agüentar porque vc não pode me desafiar! Eu estou começando a me infiltrar dentro de vc. Logo mais, eu estarei sempre com vc.Eu estou com vc quando vc acorda de manhã e corre para a balança. Os números se tornam ambos amigos e inimigos, e os pensamentos frenéticos rezam para que eles estejam abaixo do que estavam ontem, do que ontem à noite, etc. Vc olha para o espelho com desânimo. Vc incita e ressalta a gordura que está lá, e sorri quando vc vê seus ossos aparecendo. Eu estou lá quando vc imagina o plano para o dia: 1500 calorias, 6 horas de exercícios, purgar 4 vezes, tomar 7 laxantes. Sou eu quem imagina isto, porque por agora meus pensamentos e os seus são indistintos. Eu estou com vc quando vc faz o caminho para o banheiro, ajoelha-se perante a privada e coloca seus dedos dentro da sua garganta.Eu te sigo durante o dia todo. Na escola, quando sua mente vagueia, eu dou a ela alguma coisa para se pensar. Decido como vc poderá purgar depois do jantar. É melhor vc descobrir uma maneira ou irá ficar uma porca gorda. Eu ocupo sua mente com pensamentos de comida, peso, calorias e coisas que são seguras para se pensar. Porque agora, eu estou realmente dentro de vc. Eu estou na sua cabeça, no seu coração e na sua alma. A dor que vc pretende não sentir sou eu, dentro de vc. Logo mais eu estarei dizendo a vc não apenas o que fazer com a comida, mas o que fazer durante TODO o tempo. Sorria e obedeça. Apresente-se bem. Coloque pra dentro essa maldita barriga! Nossa, vc é uma vaca gorda!!! Quando a hora da refeição se aproxima eu te digo o que fazer. Eu faço uma bola de sorvete parecer uma aventura. Como eu vou escapar dessa vez? Gorda por 2 dias? Ou que tal 3 horas de exercícios? Se vc não se livrar das calorias… todo o controle será quebrado… vc QUER isto? Tornar-se novamente aquela vaca GORDA que vc já foi?Eu te forço a ver revistas de modelos. Aqueles corpos perfeitos, magérrimos, dentes brancos, desejosos modelos de perfeição olhando para vc de dentro daquelas páginas lustrosas. Eu te faço perceber que vc nunca poderá ser como elas. Vc sempre será gorda e nunca será bonita como elas são.Quando vc se olha no espelho, eu distorço a imagem. Eu mostrarei a vc obesidade e o desejo de esconder-se. Vc deve acreditar em mim porque eu estou apenas fazendo o melhor para vc. Eu sou uma amiga verdadeira.Algumas vezes vc será rebelde. Ainda bem que isto não será sempre. Vc reconhecerá as pequenas rebeldias mentirosas deixadas em seu corpo e colocará em risco o perigo de ir para a escuridão da cozinha. A porta do armário da cozinha se abrirá devagar, rangendo maciamente. Seus olhos se moverão sobre a comida que eu guardei em uma distância segura de vc. Vc encontrará suas mãos alcançando, letargicamente, como um pesadelo, na escuridão, a caixa do seu biscoito favorito. Vc os empurra p/ dentro, mecanicamente, não realmente sentindo o gosto deles, mas simplesmente apreciando o fato de vc estar contra mim. Vc alcança outra caixa, depois outra, depois outra. Seu estômago ficará estufado e grotesco, mas vc ainda não irá parar. E durante todo o tempo eu estarei gritando para vc parar, sua vaca gorda, vc realmente não tem nenhum auto-controle, vc vai engordar. Quando acabar, vc me abraçará novamente, me pedirá conselhos porque realmente vc não quer engordar. Vc quebrou uma regra principal e comeu sem purgar, e agora vc me quer de volta. Eu vou te forçar a morrer de fome por 3 dias, e vc irá, porque vc é minha agora. Talvez a escolha de se livrar da culpa possa ser diferente. Talvez minha escolha seja a de que vc tome laxativos, o que faz com que vc sente na privata até o amanhecer do dia, sentindo suas tripas te agradecerem. Ou talvez eu apenas faça vc se machucar, bata sua cabeça contra a parede até que vc tenha uma dor de cabeça latejante. Cortar-se também é eficaz. Eu quero ver o seu sangue, ver ele cair do seu braço, e naquele preciso momento vc se dará conta de que merece qualquer dor que eu te dou.Você está depressiva, obsessiva, com dores, machucada, vc quer alcançar uma saída mas ninguém te escuta? Quem se importa?! Vc está merecendo; você trouxe isto uma vez para vc mesma. Ah, isto é muito cruel? Vc não quer que isto aconteça com vc? Eu sou injusta? Eu faço coisas que irão te ajudar. Eu torno possível para vc parar de pensar em emoções que te causam estresse. Pensamentos de raiva, tristeza, desespero e solidão podem cessar porque eu os jogo fora e preencho sua cabeça com a contagem metódica de calorias. Eu tiro de vc o seu esforço para se encaixar entre as meninas da sua idade, assim como o seu trabalho de tentar agradar a todos. Porque agora, eu sou sua única amiga, e eu sou a única a quem vc precisa agradar.Eu tenho um ponto fraco. Mas nós não devemos falar pra ninguém. Se vc decidir lutar contra mim, contar a alguém como eu faço vc viver, o inferno todo se quebrará. Ninguém deve descobrir, ninguém pode romper a casca com a qual eu te encobri. Eu te criei, te disciplinei, perfeita, criança determinada. Vc é minha e simplesmente minha. Sem mim, vc não é nada. Então não lute contra. Quando outros comentarem, ignore-os. Continue firme em seu progresso, esqueça-os, esqueça todo mundo que tenta acabar comigo. Eu sou seu maior bem, e pretendo continuar dessa maneira. 


— Atenciosamente, Mia.

Eu acho que minhas costas doem, mas não tenho certeza. Estou anestesiado, de alguma maneira estúpida que não envolve álcool. Infelizmente, estou sóbrio. Há muito tempo estou sóbrio, cem por cento sóbrio, cem por cento dono de mim, infelizmente, há muito tempo, há muito tempo sem tocar no assunto. A cama eu não arrumo há quatro dias, e proibi a empregada de fazer isso por mim. A bagunça e o mau cheiro são uma moldura incrível para o “algo” desarmado que se tornou a minha existência. Nesse instante, estou sozinho na casa vazia. Casa vazia de corredores intermináveis, iluminação precária e livros impacientes. O ventilador faz um barulho indescritivelmente desagradável. E o calor dessa cidade me lembra de que mora o inferno dentro de mim. Eu, faminto, de cueca folgada e rasgada, de barba e de culpa mal feita. Subi após longos minutos de diálogo interno comigo mesmo. Eu posso até ter o inferno dentro de mim, mas o demônio, às vezes, se incomoda com a fome e com a realidade que costura a minha carne todos os dias. Parei pra abrir as janelas da sala e me deparei com um homem, de cabelos escuros, moreno com uma marca horrorosa de regata, aparentemente uns 45 anos, gordo, sem camisa, no apartamento em frente. Me encarou e desviou o olhar. Mero protocolo. Fiz o mesmo. Parei meus olhos no fio de céu que estava ao lado dele e, pela primeira vez desde que estou sóbrio, me senti verídico. Não havia motivo, mas havia um fio de céu, um inferno, uma vida, um cara desconhecido e muita, muita fome. Ele parou de desviar a atenção e me olhou. Nos olhamos. Tentei ver um pouco do apartamento dele, mas estava tudo escuro. Só consegui identificar um sofá e um abajur. Talvez, tivesse uma televisão um pouco mais ao lado, mas não tenho certeza, poderia ser uma estante também. Senti que ele sabia, e isso me incomodou de uma forma que quase estive feliz por uns nanosegundos. Senti que ele sabia que não arrumo a minha cama há quatro dias, ele sabia da minha forma errada e transgressora de encarar o mundo, ele sabia da minha mania de escrever sobre solidão após transar (ou quase isso) com alguém, ele sabia, inclusive, do meu fracasso em ser um escritor imbecil, eu era só um imbecil sem talento algum, exceto para quase sempre se dar bem consigo mesmo, ele sabia do meu ego inflado e ferido diariamente, ele sabia das minhas costas marcadas por unhas e espinhas e sabia que as cicatrizes eram a coisa mais parecida com amor que eu obtive durante todo esse tempo. Ele sabia que a vida pra mim era coisa boba demais, que o tempo, o tempo passa, eu fico, as pessoas somem, é assim. Ele sabia dos aniversários em que me odiei e odiei cada centímetro do meu corpo, esse corpo tão pouco fictício e cheirando a vodca, esse corpo tão pouco comercial e tão pouco higiênico, esse corpo morada de infernos, que sua mais que um trabalhador braçal e nunca fez porcaria alguma além de levantar uns pesinhos na academia e na alma. Ele sabia dos assaltos que aconteciam diariamente naquela rua, e da minha incapacidade de gritar, ou até de falar, ele sabia dos velhos porcos que morriam em asilos esquecido por gente como eu, jovem, bonita, saudável, infeliz, ele sabia da minha necessidade de sangrar, rir, beber, comer, pulsar, gozar, ele sabia dessa necessidade pra sempre não suprida, pra sempre real e palpável. Ele sabia do meu inferno, das minhas pupilas dilatadas por nicotina imaginária, do meu falso sentimento de desapego, ele sabia da minha playlist recheada de músicas eletrônicas numa tentativa desesperada de ser só batida alegre também. Ele sabia da minha falta de coragem em me matar, mas acho que nesse ponto do ser humano é igual, ele deve saber também, nesse ponto. Ele continua me encarando. Me sinto quase abraçado diante da sua cara de desapontamento impresso como uma tatuagem. Imagino com o quê ele está desapontado. Acho que consigo mesmo. Eu entendo, eu entenderei daqui a alguns anos, quando eu tiver quarenta e cinco anos e morar num apartamento infestado de traumas e fobias. Ele tem mulher? Ex-mulher, quem sabe? Tem filhos? Ex-filhos, quem sabe? Filhos não legítimos? Cachorros? Será que ele já contratou garotas de programa? Ele já pagou cinquenta reais numa pizza? Já esqueceu alguém com um porre? Já esqueceu de si? Ele tem algum tipo de sonho frustrado? Se eu fosse ele, se ele fosse eu, moraríamos em algum lugar afastado, bem isolado, isolado das pessoas que isolo agora, quem sabe numa terra nova, onde só eu e ele saberíamos onde fica, numa espécie de refúgio egoísta, onde eu precisasse ficar sóbrio porque eu abriria a janela e daria de cara com o abismo, e se eu estivesse bêbado, eu saltaria, finalmente voando, livre, finalmente. Eu daria de cara com o abismo, e não com ele. Tiro meus olhos dele e encaro a rua. O dia está mais cinza do que nunca e quase me sinto feliz. Quase me sinto com quarenta e cinco anos, e idiotamente eu acabo de dar um sorriso ao imaginar que toda essa droga já passou, eu já vivi, já era, tenho quarenta e cinco anos e gosto de usar regatas sem passar protetor solar. Ele sorri de volta. Acho que fazia tempo que ele não reparava em outro ser humano, de verdade. Eu também. Coçou a barriga enorme e fechou a cortina. Talvez ele estivesse vendo só um cara do outro lado da rua. No fim das contas, é só isso mesmo.
—  Cinzentos

Eu e Ani 🇫🇷 caminhamos juntas por uns 2km até chegar na cidade destino. Decidimos dividir o preço da máquina de lavar, e nesse meio tempo resolvemos comer alguma coisa e tomar um vinho. Ela não tinha tomado nenhum até então, já que é francesa e nenhum vinho é melhor que o da França, segundo ela. Ani tem 45 anos, mãe de três meninas e é enfermeira numa área do hospital para tratamento paliativos, ou seja, quando a pessoa vai morrer e não existe nenhum tratamento possível. Ela me disse que tem um jeito diferente de olhar para as pessoas, por isso adora sua profissão e já confortou muitas pessoas nos seus últimos minutos de vida. Aquela uma hora e meia da máquina de lavar passou como 5 minutos e nem vimos. Conversamos sobre política, maternidade, direitos, saúde e música. Vou lembrar para sempre da história da senhora de 220 quilos, segundo Ani ninguém olhava para ela com compaixão, todos olhavam a forma física e julgavam que a culpa da situação era dela, e talvez realmente fosse, quem sou eu ou a Ani para julgar as razões de qualquer um? Ninguém nunca cogitou pensar porque ela estava naquela situação, oque na vida dela levou-a até aquele momento e todos ignoravam o ser humano dentro daquele corpo, mas ela tratou a senhora muito bem, e no último segundo de vida a senhora tirou o oxigênio, olhou pra ela e perguntou “qual seu nome filha?”, “É Ani”, “pois bem, quero morrer com seu nome na cabeça”, e morreu.
Concluí com a Ani que nada paga esse tipo de momento, não tem dinheiro que substitua ou possa produzir um momento inesquecível. Esses momentos são completamente espontâneos, impagáveis e inreprodutíveis. Bem como esse nosso papo. Nunca mais estarei num bar pé sujo, no meio da Espanha, numa micro cidade com alguém tão especial. E depois fomos estender as roupas. Momento único.

En busca de un muy viejo dibujo animado

Hola !
Hace un rato me acorde de unos dibujos animados que me gustaban mucho de pequenita, y aunque los encontre quasi todos por internet (la granja de los animales por ejemplo, ya que no hera muy “lindo” )

Bueno hay uno que no me puedo encontrar ninguna informacion ni nada =x
A lo mejor la mayoria de vosotras ni lo conocen porque de veras es muy viejo ahah XD
Pero bueno, si le suena a alguien y sabe donde se puede ver online o algo seria estupendo n_n

(Lo publico esto en espanol porque solo lo vi en espanol de pequena y no se si se llama de otra manera en otros paises ni nada.)

El dibujo se llama “el reparador de juguetes”
y solo pude encontrar una foto de la VHS de la epoca.

(que antiguedad verdad ? xD y no, no tengo 45 anos e_e )


Gracias por leer a mi mensaje >w<

Hoje no ônibus quando voltava do colégio avistei uma senhora em pé e logo a chamei para sentar em meu lugar. Ela muito educada agradeceu e disse um: Deus te abençoe. Logo o senhor que estava sentado ao seu se levantou e eu voltei a sentar, fiquei com a cabeça encostada na janela vendo a chuva. Quando ouço aquela senhora reclamando do trânsito virei para ela e concordei, começamos uma conversa e ela me explicou o porque da pressa de ir para casa. O seu marido estava esperando-a para comerem juntos uma comida que ele havia preparado; foi tão incrível a maneira que aquela senhora estava, ela não parava de sorrir ao falar de seu marido, até me mostrou uma foto dele que estava no papel de parede do seu celular. Conversamos mais um pouco até ela me pedir licença para telefonar para seu marido e avisa-lo o porquê da demora, porém, como a Tim é uma merda a ligação só falhava até que a senhora desistiu. Voltamos a conversar e ela me falou que eles estão casados a 45 anos e que até hoje estão muito felizes e que ele sempre costuma cozinhar para ela e comprar todos os tipos de flores, até mesmo plantas para colocarem em sua casa. Não demorou muito até que sua parada chegasse e ela se despediu com um: Até mais, mocinha. Juízo e que você encontre seu amor. Eu agradeci e vi que o senhor da foto estava esperando-a na parada e logo deram um selinho. Eu não sei, mas estou com uma sensação tão boa depois disso. Fico feliz em saber que o amor realmente existe e que o “Para Sempre” realmente existe.

anonymous asked:

Você é gay, como um monstro.

Monstro para mim, é um homem de 45 anos, abusar de uma menina que não consegue se defender, tendo traumas na vida e medo de homens por causa disso. Está comparando um monstro como esse entre um gay como eu que simplesmente fico com pessoas da minha idade ou superior que não faz nada disso? Pense quem é o monstro aqui.

anonymous asked:

o que realmente faz um homem feliz ? Além de uma ppk kk

O que faz um Homem feliz não é uma BUCETA. Não importa se ela é virgem ou não, se ela é morena, loira ou ruiva. O que faz um Homem feliz de verdade é a mulher valorizar o namorado que tem, dando amor, carinho, apoio, atenção. Ali lutando lado a lado mesmo com as brigas e choros o importante é eles estar juntos. Isso que faz um HOMEM de verdade feliz. Porque se fosse uma Buceta a felicidade de um Homem, só ele ir na esquina, pois em cada esquina ele encontraria a felicidade de todos os tipos de idade de: Garota de 10 anos, Garota de 15 anos, Mulher de 20 anos, Mulher de 25 anos, Mulher de 30 anos, Mulher de 35 anos, Mulher de 40 anos, Mulher de 45 anos, Mulher de 50 anos.  Okay? Então a felicidade de um Homem não é uma buceta e se a felicidade de um Homem for uma buceta, ele não é Homem e sim um moleque que só se preocupa com os prazeres dele como se fosse usar a Mulher como um objeto pra satisfazer ele quando ele quiser. Mulher não é um objeto e nem uma mercadoria, Mulher tem o seu valor e tem sentimentos. Mulher tem seus desejos? Sim, mas o Homem deve respeitar a Mulher e amar ela de verdade e ser fiel e assim digo as Mulheres deve ter respeito pelo seu namorado, porque se você não respeitar ele, você não pode cobrar dele o respeito, sabendo que nem você mesmo se respeita e nem se valoriza. Okay?

10 razões para reduzir a maioridade penal no Brasil:

1 – Liana Friedenbach, 16 anos, sequestrada, torturada, estuprada, esfaqueada e morta pelo menor Champinha, de 16 anos.

2 – Victor Deppman, 19 anos, estudante – assassinado com um tiro na cabeça na porta de casa por um menor de 17 anos.

3 – João Hélio Fernandes morto aos seis anos de idade, depois de ser arrastado pelo asfalto por 7 km e 10 intermináveis minutos. O acusado de fechar a porta do carro e deixar a criança pendurada pelo cinto de segurança foi o menor “E”.

4 – Rodrigo Silva Netto, 29 anos, músico da banda Detonautas, assassinado a tiros por um assaltante menor de idade.

5 – Yorrally Dias Ferreira, 14 anos, assassinada com um tiro na cabeça pelo ex namorado, um menor de 17 anos que filmou a vítima ensanguentada e distribuiu as imagens pela internet.

6 – Silmara da Cruz Alves, dona de casa, 31 anos, assassinada a facadas por um assaltante de 17 anos por causa de 20 reais. Ele ria enquanto narrava o crime à polícia.

7 – Celso Mazzieri, jornalista, 45 anos, enforcado pelo namorado e mais dois menores de 17 anos.

8 – Lucas Bonfim de Jesus, um bebê de um ano e meio, esfaqueado e decapitado por um menor de 17 anos, o “Neguinho da Máfia” que aproveitou a ocasião para estuprar a mãe da criança.

9- Adriana Moura Miranda , 43 anos, estrangulada pela filha menor de idade. O namorado ajudou a queimar e esconder o corpo da vítima.

10 – Cinthya Magaly de Souza, dentista, 46 anos – queimada viva por um assaltante de 17 anos porque só tinha 30 reais na conta.

Era incrível assistir a sua aula, o modo como praticamente corria de um lado para outro na classe, inquieto, e explicava a matéria como se ela fosse o assunto mais fascinante da face da terra. Devia ter em média uns 45 anos ou mais, porém sua fisionomia lembrava a de um jovem elétrico, seu cabelo parcialmente domado apenas acentuava ainda mais essa característica, às vezes ele me vinha a mente como o eterno jovem de cabelos espetados, essa descrição caía bem nele. Em meio a correria ele parava em um canto da sala e voltava a explicar o assunto com os olhos completamente abertos, minha impressão era de que raramente piscava, e passava os olhos pela turma até fixá-los em alguém. Eu assistia suas aulas em transe e quase totalmente hipnotizada, e muitas vezes seus olhos fixavam-se em mim. Era um pouco impressionante o modo como ele explicava e entre uma palavra ou outra começava a rir como se o que tinha acabado de dizer fosse algo muito engraçado. Era fascinante e estranho ao mesmo tempo, mas isso é algo que talvez eu nunca vá esquecer em toda a minha vida.
—  Meu professor de Literatura. Escritora de Luar
Cap 21

- Eu não acredito! É você mesmo? Já faz tanto tempo que não te vejo que já estava esquecendo seu rosto!

Respirei fundo ao ver Mayra estender os braços em minha direção, com um sorriso divertido, e não pude deixar de rir, mesmo que pouco, de sua recepção exagerada. Ao vê-la depois de dois dias tão turbulentos e completamente distantes de minha realidade, me dei conta de que minha vida tinha, de certa forma, voltado ao normal: eu tinha uma mãe que me amava, uma melhor amiga que me apoiava em praticamente tudo, e uma namorada simplesmente fascinada por mim. A cada passo meu que ecoava pelo frio pátio do colégio, uma simples pergunta se intensificava em minha mente, tornando-se quase impossível de ser ignorada. Mas não de ser respondida.

O que mais eu poderia querer?

- Que saudade. – foi tudo que consegui dizer quando cheguei perto dela, abraçando-a com força. A sensação de poder contar com alguém que provavelmente não me mataria se descobrisse meus segredos, e inclusive já sabia de uma boa parte deles, era extremamente revigorante.

- Hm, não gostei desse seu tom de voz. – ela murmurou, ainda me abraçando, e eu sorri fraco, comprovando minha teoria de que estava pra nascer uma pessoa que me conhecesse tão bem como ela. – Acho bom a senhorita me contar tudinho, ouviu? E a propósito, cadê a Pepa?

- Ela não vem hoje. – respondi, e ela desfez o abraço pra poder me ver, com a expressão confusa. – Está no hospital..

Mayra arregalou os olhos, assustada, e meu rosto adotou traços pesarosos.

- Vanessa Mesquita… O que raios você fez com ela? – ela sussurrou, e se eu não estivesse tão esquisita, teria rolado de rir. Mas apenas sorri fraco novamente e balancei a cabeça em negação.

- Calma, não é nada do que você tá pensando. – expliquei, e ela colocou a mão sobre o peito, um pouco mais aliviada. – Ela tomou sol demais e acho que está com um princípio de insolação. Tive que insistir muito com ela hoje de manhã pra que ela concordasse em ir ao médico e ignorasse o fato de que tinha que dar aulas.

Sim, eu finalmente a tinha convencido a ir ao hospital, depois de um certo esforço. Antes de ir para a escola, ajudei Pepa a vestir uma blusa e um short, e a coloquei dentro de um táxi, já que dirigir seria um pouco difícil pra ela. Como não podia acompanhá-la, por medo de sermos flagradas juntas, pedi ao motorista do táxi que a ajudasse a se locomover e a esperasse durante seu atendimento (óbvio que tive que gastar um pouco de minha mesada nessa transação, mas não deixei que Pepa visse essa parte), e pedi também para que o sempre simpático porteiro, Andy, a ajudasse a subir até seu apartamento na volta. Mesmo sabendo que tudo ficaria bem, um certo aperto em meu peito por não poder estar com ela insistia em me deixar deprimida. Pelo menos fiz Pepa prometer que me ligaria assim que chegasse em casa, o que de certa forma me tranquilizava um pouco.

- Coitadinha. – Mayra lamentou, fazendo cara de pena, e eu assenti. – Mas não se preocupe, vai ver que ela melhorará rapidinho. E você, não tomou sol não? Tá parecendo uma zumbi, credo.

- Tomei sim, tá legal? Você sabe que meu bronzeado não dura, e quando dura, é pra ficar descascando logo depois. – resmunguei ofendida, cruzando meus braços e fazendo Mayra rir. – Então eu prefiro que ele não dure mesmo.

- Sei sim, você é toda problemática. – ela assentiu, ainda rindo um pouco, mas logo sua expressão se tornou séria e sua voz diminuiu de volume. – Ih, falando em problema…

Franzi a testa em sinal de dúvida, mas assim que percebi a fixação do olhar de Mayra em direção a algo atrás de mim, já soube do que se tratava. Nem me dei ao trabalho de virar para saber quem havia acabado de chegar. Três segundos depois, Clara passou bem ao nosso lado, e seu perfume adentrou minhas narinas, assim como meus olhos se fixaram inconscientemente em seus cabelos bagunçados, seu caminhar e…

Puta merda, Aguilar. Precisava ter vindo de preto? Justo de preto? Por que ela tinha que jogar tão na minha cara que tinha um corpo simplesmente perfeito? Argh, vai pro inferno, demônia.

- Problema? – gaguejei, desviando meus olhos involuntariamente grudados ao corpo de Clara (mais especificamente, à sua bunda ressaltada pela calça justa) rapidamente e voltando a olhá-la com uma pontada de frustração e ressentimento. – Não vejo problema nenhum.

Mayra ergueu uma sobrancelha, cética, e minha firmeza vacilou um pouco.

- Desde quando você atingiu esse ponto de autocontrole? – ela perguntou, e eu apenas revirei os olhos, fingindo desinteresse.

- Não é autocontrole. – respondi, balançando negativamente a cabeça e tomando todos os cuidados necessários para não olhar para Clara, por mais que a porta da sala dos professores ficasse na mesma direção de Mayra e ela estivesse passando por ali naquele exato momento. – É determinação. Eu amo Pepa, e ela também me ama… Por que eu precisaria de mais alguém?

- Não sei. – ela deu de ombros, abandonando a expressão desconfiada e mudando para uma distraída. – Sexo, talvez.

- Mayra! – exclamei, empurrando-a de leve, e um sorrisinho safado surgiu em seu rosto, assim como minhas bochechas devem ter corado.

- Ah, Vanessa, fala sério… Sexo é ótimo e você sabe muito bem disso. – ela riu baixo, apontando pra mim e fazendo cara de sabida. – Não tente bancar a santinha, porque comigo não cola.

Apesar de desaprovar seu comentário desnecessário (e seu alto teor de fatos reais), não consegui responder nada. Minha concentração se esvaiu novamente e meus olhos foram cruelmente arrancados de Mayra e conectados a Clara, que agora fazia o caminho inverso ao anterior para entrar no prédio onde ficavam as salas. Conforme se aproximava da entrada do prédio, que por sinal era onde eu e Mayra estávamos paradas, sua expressão fechada se tornava cada vez mais nítida, e, infelizmente, mais bonita. Não que eu ligasse para isso, claro.

Respirei fundo, afastando todo e qualquer pensamento indesejado de minha mente, e finalmente consegui rebater a brincadeira idiota de Mayra, alto o suficiente para que Clara me ouvisse ao passar bem atrás dela.

– Posso até não ser santa… Mas não sou um mero brinquedo.

Assim que as últimas palavras saíram de minha boca, Clara parou de andar, logo atrás de Mayra. Meu olhar ávido acompanhou seu rosto enquanto ela o virava na minha direção, e logo os aros verdes de seus olhos se tornaram plenamente visíveis. Sua testa estava franzida sobre eles, e seus lábios estavam firmemente fechados, formando uma linha reta e demonstrando sua seriedade. Não desviei meu olhar do dela; pelo contrário, intensifiquei nossa conexão visual até que ela se desse conta de que estava me olhando por tempo demais e passasse a encarar o chão, voltando a andar logo em seguida. Mayra, confusa demais para entender alguma coisa, apenas olhou para trás tentando acompanhar meu olhar ainda fixo, e ao encontrar a porta do prédio já vazia, voltou a me encarar, desconfiada.

- Se antes eu já estava achando que precisava saber de algo, agora eu tenho certeza absoluta disso. – ela murmurou, me analisando minuciosamente, e eu não conseguia tirar meus olhos do local onde antes Clara me encarava. – Mas seja lá o que esse algo for, tenho a impressão de que não é nada pacífico.

- Alguém já te disse que seu poder de dedução é simplesmente incrível? - sorri de um jeito maldoso, satisfeita por ter conseguido alfinetar a idiota da Aguilar, e voltei a olhar para Mayra, que ainda me fitava daquele jeito desconfiado. De pacífica, aquela história não tinha absolutamente nada. Aliás, tudo que envolvesse Clara Aguilar em minha vida jamais seria pacífico.

E tal constatação me fez concluir, agora com certeza, que minha vida havia realmente voltado ao normal. 

Metade da segunda aula. Física. Uma professora de 45 anos toda esticada pelas sucessivas cirurgias plásticas e com menos roupa do que eu, no maior estilo brotinho, tentando enfiar na cabeça de seus alunos ainda sonolentos algumas fórmulas sobre elétrica. Duas palavras: não, obrigada.

Eu rabiscava incessantemente em meu caderno, imaginando que espírito havia se apossado de minha mão para mantê-la tão inquieta. Primeiro, fiz cubos deformados devido à minha incapacidade de desenhar algo que prestasse. Depois de uns vinte desses nas bordas da folha, acabei desistindo de formas geométricas e comecei a esboçar um olho gigante no centro. Enquanto arrumava alguns detalhes de seu contorno, tentando ignorar a voz irritante da professora esbravejando as fórmulas na frente da classe, me lembrei do dia em que li num site sobre o significado dos rabiscos que as pessoas fazem quando estão distraídas, e que podem às vezes transmitir seus sentimentos. Olhos e cubos, pelo que eu me lembrava, representavam uma situação na qual a pessoa está frente a frente com uma decisão importante ou um fato decisivo, e não quer ou tem medo de encará-la. Revirei os olhos pela futilidade desse tipo de análise, e repeti mentalmente as mesmas duas palavras: não, obrigada.

Até que meu olho estava indo bem, mesmo com o fato de minha habilidade artística ser uma merda, mas foi inevitável não pular na cadeira e tremer meu traço quando o celular vibrou dentro do bolso da calça. Só podia ser Pepa. Aleluia.

Pedi à professora para ir ao banheiro, e ela mal me olhou, compenetrada demais em supostamente ensinar os poucos alunos interessados a aplicar suas fórmulas ridículas de tão fáceis. Saí quase que correndo da sala, e assim que fechei a porta atrás de mim, atendi à chamada, sem nem olhar para o número.

Van? – a voz de Pepa emanou do aparelho sem que eu nem precisasse dizer nada, e um sorriso aliviado surgiu em meu rosto.

- Oi, amor. – respondi, caminhando lentamente em direção ao banheiro. – Como você tá? Já voltou do hospital? Foi tudo bem? O que te disseram lá?

Calma, uma coisa de cada vez. – ela riu, e eu não pude deixar de imitá-la de um jeito nervoso, só então notando minhas perguntas afobadas. – Eu estou bem, já estou em casa, foi tudo bem por lá, mas… Eu tenho uma notícia não muito agradável.

- Desde que você não fique desse jeito pra sempre, ou por muito tempo, não vejo nada que possa ser tão ruim. – adiantei ansiosamente, desistindo de chegar até o banheiro e me apoiando na parede ao lado de uma sala de aula qualquer.

Segundo o médico, eu vou voltar ao normal em breve, não se preocupe com isso. – Pepa disse, com a voz levemente divertida, e o alívio cresceu ainda mais dentro de mim. – O problema é que eu vou precisar de cinco dias de descanso para isso. E quando eu digo descanso, estou dizendo que não poderei ir à escola. Ou seja… Não vou poder te ver.

Meus olhos, que observavam o corredor deserto, despencaram até encontrar meus próprios pés após aquela notícia. Cinco dias sem Pepa, ainda mais agora, que eu precisava dela como nunca para me manter firme em minha decisão e não me deixar abater, seriam quase uma eternidade.

Mas tudo bem. Eu era forte o suficiente para aguentar, certo?

Respirei fundo, me preparando para dizer que não me importava e que havia grandes chances de sobrevivência para mim, mas antes que eu pudesse abrir a boca, a porta da sala da qual eu estava praticamente ao lado se abriu, e a professora Aguilar irrompeu dela, quase trombando comigo ao fazê-lo. Seu jaleco absurdamente branco, em contraste com sua roupa preta, esvoaçou escandalosamente devido ao seu movimento brusco para frear e não tocar em mim, ao contrário de seus olhos, que se depararam com os meus carregados de uma surpresa assustada. Senti que fui atingida por uma nuvem de seu perfume assim que ela freou bem perto de mim, e para o meu próprio bem, tentei não respira-lo. Em vão, claro, porque quando finalmente consegui bloquear minhas vias respiratórias, já havia inspirado o suficiente para que aquele cheiro viciante dominasse meus pulmões por completo. Como eu era idiota.

Clara não disse nada (e eu não esperava que ela o fizesse, ainda mais vendo que eu estava falando ao celular), e apenas continuou bruscamente seu caminho até as escadas, descendo-as velozmente e me deixando desnorteada. Eu tinha um certo problema com proximidade exagerada, em especial quando a pessoa desconfortavelmente próxima era ela; era como se eu fosse um aparelho eletrônico que sofresse interferência diante de seu corpo e ficasse todo desregulado.

Eu sei que a notícia não é nada boa, mas também não precisa ficar nesse silêncio fúnebre.– Pepa murmurou, com um certo humor na voz, e eu acordei de meus devaneios. Nota mental: dar um jeito nessas minhas viagens na maionese pós Aguilar.

- Ah, não, eu… Eu vou ficar bem, não se preocupe. – falei, tentando não parecer tão afetada pela breve presença de Clara. – Descanse bastante e fique bem logo, é só o que eu quero que você faça.

Pode deixar, eu vou fazer. – ela sorriu, ainda falando um pouco baixo, e diminuiu ainda mais o volume de sua voz ao continuar. – Vou morrer de saudades.

Fechei os olhos e mordi meu lábio inferior, sentindo meu coração finalmente dar seus primeiros sinais de normalidade após o momento relâmpago de adrenalina, e respirei fundo antes de respondê-la, sendo tão sincera com ela quanto eu não me lembrava de ter sido por muitas vezes.

- Eu também.

Eu amo você. – Pepa sussurrou, e mesmo mal conseguindo ouvir sua voz, soube que ela estava sorrindo ao falar.

- Volte logo… – cochichei, abrindo os olhos novamente, e soube que não era preciso repetir suas palavras para que ela entendesse que eu sentia o mesmo. Pepa desligou logo em seguida, e mesmo após o fim da chamada, mantive meu celular próximo de minha orelha, com duas últimas palavras presas em minha garganta. Mesmo sabendo que ninguém as ouviria, minha alma precisava que eu as dissesse, consumida por toda a agonia que eu guardava dentro de mim, e assim eu o fiz.

Por favor.

- Baile de primavera?

Empaquei diante do grande e colorido cartaz afixado numa das paredes do pátio, após ler as três palavras que apareciam em seu título.

- Nossa, só agora você reparou nisso? – Mayra perguntou, surpresa com meu choque. – Está aí há umas duas semanas, pelo menos.

Impossível. Essa era a palavra que ecoava em minha cabeça, como uma sirene de ambulância. Era absolutamente impossível que aquele cartaz estivesse ali há duas semanas. Como eu poderia ter passado por ele durante quase dez dias e não o ter visto? Quer dizer… Uma coisa tão divulgada como um baile de primavera deveria ter saltado aos meus olhos, certo? Olhei em volta, caçando outros cartazes, e não precisei ir muito longe para encontrá-los. E não foram poucos. OK, talvez eu tenha andado preocupada demais com conflitos internos para reparar neles.

Eu nunca reparo em nada que acontece naquela escola mesmo, a não ser que envolva pessoas de meu interesse.

Um baile de primavera? – repeti, ainda incrédula, e só então meus olhos se dirigiram à data do evento. – Nesse sábado?

– Isso mesmo, Vanessa, um baile de primavera. – Mayra bufou, revirando os olhos e me puxando pela mão até o lugar onde costumávamos ficar durante todos os intervalos. - Para pessoas sociáveis interagirem e se divertirem, o que não costuma se aplicar a nós, pelo menos não no meio dessa gente.

- Se ser sociável é ser fútil que nem o Kroenze e os outros alunos dessa escola, nunca quero deixar de ser anti social. – falei, e ela concordou com um aceno de cabeça. – Na verdade, nem sei por que fiquei tão afetada com esse baile… Não vou participar mesmo.

- Nem eu. – Mayra deu de ombros. – Você podia dormir lá em casa, né? A gente comprava barras de chocolate e passava a noite falando de homens bonitos… Ou mulheres.. O que acha?

- Eu topo, mas prefiro que seja lá em casa. – assenti, me lembrando de minha mãe e da saudadezinha que eu já estava sentindo dela, assim como de meu quarto, meu reino sagrado, meu santuário imaculado e todos os outros nomes religiosos que você pode imaginar. – Já passei muitas noites fora de casa ultimamente.

- Tenho certeza de que nossa noite vai ser muito mais divertida do que a desse povo fútil. – ela disse, convicta, e eu ri de sua expressão convencida. – Falando em futilidade, acabei de me lembrar de que preciso pegar o livro de geografia para a próxima aula… Vem comigo até meu armário?

- Claro. – respondi, rindo novamente de seu comentário sobre geografia e futilidade, opinião com a qual eu concordava plenamente, levando-se em consideração que nosso professor era ninguém mais, ninguém menos que Antonio Reid (ou simplesmente L.A, como alguns o chamavam).

Chegamos rapidamente ao armário de Mayra, e assim que ela o abriu, um pedaço de papel caiu de dentro dele. Ela franziu a testa, desconfiada, e pegou o papel do chão, lendo seu conteúdo logo em seguida. Seus olhos se arregalaram após ler o curto texto escrito no bilhete, e vendo que ela estava paralisada diante do que lera, arranquei o papel de sua mão, curiosa. 

Estou em Miami, e doente de saudades de você. Use o vestido mais bonito que tiver, porque na noite de sábado, você vai ser minha. E se já tiver um par, aconselho que dispense o idiota, a menos que ele queira perder alguns dentes. C. 

Não consegui dizer nada; apenas olhei para Mayra, que se mantinha imóvel, tão em êxtase quanto eu. Ambas sabíamos muito bem quem havia escrito aquele bilhete, mas a surpresa era grande demais para termos qualquer tipo de reação.

- Vanessa… – ela murmurou após alguns segundos de silêncio, me encarando com um misto de medo, surpresa e insegurança no olhar. – Eu conheço essa letra como a palma de minha mão… É a letra do…

- Coyote! – completei, perplexa, percebendo que ela havia deixado a frase inacabada.

Coyote era o ex-namorado de Mayra, que havia se mudado para NY no final do ano anterior. Apesar de ter sido ela quem decidira terminar com o namoro ao invés de tentar um relacionamento à distância, eu sempre soube que Mayra ainda cultivava sentimentos em relação a ele, e que fizera aquilo para evitar os aborrecimentos que um namoro distante pode trazer. Coyote, mesmo sendo totalmente apaixonado por Mayra, o que ela correspondia à altura, percebeu que aquilo seria o melhor para os dois e se contentou em apoiar sua decisão, o que só aumentava minha vontade de vê-los juntos outra vez. Eles eram simplesmente o casal mais fofo que podia existir na face da Terra, fato.

Um sorriso empolgado surgiu em meu rosto. Já havia passado da hora de algo revigorante animar a vida de Mayra, e nada poderia ser melhor do que uma visita de Coyote. E, pelas claras intenções dele, ele não estava vindo para brincadeira; ela parecia saber disso muito melhor do que eu, pelo jeito que suas mãos começaram a tremer.

- E agora, May? – perguntei, observando-a pegar o bilhete de minhas mãos e relê-lo com ansiedade. – O que você vai fazer?

- Eu não faço a menor ideia! – ela quase exclamou, nervosa, e por um momento eu pensei que seus olhos fossem saltar de suas órbitas. – Você acha que… Que eu devo ir ao baile com ele?

- Lógico que deve! – concordei, assentindo vigorosamente, e ela ergueu os olhos do papel para mim, aflita. – Seja lá como ele conseguiu colocar esse bilhete dentro do seu armário, duas coisas são certas: ele está aqui, e obviamente espera uma resposta sua! Então, pelo amor de Deus, ligue pra ele o mais rápido possível e diga que sim!

- Ele está aqui, Vanessa… Ele está aqui, em Miami, perto de mim outra vez. – ela murmurou, respirando fundo e pressionando o papel contra o peito, e eu pude ver que seus olhos estavam ficando ligeiramente úmidos. – Você sabe o quanto ele me faz falta.

- Aawn! – sorri, abraçando-a com força e sem conseguir disfarçar minha empolgação. – Vai dar tudo certo, você vai ver.

- Tomara. – ouvi Mayra suspirar, retribuindo meu abraço, e logo em seguida, o sinal tocou, anunciando o término do intervalo.

Ainda assimilando a surpresa de Coyote, voltamos às nossas classes, com sorrisos de orelha a orelha estampados em nossos rostos. E durante o resto das aulas, me peguei imaginando o reencontro dos dois, e surpreendentemente me esquecendo de meus próprios problemas. Era impossível não sorrir ao visualizar Mayra e Coyote juntos novamente, e tal visão me transmitia uma certa dose de tranquilidade, anulando um pouco a tensão que me rondava. De vez em quando, coisas boas ainda me aconteciam, mesmo que indiretamente, o que me fez pensar que talvez nem tudo estivesse tão perdido assim para mim.

Na hora da saída, a mãe de Mayra já a esperava, e só tivemos tempo de nos despedir com sorrisos eufóricos no rosto. Já minha mãe, pontual como sempre, ainda não havia dado sinal de vida, e eu me conformei em esperá-la, sentada na mureta em frente ao colégio. Alguns minutos depois, minha visão da rua foi bloqueada por uma coisa loira e artificial, que eu nem precisei examinar muito para reconhecer: Fabien Kroenze. Ignorei o fato de que ele tinha outros milhares de lugares para ficar, mas tinha escolhido justo o ponto que me impedia de ver os carros que chegavam, e apenas suspirei, decidida a não me deixar irritar por razões bobas. Se eu continuasse daquele jeito, acabaria ficando com rugas, e Fabien com certeza não era importante o suficiente para ser um dos motivos delas.

Ou talvez fosse.

- Ei, Clara! – ouvi sua voz de ator pornô chamar, e instintivamente meus olhos se fixaram nele, que acenava em direção à saída do colégio. – Vem cá!

Não demorou muito e Clara apareceu, parando bem em frente a ele e a uma distância relativamente pequena de mim, o que me permitia ouvir toda a conversa.

- Sim, senhor. – ela disse, sorrindo de lado, e a mesma raiva que senti no dia anterior voltou a borbulhar em minhas entranhas, fazendo com que minhas mãos involuntariamente se fechassem em punhos.

- Já tem par pro baile de sábado? – ele murmurou, encarando-a com seus olhos de maníaco sexual e ajeitando seu boné naquela cabeça quadrada.

Me recusei a continuar observando aquela cena deplorável praticamente no meio da rua. Sinceramente, de onde aquele babaca havia saído? De um filme trash sobre surfistas drogados e fracassados? Sério, que ódio que eu sentia daquele escroto. Não que eu ligasse pra mulher que ele estava seduzindo, até parece que eu tinha algum tipo de ciúmes da Aguilar, mas era repugnante ter que assistir às suas técnicas sujas e saber que, mesmo sendo tão exageradamente promíscuo, ele costumava conseguir o que queria.

- Já. – ela respondeu, sem se desfazer de seu sorriso, e ao ver que Fabien havia adotado uma expressão chateada, completou sua frase. – Você.

Ele ergueu as sobrancelhas por um momento, surpreso com a brincadeira dela, e logo em seguida voltou a sorrir daquele jeito nojento. Alguém tem uma metralhadora pra me emprestar?

- Quem disse que eu quero ir com você? – ele perguntou, cerrando os olhos de um jeito supostamente provocativo, mas que do meu ponto de vista, só o tornou ainda mais depravado.

- Sua testa. – Clara falou, e pode ter sido só impressão minha, mas parecia haver alguns traços de tédio em seu rosto. – Está escrito nela.

Foi impossível controlar o riso depois daquele fora simplesmente épico, mas eu me esforcei em engolir minhas gargalhadas, processo que, apesar de exigir muito autocontrole, felizmente não chamou muito a atenção das pessoas. Se havia algo que me fazia rir, era ver Fabien levando algum fora; funcionava melhor que qualquer filme de comédia.

- Tem certeza de que é só isso que está escrito? – ele murmurou, lançando olhares discretos para os lados, certificando-se de que quem estava por perto não o ouviria (o que não adiantou nada, porque eu li seus lábios) – Quer chegar mais perto para ler o resto?

Meu queixo caiu até bater no chão com aquele absurdo. Eu realmente viveria muito melhor sem ter ouvido uma cantada tão barata como aquela. Era muita sem-vergonhice mesmo, francamente. Pensando melhor, matá-lo com uma metralhadora seria delicadeza demais… Atirá-lo num tanque de ácido sulfúrico e observar o efeito desse ato me parecia uma ideia muito mais atraente.

- Guarde seu lixo sonoro para o fim de semana, Kroenze. – Clara sorriu, e apesar de suas palavras rudes, vi que ela o encarava com um olhar que eu (infelizmente) conhecia bem: um olhar cheio de luxúria, que tirava o fôlego de qualquer mulher ou homem sem esforço algum. E que agora, só conseguia me causar nojo e ódio. Tá, e daí que não era só isso? O resto não interessa.

Uma buzina soou de leve na rua, e logo depois, ouvi uma voz familiar chamar meu nome. Subitamente alarmada, olhei na direção do som, desviando do bloqueio formado por Fabien, e vi o carro de minha mãe estacionado. Aliviada por finalmente poder ir embora dali, caminhei até o Land Rover, sentindo o olhar de Clara pesar sobre minhas costas durante o trajeto. Ao contrário dela, que grudou seus olhos em mim desde que ouviu minha mãe me chamar, não ousei olhar em sua direção, sentindo meu estômago revirar de nojo devido à ceninha patética entre ela e Fabien. Se era assim que ela queria se comportar, fazendo questão de jogar na minha cara que tinha várias outras garotas e garotos para colocar no meu lugar, ela que aguentasse as consequências de seus atos.

Afinal de contas, eu não estava dando a mínima para isso. Certo?