“Quando já não tinha espaço pequena fui, onde a vida me cabia apertada em um canto qualquer acomodei minha dança, os meus traços de chuva e o que é estar em paz pra ser minha e assim ser sua. Quando já não procurava mais pude enfim, nos olhos teus vestidos d'água me atirar tranqüila daqui, lavar os degraus, os sonhos e as calçadas e assim no teu corpo eu fui chuva, jeito bom de se encontrar e assim no teu gosto eu fui chuva, jeito bom de se deixar viver. Nada do que eu fui me veste agora sou toda gota, que escorre livre pelo rosto e só sossega quando encontra a tua boca. E mesmo que em ti me perca nunca mais serei aquela que se fez seca vendo a vida passar pela janela”
— Maria Gadú.









