岗仁波钦

Sentada em um dos bancos do saguão, Zara olhou para as próprias mãos ensanguentadas e inevitavelmente trêmulas. Tinham perdido mais uma pessoa, dessa vez não por causa da mordida, mas pela perda de sangue que a amputação tinha lhe causado. Zara não tinha obrigação nenhuma em se envolver, mas ela sabia que não poderia deixar ninguém sozinho depois de um trauma tão grande. Com tudo acontecendo rápido demais, cada morte que presenciava era como um novo peso nas suas costas, mesmo que nada fosse sua culpa. Uma lágrima escapou e Zara limpou-a com as costas de sua mão, esperando que não se sujasse mais antes de voltar. No entanto, um vulto ao seu lado a chamou a atenção, quase assustando-a antes de virar-se para dar de cara com uma pessoa.   — Desculpe.  — Ela disse.  — Eu… Achei que estivesse sozinha.

Não é sobre ter todas as pessoas do mundo pra si, é sobre saber que em algum lugar alguém zela por ti. É sobre cantar e poder escutar mais do que a própria voz, é sobre dançar na chuva de vida que caí sobre nós. É saber se sentir infinito num universo tão vasto e bonito, é saber sonhar e então fazer valer a pena daquele verso daquele poema sobre acreditar. Não é sobre chegar no topo do mundo e saber que venceu, é sobre escalar e sentir que o caminho te fortaleceu. É sobre ser amigo e também ter morada em outros corações e assim ter amigos contigo em todas as situações. A gente não poder ter tudo. Qual seria a graça do mundo se fosse assim? Por isso eu prefiro sorrisos e os presentes que a vida trouxe pra perto de mim. Não é sobre tudo que o seu dinheiro é capaz de comprar e assim sobre cada momento sorrindo a compartilhar, também não é sobre correr contra o tempo pra ter sempre mais. Porque quando menos se espera a vida já ficou pra trás. Segura teu filho no colo. Sorria e abrace teus pais enquanto estão aqui. Que a vida é trem-bala, parceiro e a gente é só passageiro prestes a partir.
—  Ana Vilela.