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s,

preciso de você pra me ensinar a lidar comigo mesma, é ridículo o fato de eu não conseguir me conhecer mas você me conhece.
meu cérebro faz o mesmo movimento e isso tá pior que o trabalho de Charles Chaplin. quero acreditar que coisas boas irão acontecer, estão acontecendo, mas só penso em coisas ruins. tô perdida. tô exausta.

exausta de mim.

s,

saída de emergência pra mim sempre foi a minha cama e meu travesseiro. senão nossos dias que eu ainda conseguia olhar pro céu e sussurrar alguma coisa como se você estivesse ali me ouvindo e me dando seu ombro. mas nos dias de hoje nem céu, nem travesseiro, nem banho que lava a alma e nem nada mais me deixa calma. eu insisto em falar da sua falta porque eu não quero não posso nem vou aceitar que você foi embora de vez e que nunca mais vou te ver. que nunca mais vou sentir suas mãos macias e sentir a alegria te ter alguém como você do meu lado todos as manhãs, não posso aceitar que você não vai voltar pra me dizer o que eu devo fazer, o que posso melhorar. insisto em falar da sua ausência porque é real e hoje eu vivo num mundo onde essa realidade não existe. onde é proibido gritar que sinto saudade.
de todas as saídas de emergência que já tive na vida seu abraço foi a mais segura e eu não tenho mais esse porto, perdi meu cais
perdi a calma
a cabeça
eu tô por um fio
eu tô sem você.

v.

s,

eu canto sorrindo aqueles versos: “…quando penso em você fecho os olhos de saudade, tenho tido muita coisa menos a felicidade…”

sorrio porque hoje sei lidar com sua ausência, a saudade com seu nome.
a verdade é que não podemos parar no tempo e viver de cara com o óbvio. com o luto de quem se perde alguém que era presente o tempo todo, dois dias, três semanas podem se passar com a dor incomodando. mas e o resto da vida? a verdade é que o óbvio é o cafofo dos preguiçosos, dos pessimistas. se está assim, tanto faz, continuará assim. aliás, se está assim, só fará piorar daqui a diante. tu não acredita? então dê-se por esperar - é assim que se tornam os preguiçosos. estes têm a vantagem sobre os otimistas: não precisam trabalhar. não precisam se mover. aquele que é otimista corre atrás da mudança, daquilo que não é o óbvio e que nem todos alcançam porque desistem no início, sobretudo aquele que é otimista tem esperança. 
pois eu canto esses versos de olhos fechados e sorriso no lábio e digo que canto alto porque assim tu percebe que eu não parei diante do óbvio e alcancei o melhor: a paz e a serenidade da sua presença sem estar por perto. 

…quando penso em você, fecho os olhos de saudade…
v.

Broj nepoznat, bez imena. Mislim da čak nije bio naš broj, neki strani…
-Halo, izvolite ? -Rekao sam…
-Kako si ? -Upita neki drhtavi glas…
-Ko je to ? Da niste pogriješili broj ?
-Bojim se da nisam. Poznajem taj glas još od prije…
Zaćutao sam na par trenutaka, a onda odgovorio.
-Dobro sam, ne žalim se. Bilo je i boljih dana ali eto.
Kako si ti ?
-Ja sam.. dobro, preživljavam. -Reče…
-Otkud ti moj broj ?
Prošlo je dosta godina, niko nije čuo ništa o tebi. Otišla iz iz grada ?
-Nikada nisam obrisala tvoj broj. Znala sam da će doći trenutak kada ću te morati pozvati i tražiti da mi oprostiš neke stvari.
Da, otišla sam. Daleko sam od svih tih gradova. Čak sam i državu promijenila.
-Da ti oprostim ?
Nemam šta da ti oprostim. Sve što je bilo, ostavljam iza nas. Bila si mlada, puna života. Razumijem kako je..
-Mislim da je u tome problem jer uvijek ostavljaš sve iza sebe. Ali isto tako znam da ne možeš. Previše vjeruješ ljudima.
Bio si dobar, znaš. Pored tebe sam bila i više nego sretna. Svakome na svijetu bi te poželjela, ali ne i sebi opet. Ja nisam znala s tobom, a ti se se opet nekako uklapao sa svima. Ponekad mislim da nisam ja bila za ovaj prokleti svijet. Ne znam kako se sada snalaziš, ali željela bi čuti da si dobro i da imaš nekoga. Samo to i idem.
-Ne brini se, obriši suze, ne drami. Nisi ti kriva za sve. Svijet je čudno mjesto za sviju. Bila si mlada i znam da je bilo teško ostati pored mene.
Ma dobro sam ja, znaš još malo i penzija..-Rekoh kroz smijeh. Nemam nikoga, ostario sam ti ja za ljubav. Sada sam više za neki roštilj uz rijeku i hladno pivo…
-Glas ti je još uvijek isti i još uvijek si odličan glumac. Oduvijek sam željela da budem poput tebe. Hladna, čak i onda kada u meni ne bude ništa osim krhotina. Divim ti se, divim… -Reče…
-Oprosti ako sam te omela u nekom poslu, samo sam željela da ti čujem glas.
-Ma ništa. U redu je, preživjećemo već. Ako se nekada nađeš u ovom gradu, navrati. Neće mi škoditi jedna kafa s tobom.
-Navratiću, naravno da hoću. Kao što ti kažeš, preživjećemo…
-Čuvaj se i budi mi dobro…- Već tada glas me izdao. Zadrhtao je, a zatim sam poklopio slušalicu da ne bi čuo kako mi kaže da se i ja čuvam.
Jaka je ona žena, preživjeće…