!tona

Se eu pudesse escolher, é claro que não estaria ali. Só que eu nem sei onde estaria, e o primeiro lugar que me vem à tona não é exatamente um lugar, e assim percebo que na verdade não tenho nenhum rumo em mente. Nem pra onde ir, nem o que fazer, e nem quem procurar. Tudo que eu faço achando que é por amor, é uma busca por prazer, é para me sentir vivo. O prazer é a trégua da minha agonizante guerrilha existencial.
—  Gabito Nunes.    

“Tenho medo de escrever. É tão perigoso. Quem tentou, sabe. Perigo de mexer no que está oculto — e o mundo não está à tona, está oculto em suas raízes submersas em profundidades do mar. Para escrever tenho que me colocar no vazio. Neste vazio é que existo intuitivamente. Mas é um vazio terrivelmente perigoso: dele arranco sangue. Sou um escritor que tem medo da cilada das palavras: as palavras que digo escondem outras — quais? talvez as diga. Escrever é uma pedra lançada no poço fundo.”

— Clarice Lispector, Um Sopro de Vida.

Talvez eu até goste de você ainda. Talvez eu até sinta sua falta e, quem sabe eu até sonhe contigo algumas noites, ou todas. Pode ser também que eu durma e acorde pensando em nós, ou que eu chore abraçada àquela nossa foto. Pode ser que, por hipótese eu até tenha pensado na possibilidade de ir atrás de você, de te mandar uma mensagem, mas aí tudo vem à tona e me convenço que o melhor para nós dois é seguirmos separados.
—  No que você me tornou

me desculpa por despedaçar todas as suas expectativas, mas eu sempre quis ser mais do que eu sabia que eu era. é complicado aceitar ser desinteressante, então acabo me agarrando a qualquer chance de ser incrível, mesmo sabendo que toda a verdade uma hora vem à tona. eu agora estou aqui, despido de qualquer façanha, mostrando meu verdadeiro eu, esse que até então não conseguia mais enxergar. a verdade é que todos nós temos essa cruel mania de transformar nossa realidade em um teatro, mas esquecemos que a platéia cansa quando o desfecho da trama não muda e o mocinho acaba sendo sempre previsível. o que nos afaga é a nossa autenticidade. o que nos dá força é ser surpreendido com nossas vontades genuínas.

hoje, eu percebi que nada mais sou do que essa constante mutação. 

então, por favor, não espere muito de mim. 

tem dias que sou constelação, outros sou apenas pó.  

Quando nossa dor já não é mais física, quando ela vem de dentro, não existe remédio capaz de curar. Quando a dor está no seu ser ela dificilmente encontra o caminho pra ir embora. É como se ela morasse ali dentro, sabe, por mais que as vezes fique tudo bem, minutos depois ela vem a tona. Sai de dentro pra fora, as vezes em forma de lágrimas e as vezes em forma de silêncio.
—  Israel Muniz
Porque a vida segue. Mas o que foi bonito fica com toda a força. Mesmo que a gente tente apagar com outras coisas bonitas ou leves, certos momentos nem o tempo apaga. E a gente lembra. E já não dói mais. Mas dá saudade. Uma saudade que faz os olhos brilharem por alguns segundos e um sorriso escapar volta e meia, quando a cabeça insiste em trazer a tona, o que o coração vive tentando deixar pra trás.
—  Caio Fernando Abreu.
Progress Update

This week has been very productive for me!

  • I did some GCs, and am now 58% done with the art! (Except busts cause I’m not counting those yet lol I welcome death–)
  • Added some nameboxes
  • Worked on a puzzle
  • Programmed some cutscenes
  • And fixed a bug that has been bugging me (pun absolutely intended) for a year!!!!

I’m contemplating changing the tilesets I’m using because they’re a bit tall and it would be a lot easier to do that than to remake all the sprites to be taller…and some of them don’t work with the Aesthetic™ anyway. 

I’m still curious how often you guys would like an update! If you have any feedback, please let me know <3

One more thing: the full demo will come out May 21! It will feature a full main ending (with some subendings) and won’t have many story spoilers.

E o sol se pôs no alaranjado  mais bonito do mundo dentro dos teus olhos. Enquanto você girava o cigarro na ponta dos dedos e olhava pro nada, tentando me enxergar. E não há nada mais terrível do que isso. Não ser visto. Enquanto todos os outros sóis iam embora, dentro de mim amanhecia agora, todos os medos, e planos e sentimentos ignorados depois de muita análise de quinta. Que você trouxa à tona. Difícil explicar essa sensação de ser remexido por dentro. De dentro, para dentro. Do mesmo modo que doía ver você atravessar a mão no meu peito e segurar tudo com mais unha do que dente, doía também não poder demonstrar nenhuma dor ou descontrole, ainda que eu quisesse, e muito. O Sol se pôs na jabuticaba dos teus olhos e o que fazia sentido sentir, agora não passava de um emaranhado de sensações desconfortáveis e muito úteis para alguém. Eu me pus também, dentro dos teus olhos perdidos, agora, tão cheios de mim que escorriam. E te ver me escorrer assim, num alaranjado cor de vontade de morrer de amor, não é nem de longe, a coisa mais simples do mundo. Porque a vida maltrata quem sente demais, então você sente o que eu sinto e não faz sentido nenhum esse cigarro na sua mão. Eu precisava de um cigarro. Porque até mesmo eu que não fumo, te trago dentro do peito. E mesmo que a endoscopia emocional seja um mal que vem para o bem, tudo o que eu sinto agora é que a minha bagunça não é mais minha, e eu nem sei aonde ficam as coisas, as minhas coisas, e as coisas dos outros. Porque tem alaranjado pôr-do-sol em tudo quanto é parte do cômodo e eu não sei ainda o que isso quer dizer no final das contas. O sol se põe todos os dias, mas a sensação de final de tarde, final de dia, a sensação de término, não saiu desde então. Agora a espera sem fim que parecia ter sido encerrada, continua desesperadamente a se pôr junto com o sol, mas não consegue. Tudo porque o que eu quero, ainda não existe. Ou existe, mas não é mais o que eu quero. Entende? Ainda que esticar o braço, atravessar a garganta de alguém e segurar os seus medos medos seja a coisa mais apropriada a fazer, eu ainda não sei se ter a garganta atravessada por uma mão pequena que tenta agarrar o mundo, segurando os seus medos é a melhor sensação do mundo. Eu me vi refletido nos últimos instantes do dia, e não me achei bonito, enquanto ainda tinha pôr do sol nos teus olhos e vai ter para sempre. Você é o alaranjado cor de morrer de amor, mais bonito de todos. Porque o sol se põe dentro do mundo todos os dias, mas continua dentro dos teus olhos, toda vez que você sorri.
—  Ciceero M.