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@poetadoalem

“Seja a versão de si mesmo que você sonhou em ser quando criança. Seja o tipo de pessoa que esse mundo precisa. Sinta-se. Floresça de novo, a cada primavera. Seja a rosa entre os espinhos. Ou seja os espinhos que protegem as rosas. Seja verdadeiro. Seja exatamente quem você é.”

Larissa Dias.

A Elegância de Esvaziar a Boca de Histórias

Precisei abandonar a todos Fechei meus lábios a virtudes Promessas cheias de expectativas Expectorando arrogância

Eu não sei acolher máscaras Tudo escorre dos meus olhos: Os destituídos, os desamores, Os poderes, a exaustão, as luzes da cidade

Apodreci em minha casca Servi a intuição de um abandono Ao qual não lhe interessa E ainda não fora desvendado

Entretanto, ele pulsa aqui Nos escombros de bustos de mármore Soterrado na primeira infância do acto Concluo que não quis pertencer a nada

A sombra entre tumultos e solstícios A nudez que perdura e entranha Perpetuando um desejo que que equilibra-se Entre o tato e a fortuna da saliva

Tudo que me atesta passa por mim Como se fossem delimitações Marcas por línguas que circulam minha pele Com todo o desprezo que minha voz sumida causa

Elegantemente, escondo meu rosto Para que não me reconheças nos flashes Que se esbarram entre imagens e estímulos O meu intervalo é uma beleza em dois atos

Se preferires, uma faca de dois gumes Contando como se fosse minha Uma história que não me pertence mais E um sorriso azedo, disfarçado o desconforto

eu quero um lugar que habite minha humanidade mais frágil

minha parte mais podre

meu lado mais sensível

minhas metáforas mais confusas

meus anseios maiores que o mundo.

eu quero um lugar onde eu possa ser eu.

sem ser mais, nem menos. apenas eu.