わっぱ飯

Barbara estava perdida, completamente desorientada. Há poucas semanas estava confortável em sua rotina, indo ao trabalho com cuidado, comprando vegetais orgânicos e jantando tranquilamente com sua família. Agora, não tinha mais nada nem ninguém. Parecia cercada de criaturas horrendas e humanos terríveis que se aproveitavam da situação para abusar do poder, nunca antes se imaginara em uma situação tão pavorosa. Os tais soldados deveriam estar lá para proteger os civis, no entanto, Barbara já não se sentia tão certa sobre isso. Temia tudo e todos. Estava tão assustada que, ao virar uma esquina e trombar com alguém, deixou um pedido desesperado escapar. “Por favor, não me mate” exclamou, encolhendo o corpo, sem ao menos olhar o desconhecido.

Não é sobre ter todas as pessoas do mundo pra si, é sobre saber que em algum lugar alguém zela por ti. É sobre cantar e poder escutar mais do que a própria voz, é sobre dançar na chuva de vida que caí sobre nós. É saber se sentir infinito num universo tão vasto e bonito, é saber sonhar e então fazer valer a pena daquele verso daquele poema sobre acreditar. Não é sobre chegar no topo do mundo e saber que venceu, é sobre escalar e sentir que o caminho te fortaleceu. É sobre ser amigo e também ter morada em outros corações e assim ter amigos contigo em todas as situações. A gente não poder ter tudo. Qual seria a graça do mundo se fosse assim? Por isso eu prefiro sorrisos e os presentes que a vida trouxe pra perto de mim. Não é sobre tudo que o seu dinheiro é capaz de comprar e assim sobre cada momento sorrindo a compartilhar, também não é sobre correr contra o tempo pra ter sempre mais. Porque quando menos se espera a vida já ficou pra trás. Segura teu filho no colo. Sorria e abrace teus pais enquanto estão aqui. Que a vida é trem-bala, parceiro e a gente é só passageiro prestes a partir.
—  Ana Vilela.