The Old Town Bookshop, Edinburgh
“Seja a versão de si mesmo que você sonhou em ser quando criança. Seja o tipo de pessoa que esse mundo precisa. Sinta-se. Floresça de novo, a cada primavera. Seja a rosa entre os espinhos. Ou seja os espinhos que protegem as rosas. Seja verdadeiro. Seja exatamente quem você é.”
— Larissa Dias.
“In the end
we'll all become stories.”
– Margaret Atwood
A Elegância de Esvaziar a Boca de Histórias
Precisei abandonar a todos Fechei meus lábios a virtudes Promessas cheias de expectativas Expectorando arrogância
Eu não sei acolher máscaras Tudo escorre dos meus olhos: Os destituídos, os desamores, Os poderes, a exaustão, as luzes da cidade
Apodreci em minha casca Servi a intuição de um abandono Ao qual não lhe interessa E ainda não fora desvendado
Entretanto, ele pulsa aqui Nos escombros de bustos de mármore Soterrado na primeira infância do acto Concluo que não quis pertencer a nada
A sombra entre tumultos e solstícios A nudez que perdura e entranha Perpetuando um desejo que que equilibra-se Entre o tato e a fortuna da saliva
Tudo que me atesta passa por mim Como se fossem delimitações Marcas por línguas que circulam minha pele Com todo o desprezo que minha voz sumida causa
Elegantemente, escondo meu rosto Para que não me reconheças nos flashes Que se esbarram entre imagens e estímulos O meu intervalo é uma beleza em dois atos
Se preferires, uma faca de dois gumes Contando como se fosse minha Uma história que não me pertence mais E um sorriso azedo, disfarçado o desconforto
eu quero um lugar que habite minha humanidade mais frágil
minha parte mais podre
meu lado mais sensível
minhas metáforas mais confusas
meus anseios maiores que o mundo.
eu quero um lugar onde eu possa ser eu.
sem ser mais, nem menos. apenas eu.
Não existe o tempo certo, não existe preparo. O que existe é a decisão.






