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“chegadas são iniciativas de adeus e não de permanência.”

isso foi a única coisa que eu consegui escrever quando notei que você já tinha ido embora há algum tempo mesmo que não no ato físico.
e hoje eu quero falar sobre você. preciso falar sobre você.
isso não é sobre como você foi cruel em ir, porque ninguém é obrigado a ficar e tuas asas são bonitas demais para ficarem paradas.
isso é sobre lembrar do teu sorriso, da tua voz grave e de como tu me salvou de mim em junho.
isso é sobre sentir um misto de saudade e paz – paz por saber que tu passou por aqui.
tua existência ainda me afeta de uma maneira bonita de se levar. e eu levo esse afeto.
você corre pelas minhas artérias. porque as minhas hemácias são compostas de amor.
você sabe do meu fascínio por história e a tua eu gravei.
eu sei teus gostos, medos e até da tua impaciência
[heaven is a place on earth with you]
eu quis ser revolucionária e quis que a minha causa fosse você.
eu quis hastear a bandeira de paz na tua vida;
paz igual a que tu me fez sentir quando tocou a minha música favorita ou quando a gente conversava por horas sobre qualquer banalidade.
paz igual a que eu sinto por tu existir ou por saber que tu também odeia frutinhas cristalizadas.
e eu torço pra que em algum momento mesmo que pequeno, eu tenha te passado um pouco dessa paz.
porque a que tu me passou foi tão grande que ela ainda tá aqui.
paz paz paz
teu nome deveria ser paz.

chegadas podem sim ser iniciativas de adeus, mas algo sempre permanece.
em mim permaneceu a paz que tu me trouxe. obrigada.