116 anos

O Toque de uma Paixão

 Capítulo 116 :

 LUA

 Há três anos…

— Ana Maria Medeiros, levante-se desse chão. AGORA! — escutei a voz da minha mãe, bem longe, mas consegui entender.

Eu queria pedir ajuda para me levantar, mas eu não tinha energia para proferir nem sequer uma palavra. Tentei focar meus olhos na imagem dela, mas até eles já estavam falhando.

— LUA MARIA LEVANTE-SE AGORA! — senti ela me puxando pelos cabelos, seus olhos estavam raivosos, mas ao mesmo tempo tristes.

Assim que ela me ajudou a ficar de pé, ela disse fria e dura: — olha aqui nos meus olhos, enquanto eu falo com você.

— Não conseguia encará-la, sentia vergonha de mim. Ela não merecia presenciar tudo isso. Abaixei minha cabeça e fitei o chão. Ela segurou o meu queixo e o ergueu, nos deixando frente a frente, olho no olho. Minhas pernas fraquejaram e eu caí novamente, ficando de joelhos.

— Desculpe… Mamãe. — ela ajoelhou e me fez fitá-la.

— Até quando você vai ficar nesse país esperando aquele filho de uma puta vir atrás de você? Até quando? — abaixei novamente a cabeça.

— Olhe para mim Lua Maria! — Ela puxou meu rosto com agressividade e o manteve elevado enquanto falava: — é a última vez que eu venho te buscar.

É a última vez que eu tento de ajudar. É a última vez que eu tento te proteger. Seu filho está morto! Você está viva! O Lorenzo não vai voltar para você. Ele não te ama. Você está entendendo? Estou sendo clara? — chorava sem piscar os olhos e sua expressão era dura. Ela sofria tanto quanto eu.

— Vamos, saia desse porão escuro e volte a viver, volte pra mim minha filha. Por favor! Eu te amo! — elevou ainda mais a minha cabeça para nos olharmos. — Vamos, Levante-se! — levantou e me estendeu a mão.

— Lua… Eu te criei sozinha, criei você para ser feliz. Vamos, segure a minha mão — olhei para sua mão pequena e delicada, mas ao mesmo tempo cheia de garra, força, pronta para defender a sua cria. Mas eu sou covarde e fraquejei.

— Eu não consigo. — Finalmente consegui falar.

— Você consegue minha filha.

— Eu não posso, eu não consigo.

— Confia em mim. Você Consegue. Consegue sim. — Quando levantei a minha mão para segurar a dela, ela me puxou com toda a sua força.

Segurou-me com firmeza. Fitou-me e disse:

— Sabe por que eu sei que você consegue? Por que fui eu quem te criou e educou. Você é forte como eu.

A partir desse dia eu prometi a ela que nunca mais a faria sofrer.

Relembrar tudo isso, me deixa angustiada. Minhas lágrimas caiam pesadas e doloridas, até respirar me causava dor. Eu só queria que o dia terminasse bem. Mas infelizmente, nem sempre é como desejamos.

Pensando bem, nenhuma relação é uma perda de tempo. Se não consegui o que eu buscava, pelo menos aprendi o que precisava. Eu preciso ser forte!

— Chegamos.

Paguei o táxi e desci no bairro boêmio do Rio de Janeiro, Lapa. Liguei meu celular para ver a hora, mas as mensagens e avisos de ligações perdidas fizeram meu celular ficar em congestionamento. Vinte e duas ligações do Arthur, dezesseis mensagens. Que fique desesperado!

Mentiroso!

Entrei no primeiro pub que encontrei, sentei em uma mesa próxima ao palco, onde um rapaz jovem estava cantando uma música e ao mesmo tempo tocando violão. O garçom se aproximou e perguntou o que eu gostaria de beber.

— Tequila. A garrafa.

— Sim, senhorita.

Fiquei olhando para o pequeno palco e para os casais apaixonados que dançavam caladinhos. Onde fui me meter?

Desviei o olhar para o balcão onde havia alguns rapazes bebendo e sorrindo, alguns gritavam palavrões enquanto outros gargalhavam entre eles. Homens! Argh!

— Aqui está senhorita, sua tequila — pedi a garrafa mais ele só trouxe uma dose. Melhor assim, não vale à pena ficar de porre por causa de homem. Mesmo sendo o gostoso do Arthur. Ai já estou com saudades daquela cara de mau, da barba serrada dele. Entorno toda a tequila em uma golada só.

O cantor inicia outra música, que a princípio não conheço de quem seja.

Começa só no violão, até que o som é bom Caralho! Quero ir embora daqui… Se eu continuar escutando essas músicas românticas e que parece que o compositor escreveu especialmente para terminar de foder a sua vida, eu vou ficar mais depressiva do que antes.

Pedi mais uma dose de tequila ao garçom. Tentei não me concentrar na letra da música, mas foi impossível. Não depois de ter escutado há poucos dias o seu namorado cantar no seu ouvido. Devo aceitar que ele foi o meu melhor namorado. Tirando esse dia fodido, os outros foram inesquecíveis.

“Leoni - Os Outros.

Já conheci muita gente

Gostei de alguns garotos

Mas depois de você

Os outros são os outros

Ninguém pode acreditar

Na gente separado

Eu tenho mil amigos, mas você foi

O meu melhor namorado

Procuro evitar comparações

Entre flores e declarações

Eu tento te esquecer

A minha vida continua

Mas é certo que eu seria sempre sua

Quem pode me entender

Depois de você

Os outros são os outros e só

São tantas noites em restaurantes

Amores sem ciúmes

Eu sei bem mais do que antes

Já estou na maior fossa mesmo, para que impedir as lágrimas de caírem.

2

“Há algo de mágico que envolve o Clube de Regatas Flamengo. Não somos o mais antigo, mas somos o maior e mais amado. Não temos estádio, mas temos o Maracanã. Não temos todos os títulos, mas temos os mais importantes. Que outro time consegue causar em seus adversários o temor que o nosso Flamengo causa ao entrar em campo munido do manto sagrado e da oração da torcid na arquibancada em forma de canto. Que outro time tem o hino tão aclamado quanto o Mengão? Que outro time vive em comunhão espiritual tão perfeita com a sua torcida como o nosso? A resposta é fácil: nenhum. Porque só pode existir um Flamengo no mundo, e ele é rubro-negro e carioca.

Hoje é dia de todo flamenguista se orgulhar. Orgulhar-se por torcer por um time que tem em sua galeria as Taças de Campeão Mundial, Campeão da Libertadores e seis títulos de brasileiro. Um time que nunca submeteu seus torcedores à humilhação da segunda divisão. Um time que acima de tudo, é forjado de raça e superação - "Flamengo, Flamengo, tua glória é lutar!”. O mundo é um lugar melhor porque o Flamengo existe. Porque se assim não fosse, “eu teria um desgosto profundo, se faltasse o Flamengo no mundo”.

Parabéns, Flamengo! Parabéns por fazer a humanidade feliz à 116 anos! Obrigada, Flamengo, por me fazer acordar feliz todo dia simplesmente por torcer pelo Melhor de Todos. Uh! Tererê. Sou Flamengo até morrer!” (Renata Alves)

‎"Sou mulambo, sou da favela, sou do povão, sou guerreiro. Sou marrento, sou do samba, sou do rock, sou do pop. Sou rico, sou pobre. Sou dentista, sou frentista. Sou polícia, sou bandido. Sou 37 milhões em um só! Tenho defeitos, sou brasileiro. Mas superando todos eles, conquistei, conquisto, conquistarei! Eu sou o mais temido, invejado, tão secado! Sou aquele que faz três timinhos rivais serem amigos quando eu jogo! Sou aquele que nunca desiste, que acredita no milagre até o último segundo! Quem sou eu? Prazer, sou eterno! Sou Flamengo!

O grito de heptacampeão ecoou no ginásio Hélio Maurício, na Gávea, no dia em que o Flamengo completou 116 anos. Para abrilhantar ainda mais a bela festa de aniversário do clube, a equipe de basquete derrotou o Tijuca por 93 x 75, na tarde desta terça-feira (15.11), e conquistou, de forma invicta e incontestável, seu 37º título estadual, o sétimo consecutivo. Na primeira partida da melhor de três da decisão, o Rubro-negro já havia atropelado o rival por 101 x 74. O capitão Marcelinho foi o cestinha do jogo, com 23 pontos. (Equipe nosso-fla)

E se derem a você 1 hora de vida, quais seriam suas escolhas?
Aprendi que deve-se viver cada dia como se fosse o último, porque um deles realmente será. Não importa como, nem quando, nem onde, a hora de todo mundo vai chegar, com 16 ou com 116 anos. Não importa o quão rico seja, o tamanho da casa ou o tamanho do medo, no fim, todos vão para o mesmo lugar, todos serão iguais, e ninguém será julgado.
—  Mar