06.2011

deixar-me ir|filipechinita|junho2011


1.
mergulho
meio corpo
dentro de água
como se
sereia
fosse

2.
deixo
a outra metade
recostada sobre as pedras
revestidas de
frescos
limos
- ainda húmidos
de sal -

3.
deito
a minha cabeça para trás
encostada à pedra
erguida aos
céus
.
de olhos fechados
como se estendido numa chaise-longue
de um majestoso spa
estivera

4.
seguro-me
de braços esticados bem firmes
- nas pedras ao lado -
para ter a certeza
de não levantar
voo
.
sentir-me
de algum modo
ligado
à
terra

5.
deixando-me
esbater
pelos raios
do
sol
.
pela ligeira
brisa
dos
ventos

6.
deixando-me
invadir
pelo som do tropel
das ondas
do mar
.
que vindas
do infinito
curvo
.
em que
- com o azul do céu -
se fundem
.
cavalgam
sobre
mim
.
como
se viessem
submergir-me
.
quisessem
deglutir-me

7.
é
nessa cavalgada
dos elementos
sobre mim
- como
se nada mais existisse
no mundo -
que um dia
gostaria
de me
deixar
ir
.
fj

23 de Junho de 2011 às 22:49
imagem - filipe chinita
filipe chinita ©
sebenta 05.2014
​sem revisão.
ao momento e de uma vez só.
pode conter erros
falhas de
ritmo
e falsas
perspectivas
de arquitectura