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antes você precisa repetir que nada tem a obrigação de ficar e que ir não precisa significar falta de amor - assim como permanecer não é excesso.

você precisa se fazer entender que tá tudo bem, que é tudo tráfego, que vai ser incrível de novo.

é só você dizer, que aquela outra pessoa já era imensa sem você e que ela vai continuar e que você é absurdamente grato por tudo que ela também te ensinou, por todos os bons momentos e manias que com ela você absorveu.

porque o fim, esse sobre o qual a gente se desdobra, não precisa ser sempre tão doído e, caso seja, não precisa ser a única verdade que a gente conhece.

eu vejo como o vazio tem valor

(eu tento me esvaziar)

as pessoas são tão cheias de si, que não precisam mais serem completas.
transbordar não é mais interessante
e o superficial é mais agradável

Sentir é morte e ninguém quer se jogar do pedestal.

não tem como superar alguém que te marcou muito, porque não tem como esquecer ou apagar a memória. alguém que colocou a mão na nossa pele, destrinchou os pensamentos mais ocultos, resgatou nossa vontade de amar. mesmo depois do fim, mesmo que os braços já não se enrolem ou que os pés não se entrelacem, mesmo que as músicas se tornem vazias e os textos sem sentido, mesmo que se siga em frente porque é a única opção, a gente não supera. não tem uma fórmula matemática para se superar alguém. você não acorda numa terça-feira e diz “pronto, te superei”. porque pessoas não são barreiras; mas sim sensações, sentimentos, gestos, gostos. a gente só segue em frente, como quem perdeu as chaves de casa e precisa fazer outras, adequar o formato, se preocupar com quem possa invadir. perder alguém é isso: saber que não há volta, mas que pode-se preservar alguma coisa bonita. e que se precisa seguir, não importa para onde, porque marcou. superar é seguir em frente.
—  textos cruéis demais para serem lidos rapidamente