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019. - O amor modifica, simplifica ou apenas fica.

Rodrigo os encontrou quando entrava no restaurante, acompanhado por uma produtora de elenco, e a voz dele fez com que as poucas pessoas que estavam ali prestassem atenção na cena atípica. Juliana se levantou um tanto que incomodada e o encarou.

— Fala baixo! - Falou entre dentes. - Por favor, sem escândalo aqui.

— Rod, nós só estávamos nos abraçando cara. Fica calmo! - Daniel se levantou e ficou ao lado de Juliana

— Cara, por favor! Não se mete. - Rodrigo bradou - Ju, podemos conversar?

— O assunto tem a ver com os nossos filhos? - Ele negou. - Então eu não tenho nada para falar com você. - Virou para pegar sua bolsa e sair dali, mas ele foi mais rápido e a segurou pelo braço.

— Você não pode ficar se agarrando com ele assim, o que vão pensar da gente? Não aceito isso!

— O que vão pensar? No minimo que você é infantil, por fazer essa cena ridícula. Solta o meu braço!

— Eu não quero mais ver vocês se abraçando, entendeu Daniel? Não chega mais perto da minha mulher, eu te conheço só esta se aproveitando da fraqueza dela, para ficar em cima.

— Rodrigo, você esta se exaltando a toa, não estávamos fazendo nada de errado cara. - Daniel indagou.

— Primeiro solta o meu braço, que você está me machucando. Segundo, você não manda em mim, eu abraço quem eu quiser, beijo quem eu quiser. Estamos separados, ou você acha que só você pode arrumar alguém. - Puxou o braço em vão. - E não que eu te deva satisfação, mas eu e o Dani não temos nada, ele é só um amigo que esta me ajudando. Ao contrario de você que todo mundo já está falando que tem namorada.

— Eu já disse que eu não tenho namorada nenhuma. - Bradou. - Droga, me desculpa, desculpa, eu fui um idiota. Vou agora buscar a nossa filha! - Ela o encarou e ele soltou o seu braço. - Nos vemos mais tarde?

— Pede pra Ana deixar ela já pronta para ir pra casa, eu não vou poder demorar muito. - Desconversou e saiu dali, deixando Rodrigo encarando Daniel de um jeito furioso.

— Tenha paciência com ela, cara. A Ju está muito preocupada com a Lua, está sobrecarregada… Você sabe.

— Virou defensor dela agora, Daniel? - Perguntou rolando os olhos. - Desnecessário hein?

— Eu não estou aqui para defender ninguém, só estou percebendo que ela precisa ser compreendida. Coisa que você não está fazendo, acho que a Ju cansou, foi isso.

Daniel deixou Rodrigo parado no meio do restaurante e voltou para o estúdio, onde encontrou Juliana ainda mais chateada. Mas resolveu não tocar mais no assunto, as gravações para ela e o elenco continuaram.

Já Rodrigo, assim que chegou no colégio de Analua, foi direto para a direção e encontrou sua menina lá emburrada. Ele deu um beijo nos cabelos da pequena e sentou para aguardar a professora da menina, pois iriam ter uma conversa sobre o comportamento dela.

— Rodrigo. - A professora o saudou assim que entrou na sala. - Que bom que pôde vir.

— Imagina, são assuntos da minha filha, eu preciso estar a par. E por falar nisso, o que está acontecendo? A mãe dela me disse que tiveram alguns problemas em sala.

— Bem, é verdade. Nós aqui da escola estamos notando que ela tem estado um pouco triste, e quando algum coleguinha chega para falar com ela, a Analua se mostra agressiva. - Rodrigo apenas suspirou aflito, o que ele menos queria era que seus problemas com Juliana afetassem a filha.

Ele ficou cerca de meia hora conversando com a coordenação pedagogica da escola, com a diretora e a professora da menina, explicou para elas sobre a separação e entendeu que aquele era o motivo principal da mudança de comportamento da filha, porque os coleguinhas a estavam perguntando sobre o pai e a sua namorada, que ela agora teria duas casas e todas essas coisas. Foi então aconselhado a falar e explicar para ela o que de fato estava acontecendo com a família deles.

— Eu vou conversar com ela, muito obrigada. - Disse ao fim da reunião.

— Por nada, nós vamos ajudar no que for preciso. Por hoje a Analua está liberada. - A diretora avisou e a menina sorriu indo para o colo do pai.

Rodrigo foi para a casa de Ana com a filha, que ficou calada o caminho todo. Aquilo não era normal, ele estava começando a ficar com medo de alguma reação psicológica da filha em relação a isso tudo. Assim que chegaram, ela não quis comer e nem tomar banho e ele não a obrigou. Analua só quis ficar deitada junto dele, que por sorte não teria gravação a tarde.

— Pai, porque você deixou a gente? - Ela perguntou após um longo tempo calada.

— Meu amor, o pai não deixou vocês! O pai só saiu de casa, por que não é mais casado com a mamãe eu já não te disse isso?

— Disse, mas é que o jornalista disse que você ta namorando e eu não quero que você namore ninguém, só a minha mãe.

— Mas eu namorei a sua mãe, por muitos anos e aí tivemos você e o seu irmão, só que agora a gente viu que era melhor a gente ficar separado, sabe? Assim separado não tem briga.

— Meus colegas disseram que se o senhor casar de novo, eu posso ter outro irmão, mas eu também não quero outro irmão. - Disse chorosa.

— Eu não vou casar com ninguém filha, muito menos vou te dar outro irmão. Esquece isso, está bem? - A menina assentiu.

— Pai, sabe quando o jornalista disse da sua namorada, aí a gente foi para a casa e a minha mãe bem ficou chorando que eu vi. Quando o senhor morava com a gente, ela não chorava, nem brigava muito comigo e com o Pedro.

— E com o Pê também. - Ela o interrompeu.

— E com o seu irmão também, agora chega desse assunto. Vamos ou não vamos assistir desenho?

— Vamos! - Gritou. - Você tem que voltar logo para a casa, papai. - Disse depois de uma pausa.

E eu vou dar um jeito nisso! Pensou, para logo voltar a atenção ao desenho que passava na tv a sua frente.

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Olá! E aí, curtiram?! Se sim comentem, se não também pode comentar. Beijos,

Anne.