No começo, foi difícil encarar que tudo acabou. Eu vagava pelo mundo como se fosse um nada, e eu era.
Poucas pessoas lembravam de mim, algumas até olhavam para as estrelas e procuravam pela minha, me senti um pouco especial no meio de uma sociedade de merda.
Nunca fui de atrapalhar ninguém, e me pegaram meio de surpresa antes de estar aqui, aonde vejo azul, branco e espíritos.
Antes de vir para cá, entrei em um lugar estranho, dentro de um lugar fechado, desconfortável aonde meu corpo foi deixado, esquecido. Naquele lugar acaba a vaidade, riqueza, pobreza, lá, somos todos iguais, todos com os corpos transparentes, voando pelo mundo, esquecidos.
Voltei ao lugar que vivia, me lembrei de muitas coisas, vi minha mãe, chorando em minha cama, mas, ela nunca se importou comigo, achei realmente estranho. Ela gritava “Filho, acabei lhe esquecendo dentro de um mundo e agora você me deixou aqui.” Acabei chorando com ela, sem ela saber, mas, ela via as lágrimas correndo em meu rosto fazendo-me aparecer para ela, então ela disse “Leve-me contigo.”, eu apenas olhei fundo naqueles olhos azuis, borrados pelo rímel e falei “Um dia, voltarei para te buscar, seremos felizes num lugar apenas, lembre-se, eu te amo”.