Talvez esse seja meu maior pecado, não querer enxergar quando uma situação ou sentimento chega ao fim. Meu desejo de querer mover montanhas por algo ou alguém, é o que me pesa nos ombros, insisto tanto que acabo esquecendo de que a vida pode se acabar em frações de segundos. Encerrar ciclos é doloroso, fechar portas é entristecedor, terminar capítulos é doído. Mas não importa o quanto doa, o quanto machuque a vida pede isso de nós, o tempo não para e nem alivia pra ninguém. E mesmo cansados de saber disso, não deixamos ir embora, não soltamos, não nos desprendemos das coisas ou das pessoas por medo não suportar, de não conseguir seguir em frente. E aí a vida te coloca em uma enrascada, o tempo te pressiona. Vai recuar ou avançar? Eis a questão. Eis onde dói. Só podemos começar um novo capítulo, uma nova etapa, quando soubermos o que queremos para nós mesmos e lamentavelmente, às vezes nós não sabemos o que realmente queremos. Nada se parece mais com aquelas manhãs ensolaradas dos meus seis anos, em que eu inocentemente acreditava que tudo era pra sempre. Que o tardar da vida me ensine, que o passar do tempo me guie, para que eu tenha coragem de encerrar ciclos. De deixar ir. Soltar. Desprender-se e desagarrar-se do que já não faz mais parte de mim. E que isso aconteça não por arrogância, mas por necessidade de saber crescer, evoluir e me tornar mais humano. Que eu saiba fechar a porta, interromper a música, ouvir o silêncio e seguir.